No que tange à pesquisa bibliográfica, de acordo com Fonseca (2002, p. 32) ela é feita:
[...] a partir do levantamento de referências teóricas já analisadas, e publicadas por meios escritos e eletrônicos, como livros, artigos científicos, páginas de web sites. Qualquer trabalho científico inicia-se com uma pesquisa bibliográfica, que permite ao pesquisador conhecer o que já se estudou sobre o assunto. Existem porém pesquisas científicas que se baseiam unicamente na pesquisa bibliográfica, procurando referências teóricas publicadas com o objetivo de recolher informações ou conhecimentos prévios sobre o problema a respeito do qual se procura a resposta (FONSECA, 2002, p. 32).
Corroborando com essa perspectiva, Lima e Mioto (2007, p. 40) afirmam que a utilização da pesquisa bibliográfica em estudos exploratórios e/ou descritivos se justifica pelo fato de que, nesses casos, “o objeto de estudo proposto é pouco estudado, tornando difícil a formulação de hipóteses precisas e operacionalizáveis”, como é o caso da temática escolhida para essa pesquisa. Nessa linha, Gil (1994, apud LIMA; MIOTO, 2007, p. 40) defende que:
[...] a pesquisa bibliográfica possibilita um amplo alcance de informações, além de permitir a utilização de dados dispersos em inúmeras publicações, auxiliando também na construção, ou na melhor definição do quadro conceitual que envolve o objeto de estudo proposto.
Na pesquisa bibliográfica realizada no presente estudo, fez-se o reconhecimento, a análise e a síntese a partir de fontes publicadas por autores nacionais e internacionais, em meios impressos e digitais, como livros, artigos científicos e revistas temáticas, dentre outros que formaram o conjunto de leituras que embasaram a construção da linha teórica para responder ao problema proposto.
Essa construção foi pautada nas seguintes seções:
Seção 2: visou desenvolver a contextualização das micro e pequenas empresas, objeto desse estudo, buscando identificar aspectos visíveis e invisíveis que
costumam estar presentes nessas organizações e que podem facilitar ou dificultar a inovação. Essa seção foi construída para que, uma vez feita a apresentação do objeto de estudo, se tornasse possível a realização de correlações entre as nuances apresentadas das MPEs e as temáticas abordadas nas demais seções;
Seção 3: construída a fim de entender como os significados históricos e culturais continuamente criados em torno do conceito de inovação interferem nos desafios, obstáculos e oportunidades para inovar, e de que maneira as abordagens de cultura de inovação e culturas de inovação se inserem nesse âmbito;
Seção 4: visou investigar como ocorre a construção do conhecimento entre os indivíduos e organizações por meio da aprendizagem, e de que maneira a inovação pode ser compreendida e ressignificada nos processos permanentes de aprendizado que partem da conscientização, problematização, questionamento, compartilhamento e leitura de mundo;
Seção 5: delineada com o intuito de vislumbrar de que maneira o entendimento da comunicação enquanto constituinte e indutora dos processos organizacionais – ou a falta desse entendimento – pode interferir na construção de culturas de inovação;
As considerações preliminares obtidas com a pesquisa bibliográfica estão sistematizadas no quadro 8.
Partindo da pesquisa bibliográfica e visando efetuar correlações entre as considerações preliminares obtidas em cada seção, efetuou-se a estrutura e aplicação da análise de conteúdo (BARDIN, 2000).
Quadro 8 - Sistematização dos resultados preliminares da pesquisa bibliográfica
Seção Título da seção Autores consultados de
maior relevância Considerações preliminares
2
As micro e pequenas empresas para além de determinismos e
estereótipos
TOFFLER (1980)
DUARTE E ALCADIPANI (2016)
MARCHESNAY (2003) TORRÈS (2003a; 2003b)
- Pode-se entender que as micro e pequenas empresas precisam ser analisadas em relação a aspectos visíveis e invisíveis, e infere-se que muitos deles são cultural e historicamente construídos a partir do fenômeno da proximidade.
- Quanto à proximidade, acredita-se que ela pode contribuir para ampliar a centralização das decisões, a informalidade excessiva e a minimização de conflitos necessários ao pensamento divergente. No entanto, ela também pode ser encarada como uma potencialidade estratégica que, se for consciente, pode estimular a inovação à medida que facilita e é ao mesmo tempo facilitada por processos comunicacionais e de aprendizagem.
3 Inovação: uma construção cultural
GODIN (2008; 2011; 2014a;
2014b; 2015)
SCHUMPETER (1961;
1997)
JUCEVICIUS (2007; 2010) JAIME JÚNIOR (2002)
- Reconhece-se a inovação enquanto uma construção cultural que envolve processos de mudança continuamente delineados e ressignificados sócio, histórico e situacionalmente, no nível da sociedade, do indivíduo e das organizações, e que dependem da aprendizagem e da comunicação.
- No âmbito organizacional, entende-se a inovação enquanto meio a ser permanentemente tecido a partir de um questionamento permanente das práticas culturais, ao mesmo tempo em que a organização mantém-se capaz de produzir resultados inovadores. Esse entendimento está pautado no conceito de cultura de inovação.
- Admite-se que a compreensão de cultura de inovação deve ser vislumbrada tanto em relação a aspectos mais globais, quanto no que tange às especificidades de cada organização, e para valorizar essas especificidades, sugere-se a abordagem de culturas de inovação.
4
A ressignificação da inovação nas organizações a partir
da aprendizagem
FREIRE (1967; 1981; 1983;
1987; 1996) CHOO (2006)
NONAKA e TAKEUCHI (2008)
WILLIAMS; KAROUSOU E MACKNESS (2011)
- Entende-se que o conhecimento, tanto tácito quanto explícito, é construído a partir do nexo entre saber e agir, e essa construção está sujeita a processos de aprendizagem pautados pela cultura, pela problematização e pelo questionamento, que ocorram em um contexto favorável em constante movimento.
- Os processos de questionamento e problematização são inexoráveis não apenas à aprendizagem como também à ocorrência da inovação, e envolvem, por sua vez, uma leitura de mundo que poderia ser estimulada por uma espécie de alfabetização para culturas de inovação.
- Para que a aprendizagem possibilite a inovação, ela ainda precisa ser encarada como um processo emergente relacional, que possibilita a criação de novos significados, e que está ligado à comunicação.
5
O reconhecimento da comunicação como
constituinte das organizações e indutora de processos
organizacionais
MARCHIORI (2006; 2008;
2013)
BADILLO (2013) SENNETT (2012) ALTER (2010) SILVA (2008)
- Reconhece-se que a comunicação faz parte da essência organizacional enquanto constituinte da organização e ao mesmo tempo indutora de processos organizacionais que podem estimular a cooperação e a inovação.
- Acredita-se que a coexistência entre cooperação e conflito em toda e qualquer relação é condição fundamental para a inovação.
- Entende-se que é preciso vislumbrar a inovação de uma perspectiva comunicacional, que envolve relacionamentos entre os indivíduos de uma organização e entre as organizações, e pode ser impulsionada pela proximidade e pela digitalização.
Fonte: elaborado pela autora.
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