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Pilares da Economia do Conhecimento

No documento UNIVERSIDADE FUMEC/MG (páginas 39-44)

constituem finalidades dos IFs o estímulo ao empreendedorismo, à produção, ao desenvolvimento e à transferência de tecnologias (BRASIL, 2008).

Nesse contexto, integrando o tripé composto pelas atividades de ensino, pesquisa e extensão (indissociáveis, conforme disposto no artigo 207 da CF/88), consolida-se a inovação como uma prática unificada e agregadora para o sistema educacional.

A equiparação do conhecimento com os bens tangíveis, assim denominados convencionais, é imprópria, pois quando se pensa no conhecimento como categoria econômica, requisitos próprios dos ativos econômicos, como materialidade, fungibilidade, confiança, estocabilidade, objetividade e equivalência, mostram-se ausentes em sua composição (LOPES, 2006; MACHADO, 2015).

Enquanto mercadoria, o conhecimento/informação são bens intangíveis, “não-rivais”

(MORENO, 2015, p.13). Pode-se dar ou vender o conhecimento a outrem e, mesmo assim, não o perder (MACHADO, 2015). Portanto, a hipótese “de alguém transmitir a outrem uma informação não implica que o primeiro sujeito fique despojado dessa informação” (MORENO, 2015, p. 13).

Nesse sentido, Machado (2015, p. 10) explica que, “quando buscamos o conhecimento com os outros, todos podemos chegar lá, a compreensão pode ser plenamente alcançada por todos, sem jogos de perdas e ganhos”.

Quanto às divergências entre a privacidade e o rendimento coletivo, à informação/conhecimento, Herscovici (2004, p. 98) esclarece que ao serem produzidos “a partir de modalidades privadas, é preciso instaurar direitos de propriedades para limitar suas modalidades de apropriação a fim de poder rentabilizar os custos irreversíveis”.

Nesse viés, Lopes (2006, p. 74) defende a aproximação dos termos à noção de bem público, afirmando que a apropriação privada só é “possível através da intermediação de barreiras artificiais, como os “direitos de propriedade intelectual”, os “segredos da empresa”, as “tecnologias opacas, etc.”

Machado (2015, p. 10) afirma que “o conhecimento é um valor, mas não é como um pote de ouro a ser disputado, repartido de modo meramente contábil, ou apropriado por uns em detrimento de outros”. O conhecimento é valioso, por representar boas informações, possuindo um importante papel na vida dos seres humanos que usam e compartilham informações frequentemente (SANTOS, 2018).

As organizações geram valor quando integram seus conhecimentos aos seus recursos disponíveis, aumentando a capacidade de inovação e de posicionamento no mercado (FRANÇA, 2020).

As transformações ocorridas na passagem para a EIC e as alterações das tecnologias de informação e comunicação analógicas para as digitais refletiram na forma de captura do conhecimento, sobretudo em seu valor econômico. Apresentam-se simultaneamente como

produtos e agentes da globalização, de impossível mensuração econômica, diante da subjetividade que os envolvem (MORENO, 2015).

O conhecimento, na economia do conhecimento, é traduzido em o que se compra, vende e produz, reafirmando um dos pilares dessa economia. Ele substituiu o trabalho físico, automatizou todo o trabalho de rotina, constituindo-se em todas as ações do indivíduo (STEWART, 2002).

2.2.2 Ativos de conhecimento: ativos intangíveis ou capital intelectual

Não é novo que o que move as organizações seja o conhecimento. Os ativos tradicionais compreendidos como capital físico e financeiro não perderam o significado na EIC, mas a centralidade que o conhecimento tomou nessa era, agregando valor ao trabalho, que fez com que ele se tornasse um ativo corporativo inevitável e elementar aos meios de produção (STEWART, 2002).

No período anterior à década de 80, o mundo dos negócios se baseava nos ativos tangíveis, com aplicação de práticas contábeis tradicionais. Segundo Stewart (2002), com o advento da “economia do conhecimento”, os ativos intangíveis ganharam espaço nas empresas.

Enfatiza-se que o conhecimento “tem origem e é aplicado na mente dos conhecedores.

Nas organizações, ele costuma estar embutido não só em documentos ou repositórios, mas também em rotinas, processos, práticas e normas organizacionais” (DAVENPORT, PRUSAK;

1998, p. 06). Nesse viés, pode-se afirmar que os ativos intangíveis ganharam mais relevância para o sucesso da empresa do que os ativos financeiros.

Em uma organização, denominam-se ativos intangíveis ou capital intelectual, os bens que não carecem de substância ou matéria física, sendo considerados incorpóreos, de difícil mensuração e interpretação. Salienta-se que os ativos intangíveis, ou capital intelectual, são compostos por três tipos de capitais: (i) capital humano; (ii) capital estrutural e (iii) capital relacional (VAZ et al., 2014).

O termo capital intelectual “pode ser usado como sinônimo, caso seja considerado para ser mais descritivo em uma determinada situação” (STEFANO et al, 2014, p. 25).

Em relação ao termo capital humano, destaca-se que está ligado diretamente com a competência dos recursos humanos dentro da organização. Trata-se do valor de investimento em treinamento e das competências dos colaboradores, da capacidade de relacionamento

interno, dos valores pessoais e comportamentais dos colaboradores, como suas motivações, agilidade intelectual, qualidades de liderança e inovação (VAZ et al, 2014).

Identifica-se o capital humano por meio dos seguintes elementos: know-how, habilidade e capacidade técnica de saber como fazer; educação; qualificação vocacional; conhecimento relacionado ao trabalho; avaliações ocupacionais e psicométricas; competências relacionadas ao trabalho; empreendedorismo, capacidade de inovação, capacidades proativas e reativas, mutabilidade. (VAZ et al.,2014).

Quanto ao capital estrutural, salienta-se que é o capital organizacional, a estrutura interna da organização. É identificado pela cultura, capacidade organizacional, planejamento administrativo, sistemas de controle, processos, redes funcionais e políticas. É a transformação do conhecimento e da experiência dos colaboradores, que, por meio da tecnologia da informação, viabiliza a retenção desse conhecimento.

O capital estrutural divide-se em duas partes: (i) ativos de infraestrutura identificados pelos elementos: filosofia gerencial; cultura corporativa; processos gerenciais; sistemas de informação e sistemas de rede e (ii) propriedade intelectual identificada pelos itens: patentes e direitos autorais; direitos de projeto; segredos industriais e marcas registradas. (VAZ et al, 2014).

Já o capital relacional, este trata-se da estrutura externa relacionada aos clientes por meio de sua fidelidade, que reduz os custos da busca por novos clientes, e aos fornecedores que criam valor por meio de acordos de franquias e contratos favoráveis (VAZ et al ,2014).

Portanto, os ativos intangíveis são a soma do conhecimento tácito e explícito de uma organização. Pode-se afirmar que são importantes na composição do patrimônio das empresas, pois, em tempos de mercado competitivo e marcado pela inovação tecnológica, marcas, nomes, propriedade intelectual, patentes, direitos autorais, licenças, know-how, franquias e outros, são valiosos para o sucesso e sustentabilidade das organizações.

Evidencia-se que os ativos intangíveis possuem valor de mercado e, assim, relacionam- se ao conhecimento, às habilidades, expertise e práticas das empresas juntamente com seus ativos tangíveis.

2.2.3 Novas técnicas, novas tecnologias e novas estratégias

A centralidade da economia do século XXI ensejou a construção de novos espaços e de instrumentos regulatórios acerca das questões políticas e jurídico-normativas, visando a

respostas a múltiplas rupturas ocorridas de caráter econômico, político, social, tecnológico, cultural e ético (ALBAGLI, 1999).

As principais estruturas jurídicas e gerenciais das organizações já não mais atendem ao paradigma em questão. O domínio apenas dos ativos físicos e financeiros não satisfazem, e o capital intelectual tornou-se o principal ativo em questão, passando a ser importante conhecer e utilizar os ativos intelectuais (STEWART, 2002).

O mercado passa a atuar fortemente sobre a produção e o consumo de informações, novas interações são estabelecidas entre o público e o privado, entre o Estado, a sociedade e as organizações e os papeis e funções dos diversos atores que compõem a sociedade são redefinidos (ALBAGLI, 1999).

Os tradicionais arranjos industriais são alterados. Cocco (1999) esclarece que o novo poder, ou seja, o capital na forma do dinheiro concentra-se não nas técnicas ou nas políticas financeiro-monetárias, mas na nova qualidade que o trabalho adquiriu. Para o mencionado autor:

[...] o novo modo de ser da riqueza contemporânea (ou seja, sua dimensão financeira) não deriva de uma guinada antiprodutiva do capital, mas o único meio que lhe resta para tentar reconstruir o controle sobre um trabalho cujas dimensões produtivas independem, cada vez mais, de sua submissão ao capital produtivo e a seu chão fabril.

[...] A valorização financeira tem bases em um novo regime de acumulação cuja dinâmica da produtividade não pode ser medida pelos padrões tradicionais (COCCO, 1999, p. 268).

À medida que ocorrem as transformações tecnológicas, aparatos e instrumentos reguladores fazem-se necessários em atendimento à nova realidade sócio-política-institucional que se instaurou com o advento da EIC (ALBAGLI, 1999).

As novas tecnologias nesse paradigma técnico-econômico, são conceituadas por Albagli (1999) como

[...] um conjunto de aplicações de descobertas científicas, cujo núcleo central consiste no desenvolvimento de uma capacidade cada vez maior de tratamento da informação, bem como sua aplicação direta no processo produtivo e na dinâmica econômica de modo geral: seja de informação simbólica, por meio da comunicação inteligente entre máquinas ou por máquinas, como na microeletrônica e na informática; seja ainda da informação da matéria viva, por intermédio da engenharia genética base das biotecnologias avançadas (grifos do próprio autor) (ALBAGLI, 1999, p. 293).

Para ser possível lidar com essa realidade, estabelece-se uma ordem informacional que passa a ser compreendida como um regime de poder ou governabilidade, regendo as práticas e os padrões de comportamento dos indivíduos envolvidos pelas inovações geradas no âmbito desse modelo (ALBAGLI, 1999).

Em atenção a esse regime, estimulou-se a construção e regulamentação de normatizações que sustentassem as demandas originadas das novas tecnologias e intensificadas pela sociedade em rede.

Iniciou-se uma maior preocupação com aspectos éticos e morais da Internet, criação de códigos de conduta, aplicação de penalidades, propriedade intelectual mudanças e flexibilizações na forma de trabalho e fortalecimento dos mecanismos a propriedade intelectual (ALBAGLI, 1999).

Nesse sentido, a dinâmica da nova ordem é marcada pela chegada de uma economia baseada no conhecimento, exigindo mudanças no mercado, o abandono de técnicas industriais tradicionais e o estímulo a novas regras e estratégias econômicas pautadas na informação e no conhecimento em observância ao desenvolvimento científico e tecnológico.

No documento UNIVERSIDADE FUMEC/MG (páginas 39-44)