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Pinta Preta, Mancha de Alternaria - Alternaria spp

No documento Cultura da batata: pragas e doenças (páginas 178-183)

DOENÇAS FÚNGICAS DA BATATA

1. Doenças Foliares

1.2. Pinta Preta, Mancha de Alternaria - Alternaria spp

• Fontes de inóculo

Deve-se eliminar toda e qualquer fonte de inóculo existente no decorrer do processo produtivo tais como: tubérculos remanescentes, plantas voluntárias, hospedeiros alternativos, tubérculos doentes ou descartados durante a lavagem e classificação.

• Fungicidas

Aplicação preventiva de fungicidas registrados para a cultura (Quadro 1).

• Implementos

Realizar a lavagem e desinfestação de máquinas, implementos e ferramentas utilizadas em áreas infestadas.

• Vistoria

Deve-se vistoriar constantemente a cultura visando identificar possíveis focos da doença para facilitar e agilizar a tomada de decisões.

Armazenamento

Promover condições adequadas de temperatura, umidade, circulação de ar e higiene durante o armazenamento de batata-semente e tubérculos.

dos tubérculos. A maior demanda de nutrientes e fotoassimilados exigidos pela tuberização tornam as folhas maduras mais vulneráveis à doença.

De maneira geral, não se observam diferenças significativas entre os sintomas causados pelas diferentes espécies. Nas folhas, a doença se expressa através de manchas foliares necróticas, circulares, elípticas ou angulares, pardo-escuras, isoladas ou em grupos, com a presença de anéis concêntricos, bordos bem definidos, podendo apresentar ou não halo amarelado ao seu redor (Figuras 35 a 40). O aumento da intensidade da doença no campo ocorre tanto pelo surgimento de novas lesões, como pela expansão das mais velhas, que podem coalescer destruindo todo limbo foliar (Figura 41). As lesões em hastes e pecíolos podem surgir em plantas adultas e caracterizam-se por serem pardas, alongadas, deprimidas, apresentando ou não halos concêntricos. Nos tubérculos as lesões são escuras, de formato irregular, deprimidas e tendem a provocar podridão seca.

O fungo Alternaria solani Sorauer tem sido relatado como o agente causal da pinta preta da batata por inúmeros autores. Porém, a doença também pode estar associada a outras espécies do gênero como: Alternaria alternata (Fries) Keissler e Alternaria grandis E.G. Simmons. No Brasil, a ocorrência de A.

alternata é conhecida há algum tempo, porém a de A. grandis é mais recente.

As três espécies diferem de forma significativa quanto ao tamanho e morfologia dos conídios. Os conídios de A. solani são individuais, ovais, podendo apresentar variações longas, curtas, largas e estreitas. Os conídios com apêndices únicos são longos, ovoides ou elipsoides com comprimento de 109-115 µm e largura entre 18-26 µm e um apêndice de 80-118 µm. Conídios com dois apêndices podem atingir tamanhos de 80-106 µm e 16-21 µm de largura, acrescido de um primeiro apêndice com 58-88 µm de comprimento e um segundo com 64-88 µm. Apresentam coloração palha, parda, marrom-oliváceo ou ouro claro, com 7 a 11 septos transversais e poucos ou nenhum, longitudinais.

Os conídios são inseridos em conidióforos septados retos ou sinuosos que

semelhante a A. solani, porém com dimensões 50 a 100 % maiores. Os conídios com apêndice único são longos, ovoides ou elipsoides com comprimento de 141-192 µm e largura entre 26-38 µm e um apêndice de 160-200 µm. Conídios com dois apêndices possuem corpos na faixa de 128-198 µm e 24-30 µm de largura, acrescido de um apêndice com 99-160 µm de comprimento e um segundo com 64-88 µm.

Observações de campo têm evidenciado que as epidemias de A. solani iniciam-se a partir dos 40 a 45 dias após a emergência, nas folhas mais velhas, evoluindo posteriormente para as mais novas. A doença causada por A. grandis tende a ser mais severa e precoce podendo destruir rapidamente toda área foliar.

A. alternata geralmente é menos agressiva, sendo muitas vezes encontrada em complexo com as outras espécies ou associada a tubérculos.

A ocorrência da pinta preta está associada a temperaturas na faixa de 22 a 32 ºC, elevada umidade e alternâncias de períodos secos e úmidos. A doença é mais severa em verões chuvosos, mas também pode ocorrer no inverno, desde que haja condições favoráveis. Plantas sujeitas a desequilíbrios nutricionais, estresses causados por rizoctoniose, viroses, nematoides e pragas ou cultivadas em solos pobres em matéria orgânica são mais suscetíveis à doença.

O gênero Alternaria sobrevive entre um cultivo e outro em restos de cultura, em solanáceas suscetíveis ou no solo na forma de micélio, esporos ou clamidósporos. Os conídios caracterizam-se por serem altamente resistentes a baixos níveis de umidade, podendo permanecer viáveis por até dois anos nestas condições. Havendo umidade e calor suficientes, os conídios germinam e infectam as plantas rapidamente, podendo o fungo penetrar diretamente pela cutícula ou através de estômatos. Após a penetração, os sintomas da doença são evidentes de 4 a 7 dias após o inicio da infecção.

A disseminação de Alternaria spp. ocorre principalmente pelo plantio de sementes infectadas, ação de ventos, água de chuvas e irrigação, circulação de pessoas e equipamentos agrícolas.

Além da batata, esses fungos podem estar associados a outros cultivos como do tomateiro (Solanum lycopersicumL.), pimentão (Capsicum annuum L.), berinjela (Solanum melongena L.), petúnia (Petunia hybrida Hort.), tabaco (Nicotiana tabacum L.) e plantas invasoras como: maria-pretinha (Solanum americanum L.), fisális (Physalis spp.), Solanum spp., entre outras.

Manejo

Entre os fatores a serem considerados para o manejo da pinta preta destacam-se:

• Local de plantio

Evitar plantios em áreas sujeitas ao acúmulo de umidade, baixa circulação de ar e próximos a cultivos em final de ciclo.

• Plantio de batata-semente sadia

A medida visa atrasar possíveis epidemias e reduz a possibilidade de introdução novas espécies.

• Plantio de cultivares com algum nível de resistência

Resistentes: Ibituaçú, Aracy, Aracy Ruiva, Apuã, Éden, Monte Alegre 172.

Moderadamente resistentes: APTA 16.5, Asterix, Catucha, Cupido, Itararé, Delta, Ágata, Eliza, Novella, APTA 21.54, Baronesa, Baraka, Itararé, Ana, Clara, Cristal, SCS 365 – Cota, BRSIPR, Bel Amorosa, Armada, El Paso, Fontane, Innovator, Maranca, Marlene Sinora.

Moderadamente suscetíveis: Atlantic, Asterix, Monalisa, Melody, Vivaldi, Caesar, Colorado, e APTA 12.5.

Suscetíveis: Achat, Ágata, Almera Arrow, Bintje, Markies, Vivaldi, Mondial.

A suscetibilidade das cultivares à pinta preta pode variar em função das condições climáticas, espécies existente na área, pressão de doença, época de plantio, espaçamento adotado, nutrição das plantas, etc.

• Evitar plantios adensados

Visa principalmente favorecer a circulação de ar entre as plantas, evitar o

potássio, magnésio e matéria orgânica no solo aumentam o vigor das plantas e podem reduzir a severidade da doença.

• Irrigação controlada

Evitar longos períodos de molhamento foliar é fundamental para o manejo da pinta preta. Para tanto, devem-se: evitar irrigações noturnas ou em finais de tarde; minimizar o tempo e reduzir a frequência das regas em campos com sintomas.

• Rotação de culturas

Deve-se evitar o plantio sucessivo de solanáceas na mesma área.

• Manejo correto das plantas invasoras

As plantas invasoras dificultam a dissipação da umidade e a circulação de ar na folhagem favorecendo a pinta preta. Cabe destacar que, em alguns casos, essas podem ser hospedeiras alternativas da doença.

• Fontes de inóculo

Eliminar restos de cultura, tubérculos remanescentes, plantas voluntárias, hospedeiros alternativos, tubérculos doentes e descartados durante o processo de lavagem e classificação.

• Aplicação de fungicidas registrados (Quadro 2)

• Implementos

Realizar a lavagem e desinfestação de máquinas, implementos e ferramentas utilizadas em áreas infestadas.

• Vistoria dos campos de produção

Deve-se acompanhar todo processo produtivo com o objetivo de identificar possíveis focos da doença e agilizar a tomada de decisões.

• Armazenamento

Promover condições adequadas de temperatura, umidade, circulação de ar e higiene durante o armazenamento de batata-semente e tubérculos.

No documento Cultura da batata: pragas e doenças (páginas 178-183)