79 A globalização da economia está fazendo com que os destinos turísticos mudem suas estratégias para poderem competir de forma mais favorável em escala mundial. Isto exige uma reflexão ainda maior por parte dos gestores do destino turístico. Enfim, as pessoas perceberam a importância do turismo no portfólio da economia, como um importante motor para o desenvolvimento econômico e social do destino (CROUCH; RITCHIE, 1999).
Assim, o turismo se consolidou como uma importante atividade econômica, geradora de receitas, divisas e empregos promovendo a valorização de todo o patrimônio local, vislumbrando novas perspectivas de desenvolvimento social e de melhoria nos índices de qualidade de vida.
E na ampliação do discurso do desenvolvimento do destino turístico, o planejamento é um importante instrumento de ação dos governos em todos os níveis, para promover o desenvolvimento econômico. Consiste ainda em determinar os objetivos, ordenar os recursos materiais e humanos, estabelecendo métodos e técnicas para atingir os resultados (ACERENZA, 2003).
80 O planejamento surge ainda, como forma de administrar os recursos do Estado e da iniciativa privada para atingir os objetivos e metas, previamente estabelecidos de forma mais simples e também para gerar bem-estar à comunidade. Na verdade, o planejamento está envolvido em todas as esferas, seja numa simples decisão até as mais complexas.
Dessa forma, a principal função do planejamento, dentro de qualquer área de estudo, se remete ao fato de que sua atuação dentro de um modelo deixa de ser um condicionante, para se tornar um determinante nos processos, sendo de fundamental importância para o desenvolvimento de um município. Assim, salienta-se a necessidade de desenhar e articular com maior precisão as estratégias competitivas para tal planejamento.
No turismo, não se pode desconsiderar a existência de fragmentações causadas pela ordem econômica global. Por isso, planejar é um processo amplo, que aborda diversos fatores, desde definições de políticas públicas, até mudanças nos valores da sociedade.
E dessa forma, o planejamento estratégico serve como ferramenta aplicável aos destinos turísticos, mantendo um comprometimento com a realidade local, a partir de recortes territoriais, delimitados a partir das relações de poder estabelecidas.
Segundo Ruschmann (1999), o planejamento é fundamental e indispensável para o desenvolvimento turístico equilibrado e em harmonia com os recursos físicos, culturais e sociais das regiões receptoras, evitando assim, que se destruam as bases que o fazem existirem.
O planejamento, a organização do espaço e o consequente estabelecimento de parâmetros sustentáveis passam a ser executados então, de acordo com as características ambientais, sociais e econômicas do local, num processo sistemático cujas fases impliquem no benefício da comunidade.
Desta maneira, a gestão e o planejamento do turismo devem estar lado a lado para conduzir com o mínimo de conflito, a organização do território e o consequente impacto derivado e associado (HALL, 2001).
Assim, o planejamento deve ser considerado um elemento crítico para se garantir o desenvolvimento sustentável de longo prazo dos destinos turísticos. Considerando o planejamento um processo, Hall (2001) ainda afirma que é necessário formular metas e determinar como elas serão
81 atingidas e de que maneira os problemas e adversidades serão discutidos e solucionados.
Para Ruschmann (1997), esta tarefa, requer uma perspectiva apoiada numa gestão pública, ou seja, no bom termo do que indica ser uma visão administrativa moderna, típica da área pública e essencialmente voltada àqueles que são responsáveis por preservar e conservar os recursos disponíveis:
Os rumos do turismo [...] apontam para uma visão administrativa moderna, de longo prazo e com postura responsável diante da integridade do meio ambiente, que encontra no desenvolvimento sustentável do turismo, o caminho da consolidação da atividade e a lucratividade adequada dos investimentos realizados no setor.
(RUSCHMANN, 1997, p. 6).
Num contexto mais amplo e generalista, a OMT (2003) afirma que o planejamento turístico deve maximizar os benefícios socioeconômicos e minimizar os custos e os danos, visando o bem estar da comunidade receptora e a rentabilidade dos empreendimentos privados e/ou públicos do setor. Assim, o planejamento não é um conceito estático, é um processo que tenta produzir a melhor estratégia, no plano que está em constante mudança (COOPER et al, 2001).
A competição por vantagens locais na nova economia mundial globalizada só aumentará em alcance e sofisticação. Uma perspectiva de planejamento estratégico e de gestão de mercado provê cidades com as ferramentas e oportunidades para crescer frente ao desafio. (KOTLER et al, 1993).
O planejamento é em toda sua extensão, a identificação de fatores competitivos de mercado e potencial interno, para atingir metas e planos de ação que resultem em vantagem competitiva para o destino turístico. Tal processo administrativo proporciona sustentação metodológica para se estabelecer a melhor direção a ser seguida pelo destino turístico. E pode ser considerada uma ferramenta de gestão de destinos turísticos.
E dessa forma, Anjos (2004) ressalta que o planejamento precisa ser flexível o suficiente para garantir que a gestão de cada processo aconteça de forma contínua e sistêmica, resultando em estratégias eficientes e eficazes social, ecológica e economicamente.
82 Outro aspecto relevante do planejamento turístico é o esforço de coordenar ações de diferentes níveis de administrações federal, estadual ou municipal, para não haver a dispersão de esforços e recursos. Portanto, devido a esta característica, o turismo exige dos gestores públicos ações que focalizem não só os objetivos econômicos que desejam alcançar, mas outros aspectos como a preservação da identidade cultural e a sustentabilidade ambiental.
O processo de gestão se remete à ações operacionais, projetos e etapas que se relacionam com as prioridades imediatas, podendo ser considerada uma etapa contínua do próprio planejamento do destino turístico (ALMEIDA et al. 1999). Neste contexto, Hall (2001) determina a gestão do desenvolvimento do turismo, através do planejamento e continua se apresentando como uma ação importante pelos seus efeitos potencialmente duradouros e significativos para os destinos turísticos.
Nas determinantes pertencentes ao planejamento turístico, para Hall (2001), a elaboração e implementação corretas dos objetivos e metas, contribuem para minimizar impactos potencialmente negativos, maximizar retornos econômicos nos destinos e, dessa forma, estimular uma resposta mais positiva por parte da comunidade em relação ao turismo de longo prazo.
No contexto do planejamento turístico, para Acerenza (1995), o foco das ações de planejamento está centrado na questão econômica, de forma que, o envolvimento direto dos gestores do processo é abordado nas questões referentes ao desenvolvimento sustentável da atividade turística, visando, como objetivo principal, proporcionar benefícios à comunidade.
O turismo não depende apenas de um órgão de controle, ele possui, em sua essência, uma relação interdependente no espaço. A sua natureza, segundo Hall (2001, p. 54) é de difícil definição, disseminado na economia e na sociedade e, normalmente, sem um órgão claro de controle. Em vez disso, o turismo tende a ultrapassar os limites desses órgãos. O planejamento turístico reveste-se de importância porque seus efeitos são extremamente significativos e potencialmente duradouros, devido a preocupação de tornar o turismo sustentável.
O planejamento turístico evoluiu ao longo dos anos, de uma preocupação apenas pela planificação física, para um enfoque mais amplo,
83 que considera as necessidades das empresas, como dos próprios turistas e da comunidade receptora, de maneira que se priorizam as ações coordenadas entre o turismo e o entorno social, econômico e ambiental (OMT, 2001, p. 174).
Diante deste contexto, salienta-se que o planejamento turístico é um importante instrumento de ação dos governos em todos os níveis, para promover o desenvolvimento econômico, dentro de um contexto sustentável.
Apesar de fazer parte das principais atividades econômicas mundiais, só recentemente tem sido analisado de forma mais abrangente, como parte fundamental do processo de desenvolvimento. O planejamento turístico é uma ferramenta eficiente para o desenvolvimento do turismo de uma localidade.