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2.3 Planos de negócio

2.3.5 Plano Financeiro

Figura 6: A função de recursos Humanos e as funções componentes.

Fonte: Elaborado pelo acadêmico.

Investimentos Iniciais

Conforme Cher (2002) investimento inicial é o capital necessário para viabilizar a estrutura física da empresa, suas instalações, máquinas, equipamentos, capital de giro e todos os demais investimentos fixos necessários para iniciar uma operação. Dolabela (1999, p. 222) resume investimentos iniciais com uma pergunta a ser respondida pelo empreendedor. “Quanto será necessário gastar para montar a empresa e iniciar as atividades?”

O mesmo autor divide gastos em três tipos, para projetar o investimento inicial de um empreendimento:

Despesas pré-operacionais: são os gastos que ocorrem antes da empresa estar funcionando. Ex: registros, pesquisas etc.

Investimentos fixos: são os gastos gerados pela aquisição do patrimônio da empresa, máquinas, equipamentos, imóveis, reformas, etc.

Capital de giro: são os gastos operacionais necessários para por a empresa em funcionamento.

Demonstrativos Contábeis Gerenciais

As Demonstrações Contábeis são o conjunto de informações que devem ser obrigatoriamente divulgadas, anualmente, pela administração de uma sociedade por ações e representa a sua prestação de contas para os sócios e acionistas, ou seja, contempla informações sobre as contas e a situação patrimonial da empresa.

A seguir, são apresentados os demonstrativos contábeis gerenciais em uma organização.

Balanço Patrimonial

Segundo Gitman (2001), o balanço patrimonial representa a demonstração resumida da posição financeira da empresa em determinada data, confrontando os ativos da empresa (o que a empresa possui) com as suas fontes de financiamento, que podem ser dívida ou patrimônio (o que foi fornecido pelos proprietários).

Também, o balanço patrimonial fornece uma visão precisa da situação financeira da empresa em um determinado período de tempo, ou seja, ele irá incluir os ativos e passivos e indicar o valor líquido do período. Abaixo, são evidenciadas as características do passivo, ativo e patrimônio líquido.

Do mesmo modo, Dornelas (2001) comenta que o ativo da empresa representa as aplicações de recursos que se dividem em circulantes de longo prazo e permanentes. O passivo, assim como o patrimônio líquido, representa as origens de recursos, ou seja, da onde os recursos que estão aplicados na empresa, foram provenientes.

O autor cita ainda que o balanço deve ser estruturado em duas colunas. Na primeira coluna são apresentados os ativos da empresa. Já, na segunda coluna, são apresentados os passivos e também o patrimônio da empresa.

O valor do patrimônio da se altera conforme a empresa obtém lucro, prejuízo ou quando os sócios injetam mais recursos na organização.

Na Tabela 3, a seguir, é apresentado um modelo de balanço patrimonial.

Tabela 3: Balanço Patrimonial

ATIVO PASSIVO

CIRCULANTE

Caixa 10.000

Contas a receber 5.000 Estoques 5.000 TOTAL CIRCULANTE 20.000

CIRCULANTE

Contas a pagar 8.000

Impostos a recolher 6.000 Outras dívidas 1.000 TOTAL CIRCULANTE 15.000 REALIZÁVEL NO LONGO PRAZO

Títulos a receber 20.000

EXIGÍVEL NO LONGO PRAZO

Financiamentos 30.000

PERMANENTE

Investimentos 30.000 Imobilizado 20.000 TOTAL PERMANENTE 50.000

PATRIMÔNIO LÍQUIDO

Capital investido 30.000 Lucros acumulados 15.000 TOTAL PATR. LÍQ. 45.000 TOTAL 90.000 TOTAL 90.000 Fonte: Adaptado de Dornelas (2001, p. 164).

Dornelas (2001) ressalta, também, que os principais aspectos do balanço patrimonial são a estrutura de capital da empresa, através do passivo e patrimônio (capital de terceiros e capital próprio), que mostram o grau de endividamento para o empreendedor, e o capital circulante, obtido com a subtração do ativo circulante pelo passivo circulante, que demonstra a flexibilidade financeira da organização para o empresário.

Demonstrativo de Resultados

O empresário e futuro empreendedor precisam conhecer o resultado que a empresa apresenta para tomar decisões por meio dos dados financeiros que o demonstrativo de resultados revela.

Segundo Gitman (2001, p. 102), a demonstração do resultado do exercício

“fornece um resumo financeiro dos resultados operacionais da empresa em um período específico”. O período geralmente compreende um ano, mas algumas empresas apresentam demonstrações de resultados mensais para a administração e trimestrais para os acionistas da empresa.

Na mesma idéia do autor citado acima, Dornelas (2001), comenta também que a demonstração de resultados é uma classificação ordenada e resumida das receitas e das despesas da empresa em determinado período. O autor cita ainda que:

Da receita total obtida devem ser subtraídos impostos, abatimentos e devoluções concedidas, resultando na receita líquida. Desta receita líquida, deduzem-se os custos dos produtos vendidos (comércio), dos produtos fabricados (indústria), ou dos serviços prestados, para se chegar ao lucro bruto. Em seguida, subtraem-se do lucro bruto as despesas operacionais. Essa denominação de despesas operacionais se dá pelo fato de representarem os gastos necessários para que as receitas sejam alcançadas. Como uma empresa pode obter receita ou ter despesa que não são provenientes de suas operações, é convenção separá-las das atividades operacionais.

Finalmente, é calculado o valor do imposto de renda, contabilizando- se no final a soma de lucros ou prejuízos que, se não forem distribuídos aos sócios, serão incorporados ao patrimônio líquido, alterando por conseqüência o próprio balanço.

A seguir, a Tabela 4 apresenta os passos para a elaboração de uma demonstração de resultados, conforme modelo do SEBRAE (2008).

VALOR % A – RECEITA BRUTA

Vendas à vista Vendas à prazo

85.000 51.000 34.000

100 60 40 B – CUSTOS VARIÁVEIS

Custo das mercadorias ICMS

PIS/COFINS

Comissões e encargos

56.452 31.250 14.450 2.252 8.500

66.41 36.76 17 2.6 10

C – MARGEM DE CONTRIBUIÇÃO 28.548 33.59

D – CUSTOS FIXOS Retirada dos sócios Salários

Encargos sociais Despesas com bancos Honorários contábeis Aluguel

Água, luz, telefone Propaganda Manutenção

Outros custos fixos

24.450 3.400 10.200 5.950 850 500 700 1200 425 425 800

28.41 4 12 7 1 0.58 0.82 2 0.5 0.5 0.94

E – LUCRO OPERACIONAL (C-D) 4.098 4.82

F – PONTO DE EQUILÍBRIO (D:C) x A 72.798 85.64

Tabela 4: Demonstrativo de Resultados do exercício.

Fonte: SEBRAE (2008).

Fluxo de Caixa

Segundo Dornelas (2001), o fluxo de caixa é o principal instrumento financeiro da empresa. Ao analisá-lo, o empreendedor pode verificar a viabilidade de vender a prazo, e quanto de prazo poderá conceder ao cliente, projetando, também, como irá pagar os seus fornecedores.

Para Degen (1989, p. 163), “a projeção do fluxo de caixa de um novo negócio permite ao futuro empreendedor ter todas as análises necessárias para determinar sua viabilidade e rentabilidade”.

O objetivo principal dessa ferramenta de análise é possibilitar a gestão do caixa, sendo que um dos aspectos principais é o planejamento. A empresa não pode

deixar para descobrir no dia do vencimento de uma fatura se há recursos suficientes para pagá-la. (CHER, 2002). A demonstração de fluxos de caixa, “fornece um resumo dos fluxos de caixa operacionais, de investimento e financiamento da empresa durante o período em questão” (GITMAN, 2001, p. 105).

Alguns Indicadores de Gestão

Entre os diversos indicadores conhecidos dentro da gestão organizacional, destaca-se alguns usuais para análise econômica – financeira do negócio, entre eles:

Ponto de Equilíbrio

Segundo Dornelas (2001, p. 169), ponto de equilíbrio “é o ponto no qual a receita proveniente das vendas equivale à soma dos custos fixos e variáveis”. É uma importante ferramenta gerencial, pois possibilita ao empreendedor verificar em que momento a empresa começar a lucrar.

Conforme Dolabela (1999) o ponto de equilíbrio corresponde ao nível de faturamento que a empresa deve ter para que possa cobrir, exatamente aquilo que gastou, ou seja, lucro operacional igual a zero.

Para Gitman (2001) o ponto de equilíbrio deve ser analisado sob dois aspectos:

Ponto de equilíbrio operacional: para Gitman (2001, p. 371), é o “nível de vendas necessário para cobrir todos os custos operacionais.”.

Ponto de equilíbrio financeiro: “É o nível de LAJIR (lucro antes dos juros e do imposto de renda) necessário para cobrir todos os custos financeiros.” (GITMAN, 2001, p. 391).

Ponto de equilíbrio econômico: É a quantidade que iguala a receita total com a soma dos custos e despesas acrescidas de uma remuneração mínima (custo de oportunidade) sobre o capital investido pela empresa.

(PDE, 2009).

Indicadores Econômico-Financeiros

Salim (2005) recomenda o uso de cálculos de indicadores econômico- financeiros para compreender as tendências de desempenho do futuro empreendimento. Segundo o autor, estes indicadores são classificados da seguinte maneira:

Índices de liquidez

Mostram a capacidade que a empresa tem em quitar suas dívidas (DORNELAS, 2001). Dentre os índices de liquidez, destacam-se, os seguintes:

liquidez corrente, que mede a capacidade da empresa em satisfazer suas obrigações de curto prazo e; liquidez seca, que retira os estoques do índice de liquidez corrente. Se os estoques não apresentarem um giro alto, esse índice representa muito melhor a liquidez corrente da empresa. As fórmulas dos índices são demonstradas abaixo:

Liquidez Corrente = Ativo Circulante / Passivo Circulante

Liquidez Seca = (Ativo Circulante – Estoques) / Passivo Circulante Índices de alavancagem

Mostram em que extensão a empresa está sendo financiada com capital de terceiros.

Índices de atividade

Servem para medir o grau de atividade de uma empresa, ou seja, quão rápido a empresa converte contas em vendas ou caixa. (DORNELAS, 2001). Os índices de atividade são: giro de estoque: demonstra a velocidade com que o estoque é renovado em determinado período e; giro do ativo total: indica a eficiência com a qual a empresa usa todos os seus ativos para gerar vendas.

Giro do Estoque = custo das mercadorias/estoques

Giro do ativo total = vendas/ativo total

Índices de rentabilidade

As medidas de lucratividade mostram quanto uma empresa é atrativa do ponto de vista de um investidor, ou seja, confrontam os lucros da empresa com um nível de vendas, certo nível de ativos, o investimento dos proprietários, ou o valor da ação (Gitman, 2001).

Compõem os índices de rentabilidade, a margem bruta, a margem operacional e a margem líquida. Abaixo, são apresentadas suas respectivas fórmulas:

Margem bruta = (vendas-custos produtos vendidos) /vendas ou lucro bruto

Margem operacional = lucro operacional/vendas

Margem líquida = lucro líquido após impostos de renda/vendas

Dessa forma, além destes indicadores econômico-financeiros, é interessante que o empreendedor busque informações sobre outros indicadores como, payback, valor presente líquido (VPL) e taxa interna de retorno (TIR), apresentados abaixo:

Payback

Segundo Gitman (2001, p. 300), período de payback é “o montante exato de tempo necessário para uma empresa recuperar o seu investimento inicial em um projeto, como calculado a partir dos fluxos de entrada de caixa”.

Conforme Dolabela (1999, p. 240), “o período de payback ou recuperação do investimento, é o tempo necessário para o futuro empreendedor recuperar o dinheiro aplicado em um novo negócio”.

E para Dornelas (2001), payback mede o tempo necessário para a recuperação do investimento inicialmente feito. Quanto menor for o prazo de payback, mais atraente será o investimento.

Valor presente líquido

“É uma técnica de orçamento sofisticada; encontrada ao se subtrair o investimento inicial de um projeto de valor presente de seus fluxos de entrada de caixa, descontados a um taxa igual ao custo do capital da empresa” (GITMAN, 2001, p. 302).

Já para Dornelas (2001), essa é uma importante ferramenta de análise, pois mostra a viabilidade ou não do projeto. Se o VPL for positivo o projeto é viável, do contrário deve ser reavaliado.

Taxa interna de retorno

Gitman (2001, p. 303) comenta que esta é “a taxa anual de resultados capitalizados que a empresa vai obter, se ela investir no projeto e receber os fluxos de entrada de caixa fornecidos”.

Para Dolabela (1999) a taxa interna de retorno é, possivelmente, a técnica mais usada para avaliar uma alternativa de investimento.

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