A análise dos dados coletados foi realizada por meio da análise de conteúdo, técnica destacada por Bardin (2010), que decorre de uma verificação aprofundada sobre o material verbal obtido nas entrevistas. Dessa forma, na condução da entrevista realizada, o participante falou de forma espontânea sobre a sua relação com o assunto vinculado ao objeto da pesquisa e, por conseguinte, o pesquisador buscou transpor o significado descritivo da comunicação verbal, visando ao alcance dos objetivos pretendidos, mediante a inferência de uma compreensão aprofundada dos aspectos subjetivos encontrados na mensagem (MINAYO, 2014).
Centrando-se na apreciação das respostas oriundas das questões abordadas, preconiza Bardin (2010, p. 42) que a análise de conteúdo compreende:
Um conjunto de técnicas de análise de comunicação visando obter por procedimentos sistemáticos e objetivos de descrição do conteúdo das mensagens, indicadores que permitam a inferência de conhecimentos relativos às condições de produção/recepção destas mensagens.
Foi utilizado o software de análise de dados Atlas.ti, com a finalidade de concatenar os aspectos analisados com possíveis contradições observadas nas falas dos entrevistados (GIBBS, 2009). A fase de análise de dados foi composta de três ciclos. O primeiro ciclo consistiu na codificação, que compreende a leitura dos trechos transcritos e analisados que exemplifiquem uma mesma ideia, tomando como base os conceitos apresentados no referencial teórico (GIBBS, 2009).
Através dessa primeira leitura, foi permitido ao pesquisador realizar uma análise dedutiva da estrutura de dados e isso viabilizou a elaboração de uma lista de códigos iniciais descritivos, fundamentados nos aspectos identificados a priori na literatura. Nesta etapa da codificação, também foi possível identificar outros aspectos relevantes para a temática pesquisada, que não haviam sido relatados em estudos anteriores (SALDAÑA, 2015).
Os excertos das transcrições também passaram a ser identificados de acordo com as perguntas constantes do roteiro de entrevistas, as quais foram respondidas e vinculadas a outros aspectos que puderam ser relacionados de alguma forma. Essa identificação facilitou o processo de análise dos dados, relacionando os fragmentos de informações às dimensões que deveriam ser investigadas.
O segundo ciclo empreendido nessa fase foi o da categorização que, segundo Bardin (2010, p. 117), constitui-se em “uma operação de classificação de elementos constitutivos de um conjunto, por diferenciação e, seguidamente, por reagrupamento, conforme o gênero e com critérios previamente estabelecidos”. Nesse sentido, a presente pesquisa adotou o método de análise categorial, utilizando como unidade de registro o tema. Segundo Bardin (2010), a técnica de análise de conteúdo configura-se como um grupo de instrumentos metodológicos empregáveis a diversos tipos de discursos.
O uso da análise de conteúdo por categorias temáticas, como estratégia, permitiu a organização do conteúdo obtido nas respostas dos entrevistados à luz das categorias oriundas do referencial teórico, acrescidas de categorias advindas do campo após a coleta realizada pelo pesquisador.
A importância do segundo ciclo da fase de análise de dados está na transformação dos códigos iniciais descritivos em subcategorias intermediárias, por meio de abstrações de suas propriedades e da análise dos trechos das transcrições codificadas, buscando identificar acontecimentos, atividades e explicações sobre os aspectos a serem investigados (GIBBS, 2009). A estratégia de agrupamento dos códigos permitiu visualizar os dados que suportaram as experiências de prazer e sofrimento vivenciadas pelos contadores públicos federais no exercício de suas atividades cotidianas, anteriormente identificadas no referencial teórico.
Além disso, buscou-se descobrir outros fatores de prazer e sofrimento que contraponham os resultados encontrados a partir de estudos correlatos anteriores. Ainda nessa fase de categorização, foi apresentado o agrupamento de informações sobre os fatores oriundos da PDT, fatores psicossociais e fatores macroambientais, que influenciam o ambiente profissional dos contadores públicos federais, causando-lhes situações de prazer e sofrimento.
Como resultado deste ciclo de análise, percebeu-se, ainda, que os fatores do ambiente profissional e as dificuldades e oportunidades dos contadores federais, que influenciam as condições de prazer e sofrimento dos contadores públicos federais, em suas atividades cotidianas, estão diluídos no rol de fatores de prazer e sofrimento descritos no referencial teórico da pesquisa, e desta forma, foram obtidas as famílias de categorias analíticas do estudo.
Para o último ciclo, foi realizada a releitura de todas as entrevistas apuradas na pesquisa e recodificados os trechos que mais exemplifiquem as categorias analíticas criadas a partir deste procedimento (GIBBS, 2009). No decorrer deste ciclo, as observações realizadas no software de análise de dados Atlas.ti puderam possibilitar, ao pesquisador, visualizar as relações de explicação e de contradição entre as falas dos entrevistados e, com isso, realizaram-se as comparações com os conceitos identificados no referencial teórico.
Além disso, da mesma maneira, foi possível avaliar o universo de informações coletadas e analisadas, que apresentaram um estágio de repetição exaustiva dos códigos e categorias identificados, não demonstrando a necessidade de fatos relevantes para a criação de novas dimensões.
Ao final deste último ciclo, foi realizada a avaliação do processo de análise, fator essencial para manter a qualidade e o rigor científico da pesquisa (FLICK, 2000).
Primeiramente, foi empreendida a revisão das anotações realizadas durante a evolução da construção das categorias. Esses registros foram realizados no próprio software utilizado para analisar os dados coletados, por meio das memos (GIBBS, 2009).
Essa revisão teve como propósito identificar o encadeamento de ideias do pesquisador, durante o período de análise, bem como auxiliar na caracterização dos conceitos e no exame aprofundado das dimensões identificadas. Na sequência, procedeu-se à avaliação da qualidade do processo de pesquisa, com o objetivo de preservar a transparência em todas as decisões tomadas (FLICK, 2000).
A avaliação das atividades executadas em cada uma das etapas anteriores foi fundamental para identificação de falhas no processo e erros que podiam, de alguma forma, comprometer os resultados encontrados. Da mesma maneira, foi necessário reexaminar se o rigor havia se mantido em toda a formalidade estabelecida na condução da pesquisa. Essa conduta visou respaldar a credibilidade dos resultados obtidos e embasou a ética praticada ao longo da pesquisa.