2.2 MODALIDADES
2.2.7 PREGÃO: PRESENCIAL E ELETRÔNICO
De acordo com Paulo e Alexandrino119 além das cinco modalidades de licitação que compreende a concorrência, a tomada de preços, o convite, o concurso e o leilão, existe também o pregão, o qual foi criado pela Medida Provisória nº 2.026/2000, instituída apenas para a União, podendo ser aplicada visando adquirir bens e serviços comuns.
No entanto a Lei nº. 10.520/2002 ampliou a esfera onde o pregão pode ser aplicado, sendo possível aplicá-lo não apenas para a União, mas para os estados, Distrito Federal e Municípios brasileiros.
117 PAULO, Vicente; ALEXANDRINO, Marcelo. Direito administrativo. p.393.
118 FERNANDES, Jorge Ulisses Jacoby. Contratação direta sem licitação, p.230.
119 PAULO, Vicente; ALEXANDRINO, Marcelo. Direito administrativo. p.420.
Plácido e Silva120 fala a respeito do significado do pregão e sua origem, afirmando que o termo pregão vem:
[...] do latim praeconium, de praeconare (apregoar, proclamar) entende-se a notícia ou a proclamação feita publicamente por oficial de justiça ou pelo porteiro dos auditórios forenses.
Propriamente, designa as palavras ditas em alta voz, para que se anuncie ou se proclame alguma notícia ou se faça algum aviso.
Assim, na linguagem forense, diz-se pregão: a) o aviso dado pelo oficial de justiça, às partes, por ordem do juiz no início ou no correr das audiências públicas, em virtude do que se anuncia o começo da mesma audiência ou qualquer deliberação tomada pelo juiz para conhecimento dos interessados; b) a proclamação, nas hastas públicas, em altas vozes, dos lances oferecidos para aquisição ou para arrematação das coisas postas em licitação, ou venda por almoeda, isto é, a quem mais der.
A modalidade de licitação denominada pregão foi instituída no âmbito da União, Estados, Distrito Federal e Municípios, nos termos do art. 37, incisos XXI, da Constituição Federal pela Lei nº 10.520, de 17 de julho de 2002.
De acordo com Fernandes121 o pregão é o procedimento administrativo através do qual a administração pública seleciona fornecedores com vistas a execução de objeto comum, permitindo em sessão pública presencial ou por meio eletrônico que haja redução do valor da proposta por parte dos fornecedores, através de lances sucessivos.
Reza a Lei 10.520/02 em seu art. 1º e Parágrafo Único:
Art. 1º Para aquisição de bens e serviços comuns, poderá ser adotada a licitação na modalidade de pregão, que será regida por esta Lei.
Parágrafo único. Consideram-se bens e serviços comuns, para os fins e efeitos deste artigo, aqueles cujos padrões de desempenho e qualidade possam ser objetivamente definidos pelo edital, por meio de especificações usuais no mercado.
De acordo com Justen Filho122
Bem ou serviço comum é aquele que pode ser adquirido, de modo satisfatório, através de um procedimento de seleção destituído de
120 PLÁCIDO e SILVA. Vocabulário jurídico. 3.ed. Rio de Janeiro: Forense, 1973, p.156.
121 FERNANDES, Jorge Ulisses Jacoby. Sistema de registro de preço e pregão presencial e eletrônico, p.138.
122 JUSTEN FILHO, Marçal. Comentário a Lei de Licitações e Contratos Administrativos. p.12.
sofisticação ou minúcia. Em última análise, “comum” não é o bem destituído de sofisticação, mas aquele para cuja aquisição satisfatória não se fazem necessárias investigações ou cláusulas mais profundas.
Pereira Junior123 refere que ao realizar-se uma análise mais próxima sobre a palavra comum, também pode ser entendido como simplicidade.
No entanto um objeto pode trazer complexidade técnica e ao mesmo tempo ser comum, pois a técnica pode ser bem dominada pelo mercado, sendo que a modalidade de licitação pregão não pode ser empregada para a contratação de serviços complexos como construção de obras e locações imobiliárias, uma vez que exigem aprofundados estudos conforme sua natureza técnica.
Justen Filho124 alerta que “se o bem ou serviço de que a Administração necessitar não se enquadrar no conceito de comum, a utilização do pregão gera riscos muito sérios para a Administração Pública.”
Assim Scarpinella125 afirma que:
[...] o agente público não pode escolher livremente entre as diversas modalidades licitatórias, quando o objeto licitado puder estar contido no conceito de bem e serviço comum. Na dúvida, como se trata de um conceito fluido, o agente deve justificar a não inclusão do específico objeto licitado, para poder fazer uso de outro procedimento.
Justen Filho126 afirma que:
A opção pelo pregão é facultativa, o que evidencia que não há um campo específico, próprio e inconfundível para o pregão. Não se trata de uma modalidade cuja existência se exclua a possibilidade de adotar-se o convite, tomada de preço ou concorrência, mas se destina a substituir a escolha de tais modalidades, nos casos em que assim seja reputado adequado e conveniente pela Administração.
Ressalta-se que o Decreto 5.504, de 5 de agosto de 2005, estabelece que o pregão seja empregado preferencialmente na forma eletrônica
123 PEREIRA JUNIOR, Jessé Torres. Comentários à lei das licitações e contratações da administração pública. 6.ed. Rio de Janeiro: Renovar, 2003, p.48.
124 JUSTEN FILHO, Marçal. Comentário a legislação do pregão comum e eletrônico, p.19.
125 SCARPINELLA, Vera. Licitação na modalidade de pregão. São Paulo: Malheiros, 2003, p.
167.
126 JUSTEN FILHO, Marçal. Comentário a Lei de Licitações e Contratos Administrativos, p.42.
nas contratações comuns, que são efetuados pela transferência de recursos públicos que tenham origem em convênios ou consórcios públicos.
Há dois tipos de pregão – o presencial em que as propostas são escritas e por meio verbal são realizadas as propostas e o eletrônico, que funciona com o emprego da informática, sendo que a Lei 10.520/02 dispõe sobre esta modalidade de pregão. Já o pregão presencial, também chamado de pregão comum é regulamentado pelo Decreto 3.555/00, alterado pelo Decreto 3.693/00 e complementado pelo Decreto 3.784/01.
Ressalta-se que na modalidade de pregão eletrônico há a figura do pregoeiro que de acordo com Vasconcellos:127
A esse será dada a função de conduzir os procedimentos formais da licitação. A ele serão imputados os atos administrativos, para formalizar decisões e responder por elas. Porém, o certame não contará apenas com o pregoeiro. Será ele assessorado por uma equipe de apoio também composta por servidores. Fornecer subsídios e informações relevantes, agilizar o procedimento e verificar documentos, serão algumas das tarefas desses assessores, que darão maior agilidade e velocidade ao certame.
Ao se referir sobre o pregão eletrônico Justen Filho128 afirma que “permanece a concepção de que a peculiaridade do pregão eletrônico residirá na ausência de sessão coletiva, reunindo a presença física do pregoeiro, de sua equipe de apoio e dos representantes dos licitantes num mesmo local determinado.”
Para Justen Filho:129
Não é exagero estimar que a difusão do pregão eletrônico produzirá a redução da relevância do pregão comum. À medida que as diferentes unidades administrativas instituam o pregão eletrônico, essa passará a ser a alternativa dominante. Portanto, a utilização do pregão comum é uma etapa passageira. Não será surpresa se, dentro de alguns anos, a figura do pregão comum se configurar como uma raridade.
127 VASCONCELLOS, Pedro Barreto. Pregão: Nova Modalidade de Licitação. Revista de Direito Administrativo. Rio de Janeiro, 2000, v.222, p.224.
128 JUSTEN FILHO, MARÇAL. Pregão: nova modalidade de licitação. Revista de Direito Administrativo. p.220.
129 JUSTEN FILHO, Marçal. Pregão: comentários à legislação do pregão comum e eletrônico, p.123.
Neste sentido o pregão não exclui as outras modalidades de licitação preconizadas pela Lei 8.666/93, mas se trata de um novo segmento e seu surgimento trouxe mais agilidade e economia para as contratações efetuadas pelo setor público.