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Princípio do melhor interesse da criança e do adolescente

No documento PDF MARINGÁ 2018 - unicv.edu.br (páginas 42-46)

CAPÍTULO 2 DA HOMOAFETIVIDADE

3.2 Princípio do melhor interesse da criança e do adolescente

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43 social, por tribunais, autoridades administrativas ou órgãos legislativos, terão primacialmente em conta o interesse superior da criança. (ONU, 1989, grifo nosso).

A presente convenção foi aprovada e ratificada no Brasil em 21 de novembro de 1990, por meio do decreto nº 99. 710, apesar de esta ter sido traduzida de uma forma diferente da original, utilizando-se a frase “o interesse maior da criança”, de forma diversa da frase do documento original que se utiliza do termo “o interesse superior da criança”, embora muitos doutrinadores diferirem acerca da relevância do termo utilizado, onde muitos afirmam que um remete à quantidade e outro a qualidade, considerando-se o mais apropriado àquele que remete a qualidade que seria o termo “melhor”. Mesmo havendo uma divergência nos termos utilizados, ainda se contempla como prioritário a possibilidade dos adotantes fornecerem um desenvolvimento digno a criança ou adolescente colocando em primeiro plano o mencionado princípio.

Cabe salientar que o judiciário não irá se basear somente nas condições financeiras dos adotantes, para considera-los aptos a atender os melhores interesses da criança e do adolescente, mas sim, considerarão aptos aqueles que melhor podem oferecer um desenvolvimento físico, psíquico e social.67

Em se tratando de adoção, toda e qualquer ação é pautada no presente princípio, desde os critérios para a candidatura da adoção, até a irrevogabilidade da mesma, de forma que há um grande esforço para que haja a defesa do adotado em relação a quaisquer atos futuros, por parte da familia adotiva que venha a interferir em seu desenvolvimento.

Quanto ao Estatuto da Criança e do Adolescente, este princípio pode ser verificado em seu artigo 1º, de forma subjetiva, visto que este dispõe sobre a proteção integral da criança e do adolescente. Assim como dita Guilherme de Souza Nucci68 (2017, p.8):

67MATTOS e PACHECO. Adoção de Crianças e Adolescentes: Princípios e a Sentença que Constitui o Vínculo de Filiação. Revista de Direito Privado | vol. 29/ 2007 | p. 40 – 77 | jan. – mar. / 2007. DTR/ 2007/ 91.

68 NUCCI, Guilherme de Souza. Estatuto da Criança e do Adolescente Comentado: em busca da Constituição Federal das Crianças e dos Adolescentes / Guilherme de Souza Nucci. – 3º ed. rev. E ampl. – Rio de Janeiro: Forense, 2017. Pag. 8.

44 Todos temos direito à vida, a integridade física, a saúde, a segurança etc., mas os infantes e jovens precisam ser tratados em primeiríssimo lugar [...] em todos os aspectos. Precisam ser o foco principal do Poder Executivo na destinação de verbas para o amparo à família e ao menor em situação vulnerável.

O presente princípio, se mostra de suma importância para o bom andamento e para a garantia e proteção dos adotados, pois sem o mesmo, muitas crianças podem ser negligenciadas, tanto pelo judiciário, quanto pelas pessoas que as adotarem, podendo acabar perdendo a oportunidade de serem adotadas, como também não receberem os devidos cuidados após a adoção, tornando este princípio algo imprescindível nas adoções, não apenas por casais homoafetivos como em quaisquer outras formas de adoção. Assim como cita Nucci69:

Esse princípio do best interest of the child ou o melhor interesse da criança é peremptório em atribuir ao Estado a obrigação de colocar a criança e o adolescente acima de todos os interesses, com prioridade como prioridade absoluta como mandamento constitucional constante do art. 227, uma construção embasada nesse princípio como dever social, moral e ético, compartilhado com a familia e a sociedade e com todos os habitantes do território nacional sob sua jurisdição, como um dever de todos.

(NUCCI apud BARBOSA, 2017.)

Este mesmo princípio pode ser verificado de forma mais objetiva no Artigo 4º do Estatuto da Criança e do Adolescente, onde elenca de forma clara quais seriam as principais necessidades a serem observadas de forma prioritária ao se tratar de crianças e adolescentes, sendo estes, de acordo com o referido artigo70:

Art. 4º É dever da família, da comunidade, da sociedade em geral e do poder público assegurar, com absoluta prioridade, a efetivação dos direitos referentes à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao esporte, ao lazer, à

69 NUCCI, Guilherme de Souza, Apud, BARBOSA, Hélia. Estatuto da Criança e do Adolescente Comentado: em busca da Constituição Federal das Crianças e dos Adolescentes / Guilherme de Souza Nucci. – 3º ed. rev. E ampl. – Rio de Janeiro: Forense, 2017. Pag.9.

70 BRASIL. Lei 8.069, de 13 de julho de 1990. Estatuto da Criança e do Adolescente.

Brasília, DF, 1990.

45 profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária.

Parágrafo único. A garantia de prioridade compreende:

a) primazia de receber proteção e socorro em quaisquer circunstâncias;

b) precedência de atendimento nos serviços públicos ou de relevância pública;

c) preferência na formulação e na execução das políticas sociais públicas;

d) destinação privilegiada de recursos públicos nas áreas relacionadas com a proteção à infância e à juventude. (Lei 8.069, de 13 de julho de 1990).

Sendo assim, é dever não apenas do estado como também da familia, tanto adotiva, quanto natural, possibilitar a efetivação dos direitos acima elencados. E assim como disciplina o artigo 43 do mesmo dispositivo, as adoções que apresentarem reais vantagens ao adotando, serão efetivadas, verificando-se desta forma a presença do referido princípio no embasamento de todos os direitos garantidos a criança e ao adolescente71.

Muitos magistrados atualmente, ao se depararem com situações de pedidos de adoção feitos por casais homoafetivos, se respaldam no princípio do superior interesse da criança e do adolescente para que possam proferir uma sentença justa e acertada. Assim como podemos verificar no julgado abaixo72:

Todavia, mister observar a imprescindibilidade da prevalência dos interesses dos menores sobre quaisquer outros, até porque está em jogo o próprio direito de filiação, do qual decorrem as mais diversas consequências que refletem por toda a vida de qualquer indivíduo.

Por isso mesmo, a matéria relativa à possibilidade de adoção de menores por casais homossexuais vincula-se obrigatoriamente à necessidade de verificar qual é a melhor solução a ser dada para a proteção dos direitos das crianças, pois são questões indissociáveis entre si. É o que se depreende do artigo 43 do Estatuto da Criança e do Adolescente.

(RECURSO ESPECIAL Nº 889.852 - RS (2006/0209137-4).

Grifo nosso.).

71 BRASIL. Lei 8.069, de 13 de julho de 1990. Estatuto da Criança e do Adolescente.

Brasília, DF, 1990.

72 STJ. RECURSO ESPECIAL: RECURSO ESPECIAL: Resp. 889.852 RS 2006/ 0209. Relator:

Ministro Luís Felipe Salomão. DJ: 27/04/2010. Disponível em:

https://stj.jusbrasil.com.br/jurisprudencia/16839762/recurso-especial-resp-889852-rs-2006- 0209137-4/inteiro-teor-16839763#>. Acesso em: 11/09/2018.

46 Frente ao todo exposto neste subtítulo, verifica-se que é de grande irrelevância os adotantes serem de orientação homoafetiva, pois contanto que os mesmos possam oferecer qualidade de vida e um ambiente familiar necessário para o desenvolvimento da criança ou adolescente adotado, os mesmos devem ser considerados aptos, levando-se em consideração, além dos presentes números de crianças a serem adotadas no Brasil já mencionados, a grande necessidade de convivência familiar, e o contato com a afetividade familiar que os jovens abjetos de adoção necessitam para seu bom desenvolvimento.

Atualmente no Brasil, de acordo com o Cadastro Nacional de Adoção (CNA)73, há 4.946 crianças disponíveis para adoção, e um total de 522 crianças disponíveis no estado do Paraná, e frente a essa realidade, é latente que deve ser valorizado como prioritário em um processo de adoção, o melhor interesse da criança e do adolescente a ser adotado, bem como o atual número de crianças no Brasil a espera de um lar, devendo ser colocado em segundo plano a orientação sexual dos adotantes, deixando de ser considerado um empecilho jurídico para a adoção.

No documento PDF MARINGÁ 2018 - unicv.edu.br (páginas 42-46)