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PRINCÍPIOS EDUCACIONAIS DO PROJETO

IFRO/CACOAL

1.1 PRINCÍPIOS EDUCACIONAIS DO PROJETO

Desenvolver uma experiência como a que acontece na OBA e na MOBFOG perpassa por várias fundamentações educacionais e psicológicas no tocante a estruturação do conhecimento, tanto para os professores que coordenam este evento, quanto para os alunos que se empenham para aplicar as teorias astronômicas e suas práticas.

Buscamos embasar a riqueza dessa experiência vivida por nossos alunos em três marcos teóricos que, categoricamente, sustentam a teoria da educação contemporânea.

Em ordem cronológica, gostaríamos de citar as abordagens de Jean Piaget (1896-1980) que traz as perspectivas da construção do conhecimento pautado no processo de assimilação/acomodação/esquema/equilibração em estágios de desenvolvimentos (DAVIS; OLIVEIRA, 1994). Sua teoria afirma que o indivíduo se relaciona com o mundo a partir de um processo de adaptação baseado em conhecimentos prévios. Para Piaget, “o desenvolvimento humano e o esforço em direção ao conhecimento movem o homem no sentido da cooperação e do altruísmo, afastando-o do egocentrismo e da guerra” (MACIEL;

PULINO, 2008). Neste contexto de aprendizagem o professor, tem a função de desequilibrar os esquemas dos alunos sem impor seus conhecimentos, “possibilitando uma ampliação da possibilidade de interpretação da realidade e adaptação a mesma” (ARNT;

QUEIROZ; RAPOSO, 2008), trazendo os desafios que proporcionem aos alunos a vencerem as etapas que a OBA MOBFOG lhes apresentou. Os alunos, motivados por seus conhecimentos prévios, tornam-se autores na construção dos conhecimentos que ampliam as possibilidades da confecção dos foguetes, além de se sentirem membros desse movimento científico que, em outros momentos de nossa história educacional, não oportunizavam a participação dos alunos em eventos como este.

Ao acompanhar as etapas de desenvolvimento do projeto OBA e MOBFOG, conseguimos perceberemos que o processo de aquisição de conhecimentos por parte dos

alunos tem muito a ver com os princípios de interação social do legado teórico de Lev S.

Vygotsky (1897-1934) (ARNT; QUEIROZ; RAPOSO, 2008) baseados no conceito de Mediação Simbólica - instrumentos e signos, e zona de desenvolvimento proximal -ZDM - que sustenta que o processo de aquisição de conhecimentos se pautam nas interações sociais. Neste contexto o papel do professor é intervir na zona de desenvolvimento proximal, ou seja, entre aquilo que o aluno tem conhecimento e a necessidade de auxílio.

Por último, mas não menos importante, reafirmamos o valor do projeto OBA MOBFOG pelo olhar de Henri Wallon (1879-1962) (MACIEL; PULINO, 2008) que elucida a afetividade ou a emoção como fator de interferência na aprendizagem onde devemos considerar a história do aluno, suas demandas atuais e suas perspectivas para que consigamos obter melhores resultados. A partir da perspectiva de Wallon, percebemos que existe uma diferença entre os alunos que chegaram no IFRO/Campus Cacoal antes do projeto OBA MOBFOG e dos alunos que temos hoje e, podemos, sob a luz da ciência, vislumbrar para onde eles irão. Piaget, Vigotsky e Wallon veem o aluno como um ser participante no processo de construção do conhecimento e envolvido no processo educacional. Por este prisma, podemos afirmar que a OBA e a MOBFOG, segundo seus princípios de constituição, de caráter educacional e abrangência no tocante a determinações assertivas das ações dos alunos, tem sua base teórica sustentada pelos princípios das teorias interacionistas e sociointeracionistas.

Pela riqueza abrangente dessa experiência, tanto para os professores, quanto para os alunos participantes, sempre haverá outros aspectos teóricos favoráveis a ser analisados, discutidos e revelados, uma vez que as concepções mostradas aqui expressam, fundamentalmente, a assertividade das Olimpíadas Brasileira de Astronomia e da Mostra Brasileira de Foguetes no âmbito da educação, ciência e tecnologia brasileira.

2. MATERIAIS E MÉTODO

A OBA organiza competições de conhecimento em Astronomia e Astronáutica, enquanto a MOBFOG organiza a competição de construção e lançamento de foguetes artesanais (Figura 1). Essas atividades são organizadas em formas de eventos escolares e nacionais, com possibilidade de passagem para etapas internacionais. Mas não apenas isso. A organização da OBA/MOBFOG disponibiliza em seu site e em sites parceiros uma

grande gama de materiais de pesquisa, divulgação científica e entretenimento. Existem também os EREAs – Encontros Regionais de Ensino de Astronomia, eventos com o apoio da organização da OBA/MOBFOG voltados para a capacitação de professores em ensino e observações astronômicas. Além disso, as escolas participantes são livres para incluir atividades extras em suas etapas locais, como palestras, seminários, oficinas e mostras.

Com o ensejo de aproveitar o estímulo oferecido pela OBA e MOBFOG, foi executado a partir de 2015 no IFRO/Cacoal um projeto de ensino de atividades dirigidas de física, astronomia e astronáutica. Este projeto tem o objetivo de tornar o ensino de física mais contextualizado e aplicado, permitindo aos alunos experimentar e descobrir essa ciência do universo de forma prática e construtiva.

O projeto é voltado para os alunos da unidade, cursantes do ensino médio técnico, que se enquadram no nível quatro da OBA/MOBFOG. A participação é voluntária, mas bastante disputada. Após o convite de todas as turmas, os alunos inscritos são divididos em grupos de até três estudantes e recebem a tarefa de desenvolver um foguete de garrafa pet e uma base de lançamento, que pode ser construída de qualquer material de baixo custo e fácil acesso. Para os lançamentos de foguetes são utilizados vinagre a 4% de acidez e bicarbonato de sódio como combustível. Estes são requisitos obrigatórios para participação nacional e visam à segurança dos alunos. Para a construção dos foguetes e lançamento, são disponibilizados oficinas e materiais de pesquisa para os grupos, além de tutoria junto a alunos veteranos.

Figura 1. Foguete artesanal e base de lançamento, construídos com garrafa pet.

Seguindo um cronograma são realizados testes para verificação e correção do desempenho dos foguetes, da base e da melhor combinação entre os reagentes do combustível, e em um dia pré-agendado são realizados os lançamentos oficiais (Figura 2).

Neste lançamento são registrados os nomes dos foguetes, das equipes e qual foi o alcance obtido por cada um para inserção no banco de dados da coordenação nacional.

Figura 2. Lançamento de foguete em dois momentos.

Quanto à preparação para as provas escritas da OBA, os grupos são orientados a iniciarem os estudos através de simulados oferecidos pelo site da organização e aplicativos disponibilizados gratuitamente. Além disso, seminários voltados para as áreas de astronomia e astronáutica são oferecidos (Figura 3).

Figura 3. Seminário ministrado por professor colaborador do projeto.

Nas duas modalidades da olimpíada (OBA e MOBFOG), os alunos são orientados em encontros semanais com relação às etapas do projeto e as regulamentações do evento, e os professores e alunos podem aproveitar para vivenciar momentos de grande aprendizado para ambas as partes. Os alunos, servidores e escolas recebem certificados de participação e medalhas, de acordo com seu resultado.Após a fase escolar, os alunos e equipes classificados podem participar de fases nacionais e internacionais, encontros científicos, e inclusive ganhar bolsas de estudo de instituições conveniadas.