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Principais plataformas CAD/ BIM

1.5 MODELAGEM TRIDIMENSIONAL

1.5.4 Principais plataformas CAD/ BIM

desenvolvedoras dos software que comercializam seus produtos por meio do marketing visando à manutenção dos seus clientes. Os autores observam que:

O fundamento do BIM é um modelo coordenado e rico em informações, que permite a prototipagem virtual, análises e construção virtual de um projeto.

Essas ferramentas ampliam largamente as capacidades do CAD atual por meio da habilidade de associar informações do projeto a processos de negócio, como orçamentação, previsão de vendas e operação do edifício. Em processos baseados em desenhos, as análises precisam ser feitas de modo independente da informação do projeto do edifício muitas vezes exigindo entrada de dados repetidos, tediosa e propensa a erros. (EASTMAN et al., 2014, p. 94).

Ainda que as empresas desenvolvedoras de software se valham de apelos comerciais para induzir a aquisição de seus produtos, é importante que o indivíduo se aproprie dos conhecimentos inerentes à representação gráfica e das diferentes disciplinas que garantirão bons resultados no projeto, pois não será apenas a aquisição de um programa que conduzirá a um bom projeto. Além dos conhecimentos que possibilitam o manuseio do software, deverão estar associados ao processo de desenvolvimento dos projetos, sólidos conhecimentos de Geometria, técnicas construtivas e conhecimento de matérias que nortearão a modelagem do edifício e informações agregadas. Também é importante que se tenha entendimento critico a respeito do uso destas ferramentas, pois este profissional ou estudante se insere em uma nova lógica do processo de produção, necessitando que a compreensão e a manipulação das ferramentas da atualidade sejam vistas através de uma perspectiva crítica e educacional.

apresentadas por ele ao longo do tempo de atuação no mercado, dadas por atualizações feitas pelos desenvolvedores, e da quantidade de profissionais que utilizam um mesmo programa.

Segundo Addor et al. (2010), o primeiro software com ferramentas BIM foi o ArchiCAD (Figura 3), com lançamento na Hungria, no ano de 1987. Desde o seu lançamento ele vem se mantendo até hoje como um dos software mais utilizados nos escritórios de arquitetura. Em um artigo publicado em 2009, Andrade e Ruschel trazem a informação de que neste período ele ocupava o segundo lugar dentre os software mais utilizados nos escritórios de arquitetura no mundo, com um total de 32% dos usuários, ficando atrás apenas do Revit, que até o período da publicação do artigo citado apresentava um total de 67% dos usuários.

Figura 3 - Interface do ArchiCAD 16 (versão educacional)

Fonte: Autor, 2016. Captura de tela do ArchiCAD.

Eastman et al (2014) afirmam ser o Revit Architecture (Figura 4) o software mais conhecido entre os usuários BIM. Sua participação na linha de produtos da Autodesk se deu em 2002, depois que a empresa adquiriu a Revit Technology Corporation, antiga desenvolvedora do software. Além do Revit Architecture, existem outros produtos da família Revit que dão suporte no desenvolvimento de projetos estruturais e de instalações, os quais são: o Revit Structure e o Revit MEP. Apesar do Revit ter sido lançado anos depois do ArchiCAD, a Autodesk já possuía o AutoCAD inserido em grande parte dos escritórios de engenharia e arquitetura, juntando isto ao forte investimento em marketing da Autodesk, a

empresa tem conseguido garantir que o Revit se mantenha como um dos programas mais utilizados para elaboração dos projetos de Arquitetura.

Figura 4 - Interface do Revit Architecture - Versão 2011

Fonte:<http://www.architectureweek.com/cgi-bin/awimage?dir=2011/0420&article=tools_1- 1.html&image=1 5000 _image_1.jpg> . Acesso em: 10 mai. 2016

Além dos dois programas citados, sendo estes os que têm maior destaque na indústria da construção, existem ainda o Bentley Architecture (Figura 5), da Bentley Sistems; o Digital Project, da Dessault Sistems; e o Vector Works, da Nemetschek. Segundo Eastman et al.

(2014, p. 61), o Digital Project tem um alto custo de aquisição, além de possuir uma interface de difícil compreensão, em contrapartida, possui capacidade de modelagem para superfícies complexas. Já o Vector Works, dentre todos os programas citados, é o que apresenta menor custo na aquisição da sua licença.

Figura 5 - Interface da Versão 2011 do Bentley Architecture

Fonte: <http://www.plataformabim.com.br/2013/05/bentley-architecture.htm>. Acesso em: 10 maio 2016.

Para Eastman et al (2014), a forma como se tem concebido os projetos de Engenharia e Arquitetura hoje tem mudado consideravelmente a indústria da construção, além de estar facilitando a transição de desenhos construídos artesanalmente para uma tecnologia baseada em modelos digitalmente legíveis. Segundo os mesmos autores, as possibilidades que podem ser alcançadas com o uso desta tecnologia terão grandes impactos na indústria da construção civil.

2 O TÉCNICO EM CONSTRUÇÃO CIVIL

Estudos realizados entre 1970 e 1980, analisaram os impactos das novas tecnologias no setor produtivo; esses estudos fizeram perceber que os novos profissionais que se inseriam no mundo do trabalho deveriam ser capazes de interagir com as novas situações que surgiam na indústria, em decorrência das transformações tecnológicas; o que exigia deles uma compreensão plural do setor produtivo. Já na década de 1980, houve mudanças significativas no que diz respeito à forma de gestão e organização do setor industrial, devido ao emprego de tecnologias complexas no auxílio da produção e da prestação de serviços. A internacionalização das relações econômicas também afetou de forma decisiva a organização do setor produtivo (BRASIL, Ministério da Educação, 1998). O que pôde ser observado por Kon (1999, p. 42), quando este afirma que:

Nos anos mais recentes, desde a década de 80, observou-se, nas economias mundiais, o crescimento da velocidade das mudanças estruturais, que incluem, resumidamente, o aumento da internacionalização das atividades econômicas, a reorganização das firmas dominantes, a crescente integração da produção manufatureira com a de serviços, o incremento da utilização da tecnologia microeletrônica, a elevação, na indústria, da demanda por trabalhadores altamente qualificados, constatando-se a substituição de muitos trabalhos rotineiros por novas técnicas, a crescente complexidade e volatilidade do consumo e, finalmente, a transformação do papel da intervenção estatal nos países desenvolvidos e em desenvolvimento.

Porém, diferentemente da indústria de transformação, em que as novas tecnologias já vinham sendo empregadas, a fim de maximizar os processos produtivos, no setor da construção civil não houve significativo investimento em novas tecnologias durante anos, tendo ainda como agravante da situação a escassez de mão de obra qualificada, pois boa parte dos trabalhadores deste campo de atuação eram semianalfabetos, como afirmam Nascimento e Santos (2003). Os autores, ainda, afirmam que, mesmo o emprego de tecnologias precisas, para organização e gerenciamento dos documentos, durante as fases de projeto, aconteceu tardiamente, incorrendo em muitos erros de execução.

De forma mais ampla, “[...] a área de construção civil abrange todas as atividades de produção de obras”. (BRASIL, 2000). Neste panorama, insere-se o profissional de construção civil, o qual, de acordo com os Referenciais Curriculares Nacionais da Educação Profissional

de Nível Técnico - Área profissional: Construção Civil (BRASIL, 2000), poderá envolver-se nas atividades de planejamento e projeto, execução e manutenção de edifícios, estradas, portos, aeroportos, canais de navegação, túneis, instalações prediais, obras de saneamento, fundações e obras de terra em geral. Mas, apesar da flexibilidade de atuação, não poderão os técnicos em Construção Civil atuar em atividades de operação, a exemplo: operação e gerenciamento de sistemas de transportes ou operação de sistemas de tratamento de água, como advertem os Referenciais Curriculares Nacionais da Educação Profissional de Nível Técnico (BRASIL, 2000). No Quadro 1 está demonstrada a organização do processo de produção direcionado à área técnica de Construção Civil.

Quadro 1 - Organização do processo de produção de obras - área técnica de Construção Civil

FUNÇÕES SUBFUNÇÕES

PLANEJAMENTO E PROJETOS

Elaboração de estudos de viabilidade técnico-econômica de empreendimentos, de laudos avaliativos, de plantas de valores genéricos e pareceres técnicos avaliativos, de laudos.

Elaboração de estu- dos e de projetos técnicos.

Elaboração de planejamento de obras.

EXECUÇÃO Instalação e gerenciamento de

canteiro de obra. Execução de obras. Controle de processos.

MANUTENÇÃO E

RESTAURAÇÃO

Instalação e gerenciamento de canteiro de obra.

Execução de obras de manutenção e restauração.

Controle de processos.

Fonte: Referenciais Curriculares Nacionais da Educação Profissional de Nível Técnico - Área profissional:

Construção Civil (BRASIL, 2000).

Entretanto, no final do século XX, os Referenciais Curriculares Nacionais da Educação Profissional de Nível Técnico (BRASIL, 2000) – RCNEP - afirmavam que a maioria dos cursos oferecidos no Brasil tinha como principal foco a construção de edifícios, estradas e obras de saneamento, sendo historicamente ofertados pelas Escolas Federais e pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI), devido ao alto custo de investimento.

O IFBA, por exemplo, oferece o curso Técnico em Edificações, cuja “atuação será voltada a todas as atividades que interfiram no planejamento, na execução, na manutenção, na reforma na recuperação e no projeto das edificações” (BRASIL, Instituto Federal da Bahia –

campus Salvador, 2016). Nos últimos anos, além do crescente investimento do governo para a expansão dos cursos técnicos, nas instituições públicas, também foi perceptível um significativo aumento na oferta dos cursos Técnicos Profissionalizantes oferecidos pela iniciativa privada, principalmente o de Edificações, à medida que o mercado da Construção Civil se fortalecia economicamente, como visto na explanação de Breitbach (2009, p. 1):

A construção civil acompanhou o crescimento da indústria de transformação desde 2004 até 2007, embora num patamar um pouco inferior. Em 2008, os estimativos preliminares dão conta de um dinamismo excepcional da construção civil, quando seu crescimento ultrapassou aquele da indústria de transformação brasileira.

Ao tratar do curso Técnico em Edificações, o Catálogo Nacional de Cursos Técnicos - CNCT (BRASIL, 2016) diz que a estrutura mínima requerida para o funcionamento deve conter, além de uma carga horária mínima de 1200 horas, biblioteca e videoteca com acervo específico e atualizado, laboratório de informática com software específicos instalados nas máquinas, laboratório de desenho, laboratório de materiais de construção, laboratório de mecânica dos solos, laboratório de técnicas construtivas e equipamento de topografia. É importante ressaltar que hoje a aquisição de licenças de alguns software não gera custos para as instituições de ensino, visto que alguns fabricantes disponibilizam licenças educacionais para alunos, professores e laboratório das escolas, como é o caso da Autodesk, proprietária do AutoCAD e do Revit, ou da alemã Graphisoft, que detém os direitos do ArchiCAD, principal concorrente do Revit no Brasil. Isso vem facilitando o acesso a estas tecnologias, tanto para professores quanto para estudantes. Entretanto, como já mencionado, ainda há pouco investimento na capacitação de professores dos cursos técnicos para uso desses software.

Referente à utilização dos programas, a velocidade em que as atualizações deles vêm sendo feitas, requer hardware mais potentes para que se possa tirar o máximo de proveito de suas funcionalidades. Contudo, as instituições públicas de ensino, em que a aquisição de material depende de processos geralmente morosos, a atualização do hardware não consegue acompanhar a dos software, culminando gradativamente em laboratórios com equipamentos defasados.

No que diz respeito à formação dos Técnicos, o CNCT (BRASIL, 2016) traz algumas questões que merecem atenção especial. Segundo o referido catálogo, quando da confecção das suas propostas pedagógicas, os Institutos Federais podem optar por adotar “Itinerários

Formativos”, em que estudantes, devido à flexibilidade do currículo, compõem a sua formação com base nas disciplinas que lhes interessam. Para Ramos (2009):

A expressão „itinerário formativo‟, no nível macro, refere-se à estrutura de formação escolar de cada país, com diferenças marcadas, nacionalmente, a partir da história do sistema escolar, do modo como se organizaram os sistemas de formação profissional ou do modo de acesso à profissão.

A aludida autora complementa a informação supracitada, dizendo que as bases organizativas dos currículos dos cursos servirão como um dos critérios para a definição dos itinerários formativos que podem ser seguidos pelos estudantes. É fundamental que a continuidade do processo formativo esteja presente no currículo, de modo que a sua estrutura permita o avanço do aluno no processo de aprendizagem e escolarização, num fluxo contínuo de conteúdos, de maneira a não haver repetições ou interrupções (RAMOS, 2009). Leão e Teixeira (2015, p. 6846) complementam o enunciado afirmando que:

[...] itinerários formativos podem ser compreendidos como uma carta de cursos ofertados por uma instituição de ensino sejam eles de formação inicial e continuada de nível médio ou superior. A organização de itinerários formativos permite que um campus centralize suas ações para determinados cursos, de acordo com os eixos tecnológicos, otimizando recursos e aproveitando tecnologias comuns (laboratórios e matérias), bem como quadro de professores e técnicos administrativos.

No itinerário formativo, disciplinas que foram cursadas em um curso técnico poderão ser aproveitadas em uma graduação, mas, para que isso ocorra deve ser pensada uma estrutura curricular compatível entre os cursos, de modo que seja possível traçar esses caminhos de conexão. Nesta perspectiva, veem-se as possibilidades de formação continuada por meio de cursos de especialização técnica, assim como os de graduação, no itinerário formativo. No contexto da proposta, pode ser acrescida também a possibilidade de certificação intermediária em cursos de qualificação profissional. A seguir, podem ser verificadas, de forma mais detalhada, as pospostas de formação, presentes no CNCT. (BRASIL, 2016).

2.1 CERTIFICAÇÃO INTERMEDIÁRIA EM CURSOS DE QUALIFICAÇÃO PROFISSIONAL

Para que ocorra esta qualificação, o aluno deverá ter cursado no mínimo 20% da carga horária do curso. É indispensável que haja a previsão desta qualificação no projeto pedagógico do curso. Tendo concluído a carga horária prevista, ele poderá receber o certificado da qualificação profissional técnica antes da conclusão do curso técnico, sendo que no documento deverá constar o título da ocupação.

2.1.1 Formação continuada em cursos de especialização técnica no itinerário formativo

Tendo como finalidade oferecer cursos complementares que venham a atender a demanda do mundo do trabalho, as instituições poderão ofertar curso em nível de especialização para os técnicos formados, podendo atender também aos profissionais de nível superior. Estes cursos devem estar ligados a pelo menos uma das habilitações profissionais do eixo tecnológico e ter carga horária mínima de 25% do período total do curso técnico ao qual a especialização está vinculada. Tais cursos poderão ser ministrados tanto por técnicos quanto por profissionais graduados.

2.1.2 Verticalização para cursos de graduação no itinerário formativo

Nesta modalidade, os alunos dos cursos técnicos, ao ingressarem em um curso superior, poderão fazer o aproveitamento de algumas disciplinas, como explicitado no portal do MEC17:

Os estudantes que concluírem com êxito cursos profissionalizantes associados a itinerários formativos poderão se beneficiar com acesso aos

17 Disponível em: <http://portal.mec.gov.br/pronatec/itinerarios-formativos>. Acesso em: 27 set. 2016.

cursos técnicos, aproveitando os conhecimentos adquiridos previamente e concluindo em menor tempo uma nova formação. Da mesma forma, os concluintes dos cursos técnicos poderão, ao ingressar em cursos tecnológicos de graduação, ter reconhecidos parte do que estudaram na formação técnica.

(BRASIL, 2016)

Ainda que sejam vislumbradas melhorias no acesso à formação dos profissionais, pela possibilidade de escolha do conteúdo formativo, Ramos (2009) chama a atenção para que essa formação não seja desvinculada do seu real significado, limitando-se aos requisitos econômicos, nos quais os conteúdos aprendidos têm função meramente instrumental na indústria. Ademais, para garantir o funcionamento do curso, dentro desta estrutura educacional, deve-se, além de revisar a estrutura curricular dos cursos, garantir que os conteúdos da formação realmente possam se articular entre os diferentes níveis de formação, tendo em vista que pode haver um aproveitamento de estudos durante a transição entre os diversos níveis de escolarização.

Pacheco (2012) afirma que, pensar uma educação que lida com o conhecimento de forma integrada e verticalizada, exige outra postura dos professores, de modo que desenvolvam um trabalho reflexivo e criativo, empregando uma didática que promova a autonomia dos educandos.

No Quadro 2, estão listadas as formações complementares que podem compor o

“itinerário formativo” do curso Técnico em Edificações, respeitando os eixos tecnológicos do referido curso. No que diz respeito aos níveis de formação, vale lembrar que a qualificação profissional poderá ser dada ao estudante que não concluir o curso técnico, mas que tenha cursado mais que 20% da sua carga horária. Caberá a cada instituição adequar ao currículo à formação que melhor se adequa ao projeto pedagógico do curso, como antes mencionado.

Quadro 2 - Proposta de Itinerário Formativo do curso Técnico em Edificações – CNCT Qualificação Profissional Aplicador de revestimentos assoalhados. Curvador. Instalador de

aquecedores residenciais a gás. Editor de maquetes eletrônicas (SIC).

Especialização Técnica

Especialização técnica em restauração e conservação de edificações.

Especialização técnica em geoprocessamento. Especialização técnica em edição de maquetes eletrônicas (SIC). Especialização técnica em modelagem de informação da construção (BIM).

Cursos de Graduação no Itinerário Formativo

Curso superior de tecnologia em agrimensura. Curso superior de tecnologia em construção de edifícios. Curso superior de tecnologia em controle de obras. Curso superior de tecnologia em estradas. Curso superior de tecnologia em materiais de construção. Curso superior de tecnologia em saneamento ambiental. Curso superior de tecnologia em obras hidráulicas. Bacharelado em arquitetura e urbanismo. Bacharelado em Engenharia Civil. Bacharelado em engenharia elétrica. Bacharelado em Engenharia de Agrimensura.

Fonte: Adaptado do Catálogo Nacional de Cursos Técnicos (BRASIL, 2016).

2.3 O TÉCNICO EM EDIFICAÇÕES E AS NOVAS TECNOLOGIAS

Os cursos técnicos, cujo foco não se desvincula da formação de indivíduos para atuar no mundo do trabalho, principalmente quando se trata do setor industrial, indubitavelmente devem apropriar-se das novas tecnologias. Devem fazer isto para que haja uma formação efetiva dentro daquilo que se propõem as escolas de ensino técnico profissionalizante. De modo geral, é papel da escola preparar indivíduos para que possam encarar as exigências postas pela sociedade, reduzindo cada vez mais a distância entre a “ciência complexa” e a cultura de base, garantindo sempre que os indivíduos tenham uma apreensão crítica da realidade na qual estão inseridos (LIBÂNEO, 2010). Em contrapartida, é necessário que a escola ofereça serviços e equipamentos de qualidade, além da formação de todos os seus profissionais, incluindo contínua atualização do corpo docente. Ensinar não significa “reduzir a educação às necessidades do mercado de trabalho, mas não ignorar as exigências da produção econômica, como campo de onde os sujeitos sociais retiram os meios de vida”

(CIAVATTA, 2005, p. 65-6).

É de fundamental importância que se ponha em prática e se faça entender o sistema de produção adotado no mundo do trabalho, que é o espaço de atuação desses profissionais. Os métodos da geração dos produtos industriais afetam direta ou indiretamente as escolas, que devem repensar os métodos de ensino e propor constantes atualizações no que diz respeito à adoção das TI, inserindo também uma sólida compreensão dos conceitos base da representação gráfica e da geração de projetos, assunto de interesse desta dissertação, frente a uma realidade de veloz obsolescência das ferramentas digitais.

Pacheco (2012) faz críticas a uma educação profissional cuja formação do sujeito está focada apenas nos interesses do mercado, de modo que não se afirme a centralidade do ser humano ou atenda “às necessidades do sujeito e da sociedade”. (PACHECO, 2012, p. 12).

Além disso, cabe às instituições de ensino estar sempre atualizadas em relação às ferramentas disponíveis para o aprimoramento do fazer profissional, de modo que os educandos compreendam a tecnologia vigente e reflitam acerca de suas implicações, não sendo apenas sujeitos formados para atender a uma demanda de mercado que busca profissionais qualificados. De todo modo, é evidente um direcionamento para novas práticas de trabalho que passam a nutrir o setor da construção civil, que se fixa numa ideologia de produção mais precisa e acelerada em que se insere a lógica do capital, cujos reflexos se estampam na venda de software e propagandas massivas. Neste contexto, como ferramenta de projeto, surgem o BIM. Para Eastman (2009, apud MENEZES, 2011) o BIM deve ser analisado independentemente dos interesses comercias. Mas “[...] o período atual tem como uma das bases esse casamento entre ciência e técnica, essa tecnociência, cujo uso é condicionado pelo mercado”. (SANTOS, 2003, p. 65).

Os cursos técnicos de nível médio em Edificações, na modalidade integrada, são compostos pelas disciplinas propedêuticas e as disciplinas técnicas, tendo o aluno um tempo previsto de quatro anos para concluir a sua formação. Quando se trata do curso subsequente, voltado para os alunos que já concluíram o ensino médio e almejam uma formação técnica, o tempo previsto para a conclusão do curso técnico é de dois anos e meio.

Tendo em vista que a formação do Técnico em Edificações habilita profissionais a atuar no setor da construção civil, nas áreas de projetos, instalações e manutenção predial e planejamento, desde que estejam sob a supervisão de engenheiros ou arquitetos, é importante que também se discuta BIM nesses espaços, para que escola e mundo do trabalho estejam em consonância.