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Análises sobre processos de trabalho devem partir do pressuposto que existem elementos universais em qualquer sociedade, ou seja, todo trabalho em ação supõe meio e objetos de trabalho. Para Marx (1985), os elementos simples do processo de trabalho são: a atividade orientada a um fim, a dimensão teleológica, o objeto e seus meios.

Os meios de trabalho criados com o objetivo de intermediar a relação entre o homem e os objetos revelam as condições sociais sob as quais se efetua o trabalho e o desenvolvimento das forças produtivas. Desta forma, possibilitam distinguir as épocas econômicas, pois “não é o que se faz, mas como, com que meios se faz, é o que distingue as épocas econômicas” (MARX, 1985, p.15).

Esta assertiva contribui para a compreensão do desenvolvimento das forças produtivas e sua relação com a organização dos processos de trabalho nos diversos ramos de produção capitalista.

No processo de trabalho, além dos meios de trabalho que mediam a atuação do trabalho sobre seu objeto são consideradas como parte destes elementos todas as condições objetivas necessárias para que o processo se realize. Seu objetivo é a elaboração de um produto; trabalho concreto, objetivado e um objeto trabalhado. Este pode constituir-se em matéria prima do mesmo processo ou de vários outros, além de meio de trabalho no mesmo processo, o que depende “de sua função determinada no processo de trabalho, da posição que nele ocupa, e com a mudança dessa posição variam essas determinações” (MARX, 1985, p. 152).

Estas considerações são fundamentais para desvendar o valor do trabalho em ação, como forma de dar vida a estes produtos que se transformam em fatores objetivos do trabalho vivo, ao retornar ao processo de produção. No entanto, na realização deste trabalho também se consome produtos para a criação de novos produtos ou se gasta produtos como meio de produção de outros. Decorre desta relação a afirmativa de que produção é consumo e consumo é produção.

Os elementos até aqui abordados referem-se ao processo de trabalho visto a partir de seus elementos simples e abstratos, desvinculados das relações sociais estabelecidas entre os homens, portanto, comum a todas as formas sociais. No entanto, sua análise não deve se reduzir a estes elementos, à medida que, no sistema capitalista de produção, sistema socioeconômico de interesse deste estudo, há produção de valor de uso, somente com a

intenção de gerar valor de troca, mercadorias que proporcionem a venda, o engrandecimento do capital (MARX, 1985).

Partindo desta premissa, o que particulariza o processo de trabalho nesta sociedade é a concentração privada de seus elementos simples sob o poder de uma determinada classe, ou seja, são monopólios dos capitalistas ou a eles se encontram submetidos.

No contexto da produção capitalista, o trabalho passa a ser realizado por um grande número de trabalhadores, que ao serem destituídos dos meios de produção, vendem sua força de trabalho, com a finalidade de produzir mercadorias para o mesmo capitalista. Quando entram neste processo de trabalho, os trabalhadores são incorporados ao capital, passando sua força produtiva a ser propriedade do capital e o seu produto a ele pertencer. “O processo de trabalho constituiu-se assim num processo entre coisas que o capitalista comprou, entre coisas que lhe pertencem” (MARX, 1985, p.154).

Quando concentra vários trabalhadores no mesmo espaço ou em espaços dispersos, o trabalho individual de cada um representa diferente fase de um único processo de trabalho.

Para Marx (1983, p. 259) “a forma de trabalho em que muitos trabalham planejadamente lado a lado e conjuntamente, no mesmo processo de produção ou em processos de produção diferente, mas conexos, chama-se cooperação”.

Marx (1969) ao analisar o ciclo histórico, no qual o capitalista submete o trabalho aos seus interesses, tal seja a produção de mais-valia, apresenta-o em dois estágios, de

subsunção formal” e a “subsunção real do trabalho ao capital”. No primeiro, submete a si um processo de trabalho existente, com interferências limitadas pelo nível de desenvolvimento das forças produtivas, ou seja, ainda não revolucionou o modo de realização do trabalho. Todavia, introduz uma “relação econômica de supremacia e subordinação” na medida em que, controlam, supervisionam e dirigem o trabalho desenvolvido, a fim de que não se consuma mais tempo de trabalho socialmente necessário na produção das mercadorias.

Este estágio é suficiente para a produção da mais-valia absoluta.

Para este autor a verdadeira subsunção do trabalho ao capital surge quando os capitalistas iniciam a reorganização do processo de trabalho com objetivo de adquirir mais- valia relativa. A força produtiva decorrente da cooperação e da divisão do trabalho é aproveitada no sentido de obter maior produtividade do trabalho, ao passo que gera um empobrecimento do trabalhador nas suas forças produtivas individuais. O ritmo e intensidade do trabalho passam a ser controlados pelo ritmo da máquina, com a fixação em tarefas específicas, que exigem poucas habilidades, perdendo o trabalhador o controle do seu trabalho. A produção das mercadorias não deve extrapolar o tempo de trabalho socialmente

necessário e para tanto, mecanismos de controle são acionados, são criadas as funções de vigilância deste processo, a fim de evitar o desperdício de tempo e matéria prima. Estas mudanças na forma de produzir ocorrem juntamente com as mudanças nas relações sociais, pois, embora pareçam relações entre coisas, trata-se de relações entre homens, entre classes sociais.

Harvey (1990, p.109) explica que “las relaciones de clase que prevalecen dentro del capitalismo en geral penetran ahora dentro del proceso laboral a través de la reorganización de las fuerzas productiva.”. Destaca ainda um ponto fundamental na análise do processo de trabalho, que é a sua relação com a concepção de mundo, que pode se converter numa força material, em sentido duplo: objetivada em objetos materiais e materializadas nos processos de produção reais. Desta forma amplia a compreensão deste processo enquanto “uma unidad de fuerzas productivas, de relaciones sociales y de concepciones espirituales del mundo”.

Na interpretação de Marx (1985) o processo de trabalho produz e reproduz a relação capitalista existente entre as classes sociais, pois se trata de produção de mais-valia e não apenas produção de mercadorias. Portanto, a mercadoria é unidade de valor de uso e de valor, produzida a partir de uma unidade de processo de trabalho e processo de formação de valor.

Quando os indivíduos encontram-se no mercado para a realização de troca parecem livres, proprietários privados de si mesmo e de seus produtos, capazes de se enfrentarem como iguais, mediante um ato de vontade comum, desaparecem as diferenças existentes entre eles. A troca aparece como uma relação jurídica que assume a forma contratual entre possuidores de mercadorias, com o dinheiro mediatizando este intercâmbio. Conforme discute Iamamoto (2001b, p.61) “a igualdade na esfera do valor que torna idênticas as mercadorias e seus possuidores, como iguais possuidores de produtos de idêntico valor, porquanto equivalentes” .

É importante ressaltar que o valor das mercadorias é determinado pelo quantum de trabalho materializado em seu valor de uso, pelo tempo de trabalho necessário à sua produção, inclusive o tempo de formação da força de trabalho. Neste sentido, antes de entrar no processo produtivo, os meios de produção, a matéria prima já têm o seu valor definido pela quantidade de tempo de trabalho social gasto na sua produção, trabalho abstrato.

Já o valor da força de trabalho e sua valorização no processo de trabalho, ocorrem de maneira diferente. O primeiro, expressa o valor necessário para repor os meios de subsistência necessários à sua reprodução, “a soma dos meios de subsistência deve, pois ser suficiente para manter o indivíduo trabalhador como indivíduo trabalhador em seu estado de vida normal”. (MARX,1985, p.141). O segundo, a força de trabalho é a única mercadoria que cria um valor além de que lhe é pago pelo capitalista, “fonte de valor, e de mais valor que ela

mesma tem” (MARX, 1985, p.160). Ou seja: é capaz de produzir valor que corresponda ao que lhe é pago através de salário e de mais valor, gerando um excedente. Neste sentido o trabalhador ao vender sua força de trabalho ao capitalista, realiza o seu valor de troca e, por conseguinte, aliena o seu valor de uso. O capitalista desta maneira transforma trabalho em capital e aliena o trabalhador quando separa o indivíduo que produz daquele que pensa o processo de produção16.

Neste processo as condições objetivas (matéria-prima, meios de produção, equipamentos físicos) e subjetivas (a força de trabalho) devem ser asseguradas para a operacionalização do processo de trabalho, para que ocorra a transformação seja de ideias ou de objetos. As condições objetivas expressam a forma que o capital assume no processo produtivo, onde os meios de produção operam como meios de produção da capacidade de trabalho específica, que atua de acordo com determinado fim. Mas esses meios de produção são apenas potencialmente capital, que só se transformam em capital pela ação do trabalho vivo, trabalho humano (condição subjetiva). Todavia ao assumir a forma de coisas conduz-se a noção de que o capital são coisas, obscurecendo as relações sociais que definem estas formas de produzir e reproduzir esta sociedade.

Estas relações caracterizam-se pelo conteúdo de propriedade e de poder, trata-se da centralização/concentração destas condições objetivas, do produto do trabalho nas mãos de uma classe, que na contemporaneidade se estrutura a partir de monopólios.

Retomando a dimensão do processo produtivo estes meios de produção constituem a parte constante do capital e a força de trabalho a parte variável, porque cria valor, relativo aos custos de seu salário e mais valor para o capitalista. Nesta dinâmica, é fundamental para a garantia da produção de valor excedente, que os meios de produção não contenham mais do que o tempo de trabalho socialmente necessário, que não ultrapasse o preço médio pago pelo capitalista, que não haja desperdício de matéria-prima e, principalmente, do tempo de trabalho, importantes na concorrência do mercado.

Nesta perspectiva, o trabalho deve ser organizado, ordenado sob a vigilância do capitalista que cria funções de supervisão e vigilância no processo de trabalho. Estas extrapolam para as atividades de escritório, tornando todo o processo de trabalho cada vez mais supervisionado, a fim de evitar seu desperdício e facilitar o acompanhamento de cada trabalhador.

16 Como se trata de relações determinadas historicamente, a definição das necessidades que devem ser consideradas para a reprodução da força de trabalho é também um produto histórico, que varia segundo a realidade de cada país, seu nível cultural, das perspectivas da vida da classe trabalhadora e de seu poder de embate com o capital.

Um dos autores que tem discutido esta questão é Braverman (1977), o qual ressalta que por influência do taylorismo, anteriormente o trabalho do escritório era identificado como trabalho pensante e o processo de produção como trabalho bruto, de execução, todavia, na medida em que o próprio escritório também foi submetido a esta lógica de racionalização do trabalho, esta separação foi se diluindo. Quando analisados, na atualidade, ambos têm sido vistos como trabalho reduzido a trabalho abstrato, “como aspectos invariáveis de

“operadores” humanos” (BRAVERMAN, 1977, p.270).

Marx (1969) destaca que no processo de trabalho real é o trabalhador que consome os meios de produção, enquanto no processo de valorização são os meios de produção que empregam o trabalhador, estando o homem subordinado às coisas. O processo de trabalho é assim subordinado ao processo de valorização. Neste sentido, cabe abordar como se estabelece o ciclo do capital para que se possa compreender como se produz e realiza o seu processo de valorização.

Segundo Marx (1985), num primeiro momento ele se apresenta sob a forma de mercadoria, meios de trabalho, encontrados no mercado. Todos estes elementos entram no processo de produção, inclusive a força de trabalho, que já teve seu valor estabelecido antes mesmo de se inserir neste processo. Ainda que não tenha recebido seu salário adianta valor ao capitalista, o seu salário já é a própria força de trabalho em ação, é a criação de novos valores, é a transformação do trabalho em capital. Concluída a produção das mercadorias, o capital necessita assumir a forma dinheiro, ou seja, metamorfosear-se em dinheiro para que o capital continue seu ciclo de reprodução, visto que é na produção que se produz não só mercadorias, mas também mais-valia. No entanto, apenas na circulação ela é realizada, é na compra e venda que este valor realiza-se, daí a necessária relação entre o processo de produção e de circulação.

Destaca-se que neste processo a mais-valia produzida “converte-se em capital adicional, serve para a formação de novo capital ou de capital acrescentado”. (MARX, 1985, p.134). Logo, além de realizar-se como capital, ele gerou capital. Ao mesmo tempo produz uma massa de operários crescente e regula a sua reprodução, conforme as necessidades de exploração. Sendo assim: “(...) não é apenas o trabalho que, em antítese consigo mesmo e numa escala cada vez mais ampla, produz as condições de trabalho enquanto capital; também o capital produz numa escala maior os assalariados de que tem necessidade” (MARX, 1985, p.135).

Conforme explicitado pelo referido autor (1969 e 1985), o processo cria uma relação entre o capital e o trabalho, que extrapola a produção simples de mercadorias, pois se trata de

produção e reprodução de relações sociais na e pela mesma atividade. Na medida em que o trabalhador no processo de trabalho gera valor e valor excedente, portanto capital, ele cria e recria as condições de dominação do capital sobre si, ou melhor, as condições que o submete, enquanto classe ao capital. Logo, ao mesmo tempo em que cresce a riqueza, na mesma proporção cresce a sua miséria e sua sujeição subjetiva.

A produção capitalista não é apenas reprodução da relação; na sua reprodução a uma escala cada vez maior e na mesma medida em que, com o modo de produção capitalista, se desenvolve a força produtiva social do trabalho, cresce também perante o operário a riqueza acumulada, como riqueza que o domina, como capital;

perante ele expande-se o mundo alheio e que o domina; e na mesma proporção se desenvolve a sua pobreza, a sua indigência e a sua sujeição subjetiva”. (MARX, 1969, p.135)

A tensão nesta relação tem expressado a resistência dos trabalhadores, aliás, a história do capitalismo é uma história de luta de classes. Os trabalhadores vêm desenvolvendo formas de luta que passam pela resistência no local de trabalho; pela organização corporativa, através de sindicatos, confederações; pela organização de partidos políticos e por organizações internacionais que confrontem seu projeto político com o projeto dos capitalistas. No entanto, este movimento tem sido marcado por avanços e retrocessos, onde o capital se reorganiza, cria mecanismos de superar ameaças contra a sua hegemonia. Essas relações de conflitos adentram a totalidade da vida social; as outras esferas, como a política, a cultura, dentre outros.

É própria da lógica da acumulação capitalista a busca incessante do lucro, o aumento da sua capacidade de concorrer com seus produtos no mercado e a luta para estabilizar as condições instáveis inerentes a reprodução da classe. Neste sentido, diversifica seus investimentos, desloca seu capital integral ou parcialmente para outras áreas e até mesmo, para outras regiões do país ou do mundo. (HARVEY, 1990).

Um dos pressupostos deste sistema de produção é a redução do tempo de trabalho socialmente necessário e a substituição do trabalho vivo pelo trabalho abstrato. Na contemporaneidade, os processos de trabalho vêm sendo marcados por acelerada reestruturação da produção, que em decorrência do grau de desenvolvimento das forças produtivas, da necessidade de garantia de sua expansão/acumulação, tem sustentado a fragmentação da produção e a divisão do trabalho não apenas no interior de uma mesma unidade de produção, seja esta material ou de ideias, mas por várias partes do mundo. Desta forma, o processo de trabalho é alterado, uma nova tecnologia é solidificada e a relação entre capital e trabalho, embora mantida em sua essência, ganha novas configurações.

Surgem novas formas de controle do trabalho e da produção. Esta se caracterizava pela padronização e produção em massa, característica da era fordista. Atualmente, embora não tenha sido substituída em sua plenitude passa a ser orientada pelo princípio da flexibilização

O fordismo constitui-se a forma de produção, modelo de processo de trabalho que predominou nas indústrias ao longo do século XX, cujos elementos básicos se caracterizam pela produção em massa, através de linha de montagem e de produtos padronizados, com um grau significativo de homogeneidade, com controle dos tempos e movimentos cronometrados e produção em série, além da existência do trabalho parcelar e fragmentado, da separação entre elaboração e execução no processo de trabalho, da existência de unidades fabris concentradas e verticalizadas, dentre outras. (HARVEY, 1990; ANTUNES, 1999)

Harvey (1994) afirma que o fordismo se implantou na Europa após 1940 como parte do esforço de guerra e, muito mais que um processo de trabalho constitui-se em um modelo de vida social, que altera toda a dinâmica da sociedade burguesa; suas instituições, valores, hábitos, logo atinge outras esferas da vida social.

O Estado, neste contexto, responsável pela preservação das condições externas de produção do capital passa a atuar na organização e dinâmicas econômicas, de forma contínua e sistemática. O objetivo desta intervenção, própria da idade dos monopólios é a garantia da maximização dos lucros. Neste sentido, o Estado desempenha funções econômicas diretas, como: empresário de setores não rentáveis, assunção de empresas capitalistas em dificuldades, subsídios imediatos, dentre outras. Desempenha também funções econômicas indiretas, como:

encomendas/compra dos monopólios, subsídios indiretos, investimentos públicos em infraestrutura e transporte, assim como a preparação da força de trabalho necessária para operar a produção.

Associada a estas funções o Estado deveria ser capaz de socializar os benefícios do fordismo, estendê-lo a todos e de encontrar meios para oferecer as condições necessárias à reprodução dos trabalhadores: assistência à saúde, habitação e outras. O atendimento a esta demanda dependia da aceleração da produtividade do trabalho no setor corporativo, da geração de mais-valia e de sua distribuição por parte do Estado, tornando fiscalmente viável o Estado Keynesiano, de bem-estar social. (PAULO NETTO, 1992)

Harvey (1994) aponta que no período de 1965 s 1973, o modelo fordista e o Keynesianismo, tornaram-se incapazes de conter as contradições inerentes ao capitalismo. A recessão econômica agravada pela crise do petróleo acirra o cenário das contradições, os trabalhadores exigem do Estado a garantia dos direitos conquistados e melhores condições de

vida e de trabalho. Algumas estratégias para reverter esta situação foram implementadas, como: a mudança tecnológica, a automação, a busca de novas linhas de produto e de mercado, a dispersão geográfica, as fusões e as medidas para acelerar o tempo de giro do capital, como forma de sobrevivência no período de deflação. Portanto, diante deste cenário a acumulação flexível surge como uma possibilidade, de redefinir este quadro e garantir a continuidade e expansão da acumulação.

Logo, seu suporte é a flexibilidade dos processos de trabalho, dos mercados de trabalho, dos produtos e padrões de consumo. Nesta direção são criadas novas maneiras de fornecimento de serviços, taxas altamente intensificadas de inovação comercial, tecnológica e organizacional. Ocorrem ainda, mudanças importantes nos padrões de desenvolvimento desigual entre os setores e entre regiões. Desta forma, a flexibilidade e mobilidade do capital facilitam maior controle da força de trabalho fragilizada pelo desemprego e, consequentemente, pelo retrocesso do movimento sindical.

Ocorre a redução do emprego regular, formal e amplia-se a subcontratação, o trabalho temporário, a terceirização da força de trabalho, seja na esfera pública ou privada. Os direitos sociais são desmontados e o mercado desregulamentado. Novos valores, hábitos, comportamentos são necessários para sustentar esta nova forma de organizar o trabalho; o culto ao individualismo é mais acentuado, recorre-se ao voluntariado, através do apelo à sociedade na divisão das responsabilidades em relação às sequelas da questão social. Sendo assim, contradições sociais aparecem revestidas de solidariedade, autonomizando as relações sociais.

Segundo Oliveira (1988) a redução dos investimentos do Estado nas políticas públicas e em outras áreas necessárias tem sido justificada por seus representantes como urgentes para o controle do déficit público. Para ele, o fundo público é formado pelo volume de recursos captado pelo Estado e disputado pelos diferentes capitalistas, embora haja unanimidade entre eles, de que seu uso deve ocorrer em prol dos interesses do capital. Daí se cunha a expressão, o máximo de Estado para o capital e o mínimo de Estado para os trabalhadores.

Para Harvey (1990, p.159) “La crisis fiscal, en pocas palabras, resulta ser el medio por el cual se puede imponer fundamentalamente la disciplina del capital a cualquer aparato estatal que sigue estando dentro de la órbita de las relaciones capitalistas de producción”.

Estas mudanças requeridas pelo capital se respaldam no movimento político denominado neoliberalismo, que tem como princípio a redução da atuação do Estado, como