72 caladas, incapazes de reagir, conformadas, passivas, emocionalmente dependentes e deprimidas.137
Romper esse ciclo de violências passa a ser um dos objetivos dos programas de atendimento a essa mulher, promovendo-se atitudes pró-ativas, iniciada com a queixa feita perante a Autoridade Policial.
Todavia, há argumentos que sustentam a suspensão da queixa na delegacia, tais como a preocupação com os filhos; a preservação da moradia da família, em que se observa a importância material e simbólica que a casa adquire; a dificuldade ou fragilidade do agressor para conter a violência quando alcoolizado ou drogado. Na reconstrução dos fatos, a mulher vítima assume parte da responsabilidade do fato ocorrido.138
Embora, no Brasil, a violência seja um fenômeno reconhecidamente presente na vida de milhões de mulheres, não existem estatísticas oficiais que apontem para a magnitude deste fenômeno, com exceção de alguns poucos estudos realizados por organizações não governamentais na área de violência doméstica.
73 Conforme já mencionado no capítulo referente à Justificativa deste trabalho, pelos dados pesquisados em âmbito municipal, observa-se que, no ano de 2010 foram registrados 1.363 boletins de ocorrência contra a mulher, sendo que, deste número, 567 BOs foram originados com base na violência doméstica e familiar. Com relação ao ano de 2011, os BOs foram 1.640, registrados face violência contra a mulher e, destes, 1.015 foram relacionados à violência contra a mulher no ambiente doméstica e familiar.
Na Justiça Criminal Especializada para os casos de violência doméstica e familiar contra a mulher esses números não se transformaram em ações criminais correlatas em sua totalidade: foram ajuizadas somente 259 ações criminais no ano de 2010139 e, no ano de 2011, as ações criminais totalizaram o número de 338.
Violência Doméstica Contra a Mulher em Itajaí
TABELA 1: Violência Doméstica Contra a Mulher em Itajaí
FONTE: FERNANDEZ, Adrian Pablo Gutierrez. Técnico de Suporte em Informática da Comarca de Itajaí. Dados constantes do SAJ (Sistema de Automação do Judiciário).
139 Dados constantes do SAJ (Sistema de Automação do Judiciário) em relatório (anexo 2), subscrito por Adrian Pablo Gutierrez Fernandez – Técnico de Suporte em Informática da Comarca de Itajaí, já referido no Capítulo da Justificativa.
74 Cabe aqui tipificar as violências que ocasionaram os Boletins de Ocorrências (BO‘s) para o ano de 2011: Ameaça: 597; estupro: 4; lesão corporal: 398; tentativa de homicídio: 14; tentativa de estupro: 2.
Dos delitos mencionados, regra geral, a ameaça140 é altamente superior aos demais e, pelo Código Penal este crime somente é processado perante a Justiça Criminal se a ofendida representar o agressor no prazo de seis meses, ou seja, caso não haja interesse da vítima, ocorrerá à extinção da punibilidade e o processo será arquivado. Assim, a mulher, em situação de violência, detém o poder de dar continuidade ou não ao processo criminal, tornando-se, refém de si mesma nesse ciclo de violência141, pelos motivos mencionados, como a dor, a vergonha, impotência, medo, entre outros.
A diferença entre o registro dos crimes e o respectivo ajuizamento da ação criminal correlata, sendo este substancialmente inferior, demonstra a fragilidade emocional da vítima em sustentar a denúncia além de que, não se desconsidera outros fatores como, por exemplo, a ausência de dados mais específicos quando da coleta de informações cadastrais, dificultando uma auditoria mais completa como pontuou o relatório do anexo 31.
No mês de fevereiro de 2012, o Supremo Tribunal Federal julgou uma ação de inconstitucionalidade de autoria da Procuradoria-Geral da República (PGR), que evidencia que a violência doméstica cometida pelo companheiro ocorre em pelo menos 90% dos casos. A ideia é que o Estado proteja a vítima quando ela se mostra incapaz de fazê-lo.
O oferecimento de denúncia na Justiça Criminal contra quem agride no ambiente familiar causando lesões leves, não dependerá mais da vontade da vítima, e o representante do Ministério Público pode entrar com a ação penal, mesmo que a mulher decida voltar atrás na acusação contra o agressor.
O Plano Nacional para as Mulheres (p.03) registra o que já pertence ao conhecimento do senso comum quanto ao espaço no qual ocorre a violência, eis que, enquanto homens tendem a ser vítimas de uma violência
140 Ameaça. Art. 147 - Ameaçar alguém, por palavra, escrito ou gesto, ou qualquer outro meio simbólico, de causar-lhe mal injusto e grave: Pena - detenção, de um a seis meses, ou multa.
Parágrafo único - Somente se procede mediante representação.
141 Segundo Cardoso (1997), a mulher tem necessidade de manter a relação, nem que para isso tenha de assumir a responsabilidade de tudo que ocorre no relacionamento.
75 predominantemente praticada no espaço público, as mulheres sofrem cotidianamente com um fenômeno que se manifesta dentro de seus próprios lares, na grande parte das vezes praticado por seus companheiros e familiares.
E, por essa razão, a decisão do Supremo Tribunal Federal objetivou retirar esse encargo (o da representação) da responsabilidade da vítima.
A ministra Rosa Weber afirmou que exigir da mulher agredida uma representação para a abertura da ação atenta contra a própria dignidade da pessoa humana. "Tal condicionamento implicaria privar a vítima de proteção satisfatória à sua saúde e segurança"142.
―Sob o ângulo da tutela da dignidade da pessoa humana, que é um dos pilares da República Federativa do Brasil, exigir a necessidade da representação, no meu modo de ver, revela-se um obstáculo à efetivação desse direito fundamental porquanto a proteção resta incompleta e deficiente, mercê de revelar subjacentemente uma violência simbólica e uma afronta a essa cláusula pétrea.‖ Ministro Luiz Fux143
Todas essas questões144 foram postas em plenário quando da votação da Ação de Inconstitucionalidade nº 4.424 pelos ministros do Supremo Tribunal Federal e demonstram a preocupação envolvendo essa temática, com decisão de fortalecimento da legislação, impondo ao Estado o dever de representar a vítima da violência doméstica e familiar por todo seu contexto de vulnerabilidade.
Observando-se as estatísticas de Itajaí para o ano de 2010 já mencionadas extrai-se que as mulheres vítimas destas ocorrências pouco denunciam, por temerem, sobretudo, o aumento da intensidade da violência
142http://www.redebrasilatual.com.br/temas/cidadania/2012/02/lei-maria-da-penha-pode-punir- agressor-mesmo-sem-denuncia-da-vitima-decide-stf - STF: Lei Maria da Penha pode punir agressor mesmo sem denúncia da vítima – acesso em 31.05.2012
143 http://www.stf.jus.br/portal/cms/verNoticiaDetalhe. acesso em 31.12.2012
144 Mudança de mentalidade pela qual passa a sociedade no que se refere aos direitos das mulheres; dever do Estado intervir - mesmo que tiver que adentrar o ambiente de "quatro paredes" - quando houver violência numa relação conjugal; fortalecimento da Lei Maria da Penha para proteção maior à mulher e na possibilidade, portanto, de se dar cobro à efetividade da obrigação do Estado de coibir qualquer violência doméstica; a importância de se permitir a abertura da ação penal independentemente de a vítima prestar queixa, pois as mulheres como estão demonstrado estatisticamente, não representam criminalmente contra o companheiro ou marido, em razão da permanente coação moral e física que sofrem e que inibe a sua livre manifestação da vontade; o contexto patriarcal e machista da sociedade brasileira que impele a mulher agredida a condescender com o agressor.
76 contra elas, após a denúncia realizada contra seus agressores que, não raro, retornam aos lares ainda mais enfurecidos. Observa-se o alto número de ocorrências de ameaça, o que explica como é difícil para a mulher conseguir sair sozinha de uma relação tão complexa. Há necessidade de que alguém a escute de forma verdadeira e sem julgamentos (FRANCISQUETTI, 1999).
Para a demanda específica da mulher, a Lei Maria da Penha apresenta-se como importante marco na efetivação de políticas públicas e, atualmente mais fortalecida pela decisão do Supremo Tribunal Federal. Sua relevância na restauração da cidadania feminina pode ser sintetizada pelo enquadramento legal da tese da violência de gênero como violação dos direitos humanos, compromisso consolidado pelo Estado brasileiro em instrumentos internacionais.
Tal lei, ao tratar da assistência à mulher em situação de violência, em seu art. 9º, aborda e qualifica a violência contra a mulher como uma questão de política pública no Brasil, garantindo que:
A assistência à mulher em situação de violência doméstica e familiar será prestada de forma articulada e conforme os princípios e as diretrizes previstos na Lei Orgânica da Assistência Social, no Sistema Único de Saúde, no Sistema Único de Segurança Pública, entre outras normas e políticas públicas de proteção, e emergencialmente quando for o caso.
A lei busca também alterar o quadro já identificado – de fragmentação das iniciativas e das ações –, promovendo os princípios da intersetorialidade, cooperação e universalização das políticas. É considerada como uma ação afirmativa já que possibilitou ativar o processo de construção da igualdade em prol de um grupo socialmente vulnerável.
Entre os objetivos almejados com as políticas afirmativas, está o de induzir transformações de ordem cultural, pedagógica e psicológica, aptos a subtrair do imaginário coletivo a idéia de supremacia e subordinação de uma raça, em relação à outra. (Ministro Joaquim Barbosa Gomes – Supremo Tribunal Federal, 2001)‖145
Podem-se conceituar as ações afirmativas conforme Sell146:
A ação afirmativa consiste numa série de medidas destinadas a corrigir uma forma específica de desigualdade de oportunidades sociais: aquela que parece estar associada a determinadas características biológicas (como raça e sexo) ou
145 CORRÊA, Rúbian Coutinho. (org.). Cartilha. O Enfrentamento à Violência Doméstica e Familiar Contra a Mulher: uma construção coletiva. MPGO – Comissão Permanente de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher. 2011, p. 16.
146 SELL, Sandro Cesar. Ação Afirmativa e Democracia Racial. Uma introdução ao debate no Brasil. Florianópolis : Fundação Boiteux, 2002. p. 15.
77 sociológicas (como etnia e religião), que marcam a identidade de certos grupos na sociedade.
A Lei Maria da Penha, portanto, foi editada, não para beneficiar as mulheres, mas para promoção desse grupo inferiorizado historicamente, com a previsão de medidas especiais, não para condenar os homens, mas para punir os agressores e, protegê-las da possibilidade de perpetuação da desigualdade, inadmissível num Estado Democrático de Direitos, além do que colocar essa classe marginalizada em um nível de competição similar ao daqueles que historicamente se beneficiaram de sua exclusão.
A Lei Maria da Penha traz comandos de promoção de igualdade que alcança todos os segmentos nacionais, perpassando por todo o Poder Público até a ordem privada. A característica desses comandos é o seu mote transformador e, como ação afirmativa que é, portanto, deve efetivar-se para a obtenção da igualdade material, não bastando somente a proteção legislativa sendo fundamental a correspondente ação executória.
Esse papel transformador conferido pela Lei Maria da Penha, amparada pela Constituição Federal do Brasil, alcança todos os Poderes da República em sua função constitucional, conferindo ao Poder Executivo o imperativo de planejar, implementar e avaliar políticas públicas necessárias para se alcançar a igualdade entre todos, notadamente em favor do gênero feminino, não bastando somente a ação protetiva, mas ações que confiram à mulher independência e cidadania ampla.147
Segundo Lilia Guimarães Pougy148, pode-se considerar o direito a mulheres que sofrem violência doméstica, no lar, como um direito de novíssima geração, que veio na trilha de importantes conquistas de nosso país, por meio do processo da redemocratização e da consequente promulgação da Constituição Federal, mais estritamente vinculado às legislações, aos tratados internacionais e às convenções sobre a problemática.
147 BRASIL. Decreto n. 5.390, de 08 de março de 2005 – Aprova o Plano Nacional de Políticas para as Mulheres – PNPM, institui o Comitê de Articulação e Monitoramento e dá outras providências. Diário Oficial da União. Brasília, DF, 08 mar. 2005,
148 POUGY, Lilia Guimarães. Desafios políticos em tempos de Lei Maria da Penha. Revista Katál. Florianópolis v. 13 n. 1 p. 76-85 jan./jun. 2010.
78 Assim, a Constituição Federal, os tratados internacionais e a Lei Maria da Penha compõem um valioso instrumental jurídico para a proteção da Mulher em situação de violência doméstica e seus filhos pequenos.
As melhorias trazidas por estas recentes legislações são evidentes.
Entretanto muito ainda há para se avançar e realmente trazer à existência programas e projetos mais valorosos, instituídos nos princípios nelas expostos, a saber: a proteção e os cuidados à mulher quando em situação de violência doméstica, por meio de políticas de atendimento local.
Neste aspecto, apresenta-se o Programa Estrela da Esperança, executado por Estrela de Isabel, eis que constituído como parte de uma política social local de enfrentamento à violência doméstica e familiar contra a mulher e os seus filhos/dependentes menores de idade,
No Programa de Atendimento inter-multidisciplinar, as pessoas envolvidas na relação violenta são trabalhadas de forma a sentirem o desejo de mudar, mudança percebida no comportamento de Isabel.
Registro a necessidade de se trabalhar todos os integrantes da relação familiar, o que, infelizmente, ainda não foi possível no caso de Isabel e de tantos outros, de forma plena, pois o atendimento das crianças em situação de violência familiar, em especial, com relação ao abuso sexual ainda não se efetivou a contento, diante do quadro de demanda reprimida existente em Itajaí149. Nota-se que as crianças de Isabel não estão sendo atendidas e, ao filho mais velho somente foi disponibilizado atendimento por conta do convênio existente com Estrela de Isabel junto à UNIVALI – Universidade do Vale do Itajaí, Clínica de Psicologia.
Segundo Saffiotti150, socióloga, em seu livro ―Gênero, patriarcado, violência‖, é por esta razão que não se acredita numa mudança radical de uma relação violenta, quando se trabalha somente com a vítima. ―Sofrendo esta algumas mudanças, enquanto a outra parte permanece o que sempre foi, mantendo seus habitus, a relação pode, inclusive, tornar-se ainda mais violenta‖. Todos intuem que a vítima necessita de ajuda, mas poucos veem esta necessidade no agressor. ―As duas partes precisam de auxílio para
149 O CREAS – Centro de Referência de Assistência Social - possui lista de espera para atendimento dessa demanda (anexo 21).
150 SAFFIOTTI, Heleieth. Gênero, Patriarcado, Violência. 2004
79 promover uma verdadeira transformação da relação violenta.‖ Daí serem ambos trabalhados: vítimas e agressor!
No programa inter e multidisciplinar, em espaço cedido pelo Poder Judiciário, local no qual é feita a triagem das vítimas e o atendimento preliminar, sendo que o local físico poderá ser alterado, conforme demanda e decisão da equipe técnica e Diretoria da Estrela de Isabel. O Programa atende à demanda com psicólogas, assistentes sociais e, também, com estagiárias preparadas para essa finalidade de triagem.
Nesse Programa, o agressor está sendo trabalhado junto com a vítima e familiares envolvidos, sob a ótica de mediação familiar do conflito, de atendimentos psicológicos individualizados ou em grupo, dependendo da análise individual de cada situação. Para o tratamento específico na área de psicologia para o agressor, Estrela de Isabel firmou parceria com a Universidade do Vale do Itajaí (UNIVALI), especificamente com o Curso de Psicologia, sendo que essa demanda específica está sendo atendida pelos profissionais da área na Clínica de Psicologia.
O convênio firmado com UNIVALI abrange, também, os atendimentos jurídicos das vítimas nas mais diversas áreas: criminal, cível, trabalhista ou previdenciária. Esse atendimento é feito pelo Escritório Modelo de Advocacia (EMA) por meio de professores-advogados, estagiários e monitores (anexo 22).
O Programa relaciona-se, ainda, com os demais organismos da rede de atendimento, elaborando, também, anamnese, em parceria com o Ministério Público e do Poder Judiciário, quando assim for determinado pelas autoridades competentes. Assim, é feita toda a triagem necessária para diagnosticar a situação extrema de violência que justifique o abrigamento da mulher em situação de violência doméstica e familiar junto com seus filhos menores de idade e/ou dependentes.
É fundamental a parceria entre os integrantes da rede de atendimento existente no Município, para elaboração de atividades e encaminhamentos inter e multidisciplinar eis que, a violência perpetrada contra a mulher necessita de intervenções diferenciadas.
80 Oliveira151 reproduziu a fala de uma médica na pesquisa realizada:
Tratar paciente não é tratar vagina, mama, nódulo. Quando se trata de abuso sexual, a paciente não tem nada de marca, na maioria das vezes. Dez por cento dos casos só combinam com lesão corporal, 90% dos casos, mesmo fazendo o exame ginecológico, a paciente não apresenta nada de diferente. A paciente se apresenta detonada. Então você aprende que tratar, ser médico, não é só tratar de lesão física. Porque o estupro é uma lesão que agride o corpo, agride a alma, agride o caráter, agride tudo. Então quando tem uma paciente aqui na frente, eu não estou preocupada com a lesão dela, porque na maioria das vezes ela não tem lesão. Eu tenho que estar preocupada com ela como ser humano, com a cabeça dela, com a sexualidade dela, com o emprego dela, como ela vai ser com o filho, como ela está vivendo e se ela está conseguindo ou não. Isso é uma coisa que mexe com uma dificuldade imensa. Tratar a doença clínica, aquilo que você vê, que você fala, que o exame mostra. E abuso sexual não mostra, tem que tratar com consulta. E isso é um grande ganho para mim como médica. (médica).
O acolhimento provisório dessas vítimas foi realizado em parceria com a Associação Cultural e Beneficente Nova Lurdes.
A Casa-Abrigo é uma instituição de medida protetiva e provisória, cujo objetivo é acolher vítimas em situação de violência doméstica e familiar e sob ameaça de morte, juntamente com filhos/dependentes menores de idade, num período máximo de três meses.
Um ponto-chave a ser observado é o sigilo de endereço, posto ser uma norma do Ministério da Justiça, para a segurança das abrigadas e da equipe de profissionais, item assegurado desde o firmamento do convênio.
Para a manutenção do sigilo, é tomada a precaução da não divulgação de endereço em listas telefônicas ou outros meios de comunicação social, como também a mudança de endereço periodicamente.
A porta de entrada da Casa-Abrigo ocorre somente por meio do atendimento da Delegacia de Polícia Especializada e da própria equipe do Programa Estrela da Esperança que leva o problema ao Ministério Público/Judiciário, após preenchimento de alguns requisitos necessários a esse acolhimento, destacando-se que a parceria com o CREAS é fundamental para mapeamento dos casos e devida articulação e formulação de políticas públicas inerentes à demanda apresentada.
151 OLIVEIRA, Eleonora Menicucci. (org.). Atendimento às Mulheres Vítimas de Violência Sexual: um estudo qualitativo. Departamento de Medicina Preventiva. Universidade Federal de São Paulo. São Paulo, SP, Brasil. Disponível em: <http://www.scielosp.org/scielo.php?pid=
S0034- 89102005000300007&script=sci_arttext>. Acesso em: 07 jun. 2012.
81 É importante destacar que, para ser abrigada, a mulher em situação de violência deverá registrar o boletim de ocorrência em uma delegacia. Em Itajaí - SC, os casos deverão ser denunciados na Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher.
A Casa-Abrigo contém o espaço necessário para acolhimento de sete mulheres, com quartos, uma cozinha e refeitório, uma sala para televisão, dois banheiros e lavanderia. As atividades desenvolvidas são essencialmente lúdicas, preparadas pela equipe técnica, desde que não exponham os abrigados, registrando-se, mais uma vez, que o sigilo é fundamental para as situações em foco. Algumas atividades poderão ser realizadas em municípios vizinhos (passeios a parques e outros), desde que com garantia total de segurança e, durante o período de permanência, será imprescindível a análise sobre o local de estudos dos filhos/dependentes, se houver, visto que a prioridade é a segurança da família abrigada.
A Casa-Abrigo tornou-se uma realidade em Itajaí desde o dia 05 de março de 2012, data em que o Programa de Acolhimento iniciou suas atividades por meio de parceria com a Associação Cultural Beneficente Nova Lurdes, em convênio firmado com a Estrela de Isabel.
As atividades desenvolvidas pelo Programa Estrela da Esperança junto ao convênio firmado entre as duas Instituições são, entre outras: a) atendimento psicoterapêutico às mulheres em situação de violência doméstica e familiar, através da equipe técnica, compreendendo ações de acolhimento, triagem, orientação, encaminhamento e acompanhamento; b) encaminhamentos à rede socioassistencial; programas e recursos de reabilitação do alcoolismo e uso de substâncias psicoativas para tratamento clínico dos agressores, prevendo sua reabilitação familiar e social, entre outros.
As atividades desenvolvidas pela Associação Cultural Beneficente Nova Lurdes, por sua vez, são, dentre outras: a) acolhimento da vítima em situação de violência doméstica e familiar com ou sem seus dependentes/filhos menores de idade, sendo que a escuta dessas vítimas deverá ser feita por profissionais capacitados e habilitados para essa prática; b) a Casa-Abrigo deverá garantir a segurança e integridade física das mesmas, e o local deverá ser acolhedor, salubre e seguro, sendo este local sigiloso e provisório, além de
82 oferecer uma alimentação adequada e materiais de higiene e limpeza, bem como oportunizar acesso aos medicamentos necessários aos acolhidos.
No Programa Estrela da Esperança foi criado o ―Grupo Fuxico‖152, a partir da identificação de problemas relacionados à violência doméstica e familiar com as vítimas. Esse Grupo Operativo possui o objetivo de trabalhar assuntos direta e indiretamente relacionados à violência doméstica e familiar e a Lei Maria da Penha. O Grupo também aborda temas relacionados com a auto-estima e autonomia da mulher e as ações do programa153 são, entre outras:
Abordagem psicossocial com vistas ao tratamento psicológico tanto da vítima quanto do agressor.
Encaminhamentos à rede socioassistencial; programas e recursos de reabilitação do alcoolismo e uso de substâncias psicoativas para tratamento clínico dos agressores, prevendo sua reabilitação familiar e social.
Articulação com a rede socioassistencial, estabelecendo comunicação eficiente e eficaz entre todos os organismos públicos e privados que lidam com violência doméstica e familiar.
Prestação de auxílio material as vítimas da violência para possibilitar o tratamento.
Promoção de ambiente protegido e adequado às necessidades das vítimas e seus dependentes
Os encontros do Grupo Operativo desenvolvidos neste programa tiveram início em meados de julho de 2011 e, com nova roupagem, no início de 2012 nasceu o ―Grupo Fuxico‖, tendo como idealizadoras as psicólogas referenciadas no item 144, para a materialização do trabalho terapêutico a partir da confecção do artesanato fuxico, aliado às referências verbalizadas das integrantes no tocante às conquistas individuais de cada uma para superação de seus problemas:
152 Equipe responsável: Psicólogas Marilene Inês de Oliveira, Márcia Regina Cambraia de Carvalho e Estagiária de Psicologia Micheline Evelin Jablonski Barghouti
153 Plano de Trabalho do Programa Estrela da Esperança, apresentado perante o Conselho Municipal da Assistência Social - CMAS