101 Conselho Municipal da Assistência Social, órgão responsável de promoção das políticas públicas de assistência social.
Enquanto não se altera a tipificação do programa, a execução do mesmo acontece partindo da manutenção de uma equipe operacional, constituída de cuidadoras, técnicas de enfermagem, auxiliares, cozinheira, auxiliar para serviços gerais, além de equipe técnica com profissionais qualificados para dispensar atenção integral à criança, com atendimento especializado pela fisioterapeuta, fonoaudióloga, assistente social e psicóloga.197
Os casos emblemáticos acima mencionados promovem, diuturnamente, uma resignificação nos objetivos das atividades de acolhimento.
Os acolhidos mencionados são totalmente dependentes de terceiros: não falam, não se movimentam, não se alimentam sozinhos. Alguns poucos acolhidos recebem visita de familiares. São pessoas que ficarão muito tempo em acolhimento198 e, por vezes, o sucesso no trato com os mesmos significa a manutenção da saúde física e emocional.
102 esse programa e o programa família acolhedora foram transferidos para a Estrela de Isabel200.
O Recanto Infantil – Casa Lar, é uma modalidade de acolhimento institucional oferecido em unidades residenciais, nas quais pelo menos uma pessoa ou casal trabalha como cuidador residente – em uma casa que não é a sua – prestando cuidados a um grupo de crianças e/ou adolescentes. As casas-lares têm a estrutura de residências privadas, podendo estar distribuídas tanto em um mesmo terreno, quanto inseridas, separadamente, em bairros residenciais201. Os acolhidos possuem características similares quanto à sua origem já que para estarem sob essa medida protetiva, é necessário que tenha havido abandono de seus pais/responsáveis ou, por alguma razão, estejam temporariamente impossibilitados de cumprir sua função de cuidado e proteção, deveres inerentes ao poder familiar.
Segundo as Orientações Técnicas esse serviço deve organizar ambiente próximo de uma rotina familiar, proporcionar vínculo estável entre o educador/cuidador residente e as crianças e adolescentes atendidos, além de favorecer o convívio familiar e comunitário dos mesmos, bem como a utilização dos equipamentos e serviços disponíveis na comunidade local, devendo atender a todas as premissas do Estatuto da Criança e do Adolescente, especialmente no que diz respeito ao fortalecimento dos vínculos familiares e sociais, e oferecimento de oportunidades para a (re) inserção na família de origem ou substituta.202
O acolhido, quando do encaminhamento para qualquer um dos programas protetivos, passa a ter seus dados registrados, como identificação, escolaridade e histórico familiar, com diagnóstico para problemática que determinou seu afastamento da família de origem. As ações, para tanto, se
200 A transferência de execução do programa ocorreu em face da desistência da organização anterior que realizava esse trabalho, tendo Estrela de Isabel sido convidada a executá-lo, o que foi aprovado pelo Conselho Municipal da Assistência Social.
201 As casas-lares são definidas pela Lei nº 7.644, de 18 de dezembro de 1987, devendo estar submetidas a todas as determinações do Estatuto da Criança e do Adolescente relativas às entidades que oferecem programas de abrigo. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivi l_03/Leis/L7644.htm>. Acesso em: 21 jun. 2012.
202 BRASIL. Orientações Técnicas para Serviços de Acolhimento para Crianças e Adolescentes. Resolução Conjunta n.01, de 18 de junho de 2009, expedida pelo Conselho Nacional dos Direitos das Crianças e Adolescentes (CONANDA) e pelo Conselho Nacional da Assistência Social (CNAS).
103 reportam às averiguações sociais, psicológicas, de saúde e pedagógicas. São realizados atendimentos de apoio e orientação, individuais ou em grupos às crianças e aos familiares, visitas e contatos institucionais de articulação e encaminhamentos e acompanhamento do desempenho escolar.203
O trabalho oferecido às famílias de origem objetiva fortalecê-las e estruturá-las por meio de ações como atendimentos individuais, em grupo e visitas domiciliares, a fim de reabilitá-las ao retorno dos filhos, sendo que diante da impossibilidade deste retorno, comunicar-se-á o Poder Judiciário, para a avaliação do encaminhamento dos acolhidos a famílias substitutas nas modalidades de adoção, guarda e tutela, conforme previsão do Estatuto da Criança e do Adolescente204.
No Recanto Infantil, reside o casal social além de nove crianças e adolescentes acolhidos. A mãe social possui dois filhos biológicos que residem também no Recanto e participam das rotinas diárias; a casa possui cinco quartos, duas salas e duas cozinhas com área externa grande e piscina além de uma sala para estudos.
O trabalho desenvolvido na casa lar recebe as orientações técnicas de uma equipe interdisciplinar, integrando a mesma uma assistente social e psicóloga. Estrela de Isabel também conta com os serviços de uma fisioterapeuta, fonoaudióloga; as crianças e a mãe social fazem terapia com uma psicóloga clinica.
A principal diferença entre este serviço e o acolhimento institucional, além do menor número de crianças e adolescentes atendidos por equipamento, está na presença do casal social que reside na casa-lar juntamente com as crianças/adolescentes atendidos e, os filhos biológicos da mãe social, sendo esta responsável pelos cuidados e pela organização da rotina da casa.
203 Item 08 do ANEXO IV - ORIENTAÇÕES PARA ELABORAÇÃO DE PROPOSTA SOCIOEDUCATIVA – Resolução nº 002/2010 do Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente.
204 ―Art. 92. (...) § 2o Os dirigentes de entidades que desenvolvem programas de acolhimento familiar ou institucional remeterão à autoridade judiciária, no máximo a cada 6 (seis) meses, relatório circunstanciado acerca da situação de cada criança ou adolescente acolhido e sua família, para fins da reavaliação prevista no § 1o do art. 19 desta Lei.‖
104 Vale destacar que o Recanto Infantil conta com ―madrinhas e padrinhos‖ dos acolhidos, os quais interagem em variados momentos da rotina diária, proporcionando atividades de lazer aos mesmos.
A presença do casal social residente visa proporcionar, segundo as regras das Orientações Técnicas:
- estabelecimento de uma relação estável no ambiente institucional, uma vez que o educador/cuidador residente ocupa um lugar de referência afetiva constante, facilitando o acompanhamento da vida diária/comunitária das crianças/
adolescentes (reuniões escolares, festas de colegas, etc.), diferentemente do que ocorre no Abrigo Institucional, onde há maior rotatividade diária de educadores/cuidadores.
- uma rotina mais flexível na casa, menos institucional e próxima a uma rotina familiar, adaptando-se às necessidades da criança/adolescente.(p. 70 – Orientações Técnicas)
Considerando-se o perfil das crianças em acolhimento, a maioria sem contato com a família, a mãe social acaba se tornando a referência de figura parental, uma vez que a criança passa a maior parte do tempo com ela quando está na instituição. Os profissionais que atuam junto às crianças em situação de abandono não podem, entretanto, ser confundidos com mães ou professoras, segundo Nogueira205. São profissionais responsáveis pelo cuidado e pela garantia da saúde psíquica de crianças extremamente fragilizadas em função de suas histórias de vida, e que necessitam do máximo de estabilidade e de /qualidade no cuidado que recebem.