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Programa Saúde na Escola e escolas promotoras de saúde: uma abordagem

No documento UNIVERSIDADE DO VALE DO ITAJAÍ - Univali (páginas 57-60)

3.4 Saúde do escolar e saúde nas escolas

3.4.1 Programa Saúde na Escola e escolas promotoras de saúde: uma abordagem

No ano de 2007, dois Ministérios, Ministério da Educação e Ministério da Saúde, criaram o Programa de Saúde na Escola (PSE), que foi então implantado a partir do Decreto Lei nº 6.286, no dia 05 de dezembro. Este programa tem como intuito preservar pela assistência integral da criança e do adolescente em idade escolar, matriculados regularmente em escolas da rede pública de ensino do Brasil (BRASIL, 2007 A).

Com a intenção de beneficiar a população no ano de 2008, o público-alvo definido por tal decreto se baseia pelo cruzamento da cobertura da Estratégia de Saúde da Família e a lista de municípios prioritários levantada pelo Plano de Desenvolvimento da Educação – PDE, a qual está descrita na Resolução nº 29, de 20 de julho de 2007 (BRASIL, 2009).

Além destes, os municípios anteriormente contemplados com o Programa mais Educação, do Ministério da Educação, também poderão ser assistidos pelo PSE mediante o número de equipes do município inscritas na Estratégia de Saúde da Família. Sendo assim, cada escola da rede municipal será assistida por uma equipe da saúde da família (BRASIL, 2009).

Segundo o Decreto nº 6.286, que dispõe sobre o PSE, os objetivos do Programa são:

I - promover a saúde e a cultura da paz, reforçando a prevenção de agravos à saúde, bem como fortalecer a relação entre as redes públicas de saúde e de educação;

II - articular as ações do Sistema Único de Saúde - SUS às ações das redes de educação básica pública, de forma a ampliar o alcance e o impacto de suas ações relativas aos estudantes e suas famílias, otimizando a utilização dos espaços, equipamentos e recursos disponíveis;

III - contribuir para a constituição de condições para a formação integral de educandos;

IV - contribuir para a construção de sistema de atenção social, com foco na promoção da cidadania e nos direitos humanos;

V - fortalecer o enfrentamento das vulnerabilidades, no campo da saúde, que possam comprometer o pleno desenvolvimento escolar;

VI - promover a comunicação entre escolas e unidades de saúde, assegurando a troca de informações sobre as condições de saúde dos estudantes; e

VII - fortalecer a participação comunitária nas políticas de educação básica e saúde, nos três níveis de governo (BRASIL, 2007 A).

Para efeito de tal Decreto, este programa atua como estratégia de articulação e integração entre as ações da saúde e da educação. O PSE apresenta as seguintes diretrizes:

I - descentralização e respeito à autonomia federativa;

II - integração e articulação das redes públicas de ensino e de saúde;

III - territorialidade;

IV - interdisciplinaridade e intersetorialidade;

V - integralidade;

VI - cuidado ao longo do tempo;

VII - controle social; e

VIII - monitoramento e avaliação permanentes (BRASIL, 2007 A).

As ações voltadas à saúde do escolar, segundo este Programa, baseiam-se em três eixos principais: o primeiro diz respeito ao contexto social e escolar do educando; o segundo tange quanto ao diagnóstico local em saúde do escolar; e o terceiro trata da capacidade cooperativa em saúde do escolar. As ações em saúde se baseiam na assistência integral do escolar, no que se refere à promoção, prevenção e atenção, e estas devem ser articuladas entre os dois setores, educação e saúde. Essas ações, segundo o PSE, estão delimitadas em:

I - avaliação clínica; II - avaliação nutricional; III - promoção da alimentação saudável; IV - avaliação oftalmológica; V - avaliação da saúde e higiene bucal; VI - avaliação auditiva; VII - avaliação psicossocial; VIII - atualização e controle do calendário vacinal; IX - redução da morbimortalidade por acidentes e violências; X - prevenção e redução do consumo do álcool; XI - prevenção do uso de drogas; XII - promoção da saúde sexual e da saúde reprodutiva; XIII - controle do tabagismo e outros fatores de risco de câncer;

XIV - educação permanente em saúde; XV - atividade física e saúde; XVI - promoção da cultura da prevenção no âmbito escolar; e XVII - inclusão das temáticas de educação em saúde no projeto político pedagógico das escolas (BRASIL, 2007 A).

No fim da década de 80, com a intenção de fortalecer o papel da escola na preservação da saúde e da educação, estendendo o potencial educacional no que se refere à saúde e qualidade de vida, surge então a estratégia das Escolas Promotoras de Saúde, tendo como base o desenvolvimento e delineamento do que tange a promoção à saúde, segundo a Carta de Ottawa (LIBERAL et al., 2005).

A Escola Promotora da Saúde é uma escola que tem como visão, a atenção e visão integral do ser humano, que considera as pessoas, em especial as crianças e os adolescentes, dentro do seu ambiente familiar comunitário e social. Esta estratégia fomenta o desenvolvimento humano saudável e as relações construtivas e harmônicas, promove aptidões e atitudes para a saúde, conta com um espaço físico seguro e confortável, com água potável e instalações sanitárias adequadas, e uma atmosfera psicológica positiva para a aprendizagem. Ela promove a autonomia, a criatividade e a participação dos alunos, bem como de toda a comunidade escolar (BRASIL, 2007 B).

As Escolas Promotoras de Saúde têm como objetivos:

I – fomentar a saúde e o aprendizado em todos os momentos;

II – integrar profissionais de saúde, educação, pais, alunos e membros da comunidade, no esforço de transformar a escola em um ambiente saudável;

III – implementar práticas que respeitem o bem estar e a dignidade individuais, reconhecendo seus esforços, intenções e realizações pessoais;

IV – promover atividade física e assegurar serviços de saúde, ou seja, implementar políticas que garantam o bem-estar individual e coletivo, oferecendo oportunidades de crescimento e desenvolvimento em um ambiente saudável e com a participação dos setores da saúde e da educação, da família e da comunidade (LIBERAL et al., 2005).

4 MARCO CONCEITUAL

Entende-se por marco conceitual um conjunto de conceitos definidos e interrelacionados formando uma estrutura abstrata e tendo como característica principal a coerência intra e entre suas partes, formando uma totalidade (DIAS;

TRENTINI, 1994).

O marco conceitual serve como guia e suporte para a implantação do processo educativo, devendo permear todos os momentos dessa prática.

Para Minayo (1994, p. 92):

Toda a construção teórica é um sistema cujas vigas mestras representadas por conceitos. Os conceitos são as unidades de significado que definem a forma e o conteúdo de uma teoria. Podemos considerá-lo como operações mentais que refletem certo ponto de vista da realidade, pois focalizam determinados aspectos dos fenômenos, hierarquizando-os. Desta forma, eles se tornam um caminho de ordenação da realidade, de olhar os fatos e as relações e, ao mesmo tempo, um caminho de criação.

Com o intuito de desenvolver a dimensão educativa que compõe o papel do enfermeiro na busca de uma prática de ação e reflexão voltada para a transformação da realidade em saúde, foi desenvolvida uma pesquisa bibliográfica, baseada no referencial teórico de Paulo Freire, por considerar que saúde e educação se articulam enquanto práticas sociais.

No documento UNIVERSIDADE DO VALE DO ITAJAÍ - Univali (páginas 57-60)

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