2. BASES CONCEITUAIS
2.7. OUTROS TRABALHOS DA FDC PERTINENTES AO TEMA
2.7.2. PROPOSTAS CONTEMPLANDO NOVAS FONTES DE RECEITA
políticas públicas de qualidade, e a melhora no relacionamento com o cliente e na imagem da empresa.
NASCIMENTO et al. (2020) também abordaram o enfrentamento à crise sob o enfoque do marketing de relacionamento. A partir da ideia de elaborar um plano de relacionamento com os clientes capaz de atrair e fidelizar os usuários do transporte público, o projeto propõe um modelo contemplando “a realização de programas de fidelização, campanhas de vendas, eventos, e a operação de veículos novos dentro do sistema de transporte”, tecnologia e inovação dentro e fora dos veículos (aplicativos, redes sociais e wi-fi), operação e relacionamento propondo integração nos embarques “possibilitando aos clientes o embarque de um veículo para qualquer outro veículo independente da linha, utilizando a mesma passagem dentro do período temporal de duas horas”.
afirma haver uma “latente necessidade de se reposicionar e agregar inovação em busca de uma manutenção ou até mesmo recuperação de mercado, trazendo a modernização e o aperfeiçoamento dos serviços ofertados”. Para isso, seria necessária a “escuta dos clientes, posicionando-os como norteadores das soluções”. A partir disso, a proposta do grupo consiste em uma “plataforma com oferta de vários produtos, (...) baseada na intermodalidade, serviços e potenciais receitas sustentadas na inovação e na inserção digital”.
A tendência é criar outros tipos de serviços acessórios, complementares à rede pública. A ideia é ter uma rede pública básica, para aquele que é cativo do transporte, que não tem outra maneira de se locomover, e você ter também uma rede complementar com outros serviços, por exemplo, serviços sob a demanda, a exemplo do que foi inaugurado recentemente na cidade de Goiânia. (CAMILO et al., 2020)
Rodadas de pesquisa buscando entender como os stakeholders veem o transporte coletivo, apontaram “um pessimismo por parte da população acerca do serviço prestado”. A partir dessa percepção, surgiram insights de projetos e intervenções possíveis na busca do aperfeiçoamento dos serviços. Um ponto a ressaltar é que embora sejam vários os insights, todos eles relacionam-se de alguma maneira com a prestação do serviço transporte coletivo.
Mesmo quando fala de pessoas não usuárias do transporte coletivo, a abordagem é de
“conquistar um cliente que não quer ser conquistado. Há de se sobrepujar as dificuldades do transporte individual, deixando isso evidente na estratégia de marketing e conseguir de fato, prioridade de deslocamento, competindo com todos os modos de transporte por ônibus”.
Finalmente, a ideia-conceito do modelo de negócio proposto pelo grupo gira em torno da criação e elaboração de uma plataforma digital, que “permitirá aos clientes/consumidores do transporte coletivo urbano: acessar, visualizar, definir sua rota/trajeto de deslocamento, bem como adquirir os tickets para uso do transporte coletivo urbano via cartão de crédito, débito e banco digital na própria ferramenta, através de smartphones, tablets, computadores e terminais de atendimento tecnológicos distribuídos estrategicamente pela cidade de Belo Horizonte”.
“Acrescido ao serviço de transporte, o sistema MOVT-VIP proporcionará ao cliente a opção de estacionamentos – locais onde será possível deixar os veículos particulares durante o uso no sistema”. Esses estacionamentos seriam “construídos em parcerias com terceiros e em pontos estratégicos da cidade de Belo Horizonte”, em “pontos afastados dos centros urbanos, preferencialmente nos pontos iniciais e finais dos corredores exclusivos”.
ANDRADE et al. (2018), apresentou trabalho visando resolver o “problema de sustentabilidade e perenidade do negócio de transporte urbano de passageiros da região metropolitana de Belo Horizonte, através da geração de receitas alternativas”. “O dinheiro que movimenta o setor não deve ter 100% de sua origem no valor da passagem”.
Além de afirmar que uma boa alternativa seria “dividir a conta com o usuário do transporte individual, onde se vislumbra várias fontes de recurso”, o grupo relaciona brevemente algumas opções, como cobrança em cima de combustível, IPVA, estacionamento rotativo e multas de trânsito, congestionamento urbano, regulamentação dos aplicativos de transporte particular responsivo a demanda, locação de veículos, pneus, veículos novos e elevação da cobrança do IPTU sobre vagas de veículos privados.
No entanto, as dificuldades institucionais e legais são colocadas como relevantes, e a proposta detalhada fica focada em soluções voltadas a mídia e marketing (publicidade nos displays internos dos veículos e das estações, nos validadores, nos veículos, exploração de publicidade no aplicativo Serviço de Informação aos Usuário (SIU), exploração de publicidade nas estações de transferência do MOVE, Naming Rights, parceria com as empresas de cartões de débito e crédito, projeto de fidelização no transporte e sistema de entretenimento no interior dos veículos).
Em resumo, as propostas apresentadas nesse projeto aplicativo focam no aumento da qualidade do serviço ofertado aos clientes, na atração de novos clientes para o sistema, mas não abordam a possibilidade de receitas extra transporte coletivo, ou de financiamento cruzado entre modos coletivos e privados.
FEIJÃO et al. (2021), baseia seu projeto aplicativo na “grande transformação tecnológica nos hábitos de consumo e na necessidade de mobilidade das pessoas, (...) drasticamente mudadas com a chegada da pandemia do Covid-19, reduzindo significativamente a demanda de passageiros e, consequentemente, as receitas e lucros das empresas do segmento”. Aponta que, esse cenário vai exigir das empresas uma nova postura, a fim de manterem-se competitivas.
Em busca de opções de receitas alternativas, o trabalho relaciona uma série de opções para
“dividir a conta com o usuário do transporte individual, criando diversas fontes de recursos”, e logo na sequência cita a necessidade de aprovações das leis federais, estaduais e municipais.
Conceitualmente, esse trabalho “demonstrou a importância e oportunidade de se gerar receitas auxiliares nos diferentes modais de transporte de passageiros”.
Trazendo esse conceito para o negócio dos transportes, identificamos potencial para expandir suas receitas para além da venda da passagem, a exemplo de outros segmentos que já exploram as receitas alternativas como reais contribuidoras no resultado operacional. As iniciativas à recuperação da demanda do transporte de passageiros necessitam de medidas inclusivas, voltadas para a redução da tarifa através de recursos extra tarifários, bem como serviços mais rápidos, confortáveis, seguros e integrados. Incrementos nas receitas acessórias como outra fonte de recursos tornam-se cada vez mais atrativos para evitar um colapso no sistema de transporte de passageiros.
O projeto detalhado enfatiza em soluções tecnológicas, com foco em um canal de vendas on- line, “unindo as grandes operadoras de transporte de passageiros e varejistas, capturando um percentual dos usuários do transporte com a proposta de vendas por oportunidade, através da exposição de produtos nas áreas de embarque e durante o trajeto de cada modal que será implantado, trazendo comodidade aos passageiros e uma alternativa de receita”.