3.3 Os Programas Federais de Inclusão Digital nas Escolas
3.3.2 PROUCA
processo de formação do cidadão do século XXI. Assim, as mudanças não operam a partir da presença de uma nova tecnologia, mas sim como um elemento necessário na nova configuração social, capaz de separar seus entraves atuais. Por isso, o programa fala em ―desafio à pedagogia tradicional‖ por implicar uma mudança de concepção e posicionamento frente ao papel da educação e do professor nesta nova realidade.
Os desafios são presentes quando se fala do processo de implementação e da relação dos professores com a inserção do instrumento em sua prática. A linguagem da proposta do Programa busca ser acessível e compreensível aos professores, orientando e dando indicativos de propostas claras e objetivas aos municípios e Estados interessados nesta política, sendo esta orientada à aprendizagem.
Abranches (2003) destaca que o PROINFO, enquanto projeto formador de multiplicadores e professores na escola, é um marco na presença da informática no campo educacional, nas culturas das escolas, interferindo diretamente na prática pedagógica. O mesmo autor refere-se à proposta do Programa, alertando que sua ação enfrenta problemas na dimensão da concepção de educação, da gestão escolar e no enfrentamento do paradigma educacional da construção do conhecimento, havendo, ainda, dependência da parte técnica muito forte no ―pacote pedagógico‖ dos cursos oferecidos aos professores na formação em serviço.
crianças em idade escolar viessem a ter acesso a um computador próprio. Segundo o OLPC (2011, p.01)
O computador é uma das mais poderosas ferramentas para a criação de conhecimento, desenvolvimento e descoberta, sendo o grande responsável pela revolução da ciência na última metade do século XX. Ao oferecermos tal ferramenta a crianças e a seus professores, dando tempo e apoio necessários para que eles alcancem fluência digital e oferecendo conectividade de banda larga para permitir a criação de comunidades virtuais de conhecimento, criaremos as condições e os meios para enfrentar as questões educacionais difíceis e criticamente importantes para o desenvolvimento de nossa sociedade.
A questão abordada acima, sobre a oferta como acesso e este como o alcance da fluência digital para a aquisição do conhecimento é uma visão simplista quando esse sujeito aprendente é o professor, que será responsável pela transposição de conhecimentos com os meios digitais. Para o Massachusetts Institute of Technology - MIT, essa posição se refere a sua missão, quando a explicita como
Nossa missão é oferecer oportunidades educacionais para as crianças mais pobres do mundo, dando a cada uma dela um laptop robusto, de baixo custo, com baixo consumo de energia, conectado à Internet, bem como ferramentas projetadas para a colaboração e a aprendizagem. (OLPC, 2011, p. 01)
Com a visão de que os computadores transformariam a educação, o fundador do Media Lab, do Massachusetts Institute of Technology, o pesquisador Nicholas Negroponte68, apresentou em fevereiro de 2011, no Fórum Econômico Mundial em Davos, na Suíça, o projeto de distribuir laptops de US$ 100 para alunos de escolas públicas de países em desenvolvimento.
Como diz o autor, o laptop, chamado afetivamente pelos usuários em Garanhuns de
―uquinha‖, chega para ―capacitar as crianças pobres do mundo através da educação‖ (OLPC, 2011, p.01), isto é, para disseminar os meios de comunicação e informação entre os estudantes que frequentam, prioritariamente, as escolas públicas.
O PROUCA vincula-se ao Plano de Desenvolvimento da Educação e ao PROINFO, em Decreto nº 6.300, de 12/12/2007 (BRASIL, 2007c). O PROUCA é considerado uma ampliação do PROINFO, disponibilizando computadores móveis em sala de aula, pela sua portabilidade e acessibilidade em espaços escolares e não escolares, para professores, estudantes e seus familiares. Essa ampliação é regulamentada pelo Decreto nº 7.243, de 26/07/2010 (BRASIL, 2010b), no Regime especial de Aquisição de Computadores para Uso
68 Cientista Norte Americano, professor do Massachusetts Institute of Technology (MIT). É mundialmente conhecido por defender a disseminação de computadores portáteis a baixo custo.
Educacional – RECOMPE para as escolas públicas da educação básica das redes estaduais, do Distrito Federal e dos municípios, juntamente com a Resolução CD/FNDE nº17, de 10/06/2010, sobre a habilitação desses órgão ao Programa, baseados na faixa de matrícula calculada pelo Censo Escolar realizado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira - INEP.
A adesão ao Programa poderá ser com recursos próprios, de outras fontes ou por meio de uma linha de crédito concedida pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social – BNDES, sendo o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação, no MEC, o gestor da ata de registro de preços por pregão eletrônico.
Como o Programa é muito recente, pesquisas estão sendo realizadas, avaliando o processo de implantação e sua política, bem como seu uso pedagógico nas escolas. A cidade de Garanhuns, em Pernambuco, pertence ao grupo 2, na divisão regional do país para o Programa. Esse grupo é formado pelas regiões Nordeste e Sul, sendo o valor unitário do laptop de R$ 376,94 (trezentos e setenta e seis reais e noventa quatro centavos), na época do pregão. Suas características são:
O laptop possui configuração exclusiva e requisitos funcionais próprios para atendimento ao programa, com tela de cristal líquido de 7‖ (sete polegadas), bateria com autonomia mínima de 3 (tres) horas e peso de até 1,5 kg. Possui um 1GB (um gigabyte) de memória RAM e armazenamento de 3GB (tres gigabytes). Também é equipado para acesso a rede sem fio e conexão internet. Tem desenho exclusivo de modo a garantir maior segurança aos estudantes e também maior resistencia a impactos e quedas, reduzindo assim a possibilidade de danificação do equipamento.
Os softwares e aplicativos embarcados nos equipamentos são softawre livre.
(BRASIL, 2010a, p. 02)
Em Pernambuco, o PROUCA foi lançado em 07/05/2010, na Universidade Federal de Pernambuco - UFPE, sendo seu Coordenador Regional, o professor Sérgio Abranches, do Centro de Educação/UFPE. Conforme Relatório do evento, os gestores das escolas apresentaram algumas questões para a implementação do programa nos municípios:
As realidades são muito distintas, definitivamente não é possível atochar um pacote pronto de formação. Surgiram questões variadas, por exemplo, o atendimento dos alunos de EJA, a recarga dos equipamentos, o uso do laptop na educação inclusiva, o trabalho em salas multiseriadas na escola rural etc. Na reunião com os multiplicadores, todos ficaram empolgados com a proposta de formação e acompanhamento do programa. (ABRANCHES, 2011, p. 01)
A rede municipal de Garanhuns, em Pernambuco, até o período da pesquisa, possuía somente uma escola beneficiada com o programa, tendo esta 400 laptops para serem utilizados em três turnos, sendo distribuídos por turnos da seguinte maneira: alunos da
alfabetização à 4ª série no primeiro turno, de 5ª série à 8ª no segundo turno, jovens e adultos no terceiro turno. A escola possui uma rede lógica, banda larga, do PROINFO e do PROUCA, ampliada para os arredores da escola.
Atualmente, o Ministério da Educação busca construir perfis de escolas, de professores e de alunos ao qual se destinam esses instrumentos, investindo no conhecimento sobre as dimensões que possam vir a facilitar ou impossibilitar a implementação e os objetivos dos Programas.