Posto isso, Silva e De Marchi (1997) citam que a adoção de sistemas de qualidade de vida no trabalho pode trazer benefícios tanto para o trabalhador quanto para a organização; ao indivíduo traz maior resistência ao estresse, maior motivação, maior eficiência no trabalho e melhor relacionamento, entre outros; para a organização, resulta uma força de trabalho mais saudável e eficiente, menores índices de absenteísmo, menos acidentes, menos custos com saúde, maior produtividade e um melhor ambiente de trabalho.
No cenário competitivo atual, as organizações, a fim de se manterem no mercado, buscam sempre apresentar um diferencial frente as concorrentes e constantemente estar em crescimento. Contudo, para que a empresa possa crescer, as pessoas devem crescer junto com a organização. Afinal, autores como Araújo (2001) citam que as empresas do futuro são aquelas que tem nas pessoas a “ferramenta” mais importante da organização, devendo portanto mantê-las motivadas, comprometidas e saudáveis. Assim sendo, fatores como a qualidade de vida o trabalho e o estresse devem ser analisados e “melhorados” para a garantia de uma boa atuação da empresa no atual cenário competitivo.
Posto isso, Silva e De Marchi (1997), expõem que com a adoção de programas de qualidade de vida as empresas podem proporcionar ao trabalhador uma maior estabilidade emocional e, conseqüentemente, maior resistência ao estresse, além de serem beneficiadas com trabalhadores mais saudáveis, menos custo de saúde assistencial, maior produtividade e um melhor ambiente de trabalho.
Aliás, na atualidade, devido ao grande número “tarefas”, desafios e pressões diárias que o ser humano enfrenta, é praticamente impossível se pensar em qualidade de vida no trabalho sem que venha a mente o tão comentado estresse. Frente a isso, a seguir serão expostos o conceito de estresse, as causas, as fases e os fatores influenciadores do mesmo, na vida pessoa e no ambiente organizacional.
Hoje, sabe-se que o estresse está ligado a uma série de questões psicológicas em que o indivíduo não percebe que está recebendo uma grande carga emocional e acaba entrando num estado de confusão mental, o que gera um descontrole das funções normais do organismo.
Couto (1987) cita o estresse como um estado em que ocorre um desgaste da
“máquina” humana ou uma diminuição de sua capacidade de trabalho. Estes fatores acabam fazendo com o indivíduo se torne incapacitado, por um longo período, de tolerar, superar ou adaptar-se às exigências naturais de seu ambiente de vida. Posto isso, o autor destaca que esta definição de estresse põe em evidência quatro elementos: o homem convive, no seu dia-dia, com fatores estressantes como problemas de trabalho, familiares, sociais, notícias ameaçadoras, assaltos, violência entre outros; o homem tem uma capacidade adaptativa que se faz sob três formas: tolerância, superação e adaptação às exigências; o estresse pode resultar na diminuição da produtividade, refletida na diminuição da capacidade de concentração, dificuldade de tomar decisões e esquecimentos; o estresse pode ocasionar um desgaste do ser humano, que se manifesta sob a forma de doenças como úlcera, hipertensão arterial, enfartos entre outros.
Com vistas a investigações em torno do assunto, Carvalho e Serafim (2002) expõem que pesquisas feitas mostram que os executivos e pessoas com grandes responsabilidades dentro da organização, porém sem poder de decisão, estão mais suscetíveis ao estresse ocupacional. Além disso, conflitos de trabalho podem levar qualquer funcionário da organização a desenvolver o estresse, visto que o motivo desse estado pode estar dentro de cada individuo.
As pessoas agem de maneira diferente diante de uma mesma situação, fazendo com que as causas do estresse possam também ser diferentes de pessoa para pessoa. Carvalho e Serafim (2002) fazem um delineamento das principais causas que levam o indivíduo ao estresse: baixa resistência à frustração (característica de quem se aborrece facilmente);
ameaças constantes; competitividade; falta de tempo para si mesmo; ansiedade constante, baixa estima; e final de carreira (que ocorre quando o individuo não se preparou psicologicamente para essa etapa de sua vida). Além destas, pressão para satisfazer a outras pessoas, horas irregulares de trabalho, condições de trabalho insatisfatórias, barulho e falta de interesse pela atividade também podem ser causadores do estresse.
Continuando, os autores lembram ainda que o estresse é um processo e o seu desenvolvimento vai depender da resistência de cada indivíduo, de seu modo de viver, de seu
modo de se relacionar, de sua personalidade, de sua maneira de perceber as coisas ao seu redor, enfim, de sua qualidade de vida de uma maneira geral, podendo, assim, ser rápido ou longo.
O que leva o individuo ao estresse não é uma situação isolada mas sim um conjunto de situações tensas. Posto isso, o estresse caracteriza-se em três (3) fases: a primeira fase, fase de alerta, é aquela em que ocorre o primeiro sinal do agente agressor no sistema nervoso. O indivíduo não percebe o que se passa dentro dele, mas pode mostrar-se mal humorado, agressivo, inquieto, podendo ter dores musculares e no estômago. É comum também que nesta fase o indivíduo se sinta ansioso e inseguro. É a hora de agir para que o organismo combata o perigo e volte ao seu ritmo normal; a segunda fase, fase da resistência, é aquela em que o organismo tenta instintivamente adaptar-se ao estado em que se encontra. É a fase em que, se a pessoa não tomar conhecimento e resistir às mudanças do organismo,os sintomas e sinais de alerta, presentes na primeira fase, tendem a tornarem-se mais permanentes e o estresse tende a instalar-se, podendo ocorrer queda na produtividade, tonturas e dores no corpo além de sintomas na área afetivo-emocional, como tédio e vontade de largar tudo; por fim, a terceira fase, fase de exaustão, é aquela em que ocorre um estado de tensão permanente surgindo novos fatores estressantes. Nesta fase o organismo já utilizou toda sua energia para tentar adaptar-se, ficando mais debilitado. É nesta fase que o organismo fica mais vulnerável ao surgimento de diversas doenças como úlceras e hipertensão, além de surgirem sintomas psíquicos como depressão, dúvidas e conflitos internos, excessiva irritabilidade e impossibilidade de trabalhar. (LIPP, 1996; CARVALHO; SERAFIM, 2002).
No que se refere ao estresse no trabalho, ele refere-se a um conjunto de perturbações psicológicas, associado, normalmente, às experiências de trabalho, ou seja, é uma resposta dada pelo organismo, física e emocionalmente, quando percebe que as exigências do seu trabalho não são compatíveis com as capacidades, recursos e necessidades do trabalhador.
Para Rossi (1994) o estresse ocupacional está relacionado, principalmente, a pressão imposta ao trabalhador para satisfazer outras pessoas; as condições, insatisfatórias, de trabalho; as horas irregulares de trabalho; ao barulho e falta de interesse pela atividade exercida.
Diante disso pode-se dizer que a qualidade de vida no trabalho e o estresse estão intimamente ligados, pois se sabe que conflitos no ambiente de trabalho, expectativa de promoção na carreira, oportunidade para se expressar, ambiente físico da organização, bem como a relação com a chefia, a identificação pessoal com o trabalho, a remuneração e a jornada de trabalho são considerados indicadores de qualidade de vida no trabalho e podem
também serem considerados causas de estresse no trabalho. Vale ressaltar também que em quase toda atividade profissional, o homem sujeito a se deparar com o estresse.O estresse pode dificultar, sensivelmente, o desempenho do indivíduo em seu cotidiano, sendo cada vez maior o número de pessoas que, em decorrência do seu estilo de vida, desenvolvem doenças provocadas ou agravadas pelo stress.
Posto isso, torna-se importante a identificação do nível de estresse dos trabalhadores, quando se pretende implantar um programa voltado a qualidade de vai dos mesmos, pois a identificação de tal nível de estresse poderá dar subsídios para a formulação de propostas que visem a melhoria da qualidade de vida das pessoas.
Por fim, torna-se relevante comentar que, apesar de parecer simples, a implantação de programas de qualidade de vida no trabalho requer preparo e dedicação. Além disso, ainda existe muita resistência, por parte dos gestores organizacionais, referente à implantação de programas que visam ao bem estar dos funcionários, muitas vezes, devido ao investimento financeiro que se faz nestes programas sem que se tenha uma base de garantia para esse retorno. É preciso tornar a qualidade de vida no trabalho uma ferramenta gerencial, não a deixando representar um simples modismo (VASCONCELOS, 2001). Mudanças estão ocorrendo no campo do trabalho, a fim de amenizar o impacto que o mesmo tem causado na vida do trabalhador. Assim, é importante a presença de uma administração de recursos humanos que se preocupe com quesitos relacionados com a qualidade de vida no trabalho.
O grande desafio, menciona Limongi-França (2003), é encontrar uma maneira de reconstruir, com bem-estar, o ambiente competitivo, altamente tecnológico e de alta competitividade além de garantir ritmos e catalisar experiências e visões da relação entre produtividade e a qualidade de vida no trabalho.
Em se tratando de procedimentos metodológicos de pesquisa, Ferreira (1994) expõe que a mesma inclui as concepções teóricas de abordagem, o conjunto de técnicas que permitem a construção da realidade e o potencial do investigador. Enquanto conjunto de técnicas, a descrição do método deve dispor de um instrumental claro, coerente e elaborado, a fim de encaminhar os impasses teóricos para o desafio da prática. A autora cita ainda que os procedimentos metodológicos da pesquisa devem ser entendidos como o caminho para o pensamento e para a pratica exercida na abordagem da realidade; assim sendo, deve ocupar lugar central dentro das teorias e estar sempre referida a ela.
Para Richardson (1999), não existe uma fórmula mágica para a pesquisa, assim como também não existe uma única forma de se pesquisar. A pesquisa deve ser utilizada como fonte de informação, sendo que por pesquisa entende-se “a atividade básica da ciência na sua indagação e construção da realidade”. (FERREIRA, 1994, p. 17).
Com base no capítulo anterior, em que foram expostos os pressupostos teóricos, e nas características da organização, buscou-se uma orientação ao método a ser adotado nesta pesquisa, cujo objetivo principal é elaboração de um programa de qualidade de vida no trabalho para a empresa Chrystal Clean Material de Limpeza e Higienização Ltda.
Frente a essa escolha, neste capítulo serão apresentados: a caracterização da pesquisa, os participantes da pesquisa, as técnicas de coleta de dados, as definições das categorias de análise e a análise dos dados, tal como as limitações da mesma.