O PAPEL DO PROFESSOR FRENTE ÀS DIFICULDADES DE APRENDIZAGEM DOSALUNOS
2.3 Qual o papel do professor diante das dificuldades do aluno
A Constituição da República –, a Lei de Bases do Sistema Educativo e o Decreto-Lei n.° 319/91, de 23 de Agosto, garante uma educação igual e de qualidade para todos os alunos,
tanto necessidades especiais, quanto com dificuldades de aprendizagem pretendendo criar uma igualdade de oportunidades que promova o seu sucesso escolar.
Sabemos que o professor tem um papel muito importante na aprendizagem do aluno, pois é ele que proporciona momentos em que suas relações produzirão resultados significativos para a aprendizagem. É extremamente importante que ele conheça cada aluno, e estar atento às dificuldades que eles apresentam.
Segundo Dores (2012, p. 18)
Tanto a escola quanto o professor devem estar atentos e saber identificar possíveis fatores que possam estar interferindo neste processo para poder tomar providências de maneira a garantir a aprendizagem dos alunos, principalmente na fase de alfabetização, pois mesmo os alunos com inteligência e desenvolvimento normais podem apresentar dificuldades em relação à aprendizagem dos processos de leitura e escrita.
As escolas tem a função de proporcionar aos alunos caminhos para que eles possam aprender e ter a capacidade de tornar útil o que aprenderam e fazer uso nas suas relações sociais e culturais.
Conforme afirma Vygotsky (1998), tudo que a criança aprende com a ajuda ou auxílio de um adulto, ou convívio social, e de outras crianças, ela será capaz de construir sozinha. O autor enfatiza o valor da interação no processo de aprendizagem da criança.
Nessas circunstâncias, é evidente que, quando a criança interage, o aprendizado desperta seu processo de desenvolvimento e ela é capaz de suprir suas dificuldades. Mas é essencial que o professor esteja disposto a ensinar para estimular o aluno a aprender. Weiss (2008, p. 18) afirma que:
O ato de ensinar fica sempre comprometido com a construção do ato de aprender, faz parte de suas condições externas. A má qualidade do ensino provoca um desestímulo na busca do conhecimento. E, com a falta de estímulo do aluno, o problema é visto apenas nele, assim o encaminhando para um diagnóstico mais específico.
Para que haja estímulos para aprender, de acordo ainda com a autora, os professores e a equipe de atores educacionais deveriam:
Melhorar as condições de ensino para o crescimento constante do processo de ensino-aprendizagem e assim prevenir dificuldades na produção escolar.
Fornecer meios, dentro da escola, para que o aluno possa superar dificuldades na busca de conhecimentos anteriores ao seu ingresso na escola.
Atenuar, ou no mínimo contribuir para não agravar, os problemas de aprendizagem nascidos ao longo da história pessoal do aluno e de sua família.
Essa construção se dá na interação com o meio social, familiar e escolar, mas são estruturas complexas.
De acordo com Vygotsky (1998, p.110),“qualquer situação de aprendizado com a qual a criança se defronta na escola tem sempre uma história prévia, ou seja, antes de aprender aritmética a criança já lidou com quantidade, adição e outras operações”.
As crianças aprendem através de experiências vivenciadas com outros do grupo, isso faz com que, ampliem seus conhecimentos além de atribuir significados às novas aprendizagens.
Em cada criança há uma história de vida, é preciso saber o aluno que se tem como ele aprende e valorizar os que eles sabem, conforme afirma Paulo Freire (1996, p 30) “A escola deve respeitar os saberes socialmente construídos pelos alunos na prática comunitária, discutir com os alunos a razão de ser de alguns desses saberes em relação com o ensino do conteúdo”.
Ou seja, aproveitar o que eles sabem associar a disciplina e discutir sobre o assunto, considerar que os alunos devem ter liberdade de falar, criticar, expor seus desejos, medos, angustia, suas dificuldades e autonomia para criar textos, ideias, interpretar as diversas formas de escrita encontradas no seu dia – a – dia, e acima de tudo respeitar a individualidade e as habilidades de cada um na sua interação com o meio social. Soares (2007, p. 20) afirma que:
Quando chega a escola para ser alfabetizada, a criança já domina um determinado dialeto da língua oral; esse dialeto pode estar mais próximo ou mais distante da língua escrita convencional, que baseia numa norma padrão que, na verdade, não é usada, na língua oral, por falante nenhum, mesmo em situações mais formais.
Vivemos em uma sociedade totalmente desigual, e isso está muito longe de mudar, o acesso e os recursos à aprendizagem também é profundamente desiguais, isso gera muitos problemas e dificuldades, levando ao insucesso escolar e à desmotivação dos alunos, que interrompem muitas vezes os estudos, ocasionando o fracasso na aprendizagem. Soares (2007 p. 22) “é evidente que esse contexto escolar, com seus preconceitos linguísticos e culturais, afeta o problema de alfabetização das crianças”.
Diante dessa circunstância citamos dois pontos importantes: o primeiro é investigara cerca as causas que há por detrás dos problemas de aprendizagem do aluno e o segundo ponto seria apresentar ferramentas de trabalho, oferecer recursos e estratégias diferenciada se adequadas que corrige essas causas sem sobrecarregá-lo. Temos que levar em conta que a aquisição da leitura e da escrita é um momento único pelo qual o aluno passa em tal processo de alfabetização.
De acordo com Ferreiro (1999, p. 32) “o trabalho do professor é crucial na identificação da natureza das dificuldades que se apresentam algumas das quais representam problemas que devem ser enfrentados pelas crianças”.
Neste caso o professor pode resgatar esses alunos sem separá-los da turma e tomando alguns cuidados para não constrange-lo assim facilitando o seu trabalho no processo de alfabetização.
De acordo com Demo (2004 p. 77)“ por vezes uma atenção maior por parte do professor, um processo avaliativo mais meticuloso e diferenciado, o manejo de exercícios específicos para serem feitos em sala de aula, o apoio dos pais conclamados para colaborar na tarefa de resgate, etc., podem ser suficiente”.
Podemos dizer que quando o professor cria, motiva cativa oportuniza os alunos a falar e ler para eles, são estratégias fundamentais e mostrando o caminho para o aluno ele vai se empenhar em qualquer atividade e assimilar muito melhor os conteúdos.
Ao trabalhar atividades criativas, ele leva os alunos a desenvolverem na prática habilidades cognitivas de ordem superior tornando-se altamente motivadoras. Quando acontece um conflito cognitivo a aprendizagem é mais significativa, pois nossas dúvidas e conflitos acabam sendo respondidos.
Strick e Smith (2001, pag.34) afirmam que:
Para crianças com dificuldades de aprendizagem a rigidez na sala de aula é fatal, para progredirem, tais estudantes devem ser encorajados a trabalhar ao seu próprio modo. Se forem colocados com um professor inflexível sobre tarefas e testes, ou que usa materiais e métodos inapropriados às suas necessidades, eles serão reprovados.
Não devemos esquecer que o relacionamento familiar, o meio entre ela e o conhecimento, a convivência com o mundo que o cerca principalmente na parte escolar, são fatores muito importantes para o desenvolvimento pessoal e cultural da criança. A criança quando nasce tem seu primeiro contato com a família podemos dizer que o seu desenvolvimento inicial seria no ambiente familiar, portanto todas as suas experiências e conhecimentos serão refletidos durante toda sua vida escolar.