tarefas necessárias ou desejáveis na vida das pessoas, é considerada parâmetro importante para manter-se ativo no envelhecimento (DIAS et al., 2014 p.226).
Para Ben-Ezra e Shmotkin (2006) é importante um olhar com maior critério as condições de independência do idoso, pois a incapacidade funcional constitui um forte preditor de mortalidade na população de idosos, e nos orienta a incluir na rotina de avaliação diagnóstica dos profissionais de saúde que atuam na saúde do idoso.
Del Duca (2008) faz um importante alerta ao desafio em saúde pública nas próximas décadas, de um diagnóstico assertivo e na prevenção dos possíveis riscos associados à incapacidade funcional, visando a busca por uma longevidade com maior independência, autonomia e qualidade de vida para os idosos.
relacionada à autoestima e ao bem-estar pessoal envolvendo aspectos como a capacidade funcional, o estado emocional, a interação social e familiar, a atividade intelectual, o autocuidado, o próprio estado de saúde, os valores culturais, éticos e a religiosidade, o nível socioeconômico, o estilo de vida, a satisfação com o emprego e/ou com atividades diárias e o ambiente em que se vive.
Paschoal (2013, p. 186) confirma este pensamento afirmando que a qualidade de vida tem múltiplas dimensões, como, por exemplo, a física, a psicológica e a social, e acrescenta que, a saúde percebida e a capacidade funcional são variáveis importantes que devem ser avaliadas, assim como o bem-estar subjetivo, indicado por satisfação. Na velhice, fatores relacionados com a idade afetam a saúde, dimensão fundamental da qualidade de vida nessa fase da existência.
Assim, Toscano e Oliveira (2009) afirma que a de qualidade de vida tem que ser compreendida como influenciada por todas as dimensões da vida, porém, não deve estar limitada à existência ou não de morbidades. Em sua pesquisa que foi realizada pela Universidade Federal de Alagoas, ele afirma ainda que, o estilo de vida saudável tem sido associado ao hábito de práticas de atividades físicas e, consequentemente, a melhores padrões de saúde e qualidade de vida. Esta afirmativa se comprovou por meio de sua pesquisa que tinha por objetivo comparar a qualidade de vida em idosos com distintos níveis de atividade física.
Para este trabalho ele utilizou como instrumentos, o IPAQ (International Physical Activity Questionnaire) na sua versão longa e o SF-36 (The medical outcomes study 36-item short-form healthy survey) para avaliar o nível de atividade física e a qualidade de vida respectivamente. Utilizou como amostra 238 idosas, escolhidas aleatoriamente em 23 grupos de convivência do município de Aracaju - SE e concluiu que a qualidade de vida de idosas que possuem maior nível de atividade física é melhor que as de menor nível de atividade física e recomenda ações voltadas para esse grupo populacional, no sentido de preparar a sociedade brasileira para um envelhecimento mais saudável, o que aumentará a qualidade de vida adicional adquirida ao longo de décadas.
Embora seja possível desfrutar de boa qualidade de vida até idades avançadas, o fato é que a população idosa é mais predisposta a apresentar dependência física, déficits cognitivos e dificuldades associadas ao autocuidado e à manutenção de uma vida independente (ALVES; RIBEIRO, 2015, p. 303).
Estes autores acrescentam que considerando o grande aumento da expectativa de vida e as comorbidades, dependências e limitações decorrentes da longevidade, os cuidados de longa duração, figuram como uma necessidade premente. E como cuidados de longa duração considere-se uma gama de serviços prestados de forma continuada visando atender ao idoso em suas necessidades de moradia, alimentação, saúde, convivência familiar e comunitária, garantindo, assim, um envelhecimento com dignidade.
Com base em seus estudos sobre o que denominam “plasticidade cognitiva”, Baltes e Smith (2006) sugerem que, nos últimos 30 anos, nos países desenvolvidos, os idosos ganharam aproximadamente cinco “anos bons de vida” com base no seu nível de funcionamento físico e mental. Aponta também que nestes países desenvolvidos a população que hoje têm 65 anos ou mais, apresentam menos incapacidades físicas (o que atesta sua competência para o funcionamento na vida cotidiana) do que coortes anteriores da mesma faixa de idade. Ele ainda nos mostra que:
É preciso lembrar que os progressos atuais em expectativa de vida e em competência física e mental não resultam de algum progresso genético para a espécie humana, mas do efeito de forças culturais e sociais contemporâneas. Em conjunto, melhoras ambientais e materiais; práticas médicas mais avançadas; melhoria na situação econômica dos idosos; sistemas educacionais e meios de comunicação mais efetivos; melhores recursos psicológicos, tais como leitura e escrita em computador, e muitos outros fatores, estão permitindo que os idosos se aproximem do seu limite de máxima duração de vida em condições mais saudáveis (BALTES; SMITH, 2006, p. 13 e 14).
Gonçalves e Outeiro (2015, p.259) nos alertam ao fato de que durante o envelhecimento, pode ocorrer declínio de memória e das capacidades cognitivas, sem ser possível garantir ou prever a estabilidade desse declínio e se ele provocará repercussão na qualidade de vida, ou se progredirá para uma demência severa.
Estas perdas iniciais são consideradas como déficit cognitivo leve e juntamente com as demências (quadros mais severos) não são doenças específicas, mas representam uma condição severa de perda de conhecimento que é causa ou consequência de certa doença. Diz-nos ainda que, esses quadros iniciais (Déficit Cognitivo Leve) é um estado que não interfere com as tarefas do dia-a-dia, sendo um estado pré-demência. Posteriormente, a demência pode surgir, primeiro de
maneira leve ou moderada e pode culminar num estado severo de perda de autonomia, de noção do contexto e da própria identidade (GONÇALVES; OUTEIRO, 2015).
Amaro (2015) destaca algumas condições de valor na manutenção de uma boa qualidade de vida, como por exemplo, ter um bom funcionamento físico e mental que pode ser conseguido pela manutenção de uma vida ativa e consequentemente da independência (capacidade de tomar decisões relacionadas com o dia a dia com nenhum ou reduzido auxílio de outras pessoas).
4 AVALIAÇÃO FUNCIONAL DO IDOSO
É necessário se avaliar a capacidade funcional do idoso nas Atividades de Vida Diária, pois fornece significativo instrumento na formulação de estratégias para manutenção e da qualidade de vida dessa população.
A avaliação funcional é realizada através da observação e da mensuração da capacidade em realizar as atividades presentes em todos os grupos, pode ser compreendida como uma tentativa sistematizada de avaliar, de forma objetiva, os níveis de dependência e independência. Permite-nos detectar situações de risco, identificar áreas de disfunção e necessidades, monitorar o declínio funcional do idoso, estabelecer um plano de cuidado adequado às demandas assistenciais identificadas e identificar a necessidade de utilização de serviços especializados (FONSECA; RIZZOTTO, 2008 p. 367).
Epstein et al. (1987) esclarecem que é importante uma avaliação multidisciplinar do idoso quando este apresenta déficits, físico, mental, funcional, social, para que possam criar planos de cuidados, serviços e intervenções adequados aos seus problemas, necessidades e incapacidades. “A avaliação da capacidade funcional (CF) dos idosos pode detectar possível risco de dependência futura, estabelecer níveis de morbidade de mortalidade, além de poder balizar intervenções direcionadas aos idosos” (CAMARA et al., 2008 p. 249).
Para Freitas et al. (2013) a avaliação da capacidade funcional de idosos consiste em um método para descrever as habilidades e limitações no desempenho de tarefas necessárias na vida diária, atividades de lazer, ocupacionais e interações sociais, estando diretamente relacionada á função motora do idoso.
A perda da habilidade funcional ou incapacidade define-se como uma restrição qualquer ou perda da capacidade de executar as Atividades de Vida Diária cotidiano ao idoso. A Incapacidade funcional pode se caracterizar de maneira temporária ou permanente, reversível ou irreversível e progressivo ou não (BORGES, 2006). A OMS (2002) utiliza, como processo em compreender e definir a deficiência, a ICIDH - Classificação Internacional de Deficiências, Incapacidades e Desvantagens, que tem se mostrado importante nesta missão.
Sua utilização teve Início em 1980 e foi revisada no final dos anos 1990, dando origem ao IFC - Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade
e Saúde em 2002. Neste sentido o quadro 3 que vem a seguir apresenta esta classificação e os seguintes critérios:
Quadro 3 – Classificação internacional de Funcionalidade, Incapacidade e Saúde.
CLASSIFICAÇÃO DESCRIÇÃO
Incapacidade Situação física da pessoa e se refere ao nível orgânico, como anormalidade
funcional ou estrutural do corpo Deficiência Limitação de atividades devido à
incapacidade e seu impacto no desempenho do indivíduo
Desvantagem Limitações em termos de desempenho de um papel social sendo consequência
geral da incapacidade e/ou deficiência Fonte: OMS (2002) adaptado
Schneider, Marcolin e Dalacorte (2008, p.8) chamam a atenção ao fato de que
“como a incapacidade funcional afeta cerca de um quarto dos idosos, identificar e tratar esses pacientes é de extrema importância para mantê-los mais saudáveis e independentes dentro das possibilidades terapêuticas”.
Avaliar o nível de independência funcional tem como propósito a objetividade do plano de tratamento e contribui no planejamento do cuidado aos idosos e na atuação da família na prestação desses cuidados, uma abordagem deve incluir, à avaliação e monitoramento das habilidades cognitivas, da capacidade para desempenhar Atividades da Vida Diária, do comportamento e da progressão da doença. Os resultados da avaliação podem ser considerados indicadores da qualidade da intervenção já realizada (TALMELLI et al., 2010; BORGES, 2006).
Como alerta Rosa et al. (2003) descreve que os fatores mais fortemente associados com as capacidades funcionais estão relacionados problemas de saúde e deficiências, porém é importante observar seus estudos mostram que a capacidade funcional sofre também influencia por fatores demográficos, socioeconômicos, culturais e psicossociais, tornando-se notório a inclusão de comportamentos relacionados ao estilo de vida como fumar, beber, excessos alimentares, práticas de exercícios físicos, a tolerância a estresse psicossocial, a
percepção de autoeficácia e controle, a manutenção de relacionamentos sociais e de apoio como potenciais fatores explicativos da capacidade funcional.