Neste item serão, inicialmente, caracterizadas as condições meteorológicas, mas especificamente as condições climáticas da região estratégica. Em seguida, a contextualização do monitoramento e a caracterização da qualidade do ar e, ainda, as principais fontes de poluentes atmosféricos.
3.2.6.1 Condições Meteorológicas
O clima na Região Metropolitana do Rio de Janeiro (RMRJ) demonstra ter a mesma diversidade observada no resto do estado: não somente as temperaturas médias são fortemente influenciadas pela questão do relevo e da posição em relação ao oceano, mas, também, o regime e a distribuição dos totais pluviométricos. Os contrastes térmicos associados à topografia podem induzir a circulações locais, tais como as brisas de vale e montanha. A topografia, a cobertura vegetal e a distância das fontes de umidade influenciam, significativamente, na distribuição da precipitação. A pluviosidade média anual situa-se em torno de 1.500 mm, influenciada pela atuação de Sistemas Convectivos de Meso-escala, de Sistemas Frontais e do Anticiclone do Atlântico Sul, ou seja, por uma combinação de fatores locais e dinâmicos da atmosfera.
As descrições climatológicas do Centro de Previsão do Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC) demonstram que o Estado do Rio de Janeiro sofre influências tanto de sistemas tropicais, quanto de latitudes médias. Possui uma estação seca bem definida no inverno e uma estação chuvosa no verão (chuvas convectivas). Além disto, a atuação de sistemas frontais é responsável pela ocorrência de precipitação na região durante boa parte do ano. A precipitação, também, é determinada pelo relevo, influência marítima e instabilidade atmosférica. Em relação às temperaturas, a região no período de inverno é afetada pela penetração de massas de ar frio de altas latitudes, o que contribui para a predominância de baixas temperaturas nesta estação.
A RMRJ demonstra a mesma diversidade climática assistida para o estado, onde não somente as temperaturas médias são fortemente influenciadas pela questão do relevo e da posição em relação ao oceano, como pelo regime e distribuição dos totais pluviométricos.
De acordo com as Normais Climatológicas, do Instituto Nacional de Meteorologia, do período 1961- 90, as temperaturas médias mais altas são registradas no trimestre janeiro/fevereiro/março e as mínimas, entre junho e setembro (Quadro 3.60). Observa-se, ainda, que a maior parte do total precipitado (1.172,9 mm) ocorre no verão e que, em geral, a umidade relativa do ar apresenta pouca variação entre os meses do ano. No que tange as médias de nebulosidade, são verificados mínimos nos meses de julho e agosto e máximas em dezembro.
É importante lembrar que a RMRJ quase sempre apresenta alguma nebulosidade, em grande parte por conta da proximidade de fontes de umidade, como o oceano e a BG. A insolação total, assim como a temperatura média, apresenta máximas no trimestre janeiro/fevereiro/março. Os menores valores registrados são observados nos meses de setembro e dezembro.
267 Quadro 3.60 ― Normais Climatológicas do Estado do Rio de Janeiro 1961-1990 Período
Temperatura Precipitação Total
Umidade Relativa
Nebulosidade (0 – 10)
Insolação Total (Horas
e Décimos) Média Máxima Mínima
Janeiro 26.2 29.4 23,3 114,1 79,0 6,0 196,2
Fevereiro 26,5 30,2 23,5 105,3 79,0- 5,0 207,0
Março 26,0 29,4 23,3 103,3 80,0 5,0 195,6
Abril 24,5 27,8 21,9 137,4 80,0 5,0 166,0
Maio 23,0 26,4 20,4 85,6 80,0 5,0 171,4
Junho 21,5 25,2 18,7 80,4 79,0 5,0 157,2
Julho 21,3 25,3 18,4 56,4 77,0 4,0 182,5
Agosto 21,8 25,6 18,9 50,5 77,0 4,0 178,4
Setembro 21,8 25,0 19,2 87,1 79,0 6,0 136,9
Outubro 22,8 26,0 20,2 88,2 80,0 6,0 158,5
Novembro 24,2 27,4 21,4 95,6 79,0 6,0 168,7
Dezembro 25,2 28,6 22,4 169,0 80,0 7,0 160,1
Anual 23,7 27,2 21,0 1172,9 79,0 5,0 2078,5
Fonte: INMET (1992)
Basicamente, predomina o clima tropical semi-úmido, com verão quente e chuvoso e inverno seco com temperaturas amenas. Entretanto, devido à interação entre os fatores dinâmicos do clima e as características geográficas é comum a ocorrência de variabilidades climáticas diferentes.
Sazonalmente, os valores de pressão atmosférica ao nível da superfície são maiores no inverno e menores no verão. Na região, as pressões atmosféricas médias em janeiro e julho (meses climatologicamente extremos) são de 1011 hPa e 1020 hPa, respectivamente.
Em termos de qualidade do ar, a ocorrência de maiores ou menores pressões na superfície interferem diretamente na capacidade de mistura dos poluentes situados na camada de ar mais baixa, influenciando, conseqüentemente, nos níveis de concentração dos poluentes.
As maiores pressões estão associadas à estabilidade que retém os poluentes nos níveis mais baixos, limitando seu deslocamento vertical, enquanto que as menores pressões, ao contrário, permitem uma maior movimentação vertical, afastando os poluentes dos níveis próximos ao solo, reduzindo suas concentrações. A Figura 3.56 representa a variação da pressão atmosférica no ERJ.
A precipitação na região, por sua vez, apresenta uma sazonalidade típica da região sudeste, mais chuva no verão e menos no inverno. Existem, segundo as Normais Climatológicas, duas épocas do ano com maior intensidade de chuvas, em abril, início do outono e dezembro, início do verão.
A umidade relativa do ar, apesar de não se alterar, significativamente, ao longo do ano, permanecendo numa média mensal de cerca de 80%, acompanha a variação sazonal da precipitação
Vários aspectos de caráter geográficos como a presença da BG, a Baixada Fluminense densamente urbanizada e a proximidade da Serra do Mar, influenciam o clima local e interferem nos parâmetros meteorológicos responsáveis pela
caracterização das condições micro-climáticas da região.
268 0
20 40 60 80 100 120 140 160 180
JAN FEV MAR ABR MAI JUN JUL AGO SET OUT NOV DEZ Precipitação [mm]
e atinge níveis inferiores a 70% no período do inverno. Na Figura 3.57 a variação sazonal da precipitação.
Figura 3.56 ― Variação da Pressão Atmosférica no ERJ Fonte: INMET (1992)
Figura 3.57 ― Variação Sazonal da Precipitação Fonte: INMET (1992)
Quanto à insolação, esta é função não apenas da nebulosidade existente, mas, também, da duração dos dias — mais longos no verão e mais curtos no inverno. Os menores valores ocorrem em setembro (136,9 horas), devido aos elevados níveis de nebulosidade nesta época e dias não tão longos quanto os de verão. Por outro lado, o maior valor ocorre em fevereiro (207,0 horas), mês com dias longos e nebulosidade intermediária.
Com relação à capacidade natural de dispersão, considerando os aspectos relativos à circulação do ar, em que o parâmetro vento é responsável pelo transporte e diluição dos poluentes atmosféricos, a avaliação climatológica, realizada com base nas observações horárias da estação meteorológica do
1006 1008 1010 1012 1014 1016 1018 1020 1022
JAN FEV MAR ABR MAI JUN JUL AGO SET OUT NOV DEZ
Pressão [hPa]
269 Aeroporto do Galeão, revelou que os ventos fluem predominantemente da direção sudeste. No que se referem às velocidades médias ao longo do ano, estas se situam em torno de 2,8m/s, enquanto que a ocorrência de calmarias é cerca de 8% (Figura 3.58).
Figura 3.58 ― Rosa dos Ventos do Aeroporto do Galeão 2001-2005
A região de Itaboraí, onde vai se instalar o COMPERJ, apresenta um clima tropical do tipo AW, relativamente uniforme durante todo o ano. No verão, em decorrência do grande calor, não amenizado pelos ventos e elevada umidade relativa, ocorrem fortes chuvas, enquanto no inverno, mais seco, os totais pluviométricos e a média das temperaturas são mais baixos. Contudo, pela existência de dois meses secos de inverno e por possuir totais anuais de pluviosidade entre 1.000 e 1.500 mm, esta área pode ser interpretada, também, como sendo de clima tropical semi-úmido (AM).
Os maiores índices pluviométricos acontecem no período de novembro a março, ao final do qual a intensidade de chuvas vai diminuindo, gradativamente, chegando a valores mínimos entre junho e setembro. Os efeitos de orografia local, marcada pela circulação de ventos extremamente úmidos, dão origem a um regime diferenciado com altas precipitações. De acordo com o estudo da distribuição das chuvas na região, verifica-se que janeiro é o mês mais chuvoso, com uma média que oscila ao redor de 210 mm, e agosto o mês mais seco, tendo uma precipitação média por volta de 30 mm.
A influência da Massa Polar Atlântica (mPa) na primavera faz com que esta estação apresente elevadas taxas de pluviosidade e temperatura, enquanto no verão estas características sejam dadas pela presença da Massa Equatorial Continental (mEc). O clima da região também sofre influência da vertente atlântica da Serra do Mar e da zona dos Maciços Costeiros.
A amplitude sazonal de pressão atmosférica é de 25 hPa, no inverno e 30 hPa, no verão e tem como principal causa a alternância entre domínios de ar tropical e de massas polares migratórias. Vale destacar que a área do empreendimento encontra-se na trajetória de deslocamentos de frentes frias
270 em todas as épocas do ano, o que pode resultar em significativas variações de pressão atmosférica, em curto intervalo de tempo, sobretudo em rápidas passagens frontais.
A pluviosidade média anual situa-se em torno de 1,500 mm e é caracterizada pela influência de sistemas tropicais e de sistemas típicos de latitudes médias, assim como toda a Região Sudeste devido à localização latitudinal. Sobre a região é observada a ocorrência de Sistemas Convectivos de Mesoescala, de Sistemas Frontais e do Anticiclone do Atlântico Sul, ou seja, uma combinação de fatores locais e dinâmicos da atmosfera.
O período mais chuvoso é a transição entre primavera-verão e o verão, até seu término em março, e a estação mais seca é o inverno, principalmente os meses de junho e agosto. Os dados obtidos de uma estação meteorológica localizada na APA de Guapimirim, situada ao sul da área onde se pretende instalar o empreendimento e mais próxima à BG indicam uma pluviosidade média anual de 1.709 mm e uma pluviosidade média máxima anual de 2.396 mm, sendo a média do mês mais chuvoso, dezembro, de 253 mm, enquanto a média do mês mais seco, agosto, é de 59 mm (ESAP/COMPERJ, 2006).
A passagem de frentes frias ocorre ao longo de praticamente todo o ano, em geral, com curtos intervalos de tempo e com maior freqüência nos meses de inverno. Também, nesta época do ano, é bastante comum, principalmente após o afastamento de uma frente fria, a atuação do Anticiclone do Atlântico Sul, um sistema de alta pressão atmosférica que inibe a formação de sistemas convectivos e que pode formar, dependendo de sua intensidade, bloqueios à entrada de novas massas de ar frio advindas da Região Sul. Com relação à circulação do ar, de acordo com as informações geradas pelas estações meteorológicas instaladas na região do futuro Complexo Petroquímico, foi possível observar que a ventilação natural da região é deficiente, com velocidades médias do vento variando de 0,8 m/s a 1,4 m/s e ocorrência de calmarias entre 36,2% a 52,6% para o período monitorado. No Quadro 3.61 os resultados das medições dos ventos realizadas por 4 estações distribuídas na região.
Quadro 3.61 — Caracterização dos Ventos na Região do COMPERJ