brasileiras, somente com a criação do Estatuto da Criança e do Adolescente em 1990, que deixou de existir qualquer discriminação em relação aos filhos. 200
O Estatuto da Criança e do Adolescente promoveu a adoção com um ato de amor e não considerando somente uma questão de interesse do adotante, pois essa mesma adoção passou a atribuir uma condição de filho ao adotado, dando a eles os mesmos direitos e deveres.201
Conforme leciona Carlos Roberto Gonçalves, “adoção é o ato jurídico solene pelo qual alguém recebe em sua família, na qualidade, pessoa a ela estranha”.202
Dada grande evolução verificada nas últimas décadas sobre o assunto, concebe-se atualmente a definição mais no sentido natural, isto é, dirigido a conseguir um lar a crianças necessitadas e abandonadas em face de circunstâncias várias, como a orfandade, a extrema pobreza, o desinteresse dos pais sangüíneos, e toda a sorte de desajustes sociais que desencadeiam o desmantelamento da família. Objetiva o instituto outorgar a crianças e adolescentes desprovidos de famílias ajustadas um ambiente de convivência comunitária, sob a direção de pessoas capazes de satisfazer ou atender os reclamos materiais, afetivos e sociais que um ser humano necessita para se desenvolver dentro da normalidade comum.203 A adoção como forma de filiação é um instituto que perfaz-se uma integração do adotado na família adotante. Busca-se que tanto adotante e adotado superem a limitação do vínculo parental, formando assim uma família sem qualquer diferença.
No entanto foi criada a Lei 12.010/09, chamada a Lei da Adoção com o intuito de agilizar o procedimento de adoção e diminuir o tempo de permanência de crianças e adolescentes em instituições.204
A Lei da Adoção, apesar de contar com somente oito artigos, introduziu 227 modificações no ECA. O seu primeiro dispositivo confessa que a intervenção do Estado é prioritariamente voltada a orientação, apoio, promoção social da família natural, junto à qual a criança e o adolescente devem permanecer. Somente em caso de absoluta impossibilidade, reconhecida por decisão judicial fundamentada, serão colocadas em famílias substituta, adoção, tutela ou guarda.205
A Lei tem méritos, pois assegura ao adotado o direito de conhecer sua família biológica e ter acesso ao processo de adoção.A manutenção dos cadastros estaduais e nacional, visando agilidade dos processos206
Assim proceder-se-á aos requisitos para uma pretensa adoção.
Antes de quaisquer outros procedimentos é importante que o pretenso adotante procure o Juizado da Infância e da Juventude de sua cidade e dirija-se à Seção de Colocação em Família Substituta, e solicite uma entrevista com os técnicos para obter as informações preliminares necessárias à formalização do seu pedido de inscrição.207
O requisito fundamental para a efetivação da adoção é que todas as condições sejam as melhores oferecidas para o filho adotivo. Este seria o valor-guia da adoção, qual seja do melhor interesse para a criança.208
Além de reunir condições econômicas, que permitam a devida assistência ao filho adotivo, o adotante (ou adotantes) deve ser pessoa de boa índole e capaz de oferecer um lar bem estruturado, onde o novo membro da família encontra equilíbrio emocional para uma vida saudável.209
Neste sentido:
204 DIAS, Maria Berenice. Manual de direito das famílias. p. 476.
205 DIAS, Maria Berenice. Manual de direito das famílias. p. 477.
206 DIAS, Maria Berenice. Manual de direito das famílias. p. 477.
207 ADOÇÃO.Disponível em: http://www.consumidorbrasil.com.br/consumidorbrasil/paratodos/adocao.
Acesso em 19/05/2011.
208 NADER, Paulo. Curso de direito civil: direito de família. p. 311.
209 NADER, Paulo. Curso de direito civil: direito de família. p. 311.
À adoção de determinada pessoa – seja maior ou menor de idade – se procede mediante ação judicial. Os candidatos se habilitam à adoção, devendo a petição inicial ser acompanhada de uma série documentos, entre eles: comprovante de renda e domicílio; atestado de sanidade física e mental; certidão de antecedentes criminais e negativa de distribuição cível (ECA 197 – A). Os candidatos indicam o perfil de quem aceitam adotar. O Ministério Público pode requerer a designação de audiência para a ouvida dos postulantes e de testemunhas (ECA 197 – B II)210
A inscrição dos candidatos está condicionada a um período de preparação psicossocial e jurídica, tendo eles que freqüentar o programa de preparação psicológica, adoção e estímulo interracial.211
Podem adotar as pessoas maiores de 18 anos, sendo que a adoção é um ato pessoal, não podendo ser feita por procuração. O estado civil, o sexo e a nacionalidade não interferem na capacidade de adoção.212
No Estatuto, a idade mínima de adoção foi sensivelmente diminuída nessa modalidade: podiam adotar os maiores de 21 anos, independentemente do estado civil (art. 42.). O corrente Código Civil, levando em conta a maioridade que assume, permite que a pessoa maior de 18 anos possa adotar (art. 1618). A idade que passa a ser doravante de 18 anos, é, portanto, requisito objetivo para o adotante.
A questão subjetiva, maturidade para adoção, por exemplo, é aspecto de oportunidade e convivência a ser analisado pelo juiz no caso concreto. A adoção por ambos os cônjuges ou companheiros pode ser concedida, desde que um dos consortes tenha completado 18 anos, de acordo com o presente Código (art. 1618, parágrafo único), comprovada a estabilidade da família.213
Como a adoção é um ato jurídico exige-se a capacidade de quem for adotar, assim, não pode adotar pessoa maior de 18 anos que seja absolutamente ou relativamente incapaz.214
Existe uma diferença mínima entre adotante e adotado, onde o adotante deve ter pelo menos 16 anos de diferença do adotado.
Desta forma torna-se imprescindível que o adotado seja mais velho,
210 DIAS, Maria Berenice. Manual de direito das famílias. p. 493.
211 DIAS, Maria Berenice. Manual de direito das famílias. p. 493.
212 GONÇALVES, Carlos Roberto. Direito civil brasileiro: direito de família. p. 347.
213 VENOSA, Sílvio de Salvo. Direito civil: direito de família. p. 276.
214 GONÇALVES, Carlos Roberto. Direito civil brasileiro: direito de família. p. 348.
para que possa desempenhar cabalmente o exercício do poder familiar.215
Necessita-se desta distância de idade entre adotante e adotado pelo fato que esta é a diferença em anos para a procriação, é um período que tenta- se imitar a vida.216
Exige a Lei Civil, pelo art. 1.619, que a idade do adotante seja superior dezesseis anos, pelo menos, à do adotado. Tal exigência se explica sob vários aspectos. Espera-se que o adotante tenha maior experiência de vida, a fim de que possa bem orientar o adotado.
Presume-se, por outro lado, que a diferença apontada favoreça a natural ascendência moral que deve existir na relação entre pai e filho. Busca-se, também, afastar interesse de ordem sexual entre ambos.217
O Estatuto da Criança e do Adolescente em seu artigo 42, § 1, proíbe a adoção por ascendentes ou irmãos.218
Mesmo que seja priorizada a permanência de crianças e adolescentes no âmbito familiar, a adoção por ascendentes ou entre irmãos não é admitida, pois em relação a esses, a preferência seria para a tutela ou guarda.219
As vedações do ECA se justificam, pois seriam inconcebível que alguém pudesse, ao mesmo tempo, ser avô biológico e pai adotivo ou irmão biológico e pai por adoção. Por outro lado, a adoção provoca a ruptura jurídica do filho adotivo com a sua família biológica. A par de tal embaralhamento de parentesco, não se vislumbra nobreza de finalidade em tais adoções, pois tanto os avós quanto os irmãos não precisam de abdicar de sua condição para desenvolver vínculos de afetividade e assistência com o seu parente consangüíneo.220
Necessário o consentimento do adotado, de seus pais ou de seu representante legal. Quando for absolutamente incapaz, seu representante legal
215 DINIZ, Maria Helena. Curso de direito civil brasileiro: direito de família. 18. ed. São Paulo:
Saraiva, 2002. p. 426.
216 DIAS, Maria Berenice. Manual de direito das famílias. p. 475.
217 NADER, Paulo. Curso de direito civil: direito de família. p. 313.
218 NADER, Paulo. Curso de direito civil: direito de família. p. 314.
219 DIAS, Maria Berenice. Manual de direito das famílias. p. 474.
220 NADER, Paulo. Curso de direito civil: direito de família. p. 314.
que responderá por ele; tendo ele maior de 12 anos, deverá ser ouvido para se manifestar se concorda com a adoção.221
Salutar a exigência de tutor e o curador prestarem contas da sua administração para adotar o pupilo ou o curatelado (ECA 44). Como o tutor e o curador têm a obrigação de prestar contas (obrigação que inexiste em se tratando de pais), não exigir o adimplemento de tal encargo poderia dar margem à busca da adoção como subterfúgio para simplesmente serem dispensados do encargo: bastaria adotar o tutelado ou curatelado.222
Existe também a possibilidade da adoção unilateral, que é tratada de uma forma especial de adoção, tem caráter híbidro, uma vez que permite a substituição de somente um dos genitores.223
A partir do momento em que seja efetuada a adoção é fundamental que adotado e adotante tenham um período de convivência para terem uma relação de afetividade, pois crianças constroem sua estrutura social e emocional a partir da identificação com as pessoas que preencham suas necessidades.224
É necessário o estágio de convivência (ECA 46), havendo a possibilidade de o juiz dispensá-lo quando o adotando já estiver sob tutela ou guarda por tempo suficiente para avaliar a conveniência da constituição do vínculo (ECA 46 § 1). A guarda de fato não autoriza a dispensa do estágio (ECA 46 § 2), que precisa se acompanhado por equipe interprofissional, preferencialmente com apoio de técnicos responsáveis pela execução política de garantia do direito à convivência familiar, os quais deverão apresentar relatório minucioso (ECA 46 § 4).
A adoção é irreversível, uma vez feita a adoção não poderá mais ser extinta, assim sendo, a criança ao ser adotada entra definitivamente para a família tendo seus direitos equiparados com os outros filhos dos pais adotivos.225
O vínculo da adoção se estabelece por sentença judicial, tem eficácia constitutiva e produz efeitos a partir do seu trânsito em julgado. Existe uma
221 DINIZ, Maria Helena. Curso de direito civil brasileiro: direito de família. p. 426.
222 DIAS, Maria Berenice. Manual de direito das famílias. p. 476.
223 DIAS, Maria Berenice. Manual de direito das famílias. p. 484.
224 DIAS, Maria Berenice. Manual de direito das famílias. p. 492.
225 DINIZ, Maria Helena. Curso de direito civil brasileiro: direito de família. p. 429.
exceção, a qual seja, se ocorrer o falecimento do adotante no curso do processo da adoção, desta forma a sentença terá efeito retroativo à data do óbito, desde que já tenha tido inequívoca manifestação de vontade.226
A sentença é averbada, mediante mandado judicial, no registro civil, sem qualquer referência à origem do ato (LRP 102 3.). É tal o interesse em que a natureza e o vínculo não seja revelada que da inscrição no registro de nascimento do adotado não deve constar nenhuma observação, sendo vedado o fornecimento de certidão (ECA 47).227
Em face da adoção, a alteração no sobrenome do adotado é obrigatória. Constará no registro de nascimento os adotantes como pais e seus avós como ascendentes.228
Nota-se que o instituto adoção sofreu por diversas modificações, e que antes de qualquer coisa atenta-se o que será o melhor para a criança a ser adotada, aquela que não foi atendida no seio da sua família biológica.
Verifica-se que com há uma prioridade constitucional voltada à priorização do interesse da criança e do adolescente. Desta forma é conferido a eles o direito fundamental a convivência familiar.
Busca-se na adoção atender o melhor interesse da criança, instrumentalizá-la ao exercício dos direitos fundamentais inerentes a ela. Pois a função convivência familiar é onde se busca efetivar o conteúdo do poder familiar, busca-se dar o afeto a esta criança até então marginalizada.
3.3 A FUNÇÃO DO INSTITUTO ADOÇÃO E O PRINCÍPIO DO MELHOR