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R EPARAÇÃO INTEGRAL DO D ANO A MBIENTAL

No documento UNIVERSIDADE DO VALE DO ITAJAÍ – UNIVALI (páginas 70-78)

O dano deve ser reparado integralmente, o mais aproximadamente possível, pela necessidade de uma compensação ampla da lesão sofrida. Não obstante, há imensa dificuldade em se apurar o ressarcimento do dano ambiental, devido às barreiras na avaliação econômica do bem ambiental e na sua difícil reposição.124

O pressuposto de reparação integral deriva da hipótese de que o agente é obrigado a reparar todo o dano, sob pena de redundar em impunidade. Por outro lado, o agente não deve compensar além do dano causado, pois à vitimas não e facultado o enriquecimento indevido não deve exceder ou exorbitar ao prejuízo sofrido e, sim, ressarcir dano produzido em conseqüência do fato danoso.125

A reparabilidade integral do dano ambiental é decorrente d art. 225 §3°, da Constituição da República Federativa do Brasil126, e do art. 14 §1°

da Lei 6.938 de 1981127, que não restringiram a extensão da reparação. No que

123 LEITE, José Rubens Morato. DANO AMBIENTAL: do individual ao coletivo extrapatrimonial. 2° Ed. São Paulo, Editora Revista dos Tribunais LTDA. 2003. p. 215.

124 LEITE, José Rubens Morato. DANO AMBIENTAL: do individual ao coletivo extrapatrimonial. 2° Ed. São Paulo, Editora Revista dos Tribunais LTDA. 2003. p. 224.

125 LEITE, José Rubens Morato. DANO AMBIENTAL: do individual ao coletivo extrapatrimonial. 2° Ed. São Paulo, Editora Revista dos Tribunais LTDA. 2003. p. 224.

126 BRASIL. Constituição (1988), Art. 225, §3°. Constituição da República Federativa do Brasil, Brasília, DF: Senado, 1988.

127 BRASIL, Lei 6.938, de 31 de Agosto de 1981. Dispõe sobre a Política Nacional do Meio Ambiente, seus fins e mecanismos de formulação e aplicação, e dá outras providências.

concerne à responsabilidade civil por dano ambiental, a reparabilidade é integral, levando em conta o risco criado pela conduta perigosa do agente, impondo-se ao mesmo um dever-agir preventivo, como meio de se eximir da reparabilidade integral do eventual dano causado.128

A reparabilidade integral do dano ambiental pode implicar reparação superior à capacidade financeira do degradador. Todavia, a eventual aniquilação da capacidade econômica do agente não contradiz o princípio da reparação integral, pois este assumiu o risco de sua atividade e todos os ônus inerentes a esta.129

Tal dificuldade financeira faz levantar a conveniência da adoção de seguros, como mecanismo auxiliar no ressarcimento integral do dano ambiental. No direito ambiental internacional existem regras de adoção de seguros como mecanismos de assegurar o ressarcimento do dano ambiental.

Deste modo, o seguro de responsabilidade civil viria assegurar o efetivo cumprimento da obrigação do agente.130

Não obstante a retórica da argumentação. Acredita-se que o seguro de responsabilização é um mecanismo de restrição a reparabilidade integral do dano ambiental e caberá espaço a um sério de condicionamentos para compensação do meio ambiente, impostos pelas restituições das seguradoras.131

Talvez um mecanismo alternativo ao seguro seja a exigência de outras garantias da empresa produtora, como um depósito ou fianças prestação pela mesma, com a finalidade de responder por eventuais reparações

128 LEITE, José Rubens Morato. DANO AMBIENTAL: do individual ao coletivo extrapatrimonial. 2° Ed. São Paulo, Editora Revista dos Tribunais LTDA. 2003. p. 224.

129 LEITE, José Rubens Morato. DANO AMBIENTAL: do individual ao coletivo extrapatrimonial. 2° Ed. São Paulo, Editora Revista dos Tribunais LTDA. 2003. p. 224.

130 LEITE, José Rubens Morato. DANO AMBIENTAL: do individual ao coletivo extrapatrimonial. 2° Ed. São Paulo, Editora Revista dos Tribunais LTDA. 2003. p. 225.

131 LEITE, José Rubens Morato. DANO AMBIENTAL: do individual ao coletivo extrapatrimonial. 2° Ed. São Paulo, Editora Revista dos Tribunais LTDA. 2003. p. 225.

dos danos ambientais. Uma segunda ilustração seria a implementação de uma legislação ambiental mais severa, no que concerne à responsabilização dos sócios de uma sociedade jurídica, impondo-lhes não só obrigação limitadas ao capital social, mas, também, que estes deveriam responder integralmente frente a terceiros, a titulo pessoal, isto é, com o seu patrimônio pessoal.132

Por ultimo, é importante ressaltar que aqueles que exercem atividades econômicas de risco se sujeitam ao principio da defesa do meio ambiente, conforme estabelece o art. 170, inciso IV, da Constituição da República Federativa do Brasil, e devem responder integralmente perante a sociedade pelos danos provocados.133

132 LEITE, José Rubens Morato. DANO AMBIENTAL: do individual ao coletivo extrapatrimonial. 2° Ed. São Paulo, Editora Revista dos Tribunais LTDA. 2003. p. 225.

133 LEITE, José Rubens Morato. DANO AMBIENTAL: do individual ao coletivo extrapatrimonial. 2° Ed. São Paulo, Editora Revista dos Tribunais LTDA. 2003. p. 225.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

O presente trabalho de Monografia teve como escopo destacar a Responsabilidade Civil Ambiental e sua Reparação.

Dentre o objetivo que se lançou a analisar, qual seja identificar os elementos caracterizadores a responsabilidade civil por danos causados ao meio ambiente e sua respectiva reparação, em virtude da vasta gama de ameaças advindas do desenvolvimento mal planejado, das ações pouco fiscalizadas e da falta de consciência a respeito, diante da sociedade de risco atual, dividiu-se o trabalho em três capítulos:

Em seu primeiro capítulo, a intenção maior foi transmitir uma noção inicial a respeito do meio ambiente, bem ambiental e também, apresentar os princípios básicos da questão do dano ambiental, patrimonial e extrapatrional.

Em um segundo capítulo, foi motivo de análise, a relação estabelecida entre a responsabilidade civil e os danos ambientais, verificando como se deu a instituição da responsabilidade objetiva na legislação brasileira.

Contou ainda, o referido capítulo, com uma breve abordagem do princípio do poluidor-pagador.

Finalizou-se o trabalho com o terceiro capítulo voltando-se à reparação do dano em seu caráter essencial para que se alcance o almejado objetivo de evitar ou, pelo menos, retardar efeitos maiores de degradação ambiental. Nesta última parte ainda tiveram lugar a exposição de alguns óbices levantados pelos principais doutrinadores, bem como sucintas sugestões de alternativas e modificações, que se julgadas cabíveis, podem reduzir as conseqüências dos obstáculos apresentados.

As três perguntas levantadas no início deste trabalho, restaram ao final confirmadas:

 Todos são responsáveis pelo meio ambiente, sujeitos de direitos e obrigações, ou seja, temos o direito e o dever de preservar meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao Poder Público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para os presentes e futuras gerações.

 A responsabilidade civil pela reparação do dano ambiental é objetiva e baseada na teoria do risco integral. Quem exerce atividades suscetíveis de causar danos ao ambiente sujeita- se à reparação do prejuízo, independentemente de ter agido ou não com culpa.

 A reparação de um dano ambiental ocorrido deve ser sempre o objetivo principal a ser buscado. A recomposição do dano ambiental não redunda na irreparabilidade do mesmo. A sociedade tem a seu lado os mecanismos jurisdicionais de reparação como a recuperação, recomposição e substituição do bem ambiental lesado.

Desta forma ao final há de se evidenciar que a flagrante crise ambiental que se encontra a sociedade de risco, na qual não obstante está inserido neste contexto, os danos ambientais causados pelas diversas atividades de empresas e até mesmo do homem, sem valorizar o meio ambiente, sem pensar na presente e futuras gerações.

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