De acordo com minha análise, o ponto de conexão fundamental das dificuldades de conclusão da escolarização de ambos os públicos, que cumpre e que não cumpre MSE, parece residir no fato de possuírem o mesmo perfil socioeconômico. Durante vários momentos, os interlocutores declararam que as questões a serem discutidas a respeito da desinserção escolar desses públicos estão intimamente relacionadas com o fato de serem oriundos das classes populares. Entretanto, poucas menções foram realizadas sobre a raça nesse perfil, como adiantado no capítulo anterior.
Enquanto todos os entrevistados identificaram o perfil dos estudantes que abandonam a escola, incluindo os que cumprem MSE, como jovens pobres ou com categorias equivalentes (das classes populares, com perfil socioeconômico baixo, de baixa renda ou mais carentes) e uma parte
identificou predominância do sexo masculino, apenas três entrevistados mencionaram ser possível identificar um perfil racial predominante – o negro.
Cabe ressaltar que dois dos entrevistados que destacaram a dimensão racial como um dos marcadores desse perfil afirmaram que sabiam disso porque foram informados em suas formações.
Um deles disse que tomou conhecimento de dados em pesquisas sobre o tema e que depois disso passou a relacioná-los com sua experiência docente. Essa interlocução entre teoria e prática na compreensão da questão racial foi explicitada em dois momentos pela outra interlocutora que, além de dizer que existe um perfil racial predominante, também disse que somente depois do acesso aos debates realizados em sua formação continuada pode entender o porquê da existência de tantos estudantes negros compondo as turmas com distorção idade-série, algo que, no início da carreira, não conseguia perceber.
Em algumas entrevistas a questão racial foi mencionada de outras formas. Um dos professores me fez uma pergunta, em tom de confirmação, questionando se os adolescentes cumprindo MSE de internação no DEGASE eram majoritariamente negros, identificando uma seletividade racial no sistema socioeducativo. Uma das professoras, quando perguntei se a escola poderia se relacionar de forma diferente com os estudantes que cumprem MSE, fez uma das várias aproximações realizadas durante as entrevistas com a ideia de “aluno-problema”, aquele estudante considerado indesejável ao espaço escolar, e que uma dessas características, de acordo com ela, era ser negro:
Mariana: A escola pode se relacionar diferente com esse tipo de estudante [que cumpre MSE]?
Gabriela: (...) se você puder, quantas vezes eu já vi professor assim, o aluno levantou, olhou para o lado e já foi motivo para ser expulso, porque era tudo o que o professor queria, tudo o que ele precisava pra não ter aquela figura na sala de aula. Então há uma resistência, e aí você está falando de um perfil de aluno, e ai vamos falar de fenótipo mesmo, ele é socialmente, em questões de territorialidade como o cara da comunidade, em questão de etnia, ele é o negro, então ele só vai somando uma série de fatores que vão fazendo com que ele está fora, não quero ele aqui. Ele é o que está na margem, o marginal. E eu vou marginalizar mais ainda. É um espaço também de inclusão, mas que passa a ser um espaço de exclusão.
Apesar de a questão racial ter sido mencionada por outros professores, essa interlocutora foi a única que ponderou a raça como fator que pode fazer diferença na relação entre professor e aluno.
Afirmou que ser negro pode ser uma das características – como também ser morador de comunidade – que tornam esse estudante indesejável ao espaço escolar. Enquanto os demais professores disseram que a raça é importante no perfil do estudante que abandona a escola, Gabriela deslocou a análise das condicionantes socioeconômicas que colocam a população negra em posição de desvantagem para concluir sua escolarização, para o campo das relações no espaço escolar, da agência do profissional que lida com esse estudante e pode se relacionar de forma distinta, por exemplo, o “expulsando de sala de aula” de forma que considera injusta. O segundo ponto é que essa foi a única professora que identifico como de cor preta entre os entrevistados. Sua perspectiva nas relações raciais
provavelmente contribui para a percepção sobre esse fator não considerado pelos outros professores não pretos.
Sobre essas percepções acerca da dimensão racial por parte dos entrevistados gostaria de discutir alguns pontos. As pesquisas apontam que os adolescentes negros são sobrerepresentados tanto nos dados sobre abandono escolar como no perfil dos estudantes que cumprem MSE, como demonstrado no primeiro capítulo, evidenciando uma disparidade racial significativa. Portanto, os professores que citaram o marcador racial no perfil dos estudantes que não concluíram a escola básica estão alinhados com a discussão teórica e certos resultados empíricos.
Julgo relevante o fato de a maioria dos professores entrevistados não considerarem a cor/raça como significativa a ponto de ser mencionada quando perguntados sobre o perfil, apesar da classe social ter sido considerada em todas as entrevistas de maneira muito explícita. Vinuto (2019) em sua pesquisa com os agentes de segurança no sistema socioeducativo (uma das categorias de profissionais responsáveis pela execução das MSE, a mais vinculada à segurança nas unidades) também percebe que seus entrevistados não falam espontaneamente sobre a raça dos adolescentes que cumprem MSE de internação que, como mencionado, eram majoritariamente negros. Mas, quando ela pergunta se os agentes não percebem uma maior quantidade de adolescentes negros internados, eles destacam a desigualdade social, pois além de negros os adolescentes são pobres, e essa seria a variável realmente importante para explicar a situação.
A autora compreende que os agentes aceitam a existência de seletividade do sistema de justiça juvenil, mas consideram que esta não é baseada na raça, mas exclusivamente na condição socioeconômica ou na classe social do adolescente. De acordo com ela, existe uma “negação da existência do racismo em prol do reconhecimento do preconceito de classe” (VINUTO, 2019, p. 253).
Por mais que o cenário pesquisado pela autora seja diferente do meu, e que eu não tenha pedido explicitamente para os interlocutores falarem sobre raça, tal como Vinuto (2019) fez, creio que é possível traçar aproximações. Não no sentido de uma negação da existência do racismo, que eu não aferi com meus interlocutores, mas em uma percepção muito mais nítida da relação entre desinserção escolar e a classe (e com gênero também) do que com a raça. Em uma das entrevistas em que a raça foi considerada como componente desse perfil é possível perceber que essa foi de alguma forma compreendida como incluída na questão de classe:
Rosa: Por exemplo, quando eu entrei na docência eu me surpreendi assim com a minha primeira turma era basicamente de pessoas negras, mas eu não tinha essa compreensão de que aquilo era uma situação de exclusão social. Quer dizer, eram turmas com anos de reprovação. E aí, quando você ia ver, quem estava nessas turmas? Eram turmas de pessoas com menor poder aquisitivo, que já estavam na escola pública, nessa época já tinha o processo de saída das pessoas de classe média e chegada da classe popular,74 e o que
74 A entrevistada menciona o processo de entrada das classes populares na escola pública e que, não por coincidência, é concomitante à saída das classes médias para a rede privada, algo detalhado de maneira muito interessante na pesquisa de Peregrino (2009).
chegava para mim, sem ainda ter essa compreensão. Eu só fui ter essa compreensão a partir da formação, em que eu fui entendendo que aquilo não era um acaso e que não era uma situação que eles não queriam estudar, que eles eram preguiçosos. Mas era resultado de um processo da própria sociedade. E aí qual era o meu papel como professora naquele contexto.
(...)
Mariana: Você consegue identificar um perfil mais comum de quem abandona a escola?
Rosa: É né, eu vejo isso... eles [meninos] saem mais... eles compõem a família e acabam sendo responsáveis pela manutenção, trabalham mais cedo né, eu acho que é isso. Tem um corte sim...de etnia aí, eu acho que quem abandona mais realmente é… o… grupo... dos negros, acho que isso foi falado também para mim.
Mariana: Isso aparece nos dados com nitidez.
Rosa: É, quando você pega uma escola pública, como eu disse, é classe popular e a classe popular é formada na maioria de pessoas negras. Mas por exemplo a Pereira, por ser uma escola em horário integral, ela já é uma escola assim que tem uma... diversidade muito grande, ela tem essa diversidade dentro da escola ligada a etnia né, brancos, negros e pardos, você tem muitos migrantes nordestinos, você tem dessa mistura lá. E aí você vê que as famílias menos estruturadas são aquelas que muitas vezes… O abandono existe, agora lá na Pereira a evasão é praticamente zero, os motivos são ligados praticamente a gravidez lá na Pereira.
A entrevista de Rosa traz sua experiência com turmas com muitas reprovações, e sua composição racial predominantemente negra. Ela afirma que já foi informada que o abandono escolar é maior entre os estudantes negros, associando ao fato de ser uma situação de exclusão social e as classes populares serem de maioria negra. Entretanto, logo em seguida estabelece algum tipo de comparação com a escola em que trabalha atualmente, uma escola municipal considerada de prestígio e experimental – com um currículo diferenciado, sendo bilíngue75 e em horário integral –, na qual percebe uma composição racial mais homogênea, o que parece indicar que apesar da classe social, os estudantes dessa escola pública de prestígio não são de maioria negra e também abandonam menos a escola.
Proponho que a inobservância da questão racial na maioria das entrevistas, ou uma possível incorporação dessa à questão de classe, tenha relação com a ausência dessas discussões nas formações dos professores. Arrisco a hipótese de que nas licenciaturas em geral existe uma presença maior da discussão sobre classe social em comparação com a discussão sobre raça, ainda incipiente, apesar de mais presente atualmente. Para tal ideia me amparo em minha própria formação76 e também no fato
75 A rede municipal do Rio de Janeiro conta com 25 escolas bilíngues. Coadunando com o que Rosa fala na entrevista, sobre o abandono escolar na sua escola ser “quase zero”, uma assessora de planejamento da Secretaria Municipal de Educação falou em entrevista que um dos pontos positivos da experiência dessas escolas é justamente a redução da evasão escolar, como aparece na matéria da MultiRio, de julho de 2018, disponível no link:
www.multirio.rj.gov.br/index.php/leia/reportagens-artigos/reportagens/14064-escolas-bil%C3%ADngues-na-rede- p%C3%BAblica-municipal-de-ensino acessada em 04/01/2021.
76 Me permito trazer minha própria experiência pois, além de recente, o que indica uma formação mais contemporânea do que a dos entrevistados, cursei duas licenciaturas distintas em duas universidades diferentes, uma em Ciências Sociais na Universidade Federal Fluminense e uma em Pedagogia na Universidade do Estado do Rio de Janeiro.
Durante a formação na licenciatura em Ciências Sociais (de 2013 até 2018) a questão racial apareceu de forma muito sutil, diluída em algumas disciplinas da licenciatura. Na minha licenciatura em Pedagogia (2019 e em andamento), cursei uma disciplina eletiva sobre relações étnico-raciais e, exceto essa, muito pouco do curso foi discutido a partir de uma perspectiva racializada. Em compensação, os debates sobre educação pensada para as classes populares e escola pública esteve presente em boa parte da formação.
de ser possível perceber no discurso sobre a formação desses profissionais da educação uma tradição mais orientada pelo marxismo que, em uma perspectiva ortodoxa, defende a primazia da questão de classe, ignorando as intersecções entre as opressões. Nesse registro, a raça poderia ser considerada um epifenômeno.77
A ausência do debate sobre as relações étnico-raciais na formação de professores é constatável a partir das discussões em torno da implementação das leis conquistadas que buscam justamente reparar essa ausência, as leis 10.639/03 e 11.645/08, que alteram a LDB/96, incluindo nos currículos oficiais das redes de ensino a obrigatoriedade das temáticas “História e Cultura Afro-Brasileira e Indígena”. As pesquisas que se dedicam a essa implementação afirmam que não há uma uniformidade nos sistemas de ensino e nas escolas, sendo um contexto ainda marcado por tensões, avanços e limites (GOMES E JESUS, 2013; ALMEIDA E SANCHEZ, 2017). Além disso, as licenciaturas e cursos de formação continuada, que devem preparar os profissionais para atender aos requisitos da lei, em geral ainda não o faziam adequadamente (MÜLLHER E COELHO, 2013; LOPES, 2016; SOUZA, 2009).
Silva e Marques (2015) em sua pesquisa sobre as relações étnico-raciais no espaço escolar, percebem que, a despeito dos docentes identificarem os objetivos da Lei 10.639/03, eles não reconhecem ou ignoram a presença do preconceito e da discriminação racial no espaço escolar.
Durante minha pesquisa, apenas uma professora entrevistada dimensionou as relações entre professor e estudantes a partir de uma perspectiva racializada, identificando possíveis prejuízos aos estudantes negros, justamente a professora que identifico como de cor preta. Toda outra menção à desigualdades racial se deu no campo externo à escola.
Julgo que além da ausência desses temas na formação dos professores, e também como consequência, podemos relacionar essa inobservância da cor no perfil dos estudantes que sofrem processos de desinserção escolar à ideia de raça que se construiu no Brasil desde os tempos coloniais.
Como destacaram Gomes e Laborne (2018), raça e racismo se tornaram ideias e práticas ainda mais complexas após a abolição da escravatura, possibilitando a política de branqueamento. Poderíamos pensar em nossa formação nacional e em como o mito da democracia racial pode contribuir para esse processo de invisibilização da questão racial e suas especificidades com relação à questão de classe.
Sobre essa não observância das relações raciais intraescolares, é essencial lembrar que a maioria dos professores entrevistados são brancos, o que é, por sua vez, proporcional à composição racial da profissão docente no Brasil. Como relatado no capítulo anterior, existe uma maioria de professores brancos desproporcional em relação ao alunado das redes públicas de ensino, que possui uma maioria não branca.
77 Gostaria de ressaltar que existem discussões de teóricos marxistas que criticam a primazia da classe e contemplam as intersecções, por exemplo, entre classe, gênero e raça, como Angela Davis ([1981] 2016).
Como a branquitude é o lugar mais elevado da hierarquia racial, sendo os brancos proprietários de privilégios raciais simbólicos, inclusive no espaço escolar, podemos propor que essa sobrerrepresentação branca, tanto na profissão como no campo acadêmico que forma esses professores, produz interpretações pouco racializadas das problemáticas e questões educacionais no Brasil. Tanto por uma não percepção do enquadramento racial – “o silêncio, a omissão ou a distorção que há em torno do lugar que o branco ocupou e ocupa, de fato, nas relações raciais brasileiras”
(BENTO, 2002) –, quanto por um não interesse do questionamento da violência racial que garante seus privilégios (OLIVEIRA, 2020) – um certo acordo tácito entre os brancos de não se reconhecerem como parte da desigualdade racial brasileira (BENTO, 2002).
Além da ignorância e do medo, mas relacionados com eles, percebi um certo “desconforto”
dos professores ao falarem sobre raça nas entrevistas. Como percebi nos que “mediram as palavras”
ou demoraram para encontrar as palavras para falarem sobre o assunto. Isso pode ser um elemento importante para pensar na possibilidade de existirem professores que não ignoram o marcador racial mas optam por não abordar o tema. Alguns interlocutores podem ter pensado em trazer marcadores ou análises racializadas, mas julgam que racializar a análise pode ser uma demonstração de racismo;
ou por receio de abordar o tema de maneira equivocada por falta de aprofundamento ou simplesmente por não reconhecerem a disparidade racial como um problema.
Vieira (2018) examinou em que medida similaridade ou discrepância racial entre professores e alunos nas turmas das escolas públicas brasileiras influenciava as expectativas dos docentes, a partir dos dados da Prova Brasil 2013. Sua principal conclusão foi que, corroborando estudos de outros países, a similaridade racial entre professores e turmas de alunos negros está associada à maior expectativa docente, principalmente no que se refere à conclusão do Ensino Fundamental e entrada na universidade.
O autor (VIEIRA, 2018) aponta evidências positivas sobre o que chama de “match racial”, no qual professores negros têm expectativas significativamente maiores para as turmas de maioria negra, em comparação com os professores não negros. Essa diferença foi reforçada quando as turmas eram lecionadas por professoras negras. Os resultados também são relevantes para discutir como expectativas enviesadas afetam tomadas de decisão e resultados dos alunos, assim como achados de que os professores exercem influência crucial sobre as crenças dos estudantes, em particular dos mais pobres, a respeito das próprias chances de sucesso.
Interpreto que a análise sobre as relações raciais por parte dos interlocutores está alinhada com a perspectiva hipersociológica que predominou nas análises. Além da raça ser pouco presente, a desigualdade racial é mais facilmente reconhecida como um problema social externo à escola, vinculada à desigualdade de renda, mas que pode ser percebido na escola pois esta reproduz a estrutura social. Assim, o racismo e a produção de desigualdade racial foram menos reconhecidos nas
dinâmicas internas das escolas. Isto é, quase não se falou sobre como a instituição escola e os agentes escolares atuam na produção da desigualdade racial.
O problema de percepções sobre um perfil apenas de classe na desinserção escolar, ou de outras problemáticas educacionais, desconsiderando marcadores raciais - ou quando a raça aparece apenas diluída dentro da questão econômica -, está no desconhecimento e na invisibilização das desigualdades raciais produzidas dentro da escola e sobre as trajetórias escolares e, consequentemente, a não atenção à essa questão. Almeida (2019) chama a atenção para o racismo que as instituições, como a escola, expressam, o racismo institucional, ser justamente a materialização da estrutura social que tem o racismo como um de seus componentes orgânicos, o racismo estrutural.
Segundo Vinuto (2019), a discussão sobre racismo institucional têm fornecido elementos para aprofundarmos nossas compreensões sobre a produção estrutural da desigualdade racial e os efeitos do tratamento diferenciado entre indivíduos no interior de organizações em razão de sua raça.
Esse tratamento diferenciado de estudantes a partir da classificação racial e os impactos do racismo dentro da escola são há tempos discutidos pela literatura, desde o seminal trabalho de Virgínia Bicudo (1955) e permanecem nas pesquisas de autores contemporâneos (GOMES 2003, 2010 E 2019;
CARVALHO, 2004 E 2005). Njeri, por exemplo, afirma que “a escola é, ainda hoje, uma experiência traumática na vida das pessoas que não se adequam ao padrão ocidental de humanidade” (NJERI, 2019, p. 5). Pois, de acordo com ela, introduz valores opressores e desumanizadores na forma de ser e estar de crianças não-brancas.
A escola é um dos primeiros lugares – senão o primeiro lugar – em que crianças não- brancas são diretamente expostas a essa realidade, informando-lhes constantemente qual é seu nível de humanidade, ao mesmo tempo em que deprecia sua história, sociedade, espiritualidade e, ancestralidade, ciência e tecnologia. (NJERI, 2019, p. 5)
Como diz a autora, logo na primeira infância o conhecimento psico-cognitivo e social é introduzido em uma perspectiva eurocêntrica, que reproduz lugares comuns depreciadores e conceitos de humanidade que não abarcam essas crianças não-brancas. A autora chama atenção então para a necessidade de construir uma educação antirracista que propõe, justamente, repensar os caminhos educacionais que tomamos no Brasil a partir de perspectivas plurais, que tensionem a hegemonia universalizante imposta pelo ocidente (NJERI, 2019).