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RACIONALIDADE SUBSTANTIVA

No documento diego de souza nunes - Univali (páginas 37-41)

2.3 RACIONALIDADE

2.3.2 RACIONALIDADE SUBSTANTIVA

Com base nos estudos de Ramos (1989), Serva estudou organizações substantivas para enriquecer o tema de racionalidade. Ele afirma que para Ramos tal teoria apresentaria a razão substantiva como a sua principal categoria de análise e teria a ética como a sua disciplina preponderante sobre qualquer outra que venha a abordar a vida social. Assim, a racionalidade substantiva seria um atributo natural do ser humano que reside na psique. Por meio dela, os indivíduos poderiam conduzir a sua vida pessoal na direção da autorealização, contrabalançando com o alcance da satisfação social, ou seja, levando em conta também o

direito dos outros indivíduos de fazê-lo. As chaves para este equilíbrio seriam o debate racional e, sobretudo, o julgamento ético-valorativo constante nas ações. (SERVA, 1997).

Segundo Ramos (1989), uma abordagem substantiva da teoria organizacional preocupa-se, ordenadamente, com os meios de eliminação de compulsões desnecessárias, perante a obtenção de resultados financeiros, agindo sobre as atividades humanas nas organizações econômicas e nos sistemas sociais em geral, que por sua vez, é conciliado o comportamento administrativo, o qual constitui atividade humana submetida a compulsões operacionais. Contudo, esta abordagem está interessada em meios viáveis de redução de descontentamentos e com o aumento da satisfação pessoal dos membros das organizações econômicas.

Segundo Voltolini (2004), Serva definiu algumas caracterizações que poderiam ser sintetizadas para delinear uma organização substantiva, a qual convém destacar algumas delas: uma organização substantiva poderia ser caracterizada cujo objetivo fosse permitir a auto-realização dos seus membros, constituindo normas estabelecidas por consenso; outra característica seria a realização das atividades, as quais fossem promovidas por vocações, a recompensa básica dos participantes está na realização dos objetivos, em que a maximização da utilidade econômica fosse secundária; dentre outras atividades que se destacam promovendo o bem estar de todos os funcionários.

Com base nas definições delineadas sobre a questão da racionalidade substantiva, ou de valor, é mostrado que esta se relaciona à conduta humana, são sentimentos e atitudes intrínsecos ao ser humano ligados a uma vida moral e justa ligada à ética. É determinada independentemente de suas expectativas de sucesso e não caracteriza nenhuma ação humana interessada na consecução de um resultado subseqüente a ela. A racionalidade substantiva está ligada a razão e conduta social do ser humano, nas organizações está ligada a preocupação social com seus valores éticos e políticas motivacionais, focando os funcionários e sua participação e preocupação com a sociedade e o meio em que está inserida. (RAMOS, 1989).

Considerando os comentários teóricos apresentados sobre a racionalidade, pode-se depreender que o início deste debate sobre a razão tão discutida nas organizações atuais teve como um dos precursores Guerreiro Ramos, que desde então, baseou-se em delinear um consenso entre a razão instrumental e a razão substantiva no campo das ciências humanas, a qual demonstra um mal-estar no campo do comportamento ético e moral. Diante desse contexto, enfatiza-se neste pequeno ensaio sobre racionalidade, que a cultura das organizações

está centrada ainda nos moldes instrumentais, por outro lado há a crescente adesão da necessidade de uma postura substantiva, imposta pelo conceito de razão e da ética.

A questão não é mostrar o aspecto instrumental como o vilão da modernidade ou mostrar a ação substantiva como forma de solucionar tal problema, mas sim apontar o contexto da racionalidade como forma de pensar sociologicamente a razão, a ética e ação social nas estruturas organizacionais.

Neste sentido, analisa-se a racionalidade como uma ferramenta de gestão que a empresa pode delinear as ações a serem tomadas de forma clara, não esquecendo que tal ação pode atingir outros fatores de ordem social. A organização deve estar ciente desta atuação, tendo em seu corpo organizacional uma razão ligada à ética, visando à emancipação do contexto social.

3 ASPECTOS METODOLÓGICOS

Aspectos metodológicos, pesquisa, conhecimento e ciência estão diretamente relacionados. A pesquisa relaciona-se com um procedimento racional e sistemático que tem o objetivo de proporcionar respostas aos problemas que são levantados, o conhecimento ajuda aos pesquisadores a ajuda-los nas questões mais variadas, pois existem várias formas de conhecimento, como o popular, o religioso, o filosófico e o científico. Já a ciência, segundo Lakatos e Marconi (1995), é o único caminho de acesso ao conhecimento e a verdade. Um mesmo objetivo ou fenômeno pode ser matéria de observação tanto para o cientista quanto para um homem comum. O que os diferencia é a forma de observação e o objetivo de estudo.

O método científico é, historicamente, determinado e só pode ser compreendido dessa forma. O método é reflexo das nossas necessidades e possibilidades materiais, ao mesmo tempo em que nelas interfere. Os métodos científicos transformam-se no decorrer da história.

(MARTINS, 1994).

Assim, com base nos autores, a metodologia pode ser entendida como um fator importante para facilitar a comunicação entre pesquisadores, possibilitando a replicação, que é a possibilidade de repetir o estudo como foi feito, ou seja, o estudo deve ser claro e detalhado para que qualquer pessoa possa reproduzi-lo. Assim será possível validar fatos empíricos, baseados na experiência, e conclusões. Então, agora serão expostas as principais características desta pesquisa, com a intenção de esclarecer os procedimentos metodológicos utilizados a fim de identificar a racionalidade adotada na prática da responsabilidade social no SESI – Serviço Social da Indústria.

3.1 Caracterização da pesquisa

Fazer uma pesquisa significa aprender a pôr ordem nas próprias idéias. Não importa tanto o tema escolhido, mas a experiência de trabalho de pesquisa. Trabalhando-se bem não existe tema que seja pouco importante. A pesquisa deve ser entendida como uma ocasião única para fazer alguns exercícios que servirão por toda a vida. O trabalho de pesquisa deve ser instigante, mesmo que o objetivo não pareça ser tão interessante. (GOLDENBERG, 1999).

Perante Godoy (1995), a pesquisa qualitativa parte de questões amplas que vão se aclarando no decorrer da investigação, o estudo qualitativo pode, no entanto, ser conduzido através de diferentes caminhos, como é observado constantemente, existindo três tipos

bastante conhecidos e utilizados de pesquisa qualitativa: a pesquisa documental, o estudo de caso e a etnografia.

O presente estudo caracteriza-se como uma descrição de caso, tendo em vista a realização de uma caracterização abrangente em que são coletados e registrados dados de um caso particular ou de vários casos a fim de organizar um relato ordenado e crítico de uma experiência, ou avaliá-la analiticamente. (CHIZZOTTI, 2005).

Com base no contexto deste estudo, observa-se a tendência dele ser descritivo e predominantemente qualitativo, em que se tem a preocupação em identificar a relação entre a racionalidade no âmbito da responsabilidade social.

Para Godoy (1995), a pesquisa qualitativa é descritiva, a palavra escrita ocupa lugar de destaque nessa abordagem, desempenhando um papel fundamental tanto no processo de obtenção de dados quanto na disseminação dos resultados.

De acordo com Gil (1995), as pesquisas descritivas têm como objetivo a descrição das características de determinada população, esse tipo de pesquisa vai além da simples identificação da existência de relações entre variáveis, pretendendo determinar a natureza dessa relação. Já para Boente e Braga (2004), a pesquisa descritiva lida com um ou mais fenômenos e pode valer-se dos métodos de análise quantitativa e qualitativa. Onde a diferença entre essas é que, o método qualitativo não aborda a base estatística como fundamento ao analisar um problema. Portanto a pesquisa descritiva não compara, ela só aprofunda os fatos ou fenômenos, fala-se em questão da pesquisa e não em hipótese.

No documento diego de souza nunes - Univali (páginas 37-41)

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