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MODALIDADES DE CONCORDATAS

No documento UNIVERSIDADE DO VALE DO ITAJAÍ – UNIVALI (páginas 56-61)

3.1 CONCORDATA

3.1.5 MODALIDADES DE CONCORDATAS

A Exposição de Motivos da LRE fornece uma noção bem objetiva das modalidades de concordata: a concordata preventiva e a concordata suspensiva.

3.1.5.1 CONCORDATA PREVENTIVA

A concordata preventiva tinha por objetivo prevenir ao envez de evitar a falência e só atingia os credores quirografários, pressupondo-se que as demais categorias estariam regularizadas.

O ajuizamento da ação de concordata preventiva, pelo devedor comerciante que não está em condições de responder pontualmente por suas obrigações, tem por fito evitar a decretação da sua falência e pressupõe a intenção de, com dilatação de vencimentos e/ou remissão de débitos, solver seu passivo e permanecer no comércio.

Por trás do favor legal deferido ao bom comerciante, como verdadeiro fundamento do instituto da concordata preventiva, encontra-se o princípio da preservação da empresa, cuja expressão mais saliente é a continuação da atividade negocial sem solução de continuidade.

As modalidades de concordata preventiva eram:

remissória (concordat de remise), que consiste na oferta do devedor, aos credores quirografários, por saldo dos seus créditos, do pagamento de 50%

à vista; dilatória ou moratória (concordat d’aiermolement), que consiste

na dilatação do prazo do pagamento total, onde o comerciante devedor propõe o pagamento de 100% dos seus débitos, no prazo máximo de 24 (vinte e quatro) meses, sendo que 2/5 serão pagos no primeiro ano e mista ou remissória-dilatória, que consiste na prorrogação do prazo para o pagamento e abatimento do valor dos débitos. O devedor oferece aos seus credores, por saldo dos seus créditos, o pagamento de 60%, 75% ou 90%, no prazo de, respectivamente, 6 (seis), 12 (doze) ou 18 (dezoito) meses. No último caso, pelo menos 2/3 do total do débito deverá ser saldado no primeiro ano.

No que pertine com a representação, há a regra do art. 157 da LRE.

Se o devedor comerciante individual falecia, seu espólio era representado pelo inventariante devidamente autorizado pelos herdeiros; se houvesse sido interditado, pelo seu curador.

Para as sociedades, a regra é a representação pelo sócio qualificado para tanto, quer dizer, aquele designado no contrato social. No caso de liquidação, pelo liquidante.

Se anônima, pelos diretores autorizados por deliberação da assembléia de acionistas, acrescentando-se que, consoante o art. 122 da lei nº 6.404/76, na impetração da concordata preventiva pela sociedade anônima, esta poderia ser representada por seus administradores, ou com a concordância do acionista controlador em caso de urgência.

O juízo competente era o do foro do principal estabelecimento do devedor, previsto no art. 7º, precisamente o que será competente para a falência se a concordata for rescindida.

Pressupostos da concordata preventiva:

• a inocorrência dos impedimentos gerais previstos no art. 140;

• o exercício regular do comércio há mais de dois anos;

• possuir ativo livre de valor maior que 50% do passivo quirografário:

• não ser falido ou ter suas obrigações extintas.

Na demonstração da viabilidade da concordata devem ser considerados, pelo menos, a importância social e econômica da atividade empresária no contexto local, regional ou nacional; a mão- de-obra e tecnologia empregadas; o volume do ativo; o volume do passivo quirografário; o tempo de constituição e de funcionamento da empresa e; o faturamento anual e nível de endividamento da empresa.

Quanto ao tempo de constituição e de funcionamento, deveria ser há mais de dois anos, tendo a sua prova através de certidão da Junta Comercial. O intuito da lei era privilegiar quem exercia regularmente a mercancia. Do contrário, como bem pondera ABRÃO48 “surgiram da noite para o dia, como cogumelos, aqueles que se estabeleceram na véspera para, no dia seguinte, sob o beneplácito da lei, propor-se a liquidar os seus débitos na base de cinqüenta por cento”, se for a vista.

48 ABRÃO, Nelson. Curso de direito falimentar, 1997. p.331.

A petição inicial da ação de concordata preventiva devia ser rigorosamente fundamentada, ou seja, o comerciante devedor poderia explicar, detalhada e convincentemente, o seu estado econômico e as razões que justificavam o pedido.

A petição instruída com a prova da inocorrência de impedimentos, além do contrato social devidamente atualizado (com todas as alterações ocorridas desde a sua celebração e registro) e das demonstrações financeiras, sejam as referentes ao último exercício social, sejam aquelas levantadas especialmente para instruir o pedido. Estas deverão conter:

• balanço patrimonial;

• demonstração de lucros ou prejuízos acumulados;

• demonstração do resultado desde último exercício social;

• inventário dos bens.

A relação das dívidas seria a nominação de todos os credores (não se restringindo apenas aos quirografários), com suas qualificações e endereços, bem assim a natureza e o valor dos respectivos créditos.

Com a petição inicial, o devedor apresentava os livros obrigatórios, que eram encerrados por termos assinados pelo juiz, sob a guarda do escrivão, certificando-se nos autos o encerramento.

Se apresentados todos os requisitos, o juiz proferia despacho que determinava o processamento da concordata, publicado em imprensa oficial.

3.1.5.2 CONCORDATA SUSPENSIVA

“A concordata suspensiva emergia do processo de falência em curso. Visava suspendê-lo, removendo seus efeitos finais, como a liquidação do ativo e a cessação do exercício mercantil”.

Sua natureza é a mesma da concordata preventiva.

Trata-se também de um favor legal, na medida em que não dependia do assentimento dos credores, mas de provimento judiciário, uma vez atendidos os pressupostos legais.

No caso da ação de concordata suspensiva, o favor legal ensejava ao falido a possibilidade de pagar os credores. Suspenso o processo de falência, o falido poderia reunir condições, mediante a exploração do seu estabelecimento, para restaurar a sua empresa.

A lei só cogitava duas espécies: remissória e mista. No primeiro caso, ao referir-se à proposta de pagamento à vista de 35% do crédito; no segundo, quando alude ao pagamento de 50% em 2 (dois) anos, pagos pelo menos 2/5 no primeiro ano.

Dois eram os pressupostos do pedido de concordata suspensiva:

• Que o devedor comerciante esteja em regime falimentar;

• Que não tenha sido recebida denuncia ou queixa por crime falimentar.

No caso do primeiro requisito, desnecessária qualquer explicação, porque se a ação de concordata suspensiva dirige-se à suspensão da falência, esta preexiste.

Quanto à segunda condição, há que se observar o enunciado dos arts. 111 a 113 da LRE.

Fala o art. 111 que a concordata é concedida, como favor legal. Não teria o menor sentido ensejá-la ao devedor de má-fé. Se não teve êxito no exercício da mercancia, mas se conduziu com lisura e honestidade, merece o benefício. Caso contrário, não.

Diga-se o mesmo para a hipótese de falência societária, contemplada no parágrafo único do art. 111. o recebimento da denúncia ou da queixa contra diretores, administradores, gerentes ou liquidantes da sociedade falida impede, desde logo, a concessão da concordata.

A rejeição da denuncia ou da queixa, estabelece o art. 113, não impede o exercício da ação penal direta, salvo se o fato narrado evidentemente não constituir crime ou tiver ocorrido a extinção da punibilidade.

O pedido de concordata suspensiva teria que ser feito dentro dos 5 (cinco) dias seguintes ao vencimento do prazo para a entrega, em cartório, do relatório.

No documento UNIVERSIDADE DO VALE DO ITAJAÍ – UNIVALI (páginas 56-61)

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