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REFLETINDO O PROCESSO GRUPAL DAS MULHERES

No documento UNIVERSIDADE DO VALE DO ITAJAÍ - Univali (páginas 37-57)

Percebeu-se a importância de trabalhar com palavras e temas que pertence ao ambiente das mulheres participantes do grupo, de acordo com FREIRE, os temas geradores, que surgem após uma pesquisa prévia do universo das palavras faladas no meio cultural do educando, extraindo os vocábulos de maior possibilidade fonêmica e carga semântica, chamadas assim porque proporcionam a formação de outras. Aprender isso possibilita ao homem excluído do sistema capitalista entendê-lo, pensá-lo, decifrá-lo, decodificá-lo (FREIRE, 1982).

Desta forma a proposta do desenho de uma árvore, atividade do dia a dia das mulheres (plantio, poda, acompanhamento do desenvolvimento), as mulheres conseguiram reportar-se ao início do grupo e considerá-lo uma construção de todas que exigiu e exige empenho e colaboração. Reconheceram a importância de quem continua desde o surgimento do grupo

“fui uma das primeiras, tinha várias, não lembro direito, quem segurou e ainda está aqui no grupo ainda sou eu” (Prócion); a importância da aceitação “o grupo me aceitou e estou até hoje” (Mimosa) e da companhia amiga “a gente está bem acompanhada, quando a gente se encontra é valioso” (Bellatrix).

As mulheres participante do grupo encontraram em suas colegas experiências e vivências parecidas e constituíram um espaço comum com o objetivo de melhorar a qualidade de suas vida e fazer amizades, para a promoção principalmente da saúde mental.

Zimmerman (1997) destaca que o agrupamento caracteriza-se por um conjunto de pessoas que partilha de um mesmo espaço com interesses comuns, podendo tornar-se um grupo. A passagem de um agrupamento a um grupo resulta da transformação de interesses comuns em interesses em comum; isto é, os integrantes de um grupo reúnem-se em torno de uma tarefa e de um objetivo comum ao interesse de todos.

4.2.1 A história contada pelas participantes: como começou o grupo

O grupo das mulheres agricultoras teve início no ano de 2001 com o nome de Estrela Guia. Segundo a assistente social e os coordenadores, as pessoas foram convidadas através do rádio e Agentes Comunitários de Saúde para fazerem parte do grupo. As pessoas participaram e através delas convidavam outras. Como o grupo estava dando certo a procura para participar do grupo aumento consideravelmente, então resolveu-se montar outro grupo cuja o nome era Águia Dourada.

Com o tempo as pessoas que participavam se sentiam melhor em relação ao problema que as trouxeram ao grupo, muitas delas não precisando nem mais usar medicação, acabavam desistindo, dando prioridades para outras tarefas em sua vida. Os dois grupos que existiam Águia Dourada e Estrela Guia uniram-se devido a diminuição das participantes, cujo nome é o atual Grupo Estrela Dourada.

O que se percebe com os relatos das participantes é que o grupo vai além do coleguismo, do ser conhecido, porque conhecem coisas boas e também o sofrimento de cada uma e esse fato de conhecer a história de vida passa a valorizar mais a amizade.

Há também uma cumplicidade, chegar ao ponto de abrir os corações e partilhar os sofrimentos indica que existe algo importante. “Até se pode não falar nada, mas se falar todas escutam e ninguém julga” (estrela).

Essa é a diferença do senso comum, não se fala para outra pessoa o que se no grupo, muitas vezes nem para o marido, irmã, pai, mãe. Comentam tristezas e também alegrias,

“quando alguém tem algo bom que aconteceu diz “hoje eu tenho uma coisa boa para contar” e

quando não está bem “hoje não estou bem aconteceu tal coisa”, mas se sabe que pode acontecer para qualquer um e aqui a pessoa tem apoio de todas” (estrela).

Os depoimentos a seguir demonstram as razões pelas quais as participantes dizem ter entrado no grupo apresentado neste trabalho:

Eu (Sigma) fui convidada por uma pessoa do grupo e até hoje estou aqui estou feliz, graças a esse grupo e a vocês.

Eu entrei no grupo por curiosidade (Alphard).

Eu depois que comecei a participar parei de gastar porque aonde me diziam lá tem um que sabe dar remédio, que sabe benzer eu ia...Depois que fui ao médico em Erechim e descobri que tinha era depressão, aí nem lembro quem me convidou para participar do grupo acho que foi a (Veja), claro tomo remédio, mas daquele tempo para cá, estou muito bem... se fosse contar tudo é uma novela, mas agora... e só se gastava.. (Mimosa).

Você (enfermeira) me ligou lembra (risos)...Aí eu vim para ver, como eu nem sabia como era, gostei muito e cada vez mais, mudou muita coisa, a gente pega exemplos dos outros, porque com os erros e sofrimentos a gente aprende, muitas vezes se pensa que os nossos problemas são piores e vê que o da colega é pior... (Atra).

Após um tempo, fazia parte da coordenação a psicóloga juntamente com a assistente social, que trabalhavam relaxamento. Elas faziam a gente deitar e fechar as vistas e imaginar umas coisas e fazia a gente dormir (Sigma).

O grupo tem sempre uma dimensão de realidade referida a seus membros e uma dimensão mais estrutural, referida à sociedade em que se produz. Ambas as dimensões, a pessoal e a estrutural, estão intrinsecamente ligadas entre si (MARTIN-BARÓ, 1989, p.207).

Eu (Canopus) faz sete anos que faço parte do grupo e fui indicada pela psicóloga, mas teve um tempo que parei... não me sentia bem no meio de tanta gente, o meu problema era muito difícil e eu tinha que ficar sozinha... Mas a hora que eu acordei que a Psicóloga falou comigo e vocês também (se referindo a duas profissionais) minha vida mudou, eu agradeço a Deus, claro que ainda tenho recaído, mas é diferente, sei que não estou sozinha.

As participantes sentem-se parte do grupo e destacam que suas vidas melhoraram depois de participar e receber acolhida neste espaço.

Percebeu-se neste grupo o ponto de partida freireano que se inicia pela busca e investigação acerca do tema gerador, através de situações existenciais e concretas, que se encontram “codificadas” pela realidade, para chegar à “descodificação”: “análise e reconstituição da situação vivida: reflexo, reflexão e abertura de possibilidades concretas de ultrapassagem” (FIORI in FREIRE, 1982. p.05). Ou ainda, uma proposta de reflexão que parte do abstrato até o concreto, uma ida das partes ao todo, sem esquecer de uma volta destes as partes, levando ao reconhecimento do sujeito no objeto, fazendo com que ele perceba a sua situação existencial concreta e a sua historicidade, analisando que o universo que antes era fechado agora se abre a uma nova realidade.

4.2.3 A continuação do grupo: apoio

Segundo alguns relatos das mulheres e a partir da minha vivência o grupo que formávamos tinha como objetivo ser um grupo de apoio, ajudando às pessoas que precisam de alguma forma:

A gente contava e depois todo mundo tentava ajudar e via a melhor forma para resolver o problema. Eu aprendi uma coisa bem interessante, chamo meu filho de manhã com carinho de uma maneira especial. Uma coisa que aprendi no grupo e eu não me dava conta. Nunca mais esqueci e é uma coisa que não sei explicar que aprendi:nunca mais gritei percebi estava errada (Antares).

É começo de mês, tem o grupo e elas vão me ajudar, tem pessoas que já passaram por isso e superaram elas vão me ajudar a superar também (Canopus).

Posso ficar triste, mas eu penso semana que vem tem o grupo (Acamar).

Mesmo que eu chegue e não fale nada, eu já me sinto segura (Antares).

Destaco algumas frases das falas acima: “todo mundo tentava ajudar”, “elas vão me ajudar”, “semana que vem tem o grupo”, eu já me sinto segura”, que significam a solidariedade e a segurança depositadas no grupo de auto ajuda a ponto de buscarem forças para continuar a construir suas vidas, pois tem o apoio do grupo, pois o dia de encontro se aproxima e elas não estão sozinhas.

A institucionalização, ou seja, a definição de um espaço formalizado de um grupo tem como pressuposto a participação de sujeitos sociais, ativos, criativos, transformadores e como

missão o apoio ao desenvolvimento de práticas que fortalecem a constituição desses. Este processo encontra-se estritamente vinculado ao movimento de reflexão crítica, ressignificação e (re)descoberta de outras práticas de educação que acontecem no âmbito dos serviços e dos movimentos populares (MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2007).

Nos próximos relatos percebe-se a necessidade de expressar os sentimentos e de receber ajuda:

Eu, por exemplo, fazia parte do grupo que a psicóloga me indicou, aí desisti, recaí a psicóloga me orientou a retornar para o grupo. Não dei importância e acabei recaindo outra vez, foi aí que conversei com uma companheira (grupo) e ela falou com as profissionais. Voltei e nunca mais deixei, só faltei duas vezes em dois anos...

e fiz de tudo para conseguir chegar a tempo (Acamar).

Aqui é tudo para mim, eu falando assim vocês já captam tudo... Mas foi muito difícil, nossa! Com apoio da família, de vocês, consegui me reerguer, sair da depressão, ainda dá as recaídas, normal... (Canopus).

Eu estou gostando! Meu marido bebe, tem épocas que dá as recaídas e outras levanta e vai... faz parte... Com o grupo consigo lidar melhor com a situação e também com a ajuda dos filhos, quando venho para cá saio mais animada (Sírius).

Estou sempre saindo agora, mas teve uma época da minha vida que eu fiquei anos e anos que nem na igreja eu ia, que fica na frente da minha casa, não gosto nem de lembrar... se emociona (Prócion).

A realidade dos grupos é pertinente à medida que nem todos os autores têm se mostrado unânimes quanto a sua existência. Rodríguez e Hera (1998) fazem um resgate histórico de três movimentos que discutem essa temática. Seguindo o caráter temporal, o primeiro defende a noção de grupo enquanto “mente”, isto é, existe uma grupal independente, possuidora de características e leis próprias e que atua sobre os membros que compõem o grupo. Esta leitura supõe que o mero fato de estarem reunidos configura uma espécie de

“alma coletiva” que induz os sujeitos a sentir, pensar e agir como não fariam separados.

Floyd Allport, em 1924, apresenta uma reação a esta abordagem, pois, segundo este autor, falar em mente, consciência ou alma de grupo era algo sem sentido, uma vez que o grupo era uma ficção que pretendia ultrapassar os comportamentos individuais. Nessa perspectiva, nada havia em um grupo que estivesse além ou acima das ações dos sujeitos.

Rodríguez e Hera (1988) afirmam que esta abordagem permitiu repensar mistificações que eram construídas em torno do grupo, porém propunha uma explicação tão reducionista quanto a anterior, só que no sentido contrário.

As mulheres trazem para o centro do grupo experiências familiares de perdas e dificuldades com o alcoolismo e relatam como conseguem superar:

Quando vi estava com depressão... o grupo foi muito bom para me ajudar...

(Alphard)

Ainda fico pensando no meu filho que faleceu, que saudade de abraçar, faz sete meses que ele faleceu... Eu estou bem melhor, mas sinto muita saudade, penso muito nele ainda, tenho aquela dor,... não tem dor maior do que perder um filho, é triste!

Não passa tão fácil... vou ao cemitério e dá saudade, chega lá não se vê nada... Mas estou bem, não tão bem como eu deveria estar... Meu outro filho fala para mim que é para eu pensar que ele está num lugar muito bom... (Spica).

Perdi minha mãe vocês me ajudaram, perdi meu pai e depois meu genro vocês também me ajudaram, porque não são fáceis as perdas, mas aqui eu me sinto bem, tem que aceitar fazer o que, eu gosto muito do grupo me sinto bem porque é diferente, vocês me entendem e me ajudam a resolver as coisas... (Sigma).

Meu Deus eu sofro com a bebida, mas depois no outro dia tudo fica bem, quando ele está bêbado me chama de cadela ele fala: “tu é uma puta”, dói... me emociono... dói mais uma palavra do que um tapa, Deus do céu o que a gente agüenta... daí deixo ele dormir.Depois no outro dia ele diz que não é verdade, eu gosto dele coitado, amo ele, no outro dia pede desculpas mas depois... tem aquela “maldita” e acontece tudo de novo. É um homem trabalhador, querido... (Sigma).

A minha mãe bebia imagina uma mulher bêbada... Quando ela ficava doente tiravam a bebida e ela ficava brava e dizia que quando ela tomava ficava bem melhor.Tinha vários problemas de saúde... Minha nossa quanta vergonha eu passava...Imagina na cidade ela falava alto, é difícil ver uma mulher bêbada, eu não consigo nem sentir o cheiro da bebida de tanto que daquilo me doeu. Muitas vezes eu saia daqui para conversar com ela contar alguma coisa chegava lá ela bêbada não tinha graça nenhuma (se emociona) ficava triste porque era minha mãe... naquela época eu não sabia que tinha depressão... (Atria).

Como podemos perceber através de alguns depoimentos, as mulheres que se encontram no grupo trazem sofrimentos que são acolhidos e se identificam neste grupo, por isso evidenciam confiança em contar suas condições diárias de vida. Este grupo com o tempo, após entender que são várias as dificuldades, construiu um objetivo comum: melhorar a vida e o dia a dia trazendo mais alegria e compreensão as participantes. E mesmo que as dificuldades não acabem percebe-se que está sendo mais fácil lidar com elas.

Eu vivia com minha cabeça baixa eu não tinha coragem de erguer minha cabeça eu não sorria, era uma pessoa sofrida casei já comecei sofrer, não com o marido, mas com a sogra e eu que cuidei ela até morrer, morreu nos meus braços... mas o grupo me ajudou muito e também a (Canopus) foi a que mais me ajudou (Magalhães).

Eu quando vim morar aqui a minha família era grande.Éramos em 5 aí mataram meu marido ... depois foi saindo um de cada vez, eu fui ficando sozinha, mas agora estou acostumada... (Vega).

Freire (1982, p.112) afirma que o medo da liberdade, impresso ao longo de sua vida, os leva a assumir mecanismos de defesa e, “através de racionalizações, escondem o fundamental, enfatizam o acidental e negam a realidade concreta”. Assim, a tendência é ficar na periferia dos problemas evitando o confronto.

Sabe que eu saia daqui pesada, gostava de vir, mas tinha dias que não estava legal aí parecia que vir no grupo me esgotava... Mas a gente precisava porque era o momento que tinha para falar e colocar tudo o que estava sentindo... Muitas vezes não era meu dia, mas a minha colega falava e eu escutava e acabava falando também, pois aquilo me tocou e acabei falando também... O grupo está em outra fase, mas isto não quer dizer que terá momentos que a gente vai ter que ouvir, chorar se emocionar... Estamos em um momento que já percebemos quando as amigas não estão legais e aí é a hora da gente ajudar, quando chega aqui a gente já sabe quando a amiga não está legal...(Atria).

Antes, desde casa quando acontecia alguma coisa eu entrava em desespero, mas agora claro que me dá um aperto, mas já me controlo e procuro resolver da melhor maneira possível sem me desesperar (Magalhães).

Quando estava mal tinha medo que o meu filho morresse, aí quando ele saia não via a hora que ele chegasse, que coisa mais horrível eu não queria pensar, mas não conseguia... Eu sofri muito... e não conseguia falar para ninguém, guardava para mim (se emociona). E aqui no grupo percebi que podia falar e como fica mais fácil de carregar, minha nossa tirei um peso. Porque muitas vezes a gente não quer preocupar os filhos o marido e acaba guardando e sofrendo (Atria).

As mulheres demonstram a preocupação em deixar o ambiente tranquilo e em paz. Em relação à Educação para a Paz, existe uma reflexão encaminhada por Guimarães, onde, nas últimas décadas, aprofunda-se a construção teórica e busca afastar do modismo e senso comum dizendo que “necessita ser estudada, conhecida, debatida, para que as propostas de educação para a paz, em terras brasileiras, ganhem fôlego e sustentação” (FREIRE, 2005, p.320).

4.1.4 A mudança de vida referida ao grupo

A seguir serão relatados alguns depoimentos a respeito do que aconteceu nas vidas das mulheres depois de participar do grupo, e através das amizades conquistadas no mesmo:

Quando eu vivia triste pelo menos eu, lembro de meu filho chegava à minha frente e dizia para mãe, chega, aí eu xingava, surrava, virava as costas... andava toda escabelada, mal arrumada...agora mudou” (Magalhães).

Eu andava sempre triste escabelada, sempre queria ficar sozinha, não queria ver ninguém na minha frente hoje me sinto muito melhor em tudo, tenho que sempre falar com alguém vizinha em casa e principalmente aqui no grupo (Mimosa)”.

Eu gostava de ficar dentro do quarto, não gostava de sair, nem de receber visita, nem da minha família, os únicos que não perdi o amor foi pelos meus filhos... Agora pelo meu marido, podia ter sumido que eu nem estava aí, nem ia me fazer falta, mas graças a Deus que quando me dava as crises ele nunca me xingou, porque eu acho que eu matava ele de tanta raiva... Hoje me sinto uma pessoa saudável, me sinto bem, não vejo a hora de vir no grupo para rever minhas amigas que amo de paixão...

tive muita ajuda, médico, psicóloga, tomo remédio até hoje, mas me sinto bem...

Outra pessoa... (Acamar).

Minha nossa o grupo me ajudou muito, mas ainda acontece de ir lá em baixo, depois volta, sabe com estas reuniões para mim são maravilhosas, eu adoro o grupo me ajudou eu estava no fundo do poço, uma vez eu fui lá em baixo, tinha só uma luzinha e graças a Deus estou aqui e nenhum remédio estou tomando (Prócion).

Identidades, poder e atividades não são aspectos grupais independentes em cada situação concreta os grupos se encontram imbicados, diretamente ou através de seus membros, gerando identidades grupais parcialmente comuns ou difusas, poderes compartilhados e ações com efeitos múltiplos (MARTIN-BARÓ, 1989).

Já faz anos que eu participo, nunca falhei, estou muito feliz, estou colhendo os frutos que plantei, feliz no meio de todas as minhas amigas. Elas me ajudaram muito, vinha aqui chorava, desabafava, elas me ajudaram muito até com reza, nem sei como que eu consegui chegar até aqui, estou muito feliz (Spica).

Fiquei um ano afastada porque quebrei o tornozelo, estava em função com médicos, fisioterapia. Minha nossa como senti falta do grupo, sempre lembrava ou escutava na rádio do dia do grupo quanta saudade... (Mimosa).

Para Carvalho (2004), o empoderamento grupal ou comunitário inclui a experiência subjetiva do empoderamento psicológico e da realidade objetiva de condições estruturais,

modificadas quando ocorre a redistribuição de alguns recursos, é o que se percebe no grupo, o envolvimento de todas.

Acho que a última pessoa que chorou aqui no grupo foi a (Antares), ela precisa de muita força porque ela está passando por momentos muito difíceis na vida dela e como ela também não é fácil. A gente teria que ligar para ela até porque agora que ela deveria participar ela não está, ela precisa muito de nossa ajuda” (Prócion e Magalhães).

Eu não consigo mais chorar (Atria).

Penso que não choro mais de tanto que já chorei (Magalhães).

Eu é porque me sinto muito mais fortalecida, não sei explicar (Adhara).

A árvore foi crescendo, foi dando frutos, ficaram cicatrizes, mas ainda dão flores. A gente também não pode só pensar, tem que deixar para trás as coisas ruins que aconteceram, agora é só alegria, viver (risos)... (Prócion).

Nós não estamos sozinhas, a gente tem o grupo (Atria).

O que se produz não é para a sobrevivência (necessidade), mas, pelas leis de beleza, criatividade e produção social do conhecimento requerendo elaboração. Isso se dá através da progressiva problematização, processo crítico, que mediante análises e teses, permite, partindo da realidade social comum, concretizar o pensamento que efetiva o fazer e as relações produtivas da realidade social (MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2007).

Olhando para trás tem gente muito pior que nós (Bellatrix).

Temos que olhar para frente e sentir bem do nosso jeito (Sírius).

A educação em saúde tem um papel fundamental, visto que precisa “ouvir o outro”.

As atividades educativas têm de ser planejadas e isso significa que se tem que cuidar de vários aspectos: precisa de tempo, de um parceiro, tem que registrar e tem que se ter domínio técnico sobre o assunto a ser discutido. Para o trabalho educativo nos grupos existe um roteiro a ser seguido; através de um planejamento do trabalho, para pensar como se vai fazer as atividades descritivas; tem que existir um método educativo respondendo como fazer, entender quais são os ingredientes da prática educativa, partindo da realidade do grupo, das pessoas, do paciente.

No documento UNIVERSIDADE DO VALE DO ITAJAÍ - Univali (páginas 37-57)

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