Dissertação apresentada como requisito para obtenção do título de Mestre em Gestão em Saúde e Trabalho, pela Universidade do Vale do Itajaí, UNIVALI. Durante o Mestrado em Saúde da UNIVALI, com a nova perspectiva de Educação em Saúde proposta pelo Ministério da Saúde, que enfatiza a educação popular como forma de trabalho, identifiquei a possibilidade de um trabalho diferenciado e sistematizado com essas mulheres agricultoras, que o iniciaram . com a possibilidade de retratar a história do grupo utilizando os ensinamentos de Paulo Freire e as experiências dos participantes.
A HISTÓRIA DA SAÚDE E DA EDUCAÇÃO EM SAÚDE
O relatório desta conferência culmina com a criação do Sistema Único de Saúde (SUS), proclamado na nova Constituição de 1988 (BRASIL, 1988) e regulamentado em 1990 pelas Leis de Saúde Orgânica (LOS) nº. Foi necessário reconsiderar a visão de educação em saúde implementada pelos profissionais de saúde.
GRUPOS COMO RECURSO NA ESF
Para compreender a diferença entre educação em saúde e promoção da saúde, é necessário esclarecer tais conceitos, mesmo reconhecendo as dificuldades inerentes a tal esclarecimento. Em suma, pode-se dizer que a educação para a saúde é entendida como qualquer combinação de experiências de aprendizagem concebidas com o objectivo de facilitar acções voluntárias conducentes à saúde, enquanto a promoção da saúde é uma combinação de apoio educativo e ambiental que visa alcançar acções e condições que sejam guia de vida. para a saúde (CANDEIAS, 1997). Descobrimos que ao trocar experiências, as pessoas percebem que os problemas são compartilhados e podem ter solução ou serem colocados em perspectiva.
Fica claro, portanto, que o grupo de mulheres possui características do grupo de autoajuda descrito por Zimerman (1997). Segundo Zimerman (1997), um grupo educativo de autoajuda, autoajuda, autossugestão, como também podem ser chamados, é uma alternativa. Afinal, ele tenta ajudar as pessoas a resolverem seus problemas relacionados aos eventos traumáticos decorrentes do evento. de doenças de natureza aguda e especialmente crônica; a transtornos de dependência; As pessoas que fazem parte do grupo são pessoas que estão ali pelos mesmos motivos, buscando ajuda mútua, para superar seu sofrimento, sabem que ali serão compreendidos e nunca julgados.
Rootes e Aanes (apud ZIMERMAN, 1997) conceituam o grupo de autoajuda com base em sete critérios; de apoio mútuo e educação, a liderança vem de dentro do grupo, está relacionada apenas a um único evento perturbador da vida, os membros do grupo participam voluntariamente, não têm interesse financeiro ou lucro, visam o crescimento pessoal dos membros, são anônimos e confidenciais por natureza . Zimerman (1997) observa oito princípios básicos do funcionamento do grupo de autoajuda: experiência compartilhada, educação, autogestão, aceitação da responsabilidade por si mesmo, objetivo único, participação voluntária, acordo sobre mudança pessoal, anonimato e confidencialidade. É importante refletir que os grupos de autoajuda, ao longo do tempo, criam um vínculo muito forte entre os membros e os profissionais, e principalmente respeito, confiança, responsabilidade, amor, carinho e acima de tudo amizade que se concretiza em cada encontro.
AQUESTÃO DE GÊNERO E A MULHER AGRICULTORA
Nesse sentido, entendemos que o método Paulo Freire, que inicialmente consistia em uma proposta de literatura adulta e critica o sistema tradicional com a utilização da cartilha como ferramenta didática central para o ensino da leitura e da escrita, é hoje algo que não é apenas aprender conteúdos, mas também aprender a pensar, ou seja, a problematizar a realidade, para que ocorra a busca constante pela construção do conhecimento. Além de serem discriminadas com base no género e exploradas como classe, as mulheres são socialmente excluídas e sofrem de falta de poder, colocando-as, juntamente com as suas famílias, no limite da sobrevivência. A opressão de género cria assim obstáculos e muitas vezes impossibilita que as mulheres trabalhadoras participem plenamente na vida pública e política nas zonas rurais, nos acampamentos, nos assentamentos rurais e no município em geral.
Esta situação de opressão tem características diferentes quando se trata de mulheres que vivem no meio rural, trabalham e sobrevivem da agricultura familiar. Persiste, portanto, a visão de que seus interesses expressam fielmente os interesses dos demais membros da família e que somente ele decide pela vida de todos (FALCÃO et al., 2007). A solidariedade de género entre as mulheres, segundo Lagarte (1996), não é um processo natural, as mulheres experimentam enormes dificuldades em identificarem-se umas com as outras, porque ainda conservam resquícios do sistema patriarcal dominante, onde reside a sua admiração por aquilo que não são. e pelo que não possuem, na necessidade de poder, muitas vezes tentam identificar-se com os homens, surgindo a rivalidade, advinda da necessidade de aplicação do poder, bem como atribuindo qualidades negativas uns aos outros.
Falcão et al (2007) afirmam que a agricultura familiar foi relegada a segundo plano e até esquecida pelas políticas públicas durante muito tempo. Os recursos foram priorizados para favorecer a grande produção e as grandes propriedades, e a consequência dessa desigualdade teve impacto direto na agricultura familiar e na sua base fundiária, a pequena propriedade, que sobreviveu precariamente em meio a condições competitivas com setores da moderna agricultura brasileira. Trabalhar com um grupo de mulheres dentro da metodologia Paulo Freire pode ajudá-las a perceber criticamente o que caracteriza suas vidas e a refletir que, se quiserem, é possível fazer mudanças.
ABORDAGEM METODOLÓGICA
Inicialmente, propôs-se pesquisar educação em saúde com um grupo que existia há 11 anos na ESF de Cruzaltense/RS. Embora já existisse um grupo que chamamos de “Grupo de Apoio”, após a experiência do Mestrado em Saúde e Gestão do Trabalho e leituras sobre saúde, percebemos que poderíamos abordar isso de uma forma mais sistematizada. Como o grupo já existe há algum tempo, por sugestão da comissão de qualificação, mudaram o tema da educação popular sobre a saúde da mulher para mostrar a história desse grupo.
O grupo continuado é atualmente composto por 12 mulheres agricultoras, casadas, com idades compreendidas entre os 35 e os 73 anos, têm filhos, maioritariamente no quarto ano do ensino primário, residem no campo, para algumas é muito difícil o acesso ao grupo, pois é preciso caminhar vários quilômetros até você pegar o ônibus e chegar ao grupo. Na descrição dos fatos deste trabalho e para preservar a identidade dos participantes das reportagens, foram utilizados os nomes das estrelas em vez dos nomes dos participantes. Quanto aos sujeitos que participaram da pesquisa, pertencem a um grupo de mulheres do município de Cruzaltense/RS, coordenado por uma enfermeira, uma psicóloga e uma assistente social, que existe há onze (11) anos.
PARTICIPAÇÃO DO GRUPO NAS OFICINAS
- Oficina 1: Resgate da Identidade
- Oficina 2: Pensando o Grupo
- Oficina 3: História do Grupo
- Oficina 4: Perspectivas Futuras
Também explicaram como ingressaram no grupo: “Entrei no grupo por curiosidade” (Theta); “Eu também, a psicóloga me contou, mas eu nem sabia o que era, então fui ver como era” (Lota); “O vizinho me convidou, mas eu nunca quis isso. Depois houve um tempo em que eu estava cheio de problemas. Decidi aceitar porque esperava que eles me ajudassem e eles o fizeram.” (Capa); “A estrela perguntou ao grupo se eu poderia fazer parte do grupo porque tive que pedir para eles me aceitarem e aí eles me aceitaram” (Sol). Depois de indicarem quem as convidou para entrar no grupo, as mulheres afirmaram que através do boca a boca convidaram os amigos para entrar no grupo e que “todos tinham um problema: depressão, problemas familiares, nós contámos e depois todos tentaram fazer isso. ajudei e vi o melhor caminho, a melhor forma de resolver o problema” (Delta). Sobre o início do grupo, a integrante do grupo diz: “Se não me engano, começou em 2001, quando a psicóloga (primeira psicóloga) chegou aqui, ela já tinha iniciado o grupo e eu fui um dos primeiros” ( El Nathi).
O desenho incentivou as mulheres a relatarem suas experiências de vida, suas curas, suas melhorias de vida, perspectivas futuras em relação às suas famílias e atividades. Alguns falam sobre sua saúde mental e suas dificuldades para superar a depressão e o desejo de deixar de participar do grupo. Muitas participantes receberam convites de Agentes Comunitários de Saúde e psicólogas, mas a maioria eram vizinhas que aderiram ao grupo, sentiram-se melhor e estenderam o convite a outras mulheres.
Essa ampliação e duração do grupo se deve ao fato de as mulheres se sentirem mais empoderadas, como na fala de uma das participantes sobre o porquê de permanecer no grupo: “Me sinto muito mais empoderada, não sei explicar” ( Shaula ).As conquistas do grupo foram grandes justamente porque foram coisas simples como sair de casa para ir para o grupo sem precisar brigar com os maridos, tomar a iniciativa de fazer rifa para conseguir dinheiro para passear, viajar, fazer curso de informática , pintura, coisas que nunca imaginaram alcançar. O lema foi olhar algumas feitas durante a convivência do grupo e expressar o que lembravam desses momentos.
REFLETINDO O PROCESSO GRUPAL DAS MULHERES
As mulheres que participaram do grupo encontraram experiências semelhantes nos colegas e criaram um espaço comum com o objetivo de melhorar a qualidade de vida e fazer amizades, principalmente para promover a saúde mental. Segundo a assistente social e os coordenadores, as pessoas foram convidadas através da rádio e dos Agentes Comunitários de Saúde para fazerem parte do grupo. Eu (Sigma) fui convidado por alguém do grupo e estou aqui até hoje e estou feliz graças a esse grupo e a você.
Eu (Canopus) faço parte do grupo há sete anos e fui indicada pela psicóloga, mas teve uma época que parei. Os participantes se sentem parte do grupo e ressaltam que suas vidas melhoraram após participarem e serem acolhidos neste espaço. Por exemplo, eu fazia parte do grupo que a psicóloga me recomendou, depois desisti, tive uma recaída e a psicóloga me aconselhou a voltar ao grupo.
Deus, quanta saudade eu sentia do grupo, eu sempre lembrava ou ouvia o dia do grupo na rádio, quanta saudade eu sentia. A primeira vez que vim me senti mal, fiquei com medo, com vergonha, como um peixe fora d'água, aí comecei a me controlar, comecei a melhorar, hoje me sinto muito bem, adoro participar do grupo ( Átrios). Os participantes relatam que hoje chegam à casa do grupo “felizes”, “felizes” e seus familiares percebem que aprenderam ouvindo os colegas, muitas vezes aprendendo com seus erros e também com seus acertos.
Durante as oficinas, foram percebidas mudanças nas falas e nos gestos das agricultoras participantes do grupo. Este tem como objetivo retratar a história do grupo de mulheres agricultoras pertencentes à ESF Cruzaltense/RS que utilizam a metodologia de Paulo Freire.
A História contada pelas participantes: Como Começou o Grupo
A Continuação do Grupo– Apoio
A Mudança de Vida referida ao Grupo
As Conquistas: Os Sonhos Realizados