ante a análise dos fatos.
CPP, ficou com a seguinte redação: “Se o réu estiver preso, será pessoalmente citado.” (grifo nosso).
Significa dizer que o réu será citado por oficial de justiça em cumprimento de mandado de citação, devendo ocorrer também, em documento apartado, notificação de requisição ao responsável pela carceragem para a apresentação do preso na data designada para seu interrogatório.
2. LOCAL DE REALIZAÇÃO DO ATO DO INTERROGATÓRIO: O novel diploma prevê que o interrogatório do acusado preso será realizado como regra nos estabelecimentos prisionais, estando assim redigido o dispositivo:
Art. 185 […] § 1º. O interrogatório do acusado preso será feito no estabelecimento prisional em que se encontrar, em sala própria, desde que estejam garantidas a segurança do juiz e auxiliares, a presença do defensor e a publicidade do ato. Inexistindo a segurança, o interrogatório será feito nos termos do Código de Processo Penal. (grifo nosso).
Observa-se que a nova disciplina determina a realização do interrogatório no presídio e apenas excepcionalmente, no caso de insegurança, deve ser o ato praticado na sede do juízo.
Ocorrem, de fato, situações em que o juiz necessita realizar o ato em local alheio à sala de audiências de seu juízo, como se dá na oitiva de testemunha enferma ou idosa, ou, ainda, na oitiva de autoridade com prerrogativa para indicar hora e local para o ato.
Da mesma forma, quando o magistrado necessita acompanhar a realização de uma reconstituição, deve deslocar-se ao local dos fatos, dentre outras situações excepcionais.
Mas para o interrogatório, como a lei não define de quem é a atribuição pela aferição da segurança, compete ao próprio juiz decidir acerca da realização do ato no estabelecimento prisional ou na sede do próprio juízo, como lhe faculta a norma.
3. DIREITO AO SILÊNCIO: Com o advento da nova lei, o texto atribuído ao artigo 186, do CPP e seu parágrafo único, põe fim a uma prática residualmente existente, de se advertir o acusado de que seu silêncio poderia ser interpretado em prejuízo da própria defesa.
Art. 186. Depois de devidamente qualificado e cientificado do inteiro teor da acusação, o acusado será informado pelo juiz, antes de iniciar o interrogatório, do seu direito de permanecer calado e de não responder perguntas que lhe forem formuladas.
Parágrafo único. O silêncio, que não importará em confissão, não poderá ser interpretado em prejuízo da defesa.
O direito constitucional ao silêncio (art. 5.º, LXIII, CRFB/88) independe deste novo dispositivo para ser viabilizado e não há quaisquer dúvidas sobre a amplitude de sua aplicabilidade.
Neste contexto, é importante lembrar que tal direito somente pode ser exercido em relação ao interrogatório de mérito, nunca no de identificação.
Silenciando o acusado neste momento pratica a contravenção de recusa de dados sobre a própria identidade ou qualificação (art. 68, Lei das Contravenções Penais75).
4. PRENSENÇA DO ADVOGADO: Com a alteração da redação do artigo 185, caput, do CPP, ficou assegurada a presença do Advogado por ocasião do interrogatório, como se vê: “O acusado que comparecer perante a autoridade judiciária, no curso do processo penal, será qualificado e interrogado na presença de seu defensor, constituído ou nomeado”.
Há que se destacar, por oportuno, que a presença do ministério público ou do querelante deve igualmente ser assegurada, sob pena de ser violado o princípio da isonomia processual. Surge, assim, a necessidade de intimação de ambos (acusação e defesa) para o interrogatório, salientando-se, por uma questão lógica, o local onde o mesmo se realizará, haja vista que suas presenças são imprescindíveis à realização do ato.
A ausência do advogado por ocasião da realização do ato, até então considerada sem qualquer relevância, ainda que afetasse significativamente a defesa, passa a ser causa de nulidade absoluta, haja vista a lesão que se perpetra aos princípios constitucionais do contraditório e da ampla defesa, consagrados no artigo 5.º, LV, da CF.
Nesta mesma linha de raciocínio, não se poderá mais ter o interrogatório como um ato privativo do juiz, pois a presença do advogado e do ministério público também é devida.
75 BRASIL, Lei das contravenções penais. Disponível em:
<http://www.planalto.gov.br/CCIVIL/Decreto-Lei/Del3688.htm>. Acesso em: 29 mai. 2009.
É o que se encontra expresso na nova redação do artigo 188, do CPP:
“Após proceder ao interrogatório, o juiz indagará das partes se restou algum fato para ser esclarecido, formulando as perguntas correspondentes se o entender pertinente e relevante”.
Cumpre salientar que, independente da postura adotada, havendo o indeferimento de algum questionamento (ou fato a ser esclarecido), a indagação e a razão do indeferimento devem constar do termo, a fim de que se possibilite posterior questionamento através de uma das vias impugnativas existentes.
5. EXTINÇÃO DO CURADOR AO RÉU MENOR DE 21 ANOS DE IDADE: Preocupou-se o legislador reformista, também, em extinguir a figura do curador ao réu menor.
Previa a antiga redação do artigo 194, do CPP que, “se o acusado for menor, proceder-se-á ao interrogatório na presença de curador”.
Durante a vigência concorrente do CPP e do antigo Código Civil de 1916, deveria o interrogatório daquele que ainda não tivesse 21 anos de idade ser realizada com o acompanhamento de um curador indicado pelo juiz. Interpretava-se, entretanto, à luz da Súmula da jurisprudência do Supremo Tribunal Federal de nº.
352 que “não é nulo o processo penal por falta de nomeação de curador ao réu menor que teve a assistência de defensor dativo”, pois a assistência do defensor supria a ausência do curador.
Todavia, com a edição do novo Código Civil (Lei 10.406/2002), que trouxe a capacidade civil plena para o limite dos 18 anos, coincidindo assim com a maioridade penal, deixou de existir, desde janeiro de 2003, razão para a nomeação de curador.
Assim, por ser inimputável, o menor de 18 anos, jamais estará sujeito a um processo penal, estando, consequentemente, extinta a figura do curador dentro das regras do CPP.
De uma forma ou de outra, a discussão perdeu sentido depois da edição da norma em comento que simplesmente revogou a redação anterior do artigo 194, seja porque o réu sempre estará acompanhado de defensor, seja porque não mais poderá ser chamado de “menor”, a figura do curador foi definitivamente extinta em virtude de faixa etária, restando-a apenas para a hipótese de ausência de capacidade em virtude de se tratar de pessoa portadora de necessidades especiais.
Ressalte-se que o reformista não se preocupou em revogar também a parte final da alínea c, do inciso III, do artigo 564, que prevê que é causa de nulidade a falta de indicação de curador ao réu menor de 21 anos, mas apesar da esta omissão deve-se interpretar tacitamente revogado este dispositivo.
Como ficou demonstrado, o interrogatório, a partir da entrada em vigor da Lei 10.792/03, superou alguns obstáculos até então insuperáveis na prática, que impediam a consolidação de valores notadamente democráticos quando de sua realização e já previstos na Carta Magna de 1988.
Por fim, giza-se que esta reforma não abordou o teleinterrogatório, ou seja, a nova redação do artigo 185, do CPP não permitiu expressamente a sua utilização, mas também não o proibiu.
Assim, diante da evolução tecnológico, foi editada a lei 11.900 de 8 de janeiro de 2009, a qual “Altera dispositivos do Decreto- lei 3.689, de 3 de outubro de 1941- Código de Processo Penal, para prever a possibilidade de realização de interrogatório e outros atos processuais por sistema de videoconferência, e dá outras providências.”
Estas alterações serão esmiuçadas no Capítulo 3 desta pesquisa e para melhor análise e compreensão do interrogatório por sistema de videoconferência, passa-se agora a discorrer acerca de alguns princípios constitucionais mais relacionados ao tema.