Esta pesquisa tem como objetivo investigar a possibilidade de realização de interrogatórios por meio de sistema de videoconferência, introduzida no Código de Processo Penal Brasileiro pela Lei 11.900, de 8 de janeiro de 2009. Portanto, no primeiro capítulo procuramos dar uma ideia preliminar sobre o conceito de prova. , fardo probandi, prova ilegal e ilegítima que também apresenta alguns dos inúmeros tipos de provas consagrados no Código de Processo Penal Brasileiro.
Conceito de Prova, Onus Probandi e Provas Ilícita e Ilegítima
Comentando o tema, Ada Pelegrini Grinover destaca que “Na posição mais sensível às garantias da pessoa humana e, portanto, mais intransigente com os princípios e normas constitucionais, a ilegalidade da obtenção de provas é transmitida às provas derivadas, isto é. portanto, também banido do processo.”15. 233 do Código de Processo Penal, que dispõe que “Não serão aceitas em juízo cartas particulares, interceptadas ou obtidas por via criminosa”.
Meios de Prova
Quanto aos meios de prova, o artigo 332 do Código de Processo Civil19 dispõe o seguinte: “Todos os meios legais, bem como os moralmente legítimos, ainda que não especificados neste código, são capazes de provar a verdade dos fatos sobre os quais o ato ou a defesa” (grifo nosso). Portanto, os meios de prova podem ser tanto aqueles especificados em lei quanto aqueles moralmente legítimos, embora não estipulados no ordenamento jurídico brasileiro.
Prova Testemunhal
Diz respeito especialmente às pessoas que não podem testemunhar (artigo 207.º do ZPP) ou às que não deveriam estar em perigo (artigo 208.º do ZPP). O processo de interrogatório de testemunhas é, em regra, oral, estando a testemunha em contacto direto com o juiz, as partes e os seus representantes, ficando as partes obrigadas a colocar perguntas diretamente à testemunha (artigo 212.º do CPP).
Prova Documental
O artigo 236.º do CPP sublinha que “os documentos em língua estrangeira serão, sem prejuízo da sua inclusão imediata, traduzidos, se necessário, por tradutor público ou, na sua falta, por pessoa idónea designada pela autoridade”. Aliás, Guilherme Souza Nucci menciona que um motivo relevante para manter o documento nos autos seria quando ele é comprovante.
Prova Material/Pericial
É necessário ressaltar que “a investigação do corpus delicti pode ser realizada em qualquer dia e a qualquer hora” (art. 161 do CPP). As perícias previstas na Lei de Processo Penal são muitas e de natureza diversa: exame do corpo de delito, exame necroscópico, exumação, exame de lesões corporais, exames laboratoriais, de instrumentos de direito penal, etc.
Breve Histórico
O interrogatório como meio de defesa revelou-se inútil, uma vez que se destinava apenas a provar os factos. No entanto, a introdução deste sistema não destruiu imediatamente a ideia de considerar o interrogatório como um meio de obter uma confissão.
Conceito e Natureza Jurídica
Para alguns o interrogatório é um meio de prova, para outros é um meio de defesa, e ainda há quem afirme que tem uma natureza mista, ou seja, meio de defesa e prova. Sem dúvida, é uma ferramenta probatória, tanto que seu capítulo está incluído no título VII, Provas.
Características do Interrogatório
A característica de autoridade oficial, ou mesmo de igualdade judicial, reflete a ideia de que na fase processual (após o recebimento da denúncia ou queixa-crime), apenas a autoridade judiciária tem competência para interrogar o acusado. Embora o inciso V, do artigo 6º, do CPP se refira às disposições que tratam do “interrogatório do arguido”, o “interrogatório” realizado na fase extrajudicial não necessita de seguir as regras estabelecidas para o interrogatório judicial. No caso de prisão em flagrante, o Código de Processo Penal utiliza o termo “interrogatório do acusado” (artigo 304, caput) mesmo em âmbito extrajudicial.
Reformas do Código de Processo Penal sobre o Interrogatório
A antiga redação do artigo 194.º do CPP estabelecia que, “se o arguido for menor, o interrogatório realizar-se-á na presença de um tutor”. Assim, como o menor de 18 anos não é responsável, ele nunca será submetido a processo criminal e, consequentemente, a função do curador dentro das regras do CPP fica obliterada. Por fim, fica claro que esta reforma não abordou o teleinterrogatório, ou seja, a nova redação do artigo 185 do CPP não permitiu expressamente a sua utilização, mas também não a proibiu.
Princípios Relacionados ao Interrogatório on line
Dignidade da pessoa humana
O compromisso com o valor da dignidade humana como princípio máximo, fundamento do Estado brasileiro, é claro. A dignidade da pessoa humana é um princípio superior, que se reflecte em todos os outros princípios e normas, tanto constitucionais como infraconstitucionais, e não pode deixar de ser tido em conta na criação das normas, na sua interpretação e na aplicação da lei. Assim, dado que a dignidade da pessoa humana é o fundamento da República Federativa do Brasil, como explica Henrique Viana Bandeira Moraes, “é importante concluir que o Estado existe em função de todas as pessoas e não em função do Estado.
Devido processo legal
Na verdade, de forma inovadora, o legislador constituinte, para reforçar a ideia anterior, colocou topograficamente o capítulo dos direitos fundamentais antes da organização do Estado.”77. Portanto, todos os demais princípios que serão abordados derivam deste em análise, pois não há verdade processual sem, para descobri-la, respeitar os procedimentos previstos na lei […] 78 (grifo nosso). Dessa forma, dada a sua amplitude, podemos incluir prioritariamente as garantias de amplas defesas e de contraditório na cláusula genérica do devido processo legal, uma vez que não há como consagrá-las sem o devido processo legal.
Contraditório
O princípio da justiça contraditória advém da igualdade processual, ou seja, dos mesmos direitos entre arguido e arguido, que estão no mesmo patamar, e da liberdade processual, que consiste na possibilidade de o arguido nomear o defensor que desejar. provas que mais lhe agradam etc.80. O Código de Processo Penal enfatiza o princípio da contradição em vários dispositivos, por exemplo, no artigo 261, caput do CPP, afirma que: “Nenhum acusado, ainda que ausente ou foragido, não poderá ser processado ou julgado sem advogado”. Paulo Rangel escreve, no entanto, que “o princípio analisado tem em alguns casos um efeito retardado, adiado, uma vez que não é compatível com a natureza da medida a adotar.
Ampla defesa
Nessa chamada “contradição diferida”, a garantia da contradição é mantida, mas a oportunidade de conhecer a medida a ser determinada na investigação é dada ao investigado em momento posterior, pois se fosse feito de forma diferente, tal uma medida seria inútil. A defesa técnica é realizada por defensor devidamente habilitado pela OAB, por outro lado, a legítima defesa é realizada pelo próprio acusado, principalmente durante seu interrogatório, e por fim, uma defesa eficaz não exige apenas que o acusado seja assistido por defensor (constituído ou dativo), mas que este participe efetivamente de forma relevante e não se abstenha de apresentar as partes fundamentais do processo, como a defesa escrita e as alegações finais. Ressalte-se que as partes devem ter direitos e obrigações processualmente iguais, para que a defesa conflitante e abrangente possa ser viabilizada de forma plena e eficaz.
Publicidade
Além disso, a Lei de Processo Penal estipula que alguns actos sejam praticados em segredo, por exemplo os previstos nos artigos. Na fase policial não se aplica o Princípio da Publicidade, devido ao seu caráter inquisitivo e finalidade investigativa, pelo contrário, o Código de Processo Penal garante o sigilo do inquérito policial, em seu artigo 20, caput: “A autoridade assegurar na investigação o sigilo necessário à elucidação do fato ou exigido pelos interesses da sociedade”. Assim, salvo as exceções, que devem ser previstas em lei, o Princípio da Publicidade é uma garantia para o indivíduo e para a sociedade decorrente do próprio princípio democrático88.
Eficiência administrativa
Economia e celeridade
Neste segmento, Pedro Lenza escreve que “Interrogatório do arguido detido através de sistema de videoconferência ou outra fonte tecnológica para transmissão de. 1º O interrogatório do arguido detido far-se-á em sala determinada, no local onde se encontra detido, desde que seja garantida a segurança do juiz, do membro do Ministério Público e dos assistentes, bem como a presença do defensor e a publicidade do ato. 2º Excepcionalmente, o juiz, por decisão fundamentada, de ofício ou a requerimento das partes, poderá interrogar o réu preso por meio de sistema de videoconferência ou outra fonte tecnológica de transmissão de sons e imagens em tempo real, desde que o medida é necessária para isso. atender a uma das seguintes finalidades: (Alterada pela Lei nº 11.900, de 2009).
2º Excepcionalmente, o juiz, com decisão fundamentada, de ofício ou a pedido das partes, poderá interrogar o arguido preso através do sistema. II - possibilitar a participação do réu no referido ato processual, quando para ele houver correspondente dificuldade.
O interrogatório do réu na vigência do antigo 185 do Código de Processo
Análise do artigo 185 do Código de Processo Penal com a nova redação dada
Embora ainda seja regra interrogar o arguido detido, em local determinado, na instituição onde se encontra detido, na presença física de um juiz (CPP, 185, § 1º), a lei recentemente aprovada passou a permitir, em casos excepcionais, que o juiz, com decisão fundamentada, de ofício ou a pedido das partes, interrogue o arguido detido através de sistema de videoconferência, se tal servir uma das finalidades previstas no n.º 2 do art. Antônio Alberto Machado diz que “não há dúvida de que o legislador, ao prever esta forma de interrogatório, persegue essencialmente dois objetivos: . garantir a celeridade dos processos penais e, ao mesmo tempo, manter a segurança pública."96. III - evitar que o réu influencie o ânimo de testemunhas ou lesados, na medida em que não seja possível a realização de seu depoimento por videoconferência, nos termos do art. 185 dispunha que: “no caso do § 8º deste artigo, fica garantido o acompanhamento do ato processual pelo acusado e seu advogado”.
Aspectos Positivos
Na mesma diretriz, acrescenta: “Se uma autoridade policial pode se beneficiar ao entrevistar testemunhas, vítimas, participantes e coautores por meio de uma carta de advertência, por que não recorrer à videoconferência. Ronaldo Batista Pinto escreve que: “sabe-se que existem inúmeros atrasos nos processos criminais devido ao não comparecimento dos arguidos a julgamento (por problemas de escolta, falta de combustível, problemas de trânsito, etc.) obrigando ao reagendamento das audiências. tudo em detrimento do rápido progresso do projecto.”119. Com isso, não haverá mais cancelamentos ou remarcações de audiências por ausência de réu preso por falta de representação ou mesmo de veículo de escolta, resultando em uma celeridade natural do processo criminal.
Aspectos Negativos
Qualquer pessoa detida ou encarcerada por um delito criminal será levada sem demora perante um juiz ou outra autoridade autorizada por lei a exercer funções judiciais e terá o direito de ser julgada dentro de um prazo razoável ou de ser libertada. O arguido tem o direito de comparecer pessoalmente na entrevista com o juiz, pois a videoconferência reduz a capacidade de comunicação entre o juiz e o arguido, violando o princípio da proteção integral. Toda pessoa presa, detida ou detida será levada, sem demora, perante um juiz ou outra autoridade autorizada por lei a exercer funções judiciais e terá direito a ser julgada dentro de um prazo razoável ou a ser libertada, sem prejuízo de procedimentos posteriores do processo.
A Utilização do Sistema de Videoconferência em outros Países
O Brasil é signatário da Convenção das Nações Unidas contra o Crime Organizado Internacional, tratado introduzido em nosso ordenamento jurídico pelo Decreto nº. 5.015, de 2 de março de 2004, após aprovação pelo Congresso Nacional (Decreto Legislativo nº 231 de 2003). Se possível e de acordo com os princípios fundamentais do direito interno, quando uma pessoa que se encontra no território de um Estado Parte for ouvida como testemunha ou como perito pelas autoridades judiciais de outro Estado Parte, o primeiro Estado Parte poderá por outro lado, mediante solicitação, autoriza sua audiência por videoconferência, caso não seja possível ou desejável que a pessoa compareça ao território do Estado Parte solicitante. Os Estados Partes poderão acordar que a audiência seja conduzida por uma autoridade judicial do Estado Parte requerente e que uma autoridade judicial do Estado Parte requerido esteja presente.
Posicionamento dos Tribunais acerca da utilização do Interrogatório on line
Não foi comprovado o real dano sofrido pelo paciente, sem o qual o Processo Penal não será declarado nulo (art. 563 do CPP). ATUALMENTE É POSSÍVEL EXECUTAR A LEI POR VÍDEO CONFERÊNCIA, PRESERVANDO A INVESTIGAÇÃO JÁ REALIZADA. O assunto abordado neste trabalho científico, além de moderno, possui diversas polêmicas, algumas suprimidas com o advento da Lei que introduziu a possibilidade de interrogatório e outros atos processuais por meio de sistema de videoconferência no Código de Processo Penal Brasileiro executar.
As primeiras linhas da lei n. 11.900, de 8 de janeiro de 2009, que alterou o Código de Processo Penal, possibilitando a realização de interrogatórios e demais atos processuais por meio de um único sistema. 4º Antes do interrogatório por meio de videoconferência, o preso poderá acompanhar, pelo mesmo sistema tecnológico, a realização de todos os atos da instrução única e da sessão judicial a que se refere o art.