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COMPARATIVO ENTRE CSLL SEM ADIMPLÊNCIA E CSLL COM ADIMPLÊNCIA

4. APRESENTAÇÃO DO ESTUDO

2.3 REGIMES DE TRIBUTAÇÃO

Uma das dúvidas mais comuns em relação ao planejamento tributário refere-se à escolha do regime de tributação da empresa, que não é uma decisão simples, pois sua escolha deve ser muito estudada detalhadamente pois ela será definitiva durante todo o exercício social em que for feita a opção. (CREPALDI,2019).

Drumond (2018) explica que no Brasil, existem diferentes formas de tributação, que, basicamente, depende de muitos fatores, entre eles, de como a empresa é constituída. No Brasil, as micro e pequenas empresas são maioria na composição, sendo assim a maior parte do empresariado nacional, sendo, inclusive, o motor de desenvolvimento de locais pequenos e mais distantes dos centros.

2.3.1 Lucro Presumido

Para Fabretti (2016), o Lucro Presumido é uma alternativa para as pequenas empresas, respeitando o seu limite de 78 milhões anual da receita bruta total estabelecido em lei. Estas, em vez da apuração pelo lucro real, ou seja, de escrituração contábil, podem presumir esse lucro.

De acordo com Crepaldi (2017), a legislação tributária define que o lucro presumido é uma forma de tributação simplificada para determinação na base de cálculo do IRPJ e da CSLL das pessoas jurídicas que não estiverem obrigadas, no ano calendário, à apuração do lucro real.

a pessoa jurídica cuja receita bruta total, no ano-calendário anterior, tenha sido igual ou inferior a R$ 48 milhões, ou a R$ 4 milhões multiplicado pelo número de meses de atividade do ano-calendário anterior, quando inferior a 12 meses, poderá optar pelo respectivo regime de tributação. (CREPALDI, 2017, p. 110)

Oliveira (2015) menciona que as empresas que optam pela apuração do imposto de renda e contribuição social na modalidade do lucro presumido não estão obrigadas a possuir escrituração contábil detalhada de suas receitas e despesas, sendo necessário que possuam apenas o livro caixa escriturado, no qual irá mostrar, entre outras coisas, as receitas

125 efetivamente recebidas. Evidentemente, esse livro caixa precisa ser escriturado dentro dos princípios e formalidades previstos na legislação fiscal.

Tabela 1 - Percentual De Presunção do Lucro Presumido

ATIVIDADES

BASE (%)

Venda de mercadorias e produtos 8

Revenda,para consumo, de combustível,de petróleo, álcool etílico gás carburante

e gás natural 1,6

Prestação de serviço de transporte exceto carga 16

Prestação de serviços de transporte de cargas 8

Prestação de demais serviços, exceto hospitalares 32

Prestação de serviços em geral das pessoas jurídicas, com receita bruta anual de até R $120.000,00, exceto serviços hospitalares, de transportes e de profissões

regulamentadas (art.40 da lei n. 9.250/95) 16

Empresas que tem como atividade contratual a venda de imóveis 8

Fonte: Crepaldi, 2021. P. 97

Por conseguinte, na CSLL o percentual de presunção, de acordo com o artigo 22 da Lei no 10.684/2003, será de 12% da receita bruta nas atividades comerciais, industriais, serviços hospitalares e de transporte;

E 32% para:

A. prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares e de transporte;

B. intermediação de negócios;

C. administração, locação ou cessão de bens imóveis, móveis e direitos de qualquer natureza.

2.3.2 Lucro Real

O Lucro Real, conforme Oliveira (2015), é o regime em que é apurado pela contabilidade, com base na completa escrituração contábil fiscal, com a estrita e rigorosa observância dos princípios de contabilidade e demais normas fiscais e comerciais.

A instituição que opta pelo lucro real precisa adotar também a contabilidade em seu cotidiano, de forma a adaptá-la para que possa ter informações que serão utilizadas diante do imposto de renda, posteriormente. O lucro real é definido a partir do art. 246 do RIR/99 que

126 descreve as pessoas jurídicas que poderão optar por esse modelo de tributação. (PIMENTEL, 2019) São elas:

Art. 246 - Estão obrigadas à apuração do lucro real as pessoas jurídicas da Lei nº 9.718, de 1998, art. 14: I - cuja receita total, no ano-calendário anterior, seja superior ao limite de vinte e quatro milhões de reais, ou proporcional ao número de meses do período, quando inferior a doze meses; II - cujas atividades sejam de bancos comerciais, bancos de investimentos, bancos de desenvolvimento, caixas econômicas, sociedades de crédito, financiamento e investimento, sociedades de crédito imobiliário, sociedades corretoras de títulos, valores mobiliários e câmbio, distribuidoras de títulos e valores mobiliários, empresas de arrendamento mercantil, cooperativas de crédito, empresas de seguros privados e de capitalização e entidades de previdência privada aberta; III - que tiverem lucros, rendimentos ou ganhos de capital oriundos do exterior; IV - que, autorizadas pela legislação tributária, usufruam benefícios fiscais relativos à isenção ou redução do imposto; V – que, no decorrer do ano-calendário, tenham efetuado pagamento mensal pelo regime de estimativa, na forma do art. 222; VI - que explorem as atividades de prestação cumulativa e contínua de serviços de assessoria creditícia, mercadológica, gestão de crédito, seleção e riscos, administração de contas a pagar e a receber, compras de direitos creditórios resultante de vendas mercantis a prazo ou de prestação de serviços (factoring); Parágrafo único - As pessoas jurídicas não enquadradas nos incisos deste artigo poderão apurar seus resultados tributáveis com base nas disposições deste Subtítulo. (Brasil, 2019)

É comum em empresas com prejuízo econômico, quando optante pelo Regime denominado Lucro Real, ao qual o Fisco manda acrescentar despesas que considera indedutíveis, chegue a apresentar um lucro fiscal (FABRETTI, 2016).

Para Crepaldi, a legislação fiscal e tributária prevê que o lucro líquido (ou prejuízo) do período de apuração, antes da provisão para o Imposto de Renda (IR), seja ajustado pelas adições, exclusões ou compensações. Este deveria ser o regime tributário padrão, porque sua metodologia se resume a averiguar as receitas e deduzir os custos e as despesas para apurar o resultado do período. A administração tributária federal exige que o lucro apurado seja comprovado com lançamentos contábeis, transmitidos à RFB por meio do Sped Contábil e da Escrituração Contábil Fiscal (ECF), de acordo com o art. 6° do Decreto-lei n. 1.598/1977, e art.

247 do RIR/1999. (CREPALDI, 2019)

3 METODOLOGIA

Para atender os objetivos e solucionar o problema proposto neste projeto, o capítulo a seguir descreve sobre os procedimentos técnicos e apresentará as técnicas de pesquisa utilizadas visando planejar e analisar qual a melhor forma de tributação entre o, Lucro Presumido e o Lucro Real aplicado a uma empresa do ramo de comércio varejista.

No estudo proposto foi aplicado como objetivo a pesquisa descritiva, por meio de estudo de caso, pois na concepção de Beuren (2013) “A pesquisa de tipo estudo de caso caracteriza-se

127 principalmente pelo estudo concentrado de um único caso. Esse estudo é preferido pelos pesquisadores que desejam aprofundar seus conhecimentos a respeito de determinado caso específico”. Busca-se informações sobre a movimentação financeira da empresa, para usar de métricas para cálculo e descoberta do regime tributário menos oneroso.

Referente a abordagem do problema, se enquadra como pesquisa qualitativa e quantitativa, na busca da objetividade e da validade dos dados. Para Raupp (2013) “Apesar de a Contabilidade lidar intensamente com números, ela é uma ciência social, e não uma ciência exata como alguns podem pensar, o que justifica a relevância do uso da abordagem qualitativa”.

O desenvolvimento desta pesquisa fundamenta-se em uma pesquisa documental de fonte primária. Bueren (2013) comenta que “Os documentos, escritos ou não, agilizam o processo investigatório, além de serem irrefutáveis em algumas pesquisas que, por sua natureza, exigem fontes documentais” Embasado nos dados numéricos contidos nos documentos internos utilizados, buscou-se informações mais precisas e resultados mais assertivos para a empresa.

Como fonte para a coleta de dados, as informações utilizadas nas simulações do Planejamento Tributário foram extraídas de relatórios gerados da Escrituração Fiscal e Contábil, dentre eles a Demonstração do Resultado do Exercício.

Foi elaborada uma tabela comparativa composta dos regimes tributários e os tributos apurados de acordo com cada forma de tributação e, assim, uma análise individual das formas tributárias e apresentação do regime mais favorável em questão de redução de custos tributários.

Cabe mencionar que a pedido da empresa, sua razão social não pôde ser divulgada dada a natureza das informações e movimento financeiro realizado pela mesma.

4 LEVANTAMENTO DE DADOS

A empresa apresentada neste estudo utilizará o nome fictício de Super Alfa, pois não foi autorizado a divulgação de seu nome verdadeiro. Ela é localizada em Cachoeirinha, município do Rio Grande do Sul, possui 17 anos de funcionamento e é composta por 2 sócios com participação societária de 50% cada, trabalham de forma conjunta e contam com a colaboração de 14 funcionários.

Sobre a atividade principal, trata-se de uma empresa de comércio varejista de produtos alimentícios, possui açougue, padaria e fruteira dentro do estabelecimento. Hoje a empresa está empregada na modalidade Lucro Real, considerada pelos sócios a melhor opção tributária.

Reforçando que a modalidade do Simples Nacional não foi aplicada pois a empresa seria desenquadrada na sequência, de acordo com o antigo teto de faturamento do regime tributário.

128 Tabela 2- Demonstrativo Resultado Exercido

Fonte: Elaborado pelos autores (2022)

Ressalta-se que não se realizou os cálculos dos tributos pelo Simples Nacional, pois devido a empresa se encontrar no Lucro Real, foi notada uma defasagem em relação aos regimes tributários.