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RELAÇÃO ENTRE CONHECIMENTO E UNIVERSIDADE;

No documento Brasília, outubro de 2005 (páginas 179-183)

RELACIONAMENTO ENTRE A FUNÇÃO DO CONHECIMENTO

3. RELAÇÃO ENTRE CONHECIMENTO E UNIVERSIDADE;

conhecimento é designada pelo título de sociedade baseada no conhecimento 2. A universidade atual é solicitada a buscar a garan- tia de qualidade e da confiabilidade da organização e do sistema, no que diz respeito à pesquisa, ensino, serviço e administração, sobre a base da função de conhecimento. A reforma do educação superior é considerada como a implementação de uma reconstrução estra- tégica, no sentido de realizar a mudança do sistema moderno de educação superior para o sistema educacional da educação superior do século XXI.

Figura 1. Conhecimento, Sociedade e Universidade

Como sugerido na figura acima, a atividade do mundo acadêmi- co é alicerçada no conhecimento. A expectativa quanto ao modo como a universidade deve empregar o conhecimento parece variar com o correr dos diferentes estágios de desenvolvimento, como reflexo dos efeitos da sociedade na qual está localizada a univer- sidade.

Sistema de Ensino Superior Moderno

Sociedade industrial do estado nação

sociedade

universidade

universidade governo sociedade governo

Antes do controle Depois do controle

pesquisa

gestão pesquisa

ensino serviço

conhecimento reconstrução estratégica

ensino serviço

governança conhecimento Mecanismo

de mercado de sociedade globalizada

de conhecimento

Sistema de ensino superior do século XX1

sociedade baseada no conhecimento 1 sociedade baseada no conhecimento 2

Diz-se que para a universidade da Idade Média a prioridade era concentrada na disseminação do conhecimento, ao passo que a uni- versidade moderna busca sobretudo a descoberta do conhecimento.

Tal constatação foi efetivada após a institucionalização da ciência no âmbito da universidade no século XIX. A partir de então, a função corrente mais importante do conhecimento passou a ser a descoberta.

No estágio seguinte, contudo, a disseminação foi objeto de reexame, do mesmo modo como foi ressaltada a necessidade de entendimento.

Tal evolução ocorrerá porque o ensino e o aprendizado se tornarão mais importantes, como decorrência da massificação e diversificação da população estudantil, bem como da transformação da sociedade, que se volta para um processo de aprendizado ao longo de toda a vida. Como resultado, pode-se observar que uma das funções básicas do mundo acadêmico transitará do ensino na universidade da Idade Média para a pesquisa na universidade moderna, e desta para o aprendizado na futura universidade.

A institucionalização da pesquisa nas atividades regulares da universidade moderna trouxe a diferenciação do conhecimento, a criação de grupos de pesquisa baseados no conhecimento, a organi- zação de cadeiras, de departamentos e do corpo docente, nos quais os referidos grupos são inseridos. Em conseqüência, a universidade medieval se transformou, como a comunidade em geral, constituindo- se na universidade moderna, como aconteceu com a cidade e a fábrica. Houve mudança da “comunidade do conhecimento” para o

“conhecimento corporativo”.

No que diz respeito à organização, a universidade passou, na sociedade moderna, do estágio de “universidade” para o de “multi- versidade”, como já havia prenunciado Clark Kerr, e possivelmente chegará ao de “universidade virtual” no futuro. De modo geral, pode-se dizer que, a partir da Idade Moderna, a universidade, que era uma instituição de elite, transformou-se numa entidade das massas.

Concretizando o vaticínio de Martin Trow, o acesso à universidade, que só era aberto às elites, foi franqueado às massas, no estágio universal (TROW, 1973). E seus principais atores, que eram os professores e os pesquisadores, passaram a ser os alunos. O ponto

focal dos processos de ensino e aprendizagem está passando a ser o respeito e o apoio aos alunos. O estilo de ensinar tende a caminhar da aula discursiva, tipo conferência, para o seminário e deste para a instrução pessoal.

A governança do conhecimento também está mudando, como se poderá verificar pelo estilo de governança adotada pelo governo em relação à universidade: ela passou da fase do controle pelo governo para a de desregulação ou privatização (AMARAL; GLEN;

KARSETH, 2002; AMARAL; MEEK; LARSEN, 2003). O nível de administração e gerenciamento no âmbito da universidade, como controle do conhecimento, também está sendo forçado a mudar, como reflexo das transformações sociais. O método de gestão e administração, que se assemelhava ao controle de uma associação ou guilda medieval, passou para o tipo de controle pelo reitor, como visto nas universidades européias, e deste para o de controle de uma presidência, de que são exemplos as universidades americanas. Aos poucos, vêm sendo aperfeiçoados também os processos de avaliação, como resultado da função de conhecimento, a metodologia de avalia- ção e os indicadores da mesma, num processo que passa da concessão de cartas patentes para o de credenciamento, e deste para um tipo misto. A metodologia dominante de julgamento e avaliação desloca- se do exame pelos pares para o exame por não-pares. Se adotarmos a perspectiva do método de estabelecimento do mundo acadêmico, diremos que o processo passou do método do “patenteamento”, tradicional nas universidades européias, para o de “credenciamento”, adotado nas universidade americanas, para transmutar-se futura- mente num tipo misto.

Se observarmos a tendência do relacionamento entre a transfor- mação societária e o processo de desenvolvimento da universidade, não se pode negar que esta, que trabalha com o conhecimento como material, e que mantém com ele uma estreita relação, vem sobre- vivendo há muito tempo, desde a sua fundação, como o local do questionamento (CLARK, 1995). Também é verdade, por outro lado, que a universidade tem-se transformado em harmonia com as transformações societárias. Os tipos mais comuns de mudanças nas

universidades vão do tipo continental europeu, composto de facul- dades autônomas numa sociedade agrícola, para a universidade alemã, que se transformou num modelo para cursos de graduação, ou para a universidade americana, que se tornou o modelo para estu- dos de pós-graduação na sociedade industrial, e destes, finalmente, para uma nova universidade, de tipo inovador, inclusive a universi- dade virtual na sociedade do conhecimento (ARIMOTO, 1996).

Na universidade japonesa, por exemplo, esses vários modelos estão competindo entre si, numa mistura, dentro do nível do sistema e das instituições acadêmicas: modelo alemão, modelo americano e mode- lo virtual.

4. RELACIONAMENTO ENTRE A UNIVERSIDADE E A

No documento Brasília, outubro de 2005 (páginas 179-183)