Edição UNESCO 2005 publicada pela Representação da UNESCO no Brasil Título original: Seminário Global de Pesquisa 'Sociedade do Conhecimento vs. Diretor Geral da UNESCO por ocasião da abertura do Seminário Global de Pesquisa "Sociedade do Conhecimento versus Economia do Conhecimento: conhecimento, poder e política".
CONHECIMENTO, GLOBALIZAÇÃO E HEGEMONIA: PRODUÇÃO DO
Na verdade, muita coisa está acontecendo com as instituições de ensino superior, vistas como centros de produção de conhecimento. Como podem as reformas do ensino superior melhorar a sua contribuição para a promoção do desenvolvimento humano sustentável?
UNIVERSIDADES E SOCIEDADE
O desenho de uma sociedade socialmente engajada pertence a uma longa lista de iniciativas concebidas no sentido de direcionar ou orientar a universidade para fins socialmente preferenciais. Movimentos como a modernização, o desenvolvimento nacional e a construção do Estado, o desenvolvimento do “trabalho” e do capital humano, a democratização e a transformação social, para além do crescimento económico e da competitividade, estão entre os imperativos que sustentam as reivindicações de que a universidade vai além das suas funções centrais de ensino, aprendizagem e serviço, cada vez mais para dentro, no sentido de estar mais inserido na sociedade.7 Na situação actual, o apelo a favor do compromisso universitário faz parte do discurso da "sociedade do conhecimento", um fenómeno que tem visto maior a educação assume um novo significado no contexto das exigências da economia.
COMPROMISSOS DE QUEM?
Os parâmetros e possibilidades de comprometimento podem ser compreendidos de forma mais concreta, quando relacionados às metas e objetivos do ensino superior. É também enfatizada a necessidade de as instituições de ensino superior ajudarem no esforço de construção da nação e da liderança nacional e de encorajarem a coesão social e a tolerância cultural.
CONHECIMENTO
INTRODUÇÃO
Permitam-me que me apresente como alguém da era pós-colonial, temporal e politicamente, do género feminino, e que goza do privilégio de contemplar o mundo a partir de uma variedade de perspectivas - principalmente como um africano com ligações europeias, com a minha formação cultural e educação formal decorrente de ambos. Grande parte desta colecção revelou-se muito útil como meio de desenvolver um envolvimento mais crítico com os poderes disciplinares específicos e as limitações dos privilégios da educação formal. Mais especificamente, quero também dizer que exerço as minhas funções numa universidade que, apesar do peso de uma história colonial.
CONHECIMENTO, CULTURA, IDENTIDADE
IDENTIDADES INTELECTUAIS PÓS-COLONIAIS
A noção de regime discursivo permite considerar o fato de que o processo de produção do conhecimento é baseado em identidades – historicamente, prevaleceram as de determinada modalidade, embora tão naturalizadas dentro dos cânones que escaparam sem problemas. É um sistema de governo outrora descrito por Ruth First como criado "não pelo povo ou para o povo, mas à parte do povo". Também se pode dizer que a emergência de uma cultura intelectual viva e criativa tem sido muitas vezes dificultada.
Este não é um papel abstrato ou universal, mas sim uma posição claramente baseada nas peculiares distorções políticas, sociais e materiais que caracterizam a vida nas ex-colónias34.
O EDIFÍCIO: A POLÍTICA INSTITUCIONAL DAS IDENTIDADES INTELECTUAIS
- A MUDANÇA É UM PROBLEMA SISTÊMICO
Embora possa ser aberto o debate até que ponto estas adições interessantes sinalizam uma verdadeira mudança na corrente principal das culturas e identidades intelectuais, é claro que as coisas não são exactamente o que costumavam ser. Quais serão as novas identidades que emergirão das universidades do século XXI, onde muitos estudantes mais ricos (locais ou estrangeiros) obtêm boas moradias, enquanto os mais pobres (locais) acampam em buracos superlotados por toda a cidade, e onde um sistema de rotação de ensino lhe permite recebem alunos “públicos” durante o dia, e alunos particulares, durante a noite. Na ocasião em que celebra o seu trigésimo aniversário36, o CODESRIA, como todas as universidades, enfrenta novos desafios que surgem directamente das poderosas forças da globalização e que todas conduzem à mercantilização, privatização e corporatização da produção de conhecimento.
Acima de tudo, o declínio da investigação universitária representa um desafio muito sério, uma vez que a investigação está cada vez mais sujeita à comercialização e ao pragmatismo da autocensura.
ATORES, ORGANIZAÇÕES E
Eu estava enfatizando o fato de que o comportamento das pessoas dentro de qualquer tipo de organização deveria ser entendido como o comportamento dos atores dentro de determinados sistemas. Os sistemas restringem e dirigem as ações dos atores, mas eles próprios são compostos por atores cujo comportamento lhes dá existência. Para funcionar em um sistema devemos utilizar seus padrões, ou seja, seguir os jogos que o compõem; mas ao fazê-lo damos-lhe existência, confortamo-lo e reproduzimo-lo.
Num sistema, crise significa mudar os seus velhos padrões e organizá-los em novos padrões, o que é um problema sociológico.
SISTEMAS EM BUSCA DE MUDANÇA
- SEM UMA ORIENTAÇÃO
- O CONHECIMENTO DAS NORMAS FUNDAMENTAIS COMO UM SUBSTITUTO
- O CONHECIMENTO COMPARTILHADO
- DA SOLUÇÃO DAS CRISES À MUDANÇA DA SOCIEDADE COMO UM CONJUNTO
Quando as contradições dentro do sistema se tornam tão insuportáveis que ele entra em colapso, ocorre uma crise. A análise sociológica dos sistemas tem mostrado que a mudança de alguns elementos importantes do sistema pode ter consequências significativas no funcionamento de todo o sistema regulatório e torna-se assim um factor importante para a reforma da própria actividade. Depois de uma grande crise social que paralisou todo o sistema e trouxe consigo importantes consequências políticas, fui nomeado membro de um grupo de três cientistas encarregados de escrever um relatório sobre as razões desta greve.
O principal problema que emergiu da análise foi o escalonamento de trabalho dos motoristas, que estava completamente dependente de um horário elaborado mensalmente a nível nacional.
MODOS DE CONHECIMENTO E PADRÕES DE PODER
INTRODUÇÃO: O ARGUMENTO
O presente trabalho tenta registrar até que ponto o conhecimento e o poder podem influenciar-se mutuamente, observando que essas interações são menos decisivas do que supõem alguns analistas e pessoas envolvidas em práticas sociais. Discute o significado e o alcance do poder, dentro e além das comunidades epistêmicas e suas bases. Mas o seu segundo nível de poder é secular e depende da capacidade do cientista de convencer os não-cientistas de que o trabalho em questão é útil ou interessante.
O conhecimento que começa com um apelo aos “significados partilhados de certas comunidades sociais” ou “momentum social”, pode alcançar poder junto de grupos de utilizadores, sendo aceite por aqueles que partilham a sua ideologia epistémica; por outro lado, deve mostrar suficiência em relação às características de experimentação e demonstração das ciências “duras” ou exatas, para ser aceita como parte integrante do sistema científico, intramuros e ganhar credibilidade fora dos grupos de poder existentes no ambiente científico.
O PODER AVALIADO DE MODO GERAL
Lukes, Bachrach e Baratz podem discordar, mas a afirmação levanta a questão relevante para a nossa discussão de que certas formas de poder dependem da persuasão. Ao contrário do conhecimento disciplinar, as formas socialmente viáveis podem gerar poder através do seu apelo a um grupo mais amplo, incluindo aqueles com poder dentro da clientela e dos grupos de aplicação. Lindblom também defendeu formas demóticas de experimentação, que poderiam limitar a força da especialização acadêmica (LINDBLOM, 1990).
O modelo hermenêutico, as formas de avaliação mais democráticas e inclusivas, a experimentação de Lindblom, os domínios de Trist implicam que o poder que geram pode derivar da persuasão e da interação, bem como da sua utilidade percebida.
O ESPECTRO DO CONHECIMENTO
HARD
SOFT
- AS MODALIDADES DO PODER GOVERNAMENTAL Precisamos considerar agora se os modos particulares de conheci-
- OS FATORES QUE AFETAM
- EXEMPLOS DA CONEXÃO ENTRE POLÍTICAS E CONHECIMENTO
- EPISTÊMICA E POLÍTICA
As relações entre produtores e utilizadores de investigação já foram descritas da seguinte forma: “As relações de poder subjacentes podem ser variadas. A base de conhecimento para cada uma destas fases estará na aparente capacidade de identificação de diferentes formas de incapacidade social ou clínica, com a criação de estruturas para o seu tratamento. A história recente do ensino superior e de licenciatura na Grã-Bretanha é um bom exemplo de como diferentes formas de procurar conhecimento se alinham com pressupostos sobre quem deve ter o quê.
Diferentes formas de conhecimento reforçam diferentes filosofias de controle estatal e profissional. Um bom exemplo disto é a notável história do regresso do positivismo à avaliação educacional no Reino Unido e noutros países.
OBSERVAÇÕES SOBRE O
O tema principal desta apresentação está ligado à relação entre a função do conhecimento e o papel da universidade, tal como previsto no título acima.
RELACIONAMENTO ENTRE A FUNÇÃO DO CONHECIMENTO
FUNÇÃO DO CONHECIMENTO
Esta abordagem qualitativa, que enfatiza o peso do conhecimento, tem origem numa preocupação e tradição académica particularmente desenvolvida nos domínios da sociologia da ciência, também conhecida como sociologia do conhecimento. Esta orientação dá prioridade ao conhecimento ou ao trabalho acadêmico, entendendo que o conhecimento é o principal fator determinante na estrutura e no funcionamento da universidade. Desse ponto de vista, toda a ênfase está na afirmação de que o trabalho acadêmico – composto pelas fases de aprendizagem, pesquisa, ensino e serviço – é fundamentalmente constituído de conhecimento, ou seja, da utilização do conhecimento como material e mediação.
CONCEITO DE PRODUTIVIDADE ACADÊMICA
Essa nova concepção de produtividade acadêmica ainda foca em atividades de pesquisa relacionadas ao conhecimento. A função do conhecimento também pode estar ligada a uma tipologia de produtividade: a descoberta do conhecimento está ligada à investigação; sua divulgação, educação; e a aplicação do conhecimento está ligada aos serviços. Por outro lado, estes últimos, ou seja, os recursos humanos, são adaptáveis à produtividade docente, onde a difusão seletiva do conhecimento está relacionada com a produção seletiva de recursos humanos, sempre muito valorizados para o desenvolvimento social.
A educação está constantemente a consolidar a sua posição na sociedade do conhecimento emergente, que se torna largamente dependente da disseminação do conhecimento e exige a mais elevada qualidade de segurança dos recursos humanos.
RELAÇÃO ENTRE CONHECIMENTO E UNIVERSIDADE;
Diz-se que para a universidade da Idade Média a prioridade concentrava-se na difusão do conhecimento, enquanto a universidade moderna procura sobretudo a descoberta do conhecimento. Em termos de organização, a universidade, na sociedade moderna, passou do estágio de “universidade” para o de “multiversidade”, como já havia previsto Clark Kerr, podendo futuramente atingir o de “universidade virtual”. O método de gestão e administração, que lembrava o controle de uma associação ou guilda medieval, passou para o tipo de controle do reitor, como se verificava nas universidades europeias, e deste para o controle de uma presidência, exemplos de quais universidades os americanos são . .
Se tomarmos a perspectiva do método de constituição do mundo acadêmico, diríamos que o processo passou do método de “patenteamento”, tradicional nas universidades europeias, ao método de “acreditação” adotado nas universidades americanas, para ser transformado para o futuro para um tipo misto.
RELACIONAMENTO ENTRE A UNIVERSIDADE E A SOCIEDADE: CONDIÇÕES PARA A REFORMA UNIVERSITÁRIA
Por outro lado, a própria sociedade total hoje absorve a universidade numa sociedade emergente baseada no conhecimento, que podemos chamar de “sociedade baseada no conhecimento 2”. Hoje, porém, a sociedade em geral está a transformar-se numa sociedade baseada no conhecimento a um ritmo crescente. Pode-se tentar fazer uma distinção analítica entre o que defino como “sociedade baseada no conhecimento 1”.
E isso é visto nos conceitos de Sociedade Baseada no Conhecimento 1 e Sociedade Baseada no Conhecimento 2, conforme descrito acima, bem como nos conceitos sempre emergentes de Modo 1 e Modo 2 (GIBBONS et al., 1994).
PRODUTIVIDADE ACADÊMICA NO ENSINO
Criar um ambiente onde uma ampla gama de recursos humanos esteja capacitada para desenvolver as suas competências e dedicação à atividade de investigação. Estabelecer um mecanismo de oferta capaz de lidar com as demandas sociais em constante mudança de recursos humanos de pesquisa. Num estudo internacional sobre a profissão académica em catorze países, os docentes responderam a um questionário relacionado com as capacidades dos alunos.
Em todos os aspectos de entrada, processamento e produção no processo de ensino-aprendizagem nas universidades e faculdades, os estudantes como aprendizes devem ser considerados como o elemento central deste recurso humano muito importante.