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RESPONSABILIDADE CIVIL E O CÓDIGO DE DEFESA DO CONSUMIDOR

No documento UNIVERSIDADE DO VALE DO ITAJAÍ – UNIVALI (páginas 60-64)

O artigo 14114, do Código de Defesa do Consumidor dispõe sobre a responsabilidade por danos causados aos consumidores por serviço prestado de forma defeituosa e consagra a responsabilidade objetiva, in verbis:

Art. 14. O fornecedor de serviço responde independentemente da existência de culpa, pela reparação dos danos causados aos consumidores por defeitos relativos à prestação dos serviços, bem como por informações insuficientes e inadequadas sobre a sua fruição e riscos.

§ 1º O serviço é defeituoso quando não fornece a segurança que o consumidor dele pode esperar, levando-se em consideração as circunstâncias relevantes, entre as quais:

I - o modo de seu fornecimento;

II - o resultado e os riscos que razoavelmente dele se esperam;

III - a época em que foi fornecido."

113 DELMANTO, Celso et al. Código Penal Comentado. 5 ed. Rio de Janeiro: Renovar, 2000. p 45.

114 Lei 8.078 de 11.09.1990 – Artigo 14

No entanto, no parágrafo 3º deste mesmo artigo supracitado, dispõe as causas de exclusão da responsabilidade objetiva mitigada:

§ 3º – O fornecedor de serviços só não será responsabilizado quando provar:

I – que, tendo prestado o serviço, o defeito inexiste;

II – a culpa exclusiva do consumidor ou de terceiro.

No entanto, sobre a teoria da responsabilidade objetiva, incorporada á teoria do risco do negócio, ensina Luiz Antonio Rizzatto Nunes115:

O CDC adotou a Teoria da Responsabilidade Objetiva, incorporada à Teoria do Risco do Negócio. Para o Código, a responsabilidade com apuração da culpa (negligência, imprudência ou imperícia) já não era mais suficiente para salvaguardar os direitos do consumidor no mercado de consumo atual. Se, toda vez que sofresse algum dano, o consumidor tivesse que alegar culpa do fabricante do produto ou do prestador do serviço, suas chances de ser indenizado seriam mínimas, pois a apuração e prova da culpa são muito difíceis.No mundo atual, de consumo de massa, o importante é o fato de que mesmo que o fabricante ou o prestador do serviço não aja com culpa, ainda assim seus produtos e serviços têm defeitos e podem ocasionar danos.

Ainda sobre o tema , Luiz Antonio Rizzatto Nunes116 diz:

É a chamada 'responsabilidade pelo fato do produto ou do serviço' prestado ou, em outras palavras, é a preocupação com o dano que a coisa, o produto, bem como o serviço em si, possam causar ao consumidor. É a teoria moderna que coloca o próprio objeto e

115 Luiz Antonio Rizzato Nunes O Código de Defesa do Consumidor e sua interpretação jurisprudencial, Saraiva, 1997, p. 272/273.

116 Luiz Antonio Rizzato Nunes O Código de Defesa do Consumidor e sua interpretação jurisprudencial, Saraiva, 1997, p. 272/273.

serviço como causas do evento danoso. São os produtos ou os serviços em si mesmo os causadores do evento danoso. Visto assim, não há que se cogitar se houve ou não culpa do fabricante, produtor, etc., na elaboração do produto, ou do prestador na realização do serviço. Uma vez que estes - os produtos e os serviços - encontram-se no mercado de consumo e podem potencialmente ocasionar danos ao consumidor, é a eles que o Código dirige sua preocupação.Ocorrido o dano, cabe ao consumidor apenas apontar o nexo de causalidade entre ele (consumidor) e o dano, bem como o evento que ocasionou o dano, o produto ou o serviço que gerou o evento e, ainda, apontar na ação judicial o fabricante, o produtor, o construtor, o importador ou o prestador de serviço, que colocaram o produto ou o serviço no mercado”.

Nesta linha de entendimento segue a Jurisprudência do Egrégio Tribunal de Justiça de Santa Catarina:

RESPONSABILIDADE CIVIL OBJETIVA - DIREITO DO CONSUMIDOR - INTELIGÊNCIA DO ART. 14 DO CÓDIGO CONSUMERISTA - EMPRESA DE SEGURANÇA QUE DISPONIBILIZA FUNCIONÁRIO SEM CAPACIDADE TÉCNICA PARA SERVIÇO DE ESCOLTA - MERCADORIA QUE VEM A SER ROUBADA NO TRAJETO DE RETORNO DA AGÊNCIA BANCÁRIA - ALEGAÇÃO DE FORÇA MAIOR - INOCORRÊNCIA - RISCO DA ATIVIDADE DESENVOLVIDA - OBRIGAÇÃO QUE, CONQUANTO SEJA DE MEIO, EXIGE O EMPREENDIMENTO DE ESFORÇOS POSSÍVEIS E NECESSÁRIOS A OBSTAR A PRÁTICA DELITUOSA - CONDUTA DA APELANTE QUE SE ENQUADRA NO CONCEITO DE "SERVIÇO DEFEITUOSO"

(ART. 14, § 1º, DO CDC) - NEXO CAUSAL DEVIDAMENTE COMPROVADO - DEVER DE INDENIZAR CONFIGURADO - SENTENÇA MANTIDA - RECURSO DESPROVIDO. A obrigação de empresa responsável por serviços de segurança e vigilância é de meio e não propriamente de resultado, ante a impossibilidade de se assegurar plenamente a incolumidade do bem vigiado.

Todavia, quando a conduta de seu preposto enquadrar-se no conceito de "serviço defeituoso", disciplinado pelo Código de Defesa do Consumidor (art. 14, § 1º), deverá a fornecedora responder objetivamente pelos prejuízos causados117.

Neste julgado supracitado, temos uma empresa de vigilância privada foi condenada a reparar o prejuízo causado pelo serviço defeituoso, ou seja, o vigilante que estava prestando serviço não era preparado para esse fim, pois neste caso além do curso de vigilante teria que possuir o curso de segurança pessoal privada, pois apesar de se tratar de uma atividade de meios e não de resultado, caso tivesse prestado serviço com o vigilante habilitado não teria reparado o dano, até por que diante de um assalto não teria como e evitar, mais a condenação ocorreu exclusivamente pelo serviço defeituoso, ou seja, pela falta de qualificação profissional deste vigilante.

Desta forma à responsabilidade do vigilante face ao Código de Defesa do Consumidor, no que pese a prestação de serviço de segurança ser uma obrigação de meio e não propriamente de resultado, uma vez que não assegurar plenamente a incolumidade do patrimônio vigiado, pelo fato desse vigilante não possuir qualificação para esse serviço, se enquadra no conceito de “ serviço defeituoso”, devendo nesse caso por conseqüência a empresa de vigilância, responder objetivamente pelo dano ocasionado.

Passamos a seguir para as penalidades das empresas de vigilância caso deixe de faltar com as suas responsabilidades perante os órgãos fiscalizados, que nessa atividade é realizado pelo Departamento de Policia Federal.

117 Apelação Cível n. 2004.029265-0, Relator: Des. Marcus Tulio Sartorato, 13.03.2007 – acesso no dia 15 de junho de 2009.

3.4 DA RESPONSABILIDADE DAS EMPRESAS DE VIGILANCIAS AOS

No documento UNIVERSIDADE DO VALE DO ITAJAÍ – UNIVALI (páginas 60-64)

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