2. ENSINO DE TROMPETE NO CHORO
2.7 Síntese do capítulo 2
Fonte: Autoria própria
As informações contidas no quadro são pontuações coletadas no material cedido pelos entrevistados. Primeiramente, foram questionados sobre a aprendizagem do choro com alunos iniciantes em trompete, onde os entrevistados 1 e 2 sinalizaram positivamente e o entrevistado 3 relatou que não introduz o gênero para alunos em níveis iniciais no instrumento.
Além disso, foram questionados sobre estratégias de ensino, onde o primeiro entrevistado mencionou a técnica de OICT+A, relatada anteriormente na pesquisa, e os demais mencionaram a escuta direcionada como uma ferramenta de aprendizagem, embora não tenham aprofundando no tema proposto.
Quanto aos compositores para trompete, o entrevistado 1 apontou os seguintes nomes: Bonfiglio de Oliveira; Pedroca; Porfírio Costa; Albertino Pimentel e Silvério Pontes. A seguir, o entrevistado 2 mencionou Bonfiglio, Pedroca, Porfírio Costa, Carramona, Casimiro Rocha como exemplos de compositores para o trompete no choro.
Por fim, o entrevistado 3 citou os nomes de Bonfiglio, Pedroca e Porfírio Costa. Pode-se notar que os nomes de Bonfiglio, Pedroca e Porfírio Costa figuram nas três indicações o que vem reforçar o lugar de destaque dado a esses três nomes no primeiro capítulo da pesquisa.
Em relação a gravações e fonogramas, nomes como Os Oito Batutas, Orquestra Tabajara, Pixinguinha, Severino de Araújo, Épocas de Ouro, Radamés Gnatalli e Paulinho da Viola foram citados pelo primeiro entrevistado. Por sua vez, o segundo entrevistado destacou os seguintes nomes: Pixinguinha; Jacob do Bandolim; Ernesto Nazaré; Anacleto de Medeiros; Benedito Lacerda; Altamiro Carrilho; Zé da Velha; Raul de Barros; Nó em Pingo D’água; Água de Moringa; Rafael Rabelo; Paulo Moura. E finalizando, o terceiro entrevistado destacou os nomes de Joaquim Callado, Chiquinha Gonzaga, Anacleto de Medeiros, Ernesto Nazaré, Pixinguinha, Jacob do Bandolim, Severino de Araújo, K-ximbinho, Waldir Azevedo.
Os entrevistados também foram questionados sobre o uso outros estilos musicais que, de alguma maneira, flertam com o choro. O entrevistado 1 disse fazer uso de outros estilos porém não pontuou quais. O segundo entrevistado se ateve ao universo das bandas de música onde citou Dobrado, Valsa, Bolero, Jazz e Erudito como exemplos de outros estilos musicais. Por sua vez, o terceiro entrevistado destacou os ritmos a seguir, o Samba e subgêneros, Frevo, Baião, Jovem Guarda, Tropicalismo, Rock, Pop e gêneros regionais.
Por fim, os entrevistados indicaram alguns compositores e composições para outros instrumentos, como Pixinguinha, Jacob do Bandolim, K-ximbinho e Candinho.
Todo material relacionado acima foram indicações dos entrevistados, segundo eles são meios usados em seus respectivos processos de ensino, sendo meios para que o os alunos desenvolvam conhecimento pela história e linguagem do choro para se desenvolverem como solistas do gênero.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
O objetivo central da presente pesquisa foi evidenciar como o trompete foi inserido no gênero choro e demonstrar como este é trabalhado por diferentes professores em níveis de aprendizagem diferentes.
A revisão bibliográfica permitiu realizar um breve histórico do choro, levantando questões sobre o gênero, os principais nomes de compositores e intérpretes e assim, fazendo um recorte para as especificidades do trompete, que é o ponto de interesse deste trabalho. Demonstrou-se como foi feita a inserção deste instrumento no gênero em questão, figurando primeiramente em bandas de música e em gravações por músicos que integraram as principais orquestras da época. Descreveu-se biograficamente e de forma sucinta, as trajetórias de intérpretes, solistas e compositores que se dedicaram ao instrumento.
Quanto às produções acadêmicas sobre o trompete na música popular no Brasil, encontrou-se uma gama de trabalhos. Porém, manteve-se um critério de utilização nessa pesquisa, enfatizando os referenciais teóricos que, de alguma maneira, possuem uma relação mais estreita com o tema pesquisado. Sendo assim, a escolha dos trabalhos apontados no item 1.320, mostra uma abordagem do ponto de vista acadêmico sobre o trompete popular no Brasil, mantendo relação com o assunto pesquisado nesse trabalho.
Foi possível notar nesse processo que dois dos trabalhos citados se referiram diretamente a questões ligadas ao choro e os demais citavam o gênero de forma mais indireta em algumas passagens.
Para a elaboração do segundo capítulo, que trata do ensino de trompete no choro, foram utilizados processos metodológicos fundamentados em entrevistas semiestruturadas. Esta metodologia qualitativa serviu a levantar o material que se necessitava para suprir os questionamentos da passagem em questão. As entrevistas atenderam às expectativas e os entrevistados foram detalhistas, o que proporcionou uma amostra que permitiu trazer à tona vários pontos sobre o ensino de choro para trompete.
Ao receber as respostas sobre as indagações relacionadas a níveis de aprendizagem, foi possível constatar que há uma divergência entre os entrevistados no que diz respeito ao estudo do choro por alunos iniciantes. Os participantes 1 e 2 fazem uso do choro com iniciantes e o participante 3 diz não o fazer por considerar que o gênero exige um alto nível técnico.
20 A saber: NASCIMENTO (2008); MOTA Jr. (2011); BENCK. (2008); PASSOS (2016); GIL (2005) e BRANDÃO (2019)
As estratégias de ensino foram o segundo assunto abordado com os entrevistados. O primeiro participante apresentou um método usado por ele que perpassa etapas de apreciação e prática musical com e sem o instrumento. Por sua vez, o segundo entrevistado não pontuou como pensa esse processo e o terceiro participante também não menciona tal etapa.
No subcapítulo sobre composições e compositores, inúmeros nomes foram levantados pelos três, porém, foi possível notar que Bonfiglio de Oliveira, Porfírio Costa e Pedroca foram mencionados com maior frequência pelos entrevistados.
Sobre possíveis fonogramas e gravações indicados, para aqueles que desejam uma imersão nesse gênero, foi possível ter um panorama do que escutar seguindo as sugestões apresentadas. O entrevistado 1 apresentou uma visão cronológica, passando por nomes como Os oito Batutas e nomes contemporâneos como Silvério Pontes e Paulinho da Viola, fazendo assim um esboço de como o choro se desenvolveu. O segundo praticante fez uso de uma abordagem mais ampla, relatando que sua indicação era escutar todo material disponível sobre o gênero e também, citando nomes como Orquestra Tabajara, Jacob do Bandolim, Pixinguinha, entre outros. Por sua vez, o terceiro entrevistado ressaltou a importância de se obter um conhecimento histórico sobre o gênero e indicou a audição das principais obras.
A parte final da entrevista foi relacionada à utilização de outros gêneros da música popular do Brasil. O primeiro participante voltou a mencionar seu processo de aprendizagem e seu uso que não se restringe somente ao choro e podendo sim segundo ele ser usado para qualquer situação de aquisição de novas habilidades. O segundo entrevistado reafirmou o papel das bandas de música na criação do choro, dizendo que foi nesse meio que teve contato com o gênero e também com a execução de outros como Valsa, Bolero e Dobrados, por exemplo. O último entrevistado elencou uma lista de gêneros próximos ao choro, usados por ele em seu processo de ensino, como Samba, Frevo e Baião. Ademais, levantou a importante questão de se olhar para a região em que se está inserido e que é necessário um olhar para as manifestações artísticas locais no processo de aprendizagem do aluno.
Visto que o número de composições destinadas a outros instrumentos que não o trompete tem uma considerável discrepância, foi questionado aos entrevistados a possível adaptabilidade de composições para outros instrumentos. Os professores mencionaram as dificuldades de tal processo, mas também, soluções para a resolução das mesmas. Todos entrevistados discorreram que o choro permite adequações de
determinadas obras para o trompete sem, no entanto, descaracterizá-las. Mesmo que o processo de ensino dos três participantes seja diferente, foi possível notar que em vários momentos, convergiram para um local em comum, o que mostra diferentes abordagens do mesmo assunto.
Ao finalizar esse Trabalho de Conclusão de Curso, pude perceber que futuras investigações sobre o tema são necessárias, isso fará com que novos trabalhos não só sobre o trompete e sua inserção no choro possam emergir, preenchendo assim as lacunas que existem e ainda as que estão por vir. Com isso, o aumento de publicações que abordam a questão linguística do choro no trompete pode vir a contribuir para o surgimento de materiais didático-musicais voltados para o instrumento, fazendo com que floresça um repertório condizente com os limites técnicos apresentados21 . Um dos pontos mais importantes, é que haja uma consequente confecção de materiais didático- musicais para trompete na estética do Choro e da Música Popular Brasileira e que neles estejam, implícitas ou explícitas, as caracterizações e contribuições trazidas por esta pesquisa.
21Utilizando frases que abrangem a tessitura do instrumento e considerem sua estrutura, facilitando a execução das obras pelos intérpretes. (nota minha)
REFERÊNCIAS
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