Estive mal de vida, um caboclo me ajudou Quando estive doente, Preto Velho me curou Eu cheguei no terreiro a meia noite o galo cantou Só com três palavras todo mal que eu tinha o vento levou
Levou, levou, levou Agradeço à Umbanda a Umbanda me salvou Levou, levou, levou Agradeço à Umbanda a Umbanda me salvou
Eu acredito sim Não falem mal da Umbanda perto de mim Eu acredito sim Não falem mal da Umbanda perto de mim Noriel Vilela – Acredito sim
Reponho mais ervas no defumador. A brasa se apresenta chamativa, e a fumaça toma seu espaço por direito. Seus movimentos e dança se formam e deixam rastros no ar.
Acompanhando com o olhar, percebo, olhando para o céu, que há num tipo de brecha ou
9Ibdem.
claraboia formada na parte interna das escadas e rampas da UERJ. Bem no topo de sua estrutura, a claraboia deixa passar a luz na qual a fumaça se perde. E lá fico, tentando acompanhar seu ritmo, seu caminho. Quando já não defino o que é luz, nuvem ou fumaça, e apenas o seu cheiro permanece vívido, acabo recordando do dia em que colhi as ervas para realizar esta defumação. É como se retornasse ao estado de indagação sobre os planejamentos da pesquisa, atravessando mente e alcançando as práticas físicas, religiosas de um todo que me compõe. É quase possível retornar, através dos sentidos olfativos, ao estado de frieza na barriga enquanto entrava no centro, refletindo sobre as possibilidades e as escolhas feitas até então, para a composição deste trabalho.
***
Há bancos cor de bege em forma de retângulo, enfileirados. Neles, várias pessoas estão sentadas, assistindo ao que ocorre diante de seus olhos. Alguns, que sabem, cantam e compõem o uníssono grave e harmônico. Mais à frente, algumas pessoas de pé seguram um bebê.
OicolomiOicolomi Corre o mundo sem parar Alumeia a Mata Virgem Cidade do Juremá Se São João soubesse Quando era o seu dia Descia do céu à terra Com prazer e alegria Meu São João
foi ao jardim colher flores São João batizou Jesus Jesus batizou João.
Vinte e sete de setembro de 1991. Um ponto de batismo, um casal segura um bebê com 17 dias de vida, diante de dois médiuns10. Estes, por sua vez, estavam incorporados com Caboclo Serra Negra e Caboclo Três Estrelas, entidades que correspondem a espíritos de índios. “Seu”Serra Negra era a entidade que zelava aquele batismo, cujo médium era o Pai de Santo – autoridade máxima – do Terreiro Centro da Mata. “Seu”Três Estrelas era o caboclo que apadrinharia o bebê. Por algum motivo ainda desconhecido, a médium que representaria a
10 Médiuns são pessoas que têm contato entre este mundo e o mundo espiritual. São sensíveis às mensagens enviadas, seja por sonhos, por intuições. Algumas manifestações se dão através dos sentidos da visão, da audição, do olfato, dentre outros. Nem todo médium possui todas estas características de sensibilidade mediúnica, varia de pessoa para pessoa. No caso, os médiuns ali presentes são de incorporação, que consiste na manifestação corpórea em resposta à aproximação da entidade ou guia espiritual. Esta proximidade possibilita que as entidades se comuniquem através do corpo do médium, realizando seu trabalho de caridade conforme explica a Umbanda.
presença do outro padrinho espiritual, Caboclo Mata Virgem, não estava presente. “Seu”
Serra Negra dá seu brado e pergunta se, mesmo assim, o batismo pode prosseguir. Neste instante, uma médium incorpora um caboclo, que vem dançando até estar diante de Seu Serra Negra. Ele, por sua vez, indaga: “Caboclo vai batizar criança?”. O outro acena positivamente com a cabeça, mantendo sua postura ereta perto do outro padrinho. O batismo segue normalmente.
Após a sessão, os médiuns já desincorporados comemoram, comentando, felizes, sobre a cerimônia, e cumprimentam a mãe e o pai do bebê. No meio de abraços e felicitações, uma médium aparece com um sorriso tímido e se apresenta. Ela se chama Alice, e primeiramente se desculpa pelo ocorrido anteriormente. Ela não conhecia ninguém da família do bebê, mas seu Caboclo se aproximou no momento do batismo, e sendo algo tão intenso, ela correspondeu à mensagem e deu passagem a seu guia, que agora se tornava padrinho espiritual da criança. A mãe sorriu agradecida e disse não ter problemas com isto, por acreditar que a espiritualidade age independente de nossa total compreensão. E então, pergunta o nome do caboclo da médium, que, prontamente, responde: “Caboclo Mata Virgem”.
Vinte e seis anos depois, ao passar pelo portão de ferro, saúdo a porteira e, consequentemente, os guardiões de ronda, Exus que fazem a proteção. Os pés, já acostumados a traçar este caminho, pisam em passos que meus pais já pisaram. É nítida a mudança de energia; como se fosse um portal, os pensamentos outros ficam para trás (seria Exu fazendo a limpeza?). Começam a atravessar a mente as entidades que até aqui me guiaram de alguma formae o tanto que elas insistiram para que este trabalho acontecesse antes mesmo de existir.
Se não me falha a memória, a preta velha de Dona Alice, Vovó Maria Conga, me aconselhava a continuar com os estudos, enquanto fumava seu cachimbo entre uma cuspidela e outra.
Fia minha, suncêtá no tempado de fazer estudador. De fazer concentrador para ler coisa de doutô. De juntar pouquinho em pouquinho e fazer entendedor daquilo que suncê tanto busca. Fica atarantada não que véia vai te ajudar. Que lá na frente suncê ajuda véia e faz caminhador na caridade, NE, fia? Cada coisa em seu tempado.
As consultas de preto velho costumam aliviar a ansiedade, transmitem paz e a sensação de que há companhia o suficiente para ficar bem. A fala de Vovó Maria Conga não seria diferente; um cachimbo que fala, um olhar que escuta, o poder do silêncio para compreender o que o tempo e a espiritualidade aconselham, falam, acolhem no momento da consulta...
“Maria Conga é quem vence demanda!”, já diria o ponto. O “estudador”, que vovó dizia para ser feito, era além do que eu costumava fazer; a pesquisa estava presente em outros caminhos, além da receptividade. Era momento de indagar, de refletir, de ouvir, de atuar, de abranger, de propor, em diferentes frentes e fontes que auxiliariam nessa pesquisa.
Alessandra era uma delas.Era uma das fontes que me ajudariam a pensar essa pesquisa. Aqui, reflito sobre os encontros que ocorrem cotidianamente, já que seria muito raso alocar as contribuições de Alessandra como algo do acaso, haja vista as semelhanças de vida e de trajetória acadêmica que temos. Não somos iguais, mas são nas palavras dela que encontro representatividade:
Sou mulher e professora negra e as histórias dessas mulheres me ensinaram muito dasrelações étnico-raciais na sociedade brasileira e sobre o racismo estrutural e epistemológico refletido na educação escolar. O conhecimento que se constrói a partir dessa jornada também me diz muito sobre minha história e a tradição de minha família. Afinal, se todo objeto de pesquisa reflete o pesquisador, estudar o Candomblé e a vida dessas mães de diferentes terreiros da Baixada Fluminense, também refletem a minha própria história de amor e de recusa a minha ancestralidade. Conhecendo a trajetória dessas mulheres, refiz caminhos e reencontrei histórias familiares negligenciadas, pois, agora vejo com maior clareza que nasci com um centro de umbanda em casa. (AGUIAR, 2015, p. 20)
De forma convidativa,Alessandra desenvolveu um belo trabalho sobre Candomblé com cinco yalorixás na baixada fluminense do Rio de Janeiro. A partir de uma história contada em primeira pessoa, a autora, que dialoga sobre possibilidades do ensino religioso nas escolas públicas, costura a história de sua família com as religiões de matriz africana – pai e avó eram, respectivamente, pai e mãe de santo do terreiro da família – e com as entrevistas realizadas com mães de santo da baixada fluminense.
Enquanto realizo uma das partes iniciais do preceito que antecede a gira – separar as roupas e demais itens para o banho de ervas – junto com Alessandra,me pego pensando sobre sua fala e na similaridade de vivências. Ela me diz “nasci com um centro de umbanda em casa” (AGUIAR, 2015, p. 20), enquanto a olho entre movimentos de arrumação nas roupas de santo.
Batizada com dezessete dias de vida, a frase teria pouca alteração em relação ao tempo, no meu caso, pois praticamente nasci num centro de Umbanda. E Alessandra, em um de candomblé, como a mesma pontua.
Seria talvez uma ação da ancestralidadereivindicar uma escrita que se desenvolva conforme um rito da religião, me revelando a ligação com a identificação de ser mulher negra, ainda que tal consciência seja relativamente nova em comparação aos anos que me entendia como uma pessoa não-negra?Seria atuação das mulheres negras que me antecederam, que
abriram caminhos para que eu e muitas outras pudéssemos passar, seguir adiante e nos encontrar neste adiante? E por que não na vida acadêmica e num terreiro de umbanda? E por que não com Alessandra?
Conforme a conversa segue, brinco lhe dizendo que inúmeras vezes, ao aprofundar estudos acadêmicos, me sinto mais inclinada a descobrir o que as coisas não são do que o que elas são de fato. E ao escrever, refletindo toda a pesquisa enquanto me encontro neste processo, habitando-a em momentos que estou de frente para o computador realizando a escrita, em momentos da prática em campo – nas rodas de conversa – e da prática no terreiro, me dou conta da familiaridade desta sensação, quase infantil; descobrindo o mundo ao meu redor, tateando tudo à minha volta, buscando compreender com todos meus sentidos: boca, gosto, cheiro, olhos, sons, cor, textura.
Não somente me sentia contemplada pelas similaridades presentes nos relatos de Alessandra, mas também pensava sobre como ela sentiu-se a fazer uma pesquisacomo essa, sendo mulher, negra, retornando à religião e espiritualidade precedida por seu pai, sua avó.
Essas ideias e reflexões geradas a partir dos encontros contribuem para entender os desdobramentos da pesquisa como tentativas de alargamento de debates, e não como certezas do que “são” de fato. Conforme a narrativa se apresenta como proposta,percebo que, apesar da presença de certos momentos de dúvida, acredito que exista uma relação íntima entre os encontros que ocorrem nos períodos de pesquisa e a energia que move fatores, indivíduos, contextos... Esta relação está sinalizada em sua possível existência quando dificilmente alcançamos palavras tangíveis para descrever os momentos vividos, os encontros que nos marcam.
O que percebo é que tudo ocorreu pontualmente. O encontro com Alessandra. O encontro com a mesa de abertura do IV CONGEAfro. Reencontros ao rememorar minha própria trajetória e ligação com a Umbanda e os encontros com outras leituras que confluíram para essa decisão política no ato de escrita, de narração.
Saindo do quarto, Alessandra puxa um cigarro enquanto busco as ervas para o banho.Ela procura em seus bolsos a caixa de fósforo, puxa um palito e, com um movimento rápido, acende quase instantaneamente o fogo e o fumo. Sigo comentando sobre a importância de textos que nos representem, nos quais nos vemos e que nos fazem encarar nossas próprias pesquisas e escritas como modos potentes de quebrar o paradigma hegemônico de acordo com o qual nós fomos sujeitas a crescer e aprender. Ao ler sua dissertação, entendi como uma das primeiras pistas que a pesquisa me dava sobre como conduzir este caminho.
Após um tempo, José Carlos dos Anjos está sentado num banquinho, perto das ervas que colhemos. As discussões seguem nas escritas que deslocam, que fogem do comum e que reforçam a história contada apenas pelo viés colonial, dominante.Puxando alguns galhos de arruda e colocando num pote azul claro, José Carlos dos Anjos acena positivamente com a cabeça e afirma:
O que raramente se levou realmente a sério é o empreendimento de reunir a regularidade dos conceitos construídos no terreiro para fazer ressaltar filosofias de dimensões similares àquelas canonizadas no ocidente. Trata-se de uma operação radicalmente diferente de uma simples etnografia de uma tribo diferente ou uma pretensão de diálogo com uma outra cultura. Colocar uma filosofia não-ocidental numa posição de simetria com as filosofias ocidentais é fazê-la ressoar no interior do discurso antropológico. (ANJOS, 2008, p. 78)
“No discurso antropológico, e no discurso cotidiano, nas nossas práticas...”, penso alto, enquanto Alessandra se vira para José Carlos e acrescenta um adendo à sua fala:“Aprender candomblé nos terreiros com a tradição oral passada pelas mães-de-santo tem um tanto de criação e de cura simultaneamente conforme simbolizam Oxalá e Omulu”.Aceno positivamente com a cabeça, refletindo sobre a ligação e a capacidade de reinvenção presentes no cotidiano da Umbanda, que vivifica intensamente as noções de ancestralidade em suas práticas e nos apresenta, por sua vez, as possibilidades de posicionar uma filosofia não- ocidental perante a uma ocidental, trazendo o que José Carlos Anjos (2008) pontuou em sua fala sobre o ressoar no discurso antropológico.
Comento sobre como as formas de aprender dentro do Terreiro são tão diferentes das formas de aprendizagem a que estamos acostumadas fora dele, seja na escola, na família e em demais instituições.“O Terreiro traz consigo uma metodologia de aprendizado que desloca os sentidos de saber e conhecimento...”, termino a frase, pensando alto, quando ouço uma resposta que não vinha nem de Alessandra nem de José Carlos. “É um eterno catar-folhas!”, exclama Lucas Marques (2016), enquanto dobra as bainhas da calça de santo.
A feição de meu rosto denuncia a ignorância sobre o que o médium novo, também pesquisador, fala. Lucas compreende a dúvida pelo meu semblante e continua:“Márcio Goldman fala que no candomblé”
É inútil esperar ensinamentos prontos e acabados de algum mestre, e que deve tratar de ir reunindo pacientemente, ao longo dos anos, os detalhes que recolhe aqui e ali, com a esperança de que, em algum momento, esse conjunto de saberes adquira uma densidade suficiente para que com ele se possa saber alguma coisa. A isso se denomina “catar folhas”. (MARQUES, 2016 apud GOLDMAN, 2005).
“Já o ferramenteiro-de-orixá e pai de santo com quem pesquisei no Mestrado explica isso em outras palavras...”:
É como quando você tá na mata, e tem que pegar as folhas pra fazer um negócio. E não é você achar que alguém vai aparecer e te dizer ‘olha, essa folha usa pra isso, essa praquilo’. É você olhar quando alguém tá fazendo, e conseguir gravar que tipo de folha é, e depois ir tateando a mata até encontrar. Aí você primeiro vai capengando, capengando, chega com a folha errada e o pai de santo manda você voltar, e por aí vai... Até, quando ver, você já tá sabendo alguma coisa.(MARQUES, 2016, p. 7)
Após ouvir as noções de “catar-folhas” trazidas por Lucas, reflito sobre a relação de ambas as falas e como me contemplam no que penso como processo de aprendizagem dentro do Terreiro – que um tanto me auxilia a compreender a pesquisa – e sua peculiaridade que foge aos determinismos de classificar, objetificar e estruturar um estudo a partir de modos hegemônicos nos quais nos moldamos e educamos.
Quebro o silêncio que sucedeu à colocação de Lucas e comento sobre minha busca ao estudar sobre o tema de pesquisa, correlacionando-o às contribuições que a religião me proporciona e em comocada novo olhar sobre um mesmo ponto traz a oportunidade de um desarranjo da fixidez com a qual estamos acostumados a atuar em todos os âmbitos da vida cotidiana.
Lucas acena com a cabeça e, após dobrar as bainhas de sua calça, senta-se no banco de madeira e, apoiando os cotovelos em seus joelhos, afirma:
Capturar conhecimento, assim, não é somente reunir ‘dados’ ou ‘informações’ sobre tal ou qual coisa; antes, trata-se de deixar o conhecimento “enraizar-se nas profundezas do seu ser” (Cossard 1970:227), através de um engajamento corporal ativo com o ambiente e seus contextos. É criar-se continuamente através da tentativa, do erro e, sobretudo, da experimentação: trata-se de “tatear” a mata,
“capengar” até conseguir fazer a coisa certa. Saber, além de envolver força, é portanto parte da própria constituição da pessoa no candomblé (ver Goldman 1984).
É somente através do engajamento prático que esse saber tornar-se possível, constituindo assim a própria pessoa. O aprendizado, como dizem Rabelo & Santos (2011:189), “procede pela participação e envolvimento gradativo em contextos de prática (especialmente ritual) e raramente envolve transmissão sistemática de conteúdos”. (MARQUES, 2016, p. 7)
As palavras de Lucas trazem o matutar dos pensamentos, das indagações sobre os momentos vividos dentro e fora da pesquisa. Me questiono sobre o poder de abrangência que o olhar pesquisador proporciona, ao nos posicionar atenta e criticamente sobre cada acontecimento – a princípio, tido como comum, posteriormente dando lugar à outras alternativas, outros prismas, rumo à outras questões antes não percebidas. E, ainda desta forma, obviamente deixamos uma variedade de aspectos passar, sem notá-los.
Ao encarar os exercícios de literaturizar a ciência e sua pesquisa, trançandoancestralidade e a religião como fios condutores e narrativos da pesquisa, me vêm à
cabeça os motivos pelos quais algum tipo de cegueira não me permitiu ver a potência desta proposta. Lendo minha mente, José Carlos pontua:
Trata-se aqui de não fazer uma exposição desde fora, do lugar de um sujeito de conhecimento que apresentaria um pensamento nativo, enquanto objeto. Mas também não se demanda uma posição de suposta autoridade religiosa, definir a formulações mais “corretas”, “puras” ou “ortodoxas” das concepções afro- brasileiras. Trata-se de experimentar uma outra relação com o discurso e práticas nativas, suas possibilidades de emergência no espaço acadêmico. (...) ser um espaço de ressonância do discurso político-filosófico afro-brasileiro. (ANJOS, 2008, p. 78)
Cá estou, diante de pessoas que buscaram traçar estes caminhos que aparentam tanto atuar como uma catarse do que vivem, como também possibilidades de metodologias e aprendizados, deslocando tais propostas de forma a dialogar horizontalmente com outras formas mais padronizadas de escrita acadêmica.
Alessandra divide o cigarro com um café preto quente, sem açúcar, apreciando o silêncio. José Carlos segura com uma mão o pote de ervas, enquanto, com a outra, gesticula enquanto fala:“Na linguagem dos terreiros seria fazer com que a filosofia nativa se ocupe da antropologia como um espírito se ocupa de um cavalo de santo”(ANJOS, 2008, p. 78).
“Uma incorporação?”, eu questiono. Ele sorri e me devolve a indagação:“Com essa história, você saberia responder melhor do que eu, não?”.E levanta-se, caminhando com um sorriso no rosto.
Médiuns antigos que são comprometidos com a religião, geralmente, estão tão ligados com seus guias espirituais que às vezes parecem não necessitar da incorporação para dar consulta. Essa constatação veio à mente conforme via a figura dele desaparecer, ao buscar a água do banho na cozinha.
“Ele é um médium antigo da casa”, eu pensei.
1.3 Momentos que antecedem a gira: concentração e reflexão, aproximação aos mais