Esta dissertação trata do desenvolvimento de um framework de métodos para a construção de modelos de capacidade de processos. Até o momento da elaboração deste trabalho não foi encontrado um método genérico de construção de modelos de capacidade que possa ser instanciado por um modelo e que retorne um feedback sobre a sua validade como modelo de capacidade. Desta forma, procurou-se pesquisar os métodos de construção dos modelos mais conhecidos nacionalmente e internacionalmente (CMMI, ISO/IEC 15504, etc.) para servirem de base para a concepção deste framework. Entretanto, também não foi possível encontrar até o momento da elaboração deste trabalho documentação das abordagens de desenvolvimento de tais modelos. Assim, buscou-se selecionar modelos de processo que documentassem seu próprio método de construção para servirem de base para o levantamento das práticas de construção de modelos.
Encontram-se apresentados, neste capítulo, os Guias, Normas, e Modelos de Processo que, de alguma forma documentam o seu próprio método de construção e assim se aproximam da proposta da dissertação. Para auxiliar nesta seleção, foi definido em Inglês um termo de para ser aplicado em ferramentas de busca de trabalhos científicos. O termo utilizado em cada fonte de pesquisa é apresentado no Apêndice A. O termo visa encontrar trabalhos científicos de construção de modelos, normas ou guias de processo. Este termo compreende os seguintes elementos: (Modelo ou Padrão ou Guia) e (Processo) e (CMMI ou 15504 ou 12207 ou
"MPS.BR" ou "MR-MPS" ou CMM ou SPICE) e (Extensão ou Estendendo ou Estendido ou Adaptar ou Adaptando ou Adaptação ou alinhar ou alinhado ou Customizando ou Customizar ou customização ou desenvolver ou desenvolvendo ou desenvolvimento ou definição ou definir ou definindo).
O termo de busca foi utilizado em fontes de pesquisa como bibliotecas digitais, revistas especializadas e conferências em ferramentas de pesquisa de trabalhos científicos. As fontes utilizadas foram: Anais da conferencia internacional SPICE e do SBQS - Simpósio Brasileiro
de Qualidade de Software e nas bibliotecas digitais SPRINGER, IEEE, ACM Association for Computing Machinery 31e CITESEEER.
Em todas as buscas realizadas mais de 100 registros foram encontrados para o termo de busca utilizado. Nem todos os registros retornaram trabalhos especificamente sobre a construção de modelos de processo. Desta forma, os documentos foram analisados e foram filtrados destes documentos os trabalhos que apresentavam:
Frameworks, modelos e normas de capacidade de processo para domínios específicos.
Trabalhos que relatam como modelos e normas de capacidade foram desenvolvidos.
Trabalhos que relatam experiências de como foram adaptados modelos e normas de capacidade de processo para domínios específicos.
Trabalhos publicados a partir de 01 de janeiro 1990 até o dia da pesquisa realizada em 30 de abril de 2009.
Ainda foi considerado como critério de qualidade selecionar apenas documentos que descrevessem com nível de detalhe suficiente para reproduzir como foi realizada a construção ou a adaptação do guia, modelo ou norma desenvolvido. Os trabalhos selecionados para avaliação foram:
1. PRM.CBD (TSUKUMO et al., 2006).
2. Modelo Para Melhoria e Avaliação da Gestão da Pesquisa (SILVA, 2007).
3. MARES-MPE (ANACLETO et al., 2004).
4. Modelo de capacidade de processos para a liderança de equipes virtuais integradas (TUFFLEY, 2008).
5. Modelo de capacidade de processo para gerência de serviço de TI como uma adaptação dos requisitos da ISO20000 (BARAFORT et al., 2008).
Além destes trabalhos, outros modelos elaborados com a participação da equipe do LQPS ou do CTI também foram selecionados, pois a forma como estes modelos foram gerados é de conhecimento da autora.
6. Guia de referência de provedores de software como um serviço (CANCIAN, 2009).
7. Modelo de capacidade de processo para desenvolvimento de software no domínio bancário (CAVALCANTE e COSTA, 2005).
8. Modelo de Capacidade de Processo para o domínio da educação (MIRANDA e SALVIANO, 2005).
31 Associação para “Máquinas de Computação”
A partir do survey conduzido neste trabalho foram selecionados dois para um estudo inicial:
9. MoProSoft Modelo de Processo de Software alinhado a Pequenas Empresas e aderente à realidade das empresas mexicanas (OKTABA, 2006).
10. MR-MPS Modelo de Referência para Melhoria do Processo de Software Brasileiro (SOFTEX, 2009b).
A seleção destes modelos foi baseada na sua representatividade no mercado. Para isto foi usado o item Degree of usage32. Entretanto, este item foi preenchido com unidades diferentes, pois no momento da distribuição do survey não foi estipulado qual a unidade deveria ser utilizada (quantidade de desenvolvedores33 ou quantidade de empresas34). Assim, para apoiar a seleção dos modelos optou-se pela unidade quantidade de empresas uma vez que esta foi adotada mais vezes nas respostas recebidas. O objetivo foi selecionar dois modelos que fossem amplamente utilizados. Assim, foram escolhidos o MoProSoft (220 empresas) e o MPS.BR (300 empresas). Futuramente, os outros feedbacks obtidos partir do survey conduzido neste trabalho poderão ser usados para uma avaliação mais ampla do PRO2PI- MFMOD. O Quadro 15 ilustra as respostas dadas ao survey para o item “grau de uso” do modelo.
Quadro 15: Grau de uso dos modelos.
Model Degree of usage
Model 1 Pilot Study
Model 2 7000 developers
Model 3 5 companies
Model 4 None
Model 5 None
Model 6 Used by the University
Model 7 None
Model 8 +150 companies
Model 9 20 companies
Model 10 N/I
Model 11 1 company
Model 12 Used by the several government agencies
Model 13 +5 companies
Model 14 N/A
Model 15 None
Model 16 +5 companies
MoProSoft +220 companies
MR MPS +300 companies
32 Grau de uso
33 developers
Após a seleção dos modelos, normas e guias de processo, os métodos de construção destes são estudados e avaliados. Para que a avaliação dos métodos de construção dos modelos seja feita de modo mais objetivo, permitindo uma comparação, um conjunto de critérios de avaliação a serem considerados é estabelecido. Cada uma das referências estudadas no estado da arte é discutida em relação dos critérios de avaliação estabelecidos, que estão definidos na seção 3.2.