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Setor 3 – Saco da Fazenda

No documento universidade do vale do itajaí – univali (páginas 60-65)

Para este setor, o Projeto Orla o delimita desde a divisão com o setor anterior na área do molhe da Praia do Atalaia até a Marejada. Além do mais, o intuito do Projeto Orla para este setor é promover o potencial turístico e acessibilidade, preservar o patrimônio público e seu uso, organizar a utilização do Saco da Fazenda e preservação da paisagem.

6.5.1 Análise do mapa de uso e ocupação do solo

De acordo com a confecção do mapa de uso do solo (Figura 25) verifica-se que este ambiente estuarino apresenta áreas com ecossistema manguezal ao longo de praticamente toda sua margem, floresta ombrófila densa mais ao sul, onde está localizada uma parte do Parque Natural Municipal do Atalaia, um resquício de vegetação de restinga também ao sul próxima a divisão com o setor anterior, e costão rochoso proveniente do molhe criado pelo homem. Com o uso urbano, por sua vez, fica evidente que toda esta área de estuarina está fortemente urbanizada.

(a) (b)

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Figura 26: Mapa de uso do solo e seus ecossistemas referentes ao setor Saco da Fazenda.

Os valores de área obtidos de cada classe de uso relevam que, na porção dos 300 m do setor Saco da Fazenda, há uma forte urbanização ao redor do corpo d’água e seus ecossistemas, perfazendo cerca de 0,64 km2 (75%) de área. Já o manguezal e a floresta ombrófila densa são os ecossistemas mais significantes (0,1 km2 – 12% e 0,11 km2 – 13%, respectivamente), enquanto que o costão rochoso e a vegetação de restinga representam um valor de área muito baixo, de aproximadamente 0,0025 km2 e 0,0022 km2, respectivamente, não chegando a 1% da área total. Sendo que o valor de área total para este setor resultou em cerca de 0,86 km2. Estes valores também foram moldados em percentuais para melhor observação no gráfico abaixo (Figura 26).

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Figura 27: Representação gráfica percentual das classes de uso do solo no setor Saco da Fazenda.

De maneira geral, a área de espaços naturais encontradas foi de 25% de toda área total, que podem estar relacionados a presença da Área de Proteção Ambiental Saco da fazenda. Esta é de uso sustentável, comumente visitada pela população como local de caminhada, navegação e atividades educacionais. Compreende um complexo estuarino, com presença de ecossistemas de mangue com significativa presença de aves aquáticas, sendo que, junto ao Parque Natural Municipal do Atalaia, forma um corredor ecológico.

Portanto, o percentual muito baixo pode ser explicado pela forte urbanização proveniente da localização do Saco da Fazenda, sendo próximo ao centro urbano do município de Itajaí.

6.5.2 Análise dos serviços ambientais

Assim como os setores anteriores, foram identificados os serviços ambientais relacionados aos ecossistemas do Saco da Fazenda (Tabela 4). Por este ser um ambiente estuarino, dentre os ecossistemas encontrados, o mais significante é o manguezal (Figura 27), o qual pode ser relacionado principalmente à produção e regulação dos gases, controle da erosão e retenção de sedimentos, ciclagem de nutrientes, controle biológico e refúgio da vida silvestre. Sendo estes importantes serviços de suporte e regulação contra a poluição do ambiente, e a favor dos organismos que utilizam desta área. Além de prestarem serviços voltados ao fornecimento, como a produção de alimento, segurança alimentar, produção

0%

13%

12%

75%

0%

Setor 3 - Saco da Fazenda

Costão rochoso

Floresta ombrófila densa Manguezal

Uso urbano

Vegetação de restinga

65 primária e recursos genéticos, já que a comunidade de pescadores artesanais presente usufrui dos recursos pesqueiros associados a este ambiente estuarino.

Na porção do Morro do Atalaia (Figura 27), onde há o ecossistema floresta ombrófila densa exercendo, principalmente, tipos de serviços relacionados à produção primária como serviço de fornecimento, produção e regulação dos gases, regulação do clima, controle da erosão e retenção de sedimentos, e até mesmo refúgio da vida silvestre como serviços de suporte e regulação. Do mesmo modo que discutido para os setores anteriores, este ecossistema evita que ocorra deslizamentos de solo, por exemplo, em períodos de precipitação intensa. Já que é possível notar uma boa quantidade de residências presentes na mancha urbana ao longo das encostas deste morro, oferecendo riscos à população.

Tabela 4: Formas e tipos de serviços ambientais e seus ecossistemas para o setor Saco da Fazenda.

Serviços ambientais do setor Saco da Fazenda

Formas de serviços Tipos de serviços Ecossistemas

Serviços de fornecimento

Produção de alimento

Manguezal.

Segurança alimentar Produção primária

Floresta ombrófila densa e manguezal.

Recursos genéticos

Serviços de suporte e regulação

Produção e regulação dos

gases Costão rochoso, duna, floresta ombrófila densa, manguezal, praia e vegetação de restinga.

Regulação do clima

Suplemento de água Floresta ombrófila densa e manguezal.

Proteção da costa contra extremos (climáticos;

inundações; e deslizamentos)

Costão rochoso, floresta ombrófila densa, manguezal e vegetação de restinga.

Regulação hidrológica Floresta ombrófila densa e manguezal.

Controle da erosão e retenção de sedimentos

Floresta ombrófila densa, manguezal e vegetação de restinga.

Formação de solo Manguezal.

Ciclagem de nutrientes Costão rochoso, floresta ombrófila densa, manguezal e vegetação de restinga.

Dissipador de matéria e energia

Polinização Floresta ombrófila densa, manguezal e vegetação de restinga.

Controle biológico

Costão rochoso, floresta ombrófila densa, manguezal e vegetação de restinga.

Refúgio da vida silvestre Floresta ombrófila densa, manguezal e vegetação de restinga.

Serviços culturais

Recreação Costão rochoso, floresta ombrófila densa, manguezal e vegetação de restinga.

Cultura

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Figura 28: (a) Foto do Morro do Atalaia que representa a área com ecossistema de floresta ombrófila densa. (b) Foto da vegetação de manguezal presente na margem do Saco da Fazenda.

6.5.3 Análise da estrutura DPSIR

Através dos dados obtidos pelo mapeamento de uso do solo do setor Saco da Fazenda na faixa de 300 m juntamente à estrutura DPSIR (Figura 28) e ao Projeto Orla, observa-se que a força motriz atuante é a urbanização, principalmente tratando-se da questão da marina à ser criada neste setor – projeto já aceito pelo órgão ambiental e em fase de construção – e também da alteração de sua morfologia quanto a bacia de evolução.

Assim, esta força desempenha pressões no ambiente ligadas basicamente ao aumento populacional, emissões atmosféricas, produção de resíduos, e ruído, as quais preferivelmente irão aumentar devido à construção da marina. Por sua vez, acabam por influenciar a mudança de estado do meio provocando as mudanças de uso do solo, da qualidade ambiental e urbana do estuário, como vistos para os setores anteriores. Os impactos causados por tais modificações irão implicar na perda da biodiversidade e aumento da poluição aquática, principalmente. Políticas públicas devem ser inseridas neste contexto como resposta a esses fatores, tais como o Plano Diretor e o Projeto Orla atualmente em discussão no município de Itajaí, além da Área de Proteção Ambiental (APA) do Saco da Fazenda, devendo ser consideradas as diretrizes dos estudos de impacto ambiental (EIA) referentes à construção de empreendimentos neste setor, como é o caso da marina pública.

(a) (b)

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Figura 29: Estrutura DPSIR adaptada para os problemas encontrados no setor Saco da Fazenda.

Neste contexto, a estrutura DPSIR gerada para o Saco da Fazenda pode ser ligada aos ricos referentes às mudanças climáticas, envolvendo principalmente a elevação da emissão dos gases de efeito estufa por meio da urbanização intensa e também da construção da marina, que vai contribuir para e aumentar a poluição do corpo d’água.

Também pode-se dizer que com a forte impermeabilização do solo e a diminuição do ecossistema manguezal (advinda do uso urbano) ao redor do Saco da Fazenda, com um evento de precipitação e podendo ser mais intenso com as alterações do clima, certamente ocorrerá uma inundação deste setor, afetando a população como um todo. Isto, também, porque o serviço ambiental prestado pelo manguezal remanescente não será exercido adequadamente. Pensando nisto, a presença de moradias ao longo das encostas do Morro do Atalaia, assim como o setor Cabeçudas/Atalaia, estão vulneráveis ao risco de deslizamentos de solo, fazendo importante a preservação do ecossistema de floresta ombrófila densa presente nesta área para que seu serviço ambiental continue sendo prestado de forma adequada.

No documento universidade do vale do itajaí – univali (páginas 60-65)