69 Figura 31: Gráfico percentual das classes de uso do solo em parte do setor fluvial Itajaí-Açu. 65 Tabela 5: Formas e tipos de serviços ambientais e seus ecossistemas para o setor fluvial Itajaí-Açu.
Descrição geral do município de Itajaí
Aspectos físicos
Ressalta-se que, por questões geopolíticas, este trabalho abordará apenas o impacto do estuário do rio Itajaí-Açu no município de Itajaí. Segundo Schettini (2002), Itajaí é considerado um município estuarino, por estar localizado na foz do rio Itajaí-Açu, onde sofre influência direta do mar.
Aspectos socioeconômicos
Levando em consideração todas as características descritas, mais o fato de estar localizado na foz do Rio Itajaí (conforme já mencionado) e receber aportes fluviais de toda a bacia hidrográfica, associados à sua formação geológica e localização geográfica, o município de Itajaí É provável que este país sofra inundações periódicas dos leitos dos rios, o que foi historicamente comprovado e acabará por causar uma série de danos sociais e económicos. Devido à sua localização geográfica, as principais atividades econômicas de Itajaí estão relacionadas à pesca marítima e às atividades portuárias (Figura 3).
Estuário do Rio Itajaí-Açu
23 A foz do Rio Itajaí está localizada entre os municípios de Itajaí e Navegantes e tem aproximadamente 70 km de extensão. O estuário inferior (Fig. 4) está localizado no Oceano Atlântico a 26°54,7' S e 48°38,1' W, enquanto o estuário superior atinge a cidade de Blumenau, onde o limite de influência da invasão das ondas é a maré observada. (BENEVIDES et al., 2011).
Geral
O regime hídrico do estuário apresenta grande variação na descarga de líquidos no oceano adjacente, variando de 150 m³/s a 2.000 m³/s, distribuídos aleatoriamente ao longo do ano, e com vazão média de 250 m³/s. Na foz do estuário, a maré foi classificada como micromarés de acordo com sua altura, variando entre 0,3 m e 1,2 m nos períodos de nuca e sizígia, respectivamente, com altura média de 0,8 m e, em termos de periodicidade, a maré tem dominância diária (SCHETTINI et al., 1998; SCHETTINI, 2002).
Específicos
Identificar correlações entre o uso da terra e os serviços ambientais em . diferentes setores do estuário Itajaí-Açu;
Serviços ambientais
Em geral, os serviços ambientais são bens que a natureza oferece e dos quais o ser humano desfruta de alguma forma. Os critérios de classificação dos serviços ambientais variam de acordo com os interesses específicos das organizações e dos países (OLIVEIRA, 2008).
Ambientes estuarinos
A importância dos ecossistemas tem sido ampliada pelos cientistas, principalmente no que se refere às relações causais, portanto as interações dinâmicas entre funções, valores e processos ecossistêmicos devem ser levadas em consideração (DE GROOT et al., 2006). As flutuações naturais do nível do mar e as correntes de cheia e vazante são as características mais notáveis do movimento da água nessas regiões (MIRANDA et al., 2002).
Mudanças climáticas
Cenário global
Satterwaite et al., 2007 comentam os resultados do AR4 do IPCC, onde se constatou que eventos de precipitação intensa têm 90 a 99% de chance de aumentarem de frequência, ou seja, é muito provável. Em algumas cidades e regiões, as alterações climáticas têm uma probabilidade de 66 a 90% de reduzir as médias anuais de precipitação e são consideradas prováveis, mas eventos individuais de precipitação extrema mais frequentes significam que o risco de inundações pode não ser reduzido.
Cenário no Brasil
O resultado deste estudo para a América do Sul é apresentado como um grande aumento nas vazões dos rios na região Sul do Brasil, o que poderia levar a inundações mais frequentes e intensas nesta região, como aponta o autor. Marengo (2008) faz um resumo dos cenários futuros de mudanças climáticas para o final do século XXI e seus impactos no Brasil, onde afirma que para a região Sul, um possível impacto será uma alta frequência de chuvas intensas.
Inundações em Itajaí
Segundo estudos realizados por Brassanini (2010), assim como no restante do Vale do Itajaí, as enchentes de 1983 e 1984 afetaram severamente Itajaí. Se compararmos as cheias de 2008 e 2008, percebemos com que força estes acontecimentos atingiram o município, abrangendo quase tudo, em toda a área.
Análise de risco
Modelo DPSIR
Este modelo inclui indicadores de atividades humanas que exercem pressão e se transformam em processos que alteram as condições ambientais, causando ações sociais resultantes (MORAES apresenta uma descrição dos componentes do modelo PSR. Os indicadores de força motriz descrevem o desenvolvimento social, demográfico e econômico da sociedade e o mudanças correspondentes nos padrões de produção e consumo que afetam a sustentabilidade do sistema.
Levantamento de informações
Identificação e mapeamento do uso e ocupação do solo
1:5.000 – escala de trabalho – a partir desta foram feitas interpretações, classificações e representações da área de estudo utilizando a nomenclatura para obtenção do tipo de ocupação. Para tornar a análise mais consistente, a área de estudo foi dividida em setores conforme segue (Figura 9), com base no projeto Orla para o município de Itajaí: setor 1 – Praia Brava; setor 2 – Cabeçudas/Atalaia; setor 3 – Saco da Fazenda; setor 4 – foz do Rio Itajaí-Açu; setor 5 – Canal retificado; e por fim setor 6 – Rio Itajaí-Mirim.
Estruturação do modelo DPSIR e análise de risco
Serviços ambientais prestados pelo estuário do Rio Itajaí-Açu
Quanto aos aspectos qualitativos, foi identificada a lista de serviços e funções (Tabela 1) para o complexo estuarino do Rio Itajaí-Açu, principalmente aqueles relacionados à cadeia trófica com espécies de importância econômica e ecológica (conservação dos estoques pesqueiros). Fazer parte da produção primária bruta convertida em alimentos (peixe e marisco) com actividades piscatórias e agrícolas de subsistência.
Mapeamento geral do uso e ocupação do solo
É possível observar pelo mapa de uso e ocupação do solo que o processo de urbanização não ocorreu de forma contínua, com manchas seguindo outras de época anterior. Portanto, o maior desafio é encontrar uma solução que minimize os efeitos destes processos naturais de forma equilibrada.
Setor 1 – Praia Brava
Análise do mapa de uso e ocupação do solo
Portanto, a gestão ambiental torna-se uma ferramenta fundamental para o progresso no desenvolvimento económico e sustentável deste sector. Portanto, é necessário que sejam desenvolvidos projetos que ajudem a solucionar esse problema, e que sejam analisados e utilizados como cooperação na reformulação do Plano Diretor.
Análise dos serviços ambientais
Estes incluem ecossistemas de praia, dunas e vegetação de repouso, que podem estar relacionados com a protecção da costa contra extremos, o controlo da erosão e retenção de sedimentos, bem como a dissipação de matéria e energia. Observando a parte do Canto do Morcego (Figura 17), percebe-se que os ecossistemas com floresta tropical densa e costas rochosas também podem ser considerados de suma importância, por serem mais frequentes e abundantes.
Análise da estrutura DPSIR
Com base na estrutura causal do DPSIR para Praia Brava e em relação a possíveis riscos imediatos (como aumento do nível do mar e precipitações intensas ou eventos de ressaca), pode-se considerar que com a forte expansão das cidades neste setor relacionado ao turismo e as pressões mencionadas afectam subitamente os ecossistemas envolvidos, que, como resultado, deixarão de fornecer adequadamente os seus principais serviços ambientais.
Setor 2 – Cabeçudas/Atalaia
Análise do mapa de uso e ocupação do solo
56 Sua área de análise é representada pelo mapa de uso do solo (Figura 20), que mostra a presença de diversos ecossistemas: litoral rochoso (partes nas partes sul, intermediária e norte), vegetação dunar e restinga (apenas na parte da Praia do Atalaia), mata atlântica densa (ao longo de toda a serra do setor) e praia (encontrada nos arredores de Cabeçudas e Atalaia). A obtenção dos valores de área para cada classe de uso, apresentados em percentagem (Figura 21), mostra que a área urbana cobre uma área significativa da área total deste setor, nomeadamente cerca de 0,28 km2 (32%).
Análise dos serviços ambientais
Devido à presença da praia e também do Parque Atalaia, localizado no morro entre o setor Cabeçudas/Atalaia e o setor seguinte (Saco da Fazenda), este ambiente presta serviços ambientais culturais à população, principalmente em termos de recreação e cultura .
Análise da estrutura DPSIR
61 Diferentemente da Praia Brava, o setor Cabeçudas/Atalaia pode ser considerado um bairro mais estável, ou seja, já passou por intensa urbanização e não está em ascensão. Com a estrutura causal do DPSIR adaptada a este sector e relacionada com os possíveis riscos de alterações climáticas, que neste caso envolvem eventos de chuvas e tempestades mais intensas ou mesmo subida do nível do mar, por se tratar também de um bairro localizado próximo da costa, é de grande importância para preservar os ecossistemas remanescentes e sobretudo a densa floresta tropical como já discutido.
Setor 3 – Saco da Fazenda
Análise do mapa de uso e ocupação do solo
Os valores de área obtidos de cada classe de uso revelam que na parte de 300 m do setor Saco da Fazenda há uma forte urbanização no entorno da área hídrica e seus ecossistemas, totalizando cerca de 0,64 km2 (75%) da área. De forma geral, a área de espaços naturais encontrada foi de 25% da área total, o que pode estar relacionado com a presença da Área de Proteção Ambiental do Saco na fazenda.
Análise dos serviços ambientais
Portanto, o percentual muito baixo pode ser explicado pela forte urbanização decorrente da localização do Saco da Fazenda, que fica próximo ao centro do município de Itajaí. No trecho Morro do Atalaia (Figura 27), onde existe um ecossistema de floresta tropical densa que fornece principalmente tipos de serviços relacionados à produção primária, como fornecimento de gás, serviços de produção e regulação, regulação climática, controle de erosão e retenção de sedimentos, e ainda santuários de vida selvagem como serviços de apoio e regulação.
Análise da estrutura DPSIR
Neste contexto, a estrutura do DPSIR criada para Saca da Fazenda pode estar ligada às questões das alterações climáticas, que incluem principalmente o aumento das emissões de gases com efeito de estufa devido à urbanização intensiva e também a construção de uma marina que irá contribuir e aumentar a poluição do corpo d'água. . Podemos dizer também que devido à forte impermeabilização do solo e à redução do ecossistema manguezal (devido ao uso urbano) no entorno do Saco da Fazenda, com chuvas que poderão ser mais intensas com as mudanças climáticas, com certeza haverá inundações deste setor , afetando a população como um todo .
Setor 4 – Porção do Rio Itajaí-Açu
Análise do mapa de uso e ocupação do solo
De acordo com o mapa de uso do solo (Figura 30), os ecossistemas encontrados na faixa de 300 metros ao longo da margem do Rio Itajaí-Açu foram: matas campestres e ciliares, sendo que as primeiras podem ter sofrido alguma alteração antrópica e estão em estado de degradação. fase de sucessão ecológica, se nenhuma outra mudança ocorrer. Nesse sentido, constatou-se que o espaço natural na parte do setor do Rio Itajaí-Açu é composto por mata ciliar, cobrindo apenas 7% da área total.
Análise dos serviços ambientais
Da mesma forma, a Lei nº. 7.754 florestas e outras formas de vegetação natural existentes nas nascentes dos rios, a serem preservadas permanentemente. Considerando o próprio estuário do rio Itajaí-Açu, também promove serviços de abastecimento como produção de alimentos e segurança alimentar, pois as comunidades ribeirinhas e os pescadores aproveitam os recursos pesqueiros ali existentes.
Análise da estrutura DPSIR
Observando a situação da margem do rio Itajaí-Açu através do mapeamento do uso do solo, pode-se concluir que não há presença real de um ecossistema ribeirinho que esteja conectado exatamente à margem, e se for muito pouco, porque é levado para uso urbano e rural (Figura 33). O primeiro causou, portanto, a impermeabilização dos solos localizados às margens do rio, enquanto o segundo desmatou a mata ciliar que deveria estar presente anteriormente.
Setor 5 – Canal retificado
Análise do mapa de uso e ocupação do solo
Portanto, é necessário definir metas, políticas públicas de acordo com o Código Florestal Brasileiro e o Plano Diretor de Itajaí e medidas ambientais com o objetivo de promover uma mudança no uso do solo, pelo menos nas margens do rio, como o reflorestamento. o mesmo. A área total encontrada num raio de 300 m ao longo das margens do Canal Direcionado foi de aproximadamente 4,12 km2.
Análise dos serviços ambientais
Portanto, são considerados valores baixos de área para um setor com tal área total, conforme gráfico percentual desses valores (Figura 35). Restando apenas 8% da área natural, composta por ecossistemas de floresta tropical densa e mata ciliar, é o segundo setor com menor quantidade de área natural.
Análise da estrutura DPSIR
Com base na estrutura causal do DPSIR para o sector do Canal Direcionado e relacionado com os possíveis riscos para as alterações climáticas (como eventos de precipitação intensa), pode-se dizer que, com o uso do solo observado, e as pressões mencionadas que afectam os ecossistemas em causa, este , por sua vez, não prestarão adequadamente os seus serviços ambientais. Como as poucas matas ciliares remanescentes não conseguem prestar seus serviços de regulação e proteção a este setor, fazendo com que intensas enchentes persistam e prejudiquem a população que vive às margens deste canal.
Setor 6 – Rio Itajaí-Mirim
Análise do mapa de uso e ocupação do solo
Ao observar o mapa de uso do solo realizado para esse setor (Figura 38), fica evidente nas margens do rio Itajaí-Mirim a presença de uso urbano, mais próximo da ligação com o rio Itajaí-Açu, e de uso rural em todo o território. toda a superfície calculada a partir da área urbana. Em termos de ecossistemas, 7% apresentam presença de florestas gramíneas e ciliares, e apenas 2% de florestas tropicais densas.
Análise dos serviços ambientais
Assim, as percentagens destes valores (Figura 39) mostram que do total do setor, apenas 16% é ocupado por ecossistemas e 84% por uso urbano e rural. Dentre os espaços naturais encontrados, juntos representam 9% da área total e são compostos por ecossistemas de floresta tropical densa e mata ciliar.
Análise da estrutura DPSIR
Com base na estrutura causal do DPSIR adaptada para este sector e relacionada com os possíveis riscos das alterações climáticas, que incluem principalmente eventos de precipitação intensa, é de extrema importância preservar os ecossistemas remanescentes, especialmente as restantes matas ciliares ao longo das margens do rio. . Rio Itajaí-Mirim. Isso porque, apesar da grande urbanização observada na zona urbana, ainda se pode observar que existem remanescentes de matas ciliares ao longo da margem do rio que prestam serviços de apoio e regulação para evitar o risco de inundações e assoreamento dos rios.
Análise de risco para o baixo estuário do Rio Itajaí-Açu
- Setor 1 – Praia Brava
- Setor 2 – Cabeçudas/Atalaia
- Setor 3 – Saco da Fazenda
- Setor 4 – Porção do Rio Itajaí-Açu
- Setor 5 – Canal retificado
- Setor 6 – Rio Itajaí-Mirim
Os riscos ambientais estão, portanto, estreitamente ligados à prestação, apoio e regulação de serviços ambientais, incluindo os culturais. Os riscos ambientais estão assim intimamente ligados aos serviços ambientais sob a forma de fornecimento, apoio e regulação, uma vez que todos os ecossistemas do sector desempenham um papel relevante na manutenção da qualidade ambiental da região.