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Sobrepartilha nos Moldes da Lei 11.441/07

Dar-se-á a sobrepartilha quando, por algum motivo determinado, o bem do espólio não foi objeto da partilha, seja porque fora sonegado, porque os herdeiros não tinham conhecimento do mesmo ou porque ficaram reservados, durante o inventário para posterior sobrepartilha (artigo 2.21 do Código Civil e artigo 1.040 do Código de Processo Civil).

167 BRASIL. Conselho Nacional de Justiça. Resolução n.º 35.

Francisco José Chali, citado por Christiano Cassetari168, explica esse instituto do seguinte modo:

Francisco José Cahali nos ensina que a sobrepartilha também pode ser chamada de complementação da partilha, partilha adicional ou nova partilha, o que demonstra que a mesma poderá ser feita não só nas hipóteses do art. 1.040 do Código de Processo Civil, mas também quando for necessário dividir bens, que por qualquer motivo não tenham sido partilhados no inventário.

Com isso, em razão da nova legislação autorizar o inventário extrajudicial, está, também, permitida a sobrepartilha por escritura pública.

A Corregedoria Geral de Justiça deste Estado, dispôs, na Circular 01/2007, sobre a sobrepartilha nas vias administrativas, o seguinte169:

1. As Escrituras Públicas de Inventário e partilha, de separação e de divórcio – bem como, por extensão, de sobrepartilha e de restabelecimento de sociedade conjugal – poderão ser lavradas por qualquer tabelião ou escrivão de paz, independentemente do domicílio ou do local do óbito do autor da herança e da residência dos separandos ou divorciandos.

Nesse arrimo, a Resolução 35, do Conselho Nacional de Justiça, estabelece, em seu artigo 35, que: “É admissível a sobrepartilha por escritura pública, ainda que referente a inventário e partilha judiciais já findos, mesmo que o herdeiro hoje maior e capaz fosse menor ou incapaz ao tempo do óbito ou do processo judicial”.

Portanto, não há motivo que impeça a não realização de inventário e partilha pelas vias administrativas, tanto para os bens deixados fora da partilha, quanto para aqueles que sobrevierem à partilha, uma vez que as garantias desse novo procedimento são as mesmas adotadas para os casos de inventário e partilha perante o Poder Judiciário.

168 CASSETARI, Christiani. Aput CAHALI, Francisco José. Separação, divórcio e inventário por escritura pública. Teoria e prática. P. 68.

169 SANTA CATARINA. Corregedoria Geral de Justiça do Estado de Santa Catarina. Circular 01/2007.

Assim, mais uma vez o legislador trouxe inovações para a Sociedade como um todo. Com o passar da história, tinha-se um modelo estatal individualista e intervencionista nas relações familiares, quando, a partir da Constituição Federal de 1988, mormente com o advento do Código Civil de 2002, houve importantes mudanças no norte das instituições familiares, que tinham o marido como chefe do lar, passando, a partir das alterações das referidas leis, a mulher a ter um espaço frente à igualdade reservada entre eles.

Em suma, as alterações introduzidas pela Lei 11.441/07, tornaram mais célere o procedimento de inventário e partilha pelas vias administrativa e, assim como nos atos praticados pelo Poder Legislativo em outros momentos da história, o inventário e a partilha lavrados a partir de Escritura Pública, tem como foco principal facilitar a sucessão, desafogar o Poder Judiciário e tornar menos oneroso tal procedimento.

CONCLUSÃO

O presente trabalho de conclusão de curso teve como objeto principal o estudo da Lei 11.441, de 04 de janeiro de 2007, que trouxe ao ordenamento brasileiro a possibilidade de se processar o inventário e a partilha através de Escritura Pública, lançando mão da exclusividade perante o Poder Judiciário, observados, no entanto, os requisitos expostos em lei.

Outrossim, salienta-se que o tema aqui abordado deu-se pelo fato da matéria estar sendo observada no contexto nacional de forma ímpar, apesar das dificuldades que foram encontradas para seu desenvolvimento devido à escassez de material para pesquisa, tendo em vista a atualidade do tema.

Para o desenvolvimento lógico desta monografia, foi dividida a mesma em três capítulos, abordando, primeiramente, sobre a família, como não poderia deixar de ser, onde se tratou sua origem histórica e formação até os dias atuais, abordando-se as várias formas aceitas no ordenamento jurídico brasileiro.

Sobre o tema, a Constituição Federal de 1988 trouxe inovações, passando a família a ser resguardada cada vez mais pelo Estado. A partir de então, a entidade familiar passa por diferentes modificações, a Sociedade abranda seus preconceitos, a conversão de união estável em casamento passa a ser possível, os homens e mulheres começam a ser tratados de forma igualitária e a monoparentalidade, antigamente vista com maus olhos pela Sociedade, passa a ser uma livre escolha.

Quanto ao direito da sucessão, diz-se que esse tem por objeto a unificação e a distribuição dos bens deixados pelo de cujus, distribuindo-os entre aqueles que têm o chamado direito sucessório.

Aos aspectos do Inventário e da Partilha, são atribuídos classificações e efeitos, onde a sucessão poderá se dar como legítima, em virtude de lei, ou testamentária, por força de vontade do autor da herança, ou ainda por título

universal, transferindo-se a totalidade ou parte dos bens para um herdeiro, ou a título singular, que ocorrerá quando o autor transferir bens individualizados.

Finalmente estudando as condições do inventário e da partilha com base nas alterações introduzidas pela Lei 11.441/07, verificou-se suas formas de aplicações, seu processo e procedimento, suas regulamentações, destacando-se que, diferentemente do que acontece com o inventário judicial, o foro competente para processar e julgar a ação de inventário é aquele escolhido pelas partes, que para seu regular andamento extrajudicial é necessário que os herdeiros sejam maiores, capazes para atos civis, concordes e, claro, que não exista testamento deixado pelo autor da herança.

Diante de tal pesquisa, pode-se compreender o Inventário e a Partilha estabelecida pela Lei 11.441/07, demonstrando a evolução e o esforço do legislador em facilitar tal procedimento, tornando-o célere e, por conseguinte, desafogando a via judicial, contribuindo com a petitória dos serviços públicos. Esse estilo novo de processar o Inventário e a Partilha pode ser considerado uma vitória para o direito civil, principalmente quanto às sucessões.

Tratando-se então de legislação nova, foi impossível esgotar o tema ao final da pesquisa, eis que a presente monografia demonstrou de forma cristalina, a amplitude do direito implementado pela Lei 11.441/2007, possibilitando, deste modo, a continuidade do estudo do tema que se desvenda atual e de interesse nacional.

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