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2.2 Direitos de Sucessão

2.2.3 Sucessão Universal

jurídico, deverá o testador ter capacidade para assim dispor de seus bens, chamada de capacidade ativa. Adverte ainda, que deverá ter capacidade àquele que receber tais bens, chama-o de capacidade passiva.

Dando sequência, Gomes elenca o pressuposto quanto à obrigatoriedade da declaração de vontade, ou seja, deverá o testamento ser elaborado na forma exigida pela lei. Insere também o limite do poder de testar, ou seja, serão necessários serem observados os limites do testamento, sob pena de ser ineficaz o título da sucessão111. Ocorre aqui, na realidade, um requisito de eficácia da sucessão.

cônjuge”. Assim, serão estes os herdeiros que não poderão ser excluídos da sucessão por mera vontade do testador, salvo nos casos especificados em lei113.

Diz-se que parte da herança dos herdeiros é protegida, ou seja, indisponível, onde a metade dos bens é reservada aos herdeiros necessários, deduzidas as dívidas e as despesas com funeral, conforme redação do artigo 1.847 do Código Civil: “Calcula-se a legítima sobre o valor dos bens existentes na abertura da sucessão, abatidas as dívidas e as despesas do funeral, adicionando-se, em seguida, o valor dos bens sujeitos à colação”.

A dita parte protegida, chamada também de legítima ou de reserva, equivale à metade do patrimônio, observado as dívidas e as despesas do funeral114. Em outras palavras, aquele que suceder a título universal ocupará a posição de herdeiro em virtude de lei, não de ato de vontade, podendo denominar a sucessão universal como legítima ou legal.

Outrossim, apesar do sucessor universal ter poderes para distribuir livremente quota que lhe cabe e de indicar bens e valores que comprovam os quinhões hereditários, a ele não é autorizado excluir herdeiros da sucessão, observando o sistema de divisão necessária115. A respeito do assunto, prescrevem os artigos 1.789, 1.845 e 1.846 do Código Civil de 2002:

1.789. Havendo herdeiros necessários, o testador só poderá dispor da metade da herança.

1.845. São herdeiros necessários os descendentes, os ascendentes e o cônjuge.

1.846. Pertence aos herdeiros necessários, de pleno direito, a metade dos bens da herança, constituindo a legítima.

Aos herdeiros, desse modo, são transmitidos os direitos jurídicos do falecido.

Ensina Gomes116 que “são transmitidos, em regra, as relações patrimoniais, ativas e

113 CAHALI, Francisco José. Curso avançado de direito civil: direito das sucessões. p. 57.

114 CAHALI, Francisco José. Curso avançado de direito civil: direito das sucessões. p. 57.

115 CAHALI, Francisco José. Curso avançado de direito civil: direito das sucessões. p. 57.

116 GOMES, Orlando. Sucessões. p. 10

passivamente, aqui excluídos o usufruto, a habitação, a renda vitalícia, o mandato, a empreitada de lavor, a relação de emprego e a obrigação de prestar alimentos”.

Contudo, observa-se, ainda, que a sucessão universal é não exclusividade da sucessão legítima, conforme indicação da lei, podendo ocorrer tanto na sucessão legítima quanto na sucessão testamentária. Na testamentária, unicamente no que se refere aos herdeiros testamentários.

a) Herdeiros Testamentários

Quanto aos herdeiros testamentários, diz-se que “são aqueles indicados como beneficiários da herança por disposição de última vontade do testador117”.

Podendo ainda serem classificados como herdeiros testamentários os herdeiros legítimos na extensão de seus quinhões.

Maria Helena Diniz118, observa que, tanto o “herdeiro legítimo quanto o testamentário, possuem legitimidade para mover ou continuar as ações contra quem quer que traga prejuízo à posse ou domínio”, ou seja, mesmo percebendo um quinhão da herança, os herdeiros legitimados e os testamentários poderão defender o patrimônio no todo.

b) Legatários

O legatário não é o mesmo que herdeiro, eis que ele sucederá quando houver testamento e receberá a título singular, como bem explica Cahali, percebendo um bem certo e definido119.

117 CAHALI, José Francisco. Curso avançado de direito civil: direito das sucessões. p. 56.

118 DINIZ, Maria Helena. Curso de direito civil avançado: direito das sucessões. p. 26.

119 CAHALI, José Francisco. Curso de direito civil: direito das sucessões. p. 57.

A sucessão singular, diferentemente da sucessão universal, decorre da transferência de bens à pessoas determinadas, consequentemente incidindo na sucessão testamentária, surgindo então, o chamado legatário120.

Entende-se por legatário, aquele sucessor instituído por testamento para perceber um bem definido, ou seja, um bem certo e individualizado, podendo coincidir com herdeiros legítimos ou testamentários121.

Importante tornar clara a diferença entre herdeiro e legatário, uma vez que o legatário necessita solicitar ao herdeiro que entregue o bem legado, não ocorrendo aqui a regra saisine, ou seja, o legatário não adquire a posse do bem legado após o falecimento do testador. Entretanto, não responderá pelas dívidas do herdeiro122.

Na opinião da Doutrinadora Maria Helena123, legado “é a disposição testamentária a título singular, pela qual o testador deixa à pessoa estranha ou não à sucessão legítima um ou mais objetos individualizados ou certa quantia em dinheiro”.

A mesma autora124 complementa discorrendo que o legado, a fim de ser instituído, exige a presença de três sujeitos:

a) O testador, que é o que outorga o legado;

b) O legatário, que adquire o direito ao legado;

c) O onerado, sobre quem recai o ônus do legado ou a quem compete o legado.

Quanto ao objeto do legado, França125 aponta a aplicação do princípio da autonomia da vontade, eis que a liberdade no ato de legar é a liberdade de testar.

Destaca-se o entendimento de Maria Helena126 sobre o legado:

120 CAHALI, Francisco José. Curso avançado de direito civil: direito das sucessões. p. 53.

121 CAHALI, Francisco José. Curso avançado de direito civil: direito das sucessões. p. 54.

122 VENOSA, Silvio de Salvo. Direito civil: direito das sucessões. p.234.

123 DINIZ, Maria Helena. Curso de direito civil brasileiro: direito das sucessões. p.221.

124 DINIZ, Maria Helena. Curso de direito civil brasileiro: direito das sucessões. p.222.

125 LIMONGI, França. Legado. p. 151.

[...] o objeto há de ser lícito, possível, apreciável e suscetível de alienação, podendo ainda ser presente ou futuro, corpóreo, incorpóreo, acessório ou não, pertencer ou não ao testador ou

herdeiro, podendo, ainda, incidir em prestações de fazer ou de não fazer algo.

O legado poderá ser imposto à qualquer sujeito, conforme entende Monteiro127, ou seja, poderá ser instituído para parentes ou estrangeiro, pessoa natural, jurídica, civil ou comercial, contudo, sendo imposto a um herdeiro legítimo, será nomeado de prelegado ou legado precípuo.

Deverá ser observado, entretanto, que o legado, partindo de um conceito principal, consiste no ato de liberdade do testador, entretanto, essa liberdade não é regra, eis que poderá o de cujus instituir encargos, ônus, fazendo com que o legado torne-se oneroso, e, nesses extremos, entendendo o legatário que as condições do legado não lhes são proveitosas, poderá negar-lhe128.

Maximiliano129 refere-se ao legado: “se o legado não for com a intenção de gratificar, mas para distribuir bens, o legado será mero instrumento da vontade do testador”.

Entre outras peculiaridades, segundo Venosa130, há a possibilidade de ser instituído no legado cláusulas de inalienabilidade e outras restrições, não podendo haver ainda o direito de representação entre os legatários. Seu posicionamento, perante às várias divergências que há entre diversos autores é no sentido de que todos decidiram pela aplicação de regra de exclusão, “onde será tudo o que dentro do testamento não puder ser compreendido como herança”.

Em outras palavras, o legado é um ato de vontade do testador, que atribui determinado bem a alguém.

126 DINIZ, Maria Helena. Curso de direito civil brasileiro: direito das sucessões. p. 223.

127 MONTEIRO, Washington de Barros. Curso de direito civil: direito das sucessões. p. 146.

128 VENOSA, Silvio de Salvo. Direito civil: direito das sucessões. p. 233.

129 MAXIMILIANO, Carlos. Direito das sucessões. 5 ed. Rio de Janeiro: Forense. p. 25.

130 VENOSA, Silvio de Salvo. Direito civil: direito das sucessões. p. 233 e 234.

Observa-se ainda, que há um grande detalhe bem característico nesse instituto, ou seja, enquanto o legado é solicitado dentro da herança, esta simplesmente é transferida aos herdeiros pelo falecimento, regra saisine 131.

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