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40 ninguém escapa da educação. Em casa, na rua, na igreja ou na escola, de um modo ou de muitos outros, todos nós envolvemos pedaços de vida com ela, seja para aprender, para ensinar, para aprender-e-ensinar, para saber, para fazer, para ser ou para conviver. Enfim, todos os dias misturamos a vida com a educação (BRANDÃO, 1988). O autor afirma “que a educação pode se dar de diferentes modos, sendo possível fazer uma escolha, porque não há um único modelo, nem um único espaço, em que ela acontece”.

Segundo Bordenave (1994), a educação precisa estar relacionada com a valorização da transformação do educando, tornando-o participante e agente da transformação social, situado na observação da realidade, no conhecimento de sua experiência prévia e na busca de alternativas criativas para a resolução de problemas. No ambiente de hoje, entretanto, em que tudo está constantemente mudando, a função da educação não deveria ser ensinar, mas facilitar a mudança e a aprendizagem (BORDENAVE e PEREIRA, 2002).

Dessa forma, o professor assume o papel de facilitador do processo de ensino- aprendizagem, acreditando no potencial do educando de crescer e aprender, através de uma relação interpessoal baseada na empatia e confiança mútua, gerando um clima de liberdade e de autonomia. Bordenave e Pereira (2002) ressaltam que a educação problematizadora parte das seguintes idéias:

ƒ Uma pessoa só conhece bem algo quando o transforma, transformando-se ela também no processo;

ƒ A solução de problemas implica a participação ativa e o diálogo constante entre alunos e professores. A aprendizagem é concebida como a resposta natural do aluno ao desafio de uma situação problema;

ƒ A aprendizagem torna-se uma pesquisa em que o aluno passa de uma visão

“sincrética” ou global do problema a uma visão “analítica” do mesmo – através de sua teorização – para chegar a uma “síntese” provisória, que equivale à compreensão. Dessa apreensão ampla e profunda da estrutura do problema e de suas conseqüências, nascem

“hipóteses de solução” que obrigam a uma seleção das soluções mais viáveis. A síntese tem continuidade na atividade transformadora da realidade.

A pedagogia da problematização tem uma vantagem importante sobre as demais (tradicional, condutora e a participativa.) opções pedagógicas, uma vez que ela permite utilizar as contribuições positivas das demais. Entretanto, a opção transmissora e a

comportamentalista ou condutivista rejeitam a contribuição da forma de pensar da educação problematizadora (SES, SP, 1997).

Um dos fundamentos dessa pedagogia consiste em compreender que a realidade é algo inacabado e pode ser melhorada. Os envolvidos no processo desenvolvem sua criatividade e imaginação para buscar respostas aos problemas de sua prática. Nessa perspectiva, procurar alternativas para sobrepor às dificuldades, não significa criar problemas, mas sim encontrar caminhos para resolvê-los. Essa pedagogia coloca a realidade como componente ativo do processo, o profissional/educando como protagonista central e a educação como ação conjunta para a solução de problemas (BORDENAVE, 1996). E ainda, a capacidade de perguntar o relevante numa dada situação, para, então, resolver e entender adequadamente os problemas identificados (BORDENAVE e PEREIRA, 2002).

Bordenave (1996) afirma que, pela sua essência, a educação problematizadora não tem uma metodologia única, nem técnicas fixas. É orientada por alguns princípios: a percepção da realidade, o protagonismo do profissional/educando e do trabalho em grupo. O que temos, na educação problematizadora, é uma “trajetória pedagógica”, que pode ser representada esquematicamente pelo arco proposto por Charles Maguerez, na figura 1, a seguir:

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Figura 1: Arco da problematização

Fonte: Maguerez (apud BORDENAVE, 1994, p.209)

42 Conforme representado na figura 1, o processo ensino-aprendizagem deve ter início a partir da observação da realidade, permitindo as pessoas expressarem suas idéias e opiniões, fazendo assim uma primeira leitura da situação concreta. Em um segundo momento, as pessoas/grupos selecionam as informações e identificam os pontos-chave do(s) problema(s), levantando suas relações/variáveis que determinam a situação concreta.

A etapa seguinte consiste no levantamento de questões sobre as causas do problema observado. Aqui é necessário recorrer aos conhecimentos científicos que auxiliem o raciocínio das pessoas na compreensão do problema, não somente em suas manifestações empíricas, mas, nos princípios teóricos, que o explicam, isto é, em suas causas e conseqüências.

Confrontada a realidade com os conhecimentos existentes e que podem ajudar na resolução do problema, indivíduos se vêem naturalmente movidos a pensar em alternativas de solução para o(s) problema(s) encontrado(s). Essa etapa deve permitir, ainda, a análise da viabilidade das ações propostas. É dada aos mesmos a oportunidade de decidir, priorizar e planejar ações.

Na última fase, os participantes compreendem e praticam as soluções que o grupo considerou viáveis e aplicáveis à realidade, preocupando-se em mudar sua forma de agir, individual e/ou coletiva, contribuindo para a solução do(s) problema(s) (SES, SP, 1997.) Vale ressaltar que cada tipo de grupo definirá uma forma de atuação possível e um grau diferente de intervenção da realidade (BERBEL, 2000).

Em síntese, a Metodologia da Problematização tem uma orientação geral como todo método, caminhando por etapas distintas e encadeadas a partir de um problema detectado na realidade. Constitui-se em uma verdadeira metodologia, entendida como um conjunto de métodos, técnicas, procedimentos ou atividades intencionalmente selecionados e organizados em cada etapa, de acordo com a natureza do problema em estudo e as condições gerais dos participantes. Volta-se para a realização do propósito maior que é preparar o estudante/ser humano para tomar consciência de seu mundo e atuar intencionalmente para transformá-lo, sempre para melhor, para um mundo e uma sociedade que permitam uma vida mais digna para o próprio homem (BERBEL, 2000).

No documento UNIVERSIDADE DO VALE DO ITAJAÍ - Univali (páginas 39-43)