3.4 O pé humano
3.4.1 Tipos de pés
Segundo Shmidt (1995), o pé pode ser classificado pelo formato dos dedos e pelo arco longitudinal do mesmo.
De acordo com as extremidades dos dedos, três tipos foram classificados da seguinte forma:
Figura 25: Tipos de pés quanto ao formato dos dedos.
Fonte: SCHMIDT, 1995.
• Pé grego: O segundo dedo é maior que o dedão.
• Pé quadrado: O dedão e o segundo dedo são do mesmo tamanho
• Pé egípcio: 1º >> 2º >> 3º >> 4º >> 5º.
Quanto ao arco interno do pé, este pode ser visto através da pegada. Uma pegada plantar é normal quando a largura mínima da abóbada se encontra entre um terço e a metade da largura máxima do antepé. Logo, os pés podem ser classificados como normal, arqueado e chato. As imagens a seguir ilustram estas classificações.
Figura 26: Pé normal Fonte: SCHMIDT, 1995.
Figura 27: Pé arqueado Fonte: SCHMIDT, 1995.
Figura 28: Pé chato Fonte: SCHMIDT, 1995.
3.4.2 Nomenclatura das medidas do pé
Esta etapa apresenta a nomenclatura das medidas do pé, tais como:
comprimento, largura, altura e perímetro.
De acordo com Scmidt (1995), a determinação do comprimento ocorre a partir da região mais saliente do calcanhar, como pode ser visto na imagem 30.
Figura 29: Comprimento do pé
Fonte: SCHMIDT, 1995.
• 1-27 = Comprimento do pé (de acordo com o dedo mais longo).
• 1-26 = Comprimento do calcanhar ao primeiro dedo.
• 1-25 = Comprimento do calcanhar ao segundo dedo.
• 1-24 = Comprimento do calcanhar ao terceiro dedo.
• 1-23 = Comprimento do calcanhar ao quarto dedo.
• 1-22 = Comprimento do calcanhar ao quinto dedo.
• 1-20 = Comprimento do calcanhar à articulação externa.
• 1-14 = Comprimento do calcanhar à articulação interna.
• 1-13 = Comprimento do calcanhar à saliência dos dedos.
• 1-12 = Comprimento do calcanhar ao peito do pé.
• 1-10 = Comprimento do calcanhar ao maléolo externo.
• 1-08 = Comprimento do calcanhar ao maléolo interno.
• 1-07 = Comprimento do calcanhar à entrada do pé.
A largura do pé é definida a partir de uma coordenada da parte mais proeminente do calcanhar e lado interno, são definidas cinco medidas.
Figura 30: Largura do pé.
Fonte: SCHMIDT, 1995.
• 2-3 = largura da cama do salto.
• 8-8B = largura do maléolo interno – eixo do pé.
• 8-10 = largura dos maléolos.
• 10-10A = largura do maléolo externo – eixo do pé.
• 14-20 = largura da articulação metatarso – falangiana
Quanto a altura, todas as medidas são determinadas a partir do plano inferior do pé. As principais alturas são descritas a seguir.
As medidas relacionadas ao perímetro são obtidas com o contorno da fita métrica nas regiões a seguir.
Figura 31: Altura.
Fonte: SCHMIDT, 1995.
• 1 = altura do ponto traseiro ( mais saliente na ponta do calcanhar).
• 4 = altura debaixo do joelho.
• 5 = altura da barriga da perna.
• 6 = altura do tornozelo.
• 8 = altura do maléolo interno.
• 9 = altura sob o maléolo interno.
• 10 = altura do maléolo externo.
• 11 = altura sob o maléolo externo.
• 12 = altura do peito do pé.
• 16 = altura na extremidade do 1º dedo.
• 17 = altura na articulação do 1º dedo.
• 18 = altura máxima dos dedos (2º, 3º ou 4º).
• 19 = altura do 5º dedo.
Figura 32: Perímetro.
Fonte: SCHMIDT, 1995.
• P.A = Perímetro nas articulações metatarso- falangianas.
• P.R = Perímetro na zona de retenção do calçado no pé.
• P.C = Perímetro no peito do pé.
• P.E = Perímetro na entrada do pé.
• P.B = Perímetro no tornozelo.
• P.M = Perímetro na barriga da perna.
• P.G = Perímetro na região abaixo do joelho.
3.5 O calçado
Esta etapa apresenta os componentes que formam o calçado, de que forma são colocados e os principais materiais utilizados para sua produção.
3.5.1 Componentes do calçado
Nesta etapa são apresentados os componentes da construção superior do calçado os componentes da construção inferior do calçado.
A construção superior do calçado é formada pelo cabedal, couraça, contraforte, forro, avesso, espumas sistemas de fechamento e enfeites.
Segundo Cipatex (2007), o cabedal cobre e protege a parte de cima dos pés.
Pode ser constituído de várias peças e de vários tipos de materiais. Para fabricar um cabedal, pode-se utilizar materiais como: couro, materiais sintéticos, entre outros. A divisão do cabedal pode ser feita pela gáspea (parte frontal), lateral (lado do calçado) e traseiro (parte de trás).
A couraça serve para dar forma ao bico do calçado, mantendo esse formato durante o uso. É colocada entre o forro e a gáspea.
O contraforte tem como finalidade dar forma ao traseiro do calçado e auxiliar na fixação do pé ao caminhar. É colocado entre o cabedal e o forro, na parte de trás do calçado.
Figura 33: Contraforte Fonte: www.formax.com.br
De acordo com Cipatex (2007), o forro tem como função proporcionar acabamento na parte interna do calçado, reforço, absorção de umidade e conforto, entre outras finalidades. A utilização do forro no calçado pode ser considerada um diferencial de qualidade, pois agrega valor ao calçado e auxilia na venda. O forro pode cobrir todo o cabedal ou somente a região da gáspea e do calcanhar. Os materiais utilizados para o forro são: laminados sintéticos, couros, materiais têxteis e outros.
O avesso é, geralmente, têxtil, de laminado sintético, couro ou outros materiais.
Protege o calcanhar, evita o deslizamento do mesmo durante o caminhar e o contato direto com o contraforte.
As espumas são colocadas entre o forro e o cabedal para proporcionar mais conforto. É mais utilizada em modelos tipo tênis. Os materiais utilizados são:
Poliuretano e o látex, entre outros.
O sistema de fechamento é o material utilizado para fechar o calçado, proporciona a firmeza dos pés. Estes podem ser:
- Atacador/Cadarço (algodão, sintético, couro e outros).
- Fecho de contato (velcro).
- Fecho éclair (zíper metálico, plástico).
- Fecho de pressão.
- Fecho com fivela.
Figura 34: Velcro Fonte:
www.gpscity.com/g/gp s/l/v/velcro.jpg
Figura 35: Zíper.
Fonte:
www.gettyimages.com.
br
Figura 36: Botão de pressão.
Fonte:
www.daniel.com.br
Figura 37: Fivela.
Fonte:
www.daniel.com.br
Os enfeites são utilizados nos calçados para embelezamento dos mesmos. Os mais utilizados são: fivelas, ilhoses, rebites, botões, entre outros. Estes podem ser de madeira, plástico, metal, osso, casca de coco e outros.
Figura 38:
Miçanga.
Fonte:
www.daniel.com.br
Figura 39: Corrente de metal.
Fonte:
www.daniel.com.br
Figura 40: Laço de metal.
Fonte:
www.daniel.com.br
Figura 41: Fivela plástica.
Fonte:
www.daniel.com.br
A seguir, serão apresentados, mais detalhadamente, os componentes da construção inferior do calçado.
Seguindo o pensamento de Cipatex (2007), a sola é o principal componente da construção inferior e tem a função de proteger a parte de baixo dos pés, estando em contato direto com o solo. De acordo com as formas e materiais utilizados na sola, esta pode proporcionar leveza, durabilidade, flexibilidade, aderência ao solo, tração, transpiração, aspectos e cores. A sola pode ser feita de PU, TPU, PVC, EVA, TR, couro, borracha, e couro reconstituído.
Figura 42: Solas.
Fonte: www.multisaltos.ind.br
A palmilha de montagem é a base de montagem do cabedal, sendo composta por diferentes partes, como planta, reforço, alma de aço e rebites. Tem a função de estruturar a superfície interna do calçado, mantendo sua forma. Para produzir palmilhas de montagem, são utilizados materiais como: celulose, nãotecidos ou couro, com diferentes formatos, conformações e composição.
Figura 43: Palmilha de montagem.
Fonte: www.sefax.com.br/imagens/sefaxdif.jpg
O salto é fixado na sola, na região do calcanhar e tem a finalidade de dar altura e suporte ao calçado. Os saltos são fabricados em diversas formas, alturas e materiais.
Os materiais mais comuns são madeira, poliestireno, ABS e combinações.
Figura 44: Saltos.
Fonte: www.multisaltos.ind.br
O tacão é um componente utilizado para proteger o salto do desgaste sofrido pelo atrito com o solo, absorve parte do impacto ao caminhar. Para produzi-lo, são utilizados materiais de alta resistência ao desgaste como: TPU, PVC ou borracha para tamanhos maiores.
Figura 45: Tacões.
Fonte: www.multisaltos.ind.br
A entressola é colocada entre o cabedal e a sola (em alguns calçados). Possui função estética, pois permite que o solado se torne mais espesso, sem aumentar proporcionalmente seu peso. É mais utilizada em modelos como tênis e oferece mais conforto por meio do amortecimento de impacto. Pode ter variadas formas, cores e aspectos. Os materiais mais utilizados são PU e EVA.
A vira tem função estética por proporcionar melhor acabamento. É colocado sobre a sola. Pode ter diversas formas, aspectos e cores. Sua largura espessura e desenho variam de acordo com o modelo do calçado. Na maioria das vezes, é produzida com o mesmo material da sola.
A palmilha interna tem a finalidade de proporcionar melhor acabamento e conforto através de combinações com espumas e outros materiais de amortecimento. É
colocado sobre alguns tipos de palmilha de montagem. É produzida em formas, aspectos e cores variadas. Os materiais comumente utilizados para sua fabricação são:
o couro, o laminado sintético e os materiais têxteis.
Figura 46: Palmilha interna Fonte: www.corpoperfeito.com.br
3.6 Ergonomia
Os calçados, utilizados para a proteção e segurança dos pés e pernas, são tão antigos quanto à humanidade. Às funções primordiais foram-se agregando outras, ao longo do tempo, em razão de contextos sociais diversos: vida mundana, atividades de trabalho, práticas desportivas, artísticas, etc.
Há, nos calçados, incontáveis e distintos modelos traduzidos por enorme variedade de padrões estético-formais, de qualidades técnicas, de materiais, de resistência e durabilidade, de acabamentos, de uso de cores, e assim por diante.
Os calçados têm na antropometria sua principal interface com a ergonomia, notadamente no que se refere aos estudos e pesquisas realizados sobre os variados tamanhos de pernas, pés e dedos das pessoas e de suas especificidades e diferenças básicas dimensionais, sempre considerando os biótipos dos indivíduos e as diferenciações físicas e raciais de distintas populações. Segundo Gomes (2003) Os calçados são configurados a partir de faixas dimensionais estabelecidas ergonomicamente em razão de complexos dados estatísticos que contemplam medidas de pernas, pés e dedos nos conjuntos de população, sobretudo para produção industrial seriada em larga escala.
De acordo com Gomes (2003), apesar de todos esses estudos e da melhor adequação antropométrica possível, muitos são os problemas ergonômicos de desconforto que os calçados apresentam. Dentre estes problemas, os principais são:
• Inadequação física de acomodação dos pés e/ou pernas dentro do calçado;
• Inadequação pela própria configuração do modelo de calçado (bico fino, por exemplo);
• Inadequação causada por materiais utilizados na confecção do calçado;
• Muitas vezes o usuário precisa trocar o par de calçados de sua predileção por um outro porque a numeração não coincide com aquela adequada para seus pés. Em outras, o usuário possui numeração quebrada, por exemplo 37,5 (a maioria dos fabricantes trabalha com numeração redonda) e aí a alternativa é escolher o número 38, naturalmente com folga, restando apenas a opção de usar uma palmilha, que nem sempre é uma boa solução.
• Pouca disponibilidade de sortimento de modelos para usuários com pés grandes, ou seja, calçados de tamanho superior ao número 42.
A contribuição da ergonomia no design de calçados é de fundamental importância, sobretudo quanto aos aspectos da correta utilização dos dados antropométricos disponíveis; quanto à modelagem em função dos ajustes que são necessários na definição dos tamanhos dos calçados, quanto ao design adequado ao modelo em função de utilização; quanto a uma maior variedade de opções de escolha por parte do usuário e quanto a melhor adequação possível dos materiais utilizados na configuração do calçado. Finalmente, deve ser considerada a grande variedade de outros produtos, peças e acessórios utilizados no calçado com suas funções técnicas e operacionais, ou, ainda, como função simplesmente de valor agregado à aparência estética, simbólica e lúdica aspectos relacionados ao adorno, ornamentação, diversificação de cores e acabamentos.
3.6.1 Antropometria
Esta etapa apresenta as características da forma, a modelagem e a marcação de pontos.
3.6.1.1 A forma para calçados
A forma é um item utilizado na fabricação de calçados que representa as medidas e o movimento dos pés. Através dela são produzidos os calçados, os quais adquirem seu formato e padronização nos aspectos anatômicos, estéticos e técnicos.
Segundo Schmidt (1995), as principais funções da forma são reproduzir as características e dimensões do pé humano, servir de base para o dimensionamento dos itens que compõem o calçado, servir de base para a montagem e acabamento do calçado e determinar o formato do calçado.
Antigamente tanto o calçado quanto a forma eram fabricados pelo sapateiro, pois este era o único que entendia do assunto. Com o passar do tempo, o calçado passou a ser produzido em série, e a forma se tornou mais um elemento indispensável para a fabricação de calçados.
Para a confecção de formas, além da necessidade de conhecer o processo produtivo do calçado, é fundamental conhecer a relação estreita entre a forma e o calce. Além disso, a confecção destas deve ser feita a partir de medidas antropométricas, que são obtidas por estudos ou pesquisas realizados com os pés da população ou resultantes da prática de mercado, caracterizando com fidelidade os tipos de pés que a forma deve representar.
3.6.1.2 Nomenclatura das partes da forma
A nomenclatura das partes da forma tem o objetivo de facilitar a troca de informações entre técnicos, o que facilita a compreensão quanto à identificação das regiões, pontos e linhas da forma.
A forma pode ser dividida em duas regiões: a região inferior e a superior. A região inferior é chamada de planta da forma ou palmilha, esta é subdividida em quatro outras sub-regiões. Veja na imagem a seguir.
Figura 47: Região inferior da forma Fonte: SCHMIDT, 1995.
A região “a” é o calcanhar e corresponde à região do salto. A zona “b” diz respeito ao enfranque, situa-se numa região intermediária entre o enfranque e a planta e, geralmente não toca o solo. O apoio é representado pela letra “c” e é a região de apoio e flexão do calçado. O “d” corresponde ao bico, que fica situado na parte anterior da forma, aproximadamente 10% do seu comprimento. Este toca o solo somente na última fase do passo.
Já a região superior diz respeito às laterais da forma e a região da chave. Toda lateral interna ou externa da forma é chamada de corpo-de-forma. Observe a região superior da forma na imagem que se segue.
Figura 48: Região superior da forma.
Fonte: SCHMIDT, 1995.
O couro de proteção tem como função proteger a forma contra impactos causados pelas máquinas e o tubo para proteger a forma contra possíveis quebras e/ou deformações, oferece a possibilidade de fixação da forma nos processos de montagem.
3.6.1.3 Tipos de formas
Há tipos de formas para todos os tipos de calçados, na escolha destas deve ser considerado o sistema de montagem (colado, tachado, Califórnia ensacado, etc.) ou pela linha do calçado (estilo, altura, etc.).
Em relação ao sistema de montagem, são utilizadas formas:
• Sem chapa: utilizadas na produção de calçados tipo tênis, mocassins e calçados com montagem colada.
Figura 49: Forma sem chapa.
Fonte: SCHMIDT, 1995.
• Com chapa de metal: usadas para montagem do tipo tacheado. Este tipo de forma a protege de deformações na região inferior.
Figura 50: Forma com chapa de metal.
Fonte: SCHMIDT, 1995.
De acordo com a linha do calçado, as formas podem ser do tipo:
• Inteiriça: usada em calçados que favorecem a liberação da forma após a montagem. Indicada para a confecção de calçados com abertura no dorso do pé ou parte posterior, pois facilita a desenformagem.
Figura 51: Forma inteiriça.
Fonte: SCHMIDT, 1995.
• Com cunha: utilizada na fabricação de calçados fechados, com médio grau de dificuldade na desenformagem, ocasionado pela altura do talão ou da gáspea.
Figura 52: Forma com cunha.
Fonte: SCHMIDT, 1995.
• Com articulação Califórnia: Utilizada na montagem de calçados delicados ou de difícil desenformagem.
Figura 53: Forma com articulação Califórnia Fonte: SCHMIDT, 1995.
• Com articulação em “V”: Usada na fabricação de calçados muito delicados e sujeitos ao rompimento, principalmente na região da boca da gáspea.
Figura 54: Forma com articulação em “V”
Fonte: SCHMIDT, 1995.
3.6.1.4 Matéria-prima
Geralmente, as formas para calçados são feitas de três diferentes classes de matérias-primas: a madeira, o plástico e o metal. A escolha do material é realizada de acordo com as condições de produção do calçado.
As formas feitas de madeira são resistentes à abrasão e a altas temperaturas, porém modificam-se com o decorrer do tempo e com a variação de temperatura e umidade.
O plástico tem sido cada vez mais conveniente na fabricação das formas pois é bastante resistente à abrasão, a altas temperaturas e à deformação.
As formas de metal apesar de não permitirem absoluta precisão em uma coleção e nem acabamento muito aprimorado, são muito importantes na fabricação de calçados tipo vulcanizado e injetado direto.
3.6.1.5 Modelagem de Calçado
A primeira etapa para se construir um calçado é a modelagem. Nela une-se o design e as medidas tecnicamente corretas respeitando a fisiologia e anatomia do pé. É
necessário que o modelo esteja dentro da lei geométrica e da parte técnica, para que seja cômodo e proteja o pé na função da marcha.
A primeira etapa é a planificação da palmilha. Coloca-se fita crepe no solado da forma. A fita é colocada no comprimento da forma. As demais serão colocadas sobrepondo-as umas as outras, no sentido da largura da forma. Concluído aparar as rebarbas, utilizando-se o estilete, faca de corte ou uma lixa de unha. Retira-se a fita da forma e cola-se no papel triplex (papel resistente). Recorta-se a palmilha com o estilete, sem prejudicar as formas.
Figura 55: Planificação da palmilha Fonte: KALINOWSKI, 1995.
A segunda etapa chama-se “marcações da palmilha”. No eixo da palmilha, marca-se o meio das extremidades e traça-se uma reta. O eixo do salto fica centralizado na região da cama do salto, ou seja, um quarto do comprimento real da palmilha. (Ex: 23,31 ÷ 4 = 5,82 cm). Nos pontos do costado, colocam-se os lados internos e externos da palmilha sobre uma base plana, com inclinação de 45º. Verifica- se e marca-se qual é a parte que fica mais encostada na região do peito do pé. Traça- se uma reta entre os dois pontos. No reforço, sobre a linha do eixo do salto, marca-se uma reta com 62% da medida do comprimento da palmilha (Ex: 23,31 x 62% = 14,454 cm), traça-se uma reta perpendicular ao eixo até as laterais. Em seguida desce-se 0,5 cm do meio, traça-se uma curva entre os 2 pontos, copia-se para uma cartolina somente o desenho do reforço.
Figura 56: Marcações da palmilha.
Fonte: KALINOWSKI, 1995.
Na etapa “corpo-de-forma médio”, cobre-se toda a forma com fita crepe (sem rugas), iniciando com uma fita no meio da forma tanto na parte dianteira quanto na traseira. Em seguida colocam-se as fitas sobrepondo-as no sentido da largura da forma, como mostra a imagem 57.
Figura 57: Forrando a parte superior da forma.
Fonte: KALINOWSKI, 1995.
Aparam-se as rebarbas do solado e chave da forma com estilete. Com auxílio da palmilha, marcam-se pontos extremos do solado e divide-e a chave ao meio. Conferem- se as linhas e dividem-se com estilete as partes interna e externa. Retira-se e coloca-as na cartolina, fixando pelo meio e dando piques próximo às pontas ou onde for necessário abrir para planificar as peças.
Em um papel, contorna-se o desenho de um lado da forma, e sobrepõe-se o desenho do outro lado, alinhando-os pelo bico e a parte superior traseira. Marca-se uma linha no meio das partes que apresentaram desalinhamento. Esta linha média será o desenho do corpo-de-forma médio.
Figura 58: Comparação dos lados interno e externo.
Fonte : KALINOWSKI, 1995.
Corta-se a peça por esta linha média, contorna-se novamente em um papel deixando espaço abaixo para os aumentos.
Na etapa “aumento de montagem”, na região do salto, cálculo de aumento: 1,50 cm = margem montagem + 0,35 cm = espessura do reforço + 0,18 cm = espessura da palmilha, total: 1,50 + 0,35 + 0,18 cm = 2,03 cm = 2 cm, marca-se esta medida na parte inferior traseira. Parte da frente: 1,7 cm (medida sem a espessura do reforço), marca-se esta medida na parte inferior da frente.
Obs: a parte da região do calcanhar sofrerá um ajuste para acompanhar a anatomia do pé e evitar acúmulo de material.
Na “marcação dos pontos base”, cobre-se com fita crepe somente o lado externo da forma. Marcam-se as linhas do meio (solado e chave), com o auxílio da palmilha. Em seguida refila-se com estilete seguindo as linhas de contorno definidas. Marca-se o comprimento real da palmilha na forma de acordo com a numeração da mesma e transfere-se este ponto para cima da forma. Encontra-se o ponto do calcanhar (ponto 30) diminuindo 0,5 cm do número da forma, marca-se essa medida de baixo para cima, no calcanhar:
• Ponto A: ponto de elevação, para achá-lo mede-se a lateral da forma, do ponto do calcanhar até o ponto da frente da forma encontrado no item acima. Calcula- se 2/3 o valor encontrado o valor encontrado e marca-se sobre a forma. A partir desse ponto, em direção à linha superior central da gáspea, formando um ângulo de 90º, marca-se o ponto A.
• Ponto B: ponto do alto do dorso do pé, para achá-lo deve-se partir do ponto A, subir 60 mm marcando o ponto B, para o numero 35. Nos números acima deve- se aumentar 0,2 cm para cara número, e para abaixo de 35, diminuir 0,2 cm.
• Ponto C: ponto do costado. Encosta-se o lado externo da forma numa superfície plana. Marca-se e traça-se uma reta deste ponto até A.
• Ponto D: boca da gáspea. Este ponto equivale à metade de A-B, partindo de C.
• Ponto E: ponto auxiliar. Marca-se a mesma medida de A-B, partindo de C.
• Ponto F: corresponde a altura do calcanhar. Em calçados femininos soma-se ao número da forma + 18 (ex: 35+18 = 5,3 cm). Em calçados masculinos, soma-se ao número da forma + 20. (ex: 35+20 = 5,5 cm). Para achar o ponto medi-se da base do calcanhar para cima.
• Ponto G: é a cama do salto, corresponde a ¼ do tamanho real da forma e pode ser transferido da medida achada na palmilha. Este ponto deve ser transferido da palmilha para a lateral da forma.
• Ponto H: é a parte mais alta da forma na parte da frente.
• Ponto I: é a parte mais avançada da forma (bico).
• Ponto J: altura do talão, na lateral. Para encontrar este ponto deve traçar uma reta ligando D com F e outra ligando B com L.
• Ponto L: é a parte inferior do calcanhar.
Figura 59: Marcação de pontos.
Fonte: KALINOWSKI, 1995.
Somente com estes pontos é possível desenhar modelos elaborados, obedecendo às características de conforto, diminuindo problemas com o calce.