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TRATAMENTO COM ÁCIDO INDOLBITÍRICO

Romário Rodrigues Gomes1, Josilene Ferreira Rocha1; Matheus Matos do Nascimento1, Marilene Santos de Lima2, Almecina Balbino Ferreira2, Lin Chau Ming3

1. Universidade Federal do Acre (UFAC), Programa de Pós-Graduação em Produção vegetal, Rio Branco, Acre, Brasil;

2. Universidade Federal do Acre (UFAC), Centro de Ciências Biológicas e da Natureza, Rio Branco, Acre, Brasil;

3. Universidade Estadual Paulista, Faculdade de Ciências Agronômicas, Botucatu, São Paulo.

RESUMO

A região Amazônica possui uma grande diversidade de plantas com ação terapêutica. A espécie Arrabidaea chica e uma plantas amplamente utilizadas no controle de doenças inflamatórias. Este trabalho teve como objetivo avaliar diferentes concentrações de ácido indolbutírico (AIB) no enraizamento de estacas semilenhosas de Arrabidaea chica. O experimento foi conduzido em delineamento inteiramente casualizado com cinco tratamentos, quatro repetições e três plantas por parcela. As estacas de Arrabidaea chica foram tratadas com concentrações (0, 1000, 2000, 3000 e 4000 mg L-1) de ácido indolbutírico (AIB) preparadas em solução hidroalcóolica. As estacas foram acondicionadas em casa de vegetação e a avaliação ocorreu após 30 dias. A testemunha com 0 mg L-1 de AIB obteve valores superiores aos demais tratamentos. Portanto, as doses de AIB não proporcionaram aumento no crescimento e enraizamento de crajiru (Arrabidaea chica), não sendo necessário o uso de AIB para a produção de mudas dessa espécie produzida a partir de estacas.

Palavras-chave: Crajiru, Estaquias e Fitohormônios.

ABSTRACT

The Amazon region has a great diversity of plants with therapeutic action. The species Arrabidaea chica is a plant widely used in the control of inflammatory diseases. The objective of this work was to evaluate the effect of the indolebutyric acid (IBA) on the rooting of semi hardwood cuttings of. The experiment was conducted in a completely randomized design with five treatments, four replications and three plants per plot. The Arrabidaea chica stakes were treated with concentrations (0, 1000, 2000, 3000 and 4000 mg L-1) of indolebutyric acid (IBA) prepared in hydroalcoholic solution. The cuttings were conditioned in a greenhouse and the evaluation occurred after 30 days. The control with 0 mg L-1 of IBA obtained higher

values than the other treatments. Therefore, IBA doses did not increase growth and rooting of crajiru (Arrabidaea chica), and it was not necessary to use IBA for the production of seedlings of this species produced from cuttings.

Keywords: Crajiru, cutting and Phytohormones.

1. INTRODUÇÃO

As plantas medicinais são utilizadas pela humanidade a muitos anos, em rituais religiosos, crenças e medicina popular para controle de doenças. A região Amazônica possui a maior diversidade de plantas com ação terapêutica que são usados na forma de drogas vegetais e fitoterápicos com a finalidade de prevenir, curar ou minimizar os sintomas das doenças, com um menor custo à população e aos serviços públicos de saúde (TOLEDO et al., 2003).

A espécie Arrabidaea chica Verlot. é popularmente conhecido como crajirú, cajurú, carajirú, guajurú, cipó cruz, pariri e coá-pyranga (BORRÁS, 2003; FERREIRA, 2005;

PAULETTI; BOLZANI; YOUNG, 2003). É uma planta da família Bignoniaceae, arbustiva trepadeira, de folhas compostas, trifolioladas, de fólios oblongolanceoladas, ramos subtetragonos flores campanuladas, róseo-lilacinas, em paniculas terminais (FERREIRA, 2005).

Em decorrência da composição química e propriedades medicinais, a Arrabidaea chica é uma das 71 espécies vegetais integrantes da Relação Nacional de Plantas Medicinais de Interesse ao Sistema Único de Saúde - RENISUS (BRASIL, 2009).

Essa planta é encontrada em toda América central, sendo típica de floresta tropical, apresenta grande potencial na medicina alternativa devido a presença se substâncias como, taninos, 7,4-dihidroxi5-metoxiflavona, fitosteróis, flavonóides, presente na parte mais utilizada que são as folhas por apresentar efeito antiflamatório, cicatrizante, atua no controle de anemia, leucemia, diarréia, cólicas intestinais, e uso ginecológicos principalmente infecções uterinas. O preparo é feito a partir de cozimento das folhas e o chá pode ser administrado via oral ou lavagem de lesões e banho de assento para problemas ginecológicos (BORRÁS, 2003).

A propagação é feita através de estacas semilenhosas com 20 cm de comprimento (FERREIRA, 2005). No entanto, existem poucas informações sobre a eficiência de enraizamento desta espécie, podendo apresentar maior porcentagem de rendimento das

vegetais mais utilizados para a técnica de propagação por estacas sendo o ácido indolbutírico (AIB) a principal auxina sintética empregada (MACHADO, et al., 2005). Neste contexto a pesquisa teve como objetivo, avaliar crescimento e enraizamento inicial de estacas dos ramos semilenhosos de Arrabidaea chica com tratamento de concentrações de ácido indolbutírico (AIB).

2. MATERIAL E MÉTODOS

O trabalho foi realizado no campo experimental da Universidade Federal do Acre (UFAC), localizado no município de Rio Branco, AC a 10º1'30"S, 67º42'18"W com altitude aproximada de 160 m. O clima da região é quente e úmido, segundo a classificação de Köppen, com temperaturas máxima de 32 °C e mínima de 20,8 °C, precipitação anual de 1.648,9 mm e umidade relativa média de 83%.

O delineamento experimental utilizado foi inteiramente casualizado, com cinco tratamentos, quatro repetições e três plantas por parcela. Foram utilizadas estacas semilenhosas de Cajirú (Arrabidaea chica), com comprimento variando de 10 cm a 12 cm e diâmetro de 2,91 mm a 7,95 mm, retiradas de diferentes partes da planta matriz.

Foram estudados os efeitos de brotação e enraizamento de estacas de Arrabidaea chica em concentrações (0; 0,1; 0,2; 0,3 e 0,4 g L-1) de ácido indolbutírico (AIB) preparadas em solução hidroalcóolica, onde as respectivas doses foram pesadas diluidas em 50 mL de álcool. Depois de dissolvido o AIB, completou-se o volume para 100 mL com água destilada, obtendo-se então as concentrações supracitadas.

As estacas foram coletadas em maio de 2018 na propriedade Dois Irmãos, situada na zona rural do município de Rio Branco - AC, e foram selecionas após o corte, de forma a promover padronização das mesmas, observando pelo menos um nó próximo aos pontos de enraizamento. Após o preparo, a parte basal das estacas foram imersas durante 1 minuto em solução de hipoclorito de sódio (0,5%) e posteriormente em solução hidroalcoólica por 10 minutos, nas diferentes concentrações de AIB e colocadas para enraizamento em copos de poliestireno (com dimensões de 70 x 72 x 47 mm), com substrato contendo composto orgânico e vermiculita. As estacas foram acondicionadas em casa de vegetação com cobertura de filme polietileno transparente e irrigada diariamente para manter as condições de umidade favorável ao enraizamento das estacas.

Após 30 dias da instalação do experimento, foram avaliados os parâmetros:

sobrevivência das estacas (% de estacas vivas e que emitiram raízes); número de brotações; massa seca dos brotos (g) e massa seca de raiz (g) (CARDOSO et al., 2011).

A partir dos dados obtidos, foi realizado a verificação dos dados discrepantes, normalidade dos erros, e homogeneidade de variâncias. Quando atendeu a essas analises foram submetidas a análise de regressão para determinar a concentração de AIB que proporcionou maior crescimento e enraizamento das estacas.

3. RESULTADOS E DISCUSSÃO

Houve efeito significativo (p < 0,05) do AIB para as variáveis MSPA (Figura 1), MSR (G Figura 2) e MST (Figura 3) e não significativo (p > 0,05) para NPS e NMB (Tabela 1).

Figura 1. Massa seca da parte aérea (MSPA) de crajiru (Arrabidaea chica) obtido a partir de doses de AIB em estacas semilenhosas, Rio Branco, 2018.

y = -4E-05x + 0,458 R² = 0,1229

0 0,1 0,2 0,3 0,4 0,5 0,6 0,7

0 1000 2000 3000 4000

Massa seca da parte rea (g)

Doses de AIB (mL)

Figura 2. Massa seca da raíz (MSR) de crajiru (Arrabidaea chica) obtido a partir de doses de AIB em estacas semilenhosas, Rio Branco, 2018.

Figura 3. Massa seca total (MST) de crajiru (Arrabidaea chica) obtido a partir de doses de AIB em estacas semilenhosas. Rio Branco, 2018.

y = 1E-07x2- 0,0005x + 0,5765 R² = 0,8678

0,0 0,1 0,2 0,3 0,4 0,5 0,6 0,7

0 1000 2000 3000 4000

Massa seca da raíz (g)

y = -4E-11x3+ 2E-07x2- 0,0004x + 0,5665 R² = 0,2075

0 0,1 0,2 0,3 0,4 0,5 0,6 0,7 0,8

0 1000 2000 3000 4000

Massa seca total (g)

Doses de AIB (mL)

ns não significativo ; * significativo a 5%; ** significativo a 1%

O NPS (Tabela 2) obteve 75% para a dose de 4000 mg L-1 e de 100% para as doses de 0, 2000 e 3000 mg L-1, seguindo a mesma tendência obtida no trabalho realizado por Sousa et al. (2009) para a espécie Melissa officinalis, onde obteve 81%

de plantas sobrevivente para a dose de 0 mg L-1 e de apenas 6% para a dose de 4000 mg L-1 de AIB, no entanto, neste trabalho teve maior taxa de sobrevivência. E para a variável NMB obteve variação de 3,22 a 4,74 brotos por estaca (Tabela 2), para as doses 2000 e 1000 mg L-1 respectivamente. Ferreira e Gonçalves (2007) avaliando o efeito da quantidade de nós no crescimento inicial de crajiru, observaram que a estaca com dois nós não tiveram diferença significativa para a variável massa fresca e altura de plantas, e apresentou diferença para número de estacas com brotos sendo avaliado ao três meses após o plantio, apresentou maior índice de estacas brotadas quando a muda teve origem de ramos semilenhosos com quatro e seis nós.

Tabela 1. Resumo da análise de variância do número de plantas sobrevivente (NPS), número médio de brotos (NMB), massa seca da parte aérea (MSPA), da raiz (MSR) e total (MST) de crajiru (Arrabidaea chica) tratadas com diferentes doses de AIB, Rio Branco, 2018.

Fonte de

variação GL Quadrado médio

NPS NMB MSPA MSR MST

Regressão

linear 1 0,625 ns 0,870 ns 0,053** 0,053 ** 0,000 ns Regressão

quadrática 1 0,446ns 0,300 ns 0,002 ns 0,014** 0,006ns Regressão

cúbica 1 0,625 ns 3,481 ns 0,104** 0,0004 ns 0,091**

Desvios de

regressão 1 0,004** 10,261* 0,269** 0,008** 0,371**

Erro 15 0,192 4,695 0,004 0,001 0,004

Total 19 - - - - -

CV (%) - 15,64 105,95 14,26 25,53 12,96

Tabela 2. Porcentagem de plantas sobreviventes de crajiru (Arrabidaea chica) com doses de AIB.

Doses (mg L-1) Plantas sobreviventes (%) Nº médio de brotos

0 91,6 4,0

1000 91,6 4,7

2000 100,0 3,2

3000 100,0 4,1

4000 75,0 3,9

Para a variável MSPA (Figura 1), a medida em que aumentou a dose de AIB as plantas obtiveram menor quantidade de massa seca. A utilização do regulador de crescimento AIB, reduziu o desempenho das plantas proporcionando menos massa da parte aérea.

Este resultado é de grande relevância, indicando que não é necessário o uso desse hormônio de enraizamento (AIB) para produção de mudas a partir de estacas semilenhosas. Ademais, o uso indiscriminado desses produtos pode causar o desequilibro da biodiversidade dos microrganismos benéficos do solo devido ao efeito residual que os ácidos reguladores de crescimento podem deixar após o seu uso.

Quanto a massa seca da raiz (Figura 2) teve ajuste para equação quadrática onde a testemunha com dose 0 mg L-1 de AIB obteve valores superior aos demais tratamentos com as doses de regulador. No entanto, os resultados obtidos tenderam a aumentar proporcionalmente após a dose de 3000 mg L-1.

A variável massa seca total (Figura 3), apresentou equação com ajuste cúbico, pois de acordo com o aumento da dose do regulador de crescimento. As plantas tiveram oscilação no incremento da biomassa total, pois para as doses 0, 1000, 2000, 3000 e 4000 foi possível obter 0,530, 0,538, 0,259, 0,729 e 0,435 respectivamente.

Esse comportamento ocorreu em função do decréscimo da MSPA de forma linear de

acordo com o aumento da dose de AIB e a obtenção do ponto de mínimo com ajuste quadrático para a variável MSR.

4. CONCLUSÕES

As doses de AIB não estimularam a formação de raízes em estacas e não proporciona incremento de biomassa seca da parte aérea.

Mudas de Crajiru podem ser obtidas a partir de estacas semilenhosa sem tratamento com o fitohomonio AIB.

5. REFERÊNCIAS

BORRÁS, M.R.L. Plantas da Amazônia: medicinais ou mágicas? Plantas comercializadas no mercado municipal Adolpho Lisboa. Manaus: Valer/Governo do Estado do Amazonas, 2003. 321p.

BRASIL. Relação Nacional de Plantas Medicinais de Interesse ao Sistema Único de Saúde. In: Brasil. Ministério da Saúde. SUS – RENISUS. Diário Oficial da União.

Brasília. 2009.

FERREIRA, M.G.E. Crajiru (Arrabidaea chica Verlot). Informações técnicas.

EMBRAPA, RO, 2005. Disponível em: < https://ainfo.cnptia.embrapa.br/digital/

bitstream/item/24786/1/folder-crajiru.pdf>. Acessado em: 18 jun. 2018.

MACHADO, M.P.; MAYER, J.L.S.; RITTER, M.; BIASI, L.A. Ácido indolbutírico no enraizamento de estacas semilenhosas do porta-enxerto de videira ‘vr043-43’ (Vitis vinifera x Vitis rotundifolia). Revista brasileira de fruticultura., v. 27, n. 3, p. 476-479, 2005.

PAULETTI, P.M.; BOLZANI, V.S.; YOUNG, M.C.M. Constituintes químicos de Arrabidaea samydoides (Bignoniaceae). Quimica Nova., v. 26, n. 5, p.641-643, 2003.

TOLEDO, A.C.O.; HIRATA, L.L.; BUFFON, M.C.M.; MIGUEL, M.D.; MIGUEL, O.G.

Fitoterápicos: uma abordagem farmacotécnica. Revista Lecta., v. 21 n. 1/2, p. 7-13, 2003.

AVALIAÇÃO DA EFICIÊNCIA ENERGÉTICA DE UMA