2.6 TURISMO
2.6.1 Turismo ecológico
Devido a conscientização que se está levando em consideração à qualidade de vida, a preservação do meio ambiente, esta classificação de turismo, destaca-se cada vez, mais chamando a atenção e conscientização de toda a sociedade. Diante destes fatores o turismo ecológico é conceituado segundo Barreto (1995) como o turismo que preserva o patrimônio, natural, cultural e que todo turismo deveria ser ecológico.
Para Vaz (2002, p. 185), o turismo ecológico está ligado à utilização dos patrimônios natural e cultural dentro de um princípio de preservação ambiental e de respeito ao ecossistema, sem comprometer a sua potencialidade e sustentabilidade.
O Brasil é um país privilegiado pela riqueza de ecossistemas e de biodiversidade. O turismo ecológico está ligado direto ao meio ambiente, sendo capaz de expor nosso patrimônio natural e cultural, onde a natureza é o produto a ser vendido. Se não for planejado corretamente, acaba transformando-se num fator de poluição e destruição.
No país, foram identificados 96 pólos de ecoturismo, divididos nas cinco regiões brasileiras, informa a Embratur.
Os princípios do Ecoturismo são:
− Conservação e uso sustentável dos recursos naturais e culturais;
− Informação e interpretação ambiental;
− Geração de Superávits – lucros;
− Reversão dos benefícios para a comunidade local e para a conservação dos recursos naturais e culturais;
− Envolvimento da comunidade local.
Estas práticas permitem sua identificação diferenciada perante o turismo convencional e que podem ser seguidas por qualquer atividade turística responsável. Uma de suas facetas é promover o reencontro do homem com a natureza, de forma a compreender os ecossistemas que mantêm a vida, ao ponto que o homem perceba a importância que o ecossistema tem em relação à vida, ao cotidiano e futuro das populações. Portanto, para Kotler (1994, p. 206), “o turismo se tornou um negócio mundial, cujo mercado em expansão, hoje em dia, não deixa nenhum lugar intocado”.
O turismo ecológico é uma atividade que vem atraindo adeptos de várias idades e classes sociais. Há uma preocupação para que aconteça a prática do turismo ecológico, porém, com responsabilidade e sustentabilidade.
Segundo Ruschmann (1997 apud BINATTI, p. 92) “a natureza e seus componentes tornam-se pretextos para a descoberta, a iniciação, a educação e o espírito de aventura, e dessa forma, dão origem a um novo mercado”.
Percebeu-se que há três grupos predominantes de turistas, enquadrados nesse segmento, conforme segue:
− Os praticantes de esportes radicais como: canoagem, montanhismo, ciclismo, caminhadas, mergulho, vôo livre.
− Os aprendizes de educação ambiental, crianças do ensino médio e fundamental misturadas com atividades artísticas e culturais.
− As pessoas interessadas na contemplação da natureza, da vida selvagem.
Para Vaz (2002), a conscientização ambiental não é algo que tem a ver somente com o turista, mas, também, com os valores do desenvolvimento sustentado, nos investimentos como, também, no atendimento aos consumidores.
Neste momento de crescente globalização, a proteção, preservação, interpretação e apresentação da diversidade e do patrimônio cultural de qualquer país ou região, é um importante desafio.
O turismo cultural se caracteriza através do contato mais íntimo com a comunidade, com o intuito de aprofundar-se na experiência cultural.
Num sentido mais amplo, o turismo cultural não tem, como atrativo principal, um recurso natural. São as coisas feitas pelo homem que constituem a oferta cultural. Para Barreto (1995), o turismo cultural proporciona ao visitante, conhecer os bens materiais e imateriais, produzidos pelo homem. Coloca, em contato com a história, o patrimônio, as identidades e a cultura dos povos e não um recurso principal.
Através do turismo cultural é possível despertar o gosto pela arte, pelo que é belo, encantador, histórico, possibilitando viajar e conhecer um “mundo cultural”.
Para que esse processo seja efetivo, ele deve se traduzir numa experiência respeitosa que implique em valorizar, conhecer e reconhecer as culturas em sua diversidade.
O turismo cultural, normalmente, é atrativo para as pessoas que desejam conhecer os locais onde viveu um determinado artista, como, também, entender quais circunstâncias o levaram a criar tal obra. Além disso, para Vaz (2002), no turismo cultural possui vários níveis de programação. Incluem nos roteiros mais genéricos, visitas a museus e construções de relevante valor arquitetônico, como igrejas e palácios.
Esta prática de turismo serve para satisfazer o desejo de emoções artísticas e informação cultural, visitando monumentos históricos, obras de arte, relíquias, antiguidades, concertos, musicais, museus e pinacotecas. Cada cultura é única e incomparável e, como tal, deve ser compreendida.
2.6.3 Turismo esportivo
Esta prática, como fenômeno social e econômico, demonstra uma crescente segmentação do mercado turístico e a implantação de produtos específicos para públicos determinados.
Segundo La Torre (1992, p.19), são as motivações que fazem com que o indivíduo saia da sua habitual rotina e procure um destino turístico aliado a uma prática esportiva.
Geralmente, o turismo esportivo consolida-se em meio à natureza, flora, fauna e ecossistemas da localidade, estimulando as pessoas à prática do esporte, aliada à contemplação do local.
Aliado ao seu atrativo, é possível implementar o turismo esportivo como mecanismo de consciência e educação ambiental, pois o contato harmonioso entre homem e natureza o incentiva a uma contemplação e atitude de preocupação e responsabilidade em preservar e garantir um senso mútuo de educação.
O Estado de Santa Catarina oferece condições para a prática de diversas atividades ao ar livre, como surf, windsurf, kite surf, vela, navegação, mergulho, pesca esportiva, trekking, mountain bike, rapel, canyoning, escalada, vôo livre, rafting e exploração de cavernas. A observação de baleias e da fauna e flora da Mata Atlântica enriquecem o roteiro.
O turismo esportivo que é um fenômeno social e econômico consiste no deslocamento voluntário e temporário de indivíduos, ou grupos de pessoas, fundamentalmente, atraídos por motivos de recreação, descanso, cultura, ou saúde.
2.6.4 Turismo de eventos
Este segmento do turismo é entendido como o deslocamento de pessoas com interesse em participar de eventos focados no enriquecimento técnico, científico ou profissional, cultural, incluindo o consumo.
Para Pellegrini (1993 p. 149), o turismo de eventos apresenta-se como,
evitar a migração das pessoas em busca de emprego nos grandes centros.
Ainda, na visão de Pellegrini (1993 p. 149), “a ocupação dos equipamentos turísticos em baixas estações é vantajosa, tanto para empresários, quanto para os próprios turistas e, principalmente, para a população fixa - que não é prejudicada em seu cotidiano e até pode ter atividades e rendimentos por serviços durante maior tempo”.
Para Andrade (1995) o turismo de eventos pode ser compreendido como a somatória de atividades exercidas pelas pessoas que viajam a fim de participar de congressos, convenções, assembléias, simpósios, seminários, reuniões, ciclos, sínodos, concílios e demais encontros que visam ao estudo de alternativas, de dimensionamento ou interesses de determinada categoria profissional, associação, clube, crença religiosa, com objetivo nos campos científicos, técnicos, religiosos para atingimento de objetivos profissional-cutlural, ou atualização.
Economicamente, pode gerar muitos benefícios como o incremento da receita global do local-sede do evento, melhoria da imagem da cidade-sede do evento, e, também, melhorias na infra-estrutura, como conseqüência do desenvolvimento turístico.
Convém evidenciar que o turismo de eventos é uma atividade que agrega valor ao produto turístico, permitindo minimizar os efeitos da sazonalidade em destinos que antes viviam, exclusivamente, de temporadas turísticas.
Segundo a Wikipédia: a enciclopédia livre, o turismo de evento pode ser dividido em:
- Congresso: sub-categoria que tem, como público alvo, membros de uma entidade de classe profissional, setorial, de uma mesma área do conhecimento.
- Convenção: o público, focado neste segmento, é exclusivamente interno.
São participantes de um partido, empresa, religião, com o objetivo de motivar, treinar, integração de grupos, ou lazer.
- Feira: caráter comercial, focado, comumente, em um específico segmento de mercado consumidor. É um verdadeiro elemento de sustentação de imagem da empresa e/ou produto que se pretende evidenciar.
- Festival: evento artístico, cujo expectador é atraído por um estilo artístico, podendo ser musical ou, mesmo, literário. Durante a realização do evento, gera grande movimentação econômica nas cidades sedes, destacando desenvolvimento na indústria, serviço e comércio em geral. Um fator muito importante, para o turista de eventos, são os lugares que mais lhe agrada, pois, certamente, retornará com a família.
2.6.5 Turismo de negócios
Esta atividade, no turismo, é reconhecida pela compreensão de todos os elementos que identificam um deslocamento voluntário temporário, como:
transporte, hospedagem, alimentação e de lazer, por um indivíduo, com o propósito de desenvolver empreendimentos com fins lucrativos.
Segundo pesquisa da Fipe, o aumento nas exportações foi um dos fatores que mais influenciou o crescimento na procura de uma localidade para realização de eventos de negócios, sendo, a região sudoeste, a mais procurada para esse tipo de turismo.
Segundo Vaz (2002), o turismo de negócios tem por objetivo discutir bases de transações, estabelecer alianças e parcerias, realização de fusões de empresas, fechar negócios, adquirir produtos, insumos e artigos.
O Estado de Santa Catarina começa a se firmar como um dos melhores lugares do país para turismo de negócios, devido a localização privilegiada, aliada à excelente qualidade de vida, belezas naturais, espaços modernos para realização de eventos, segurança e qualidade no atendimento.
O turismo religioso dentre os demais segmentos do turismo, através da crescente demanda aos lugares místicos e sagrados, tem se desenvolvido consideravelmente, proporcionando, desenvolvimento dos equipamentos turísticos.
O turismo religioso para a Conferencia Mundial de Roma, realizada em 1960, é visto como uma prática, que movimenta, através da devoção de um santo, inúmeras viagens de peregrinos ao local onde o mesmo é venerado. Esta prática se dá através das peregrinações, festas periódicas, espetáculos e as representações teatrais de cunho religioso, como também encontros, congressos, ligados à evangelização. (IVT-RJ, 2003).
Para ter-se um conhecimento maior sobre o tema, é importante analisar diferentes conceitos sobre o tema. A definição formulada por Andrade (2000 apud GAZONI, 2003, p. 96), “o turismo religioso consiste no conjunto de atividades com utilização parcial ou total de equipamentos e a realização de visitas a receptivas que expressam sentimentos místicos ou suscitam a fé, esperança e caridade”.
Segundo Abumanssur (2003, p. 65), as questões em torno do chamado turismo religioso, “envolvem tanto as práticas religiosas quanto as turísticas e podem iluminar a compreensão do fenômeno religioso como expressão da cultura e da sociabilidade”.
Para Gazoni (2003, p.100), o turismo religioso “é uma prática social que envolve o deslocamento provisório de pessoas entre diferentes localidades, cuja motivação principal é a religião, com utilização de instalações e serviços turísticos a lugares considerados sagrados”.
Conforme sustenta Gazoni (2003, p. 97), o turismo religioso “pode ser realizado através de festas religiosas celebradas periodicamente, espetáculos e representações teatrais de cunho religioso, congressos, encontros, seminários, ligados às atividades de evangelização dos fieis e, principalmente, viagens a lugares sagrados”.
O aumento da população nos grandes centros, crises financeiras, políticas, desempregos, baixa da renda, são cenários que acabam de comprovar a necessidade de renovar mitos e ritos religiosos. Este fato acarreta a busca de um
espaço alternativo longe do cotidiano, quebrando barreiras, constituindo-se, assim, como um momento múltiplo de fuga e re-ligação.
Religião vem do latim, “religio”, formada pelo prefixo re (outra vez, de novo) e o verbo ligare (ligar, unir, vincular), que, segundo Miniaurélio (2001), é “a crença na existência duma força, ou forças sobrenaturais”.
Por sua vez, a Conferência Mundial de Roma, realizada no ano de 1960, define o turismo religioso como uma organização que movimenta inúmeros peregrinos em viagens pelos mistérios da fé, ou da devoção a algum santo.
Peregrinações a lugares sagrados; festas religiosas; espetáculos e encenações teatrais de cunho religioso, congressos, eventos e seminários ligados à evangelização, são maneiras efetivas de sua prática.
Este setor demanda um conjunto de serviços indispensáveis que permitem, ao cliente, o acesso e a permanência em um lugar sagrado, seja um templo, uma via, ou outro lugar.
Certamente, o espírito de religiosidade que cobre o Santuário de Santa Paulina faz com que seus visitantes encontrem a razão que os motivou a buscá-lo, seja pela fé, seja pela curiosidade, seja pelo valor que se dá à arte e à cultura e a própria natureza do lugar. (FAGUNDES, 2004 p. 143)
Os dois santuários católicos mais importantes do Estado de Santa Catarina localizam-se um em Nova Trento, que possui o título de Segunda Estância Turístico Religiosa do Brasil, e o Santuário de Azambuja, em Brusque/SC.
Para que o estudo tenha validade científica, é necessário da definição dos métodos que conduziram o estudo. Sendo assim, este capítulo descreve o tipo de estágio que foi realizado, a população, os procedimentos que foram seguidos para coleta e análise dos dados. Roesch (2005, p. 130) diz que, “ao escolher determinado delineamento de pesquisa, é bom conhecer quais os métodos disponíveis para coletar e analisar dados”.
3.1 DELINEAMENTO DO ESTUDO
O estudo se orientou em elaborar produtos turísticos para o “Complexo- Santuário Santa Paulina”; havendo, portanto, uma proposição de planos com abordagem qualitativa. Para Roesch (2005, p. 71), “o propósito é apresentar propostas de planos, ou sistemas, para solucionar problemas organizacionais.
Alguns visam burocratizar e controlar sistemas; outros buscam maior flexibilidade”.
Segundo a autora, a proposição de planos tem como objetivo, apresentar soluções para problemas já diagnosticados. Pode, ou não, incluir a implementação do plano, determinando, então, quem será pesquisado e quais as questões que serão levantadas.
3.2 POPULAÇÃO - ÁREA DE ESTUDO
Segundo Roesch (1996, pg. 130), “uma população é um grupo de pessoas ou empresa que interessa entrevistar, para o propósito específico de um estudo”. A autora observa, ainda, que “deve ser apresentada uma descrição da população-alvo potencial”. A população envolvida no estudo foi composta por:
-Visitantes de finais de semana de distintas procedências.
-Moradores.
-Colaboradores do Complexo com mais de três anos na organização.
-Noviça da Congregação das Irmãzinhas da Imaculada Conceição.
3.3 COLETA DE DADOS
A coleta de dados foi realizada utilizando-se duas fontes: as primárias e as secundárias.
Para Andrade (1993, p.124), “a coleta de dados constitui uma etapa importantíssima da pesquisa de campo”. São duas as maneiras de pesquisas mais utilizadas na empresa, dentro da observação participante: de forma aberta e a encoberta. Segundo Roesch (2005, p.161), “é encoberta, quando o pesquisador se emprega na empresa e sua intenção de pesquisa não é do conhecimento de ninguém”. Já, para a autora, a pesquisa aberta tem a “permissão para realizar sua pesquisa e todos sabem a respeito do seu trabalho”. A técnica de coletas de dados, através da entrevista, é muito utilizada em pesquisa de mercado e de opinião, devendo ser considerados três fatores importantes. O primeiro, a disponibilidade de responder as perguntas dentro de um limite; outro fator é o processo social, classe social, idade e sexo; e o terceiro, é o cuidado que o entrevistador deve ter para não influenciar nas respostas.
Os dados primários foram obtidos através da observação participante e as entrevistas através de um roteiro. Já os dados secundários foram obtidos através de registros e documentos, informações internas forma de arquivos, banco de dados, índices e relatórios, disponíveis na empresa.
As entrevistas realizaram-se por meio de um roteiro, cujo participantes, foram 07 visitantes de finais de semana de distintas procedências, 01 noviça da Congregação das Irmãzinhas da Imaculada Conceição, 03 moradores e 01 colaborador do Complexo com mais de três anos na organização.
3.4 TRATAMENTO E ANÁLISE DOS DADOS
Os dados foram obtidos e tratados através da análise de conteúdo nas entrevistas, e utilizou uma série de procedimentos para levantar inferência válida a partir de textos. Para Roesch (2005, p. 170), o método “busca classificar palavras, frases, ou mesmo parágrafos, em categorias de conteúdo”. Foram estabelecidas categorias de análise a partir do aprofundamento dos estudos realizados nas classificações de turismo, nas entrevistas.
Neste capítulo, será relatado todo o histórico do Complexo-Santuário Santa Paulina, através da caracterização, como, também, a infra-estrutura, pontos turísticos e organograma.
4.1 COMPLEXO – SANTUÁRIO SANTA PAULINA - HISTÓRICO
O Complexo - Santuário Santa Paulina está localizado na Rua Madre Paulina, 3.988, em Vígolo, no município de Nova Trento/SC. Foi neste bairro, que iniciou a Congregação das Irmãzinhas da Imaculada Conceição.
A história teve início com a chegada dos imigrantes italianos no ano de 1875.
Os meios de sobrevivência familiar, na época, eram muito difíceis; basicamente, todo o alimento era extraído da terra, cultivado com muito esforço e sacrifício. Os imigrantes instalaram-se a seis quilômetros da sede, por intermédio de João Maria Cybeo, padre jesuíta, em missão, que os recebeu na língua materna.
Em meio à mata nativa, com muito trabalho e sacrifício, os homens e os jovens abriram picadas, construíram os barracões que abrigaram as cento e trinta pessoas provenientes de Vígolo Vattaro, região de Trento – norte da Itália, enquanto as mulheres e crianças, aguardavam na Casa de Emigração.
As dificuldades na disputa das terras, a falta de apoio das autoridades brasileiras e a ausência de estradas reforçaram, ainda mais, o apego dos imigrantes à religiosidade.
Estabeleceram-se e intitularam Vígolo, o nome da comunidade, em homenagem à terra natal, tão distante, Vígolo Vattaro - Trento - Itália.
Uma das famílias era a de Napoleone e Anna Domênica Pianezzer, com seus cinco filhos, vieram para o Brasil. Amábile Lúcia Visintainer era a segunda filha do casal; que nasceu aos 16 de dezembro de 1865, batizada no dia seguinte ainda na Itália e, quando chegou ao Brasil, tinha apenas nove anos de idade.
Amábile era uma menina, simples e de profunda sensibilidade para com os mais necessitados. Morava com seus pais e, por três noites consecutivas, teve sonhos com Nossa Senhora. A Virgem, nos sonhos, lhe pedia, que iniciasse uma
obra. Amábile, não entendendo o que estava acontecendo, seguiu com muita dedicação e carinho com os seus afazeres diários.
Tudo era providência divina. Amábile cuidava com muito zelo da Capela São Jorge, ensinava catecismo às crianças e visitava os doentes da comunidade e, em especial, uma doente de câncer em fase terminal. O pedido veio da comunidade e do Padre Rocchi que, em visitas à comunidade de Vígolo, percebeu a disponibilidade dela e de sua amiga Virgínia Rosa Nicolodi, em acolher a senhora Ângela Viviani, e cuidar dela em um pobre casebre. A doente necessitava da presença constante, noite e dia. A cancerosa faleceu e nasceu a Congregação das Irmãzinhas da Imaculada Conceição, um fato marcante em 1890.
Os Padres Jesuítas, vendo todo o trabalho feito com muito esmero pelas jovens Amábile, Virgínia e a nova companheira Teresa Maule, convidaram-nas para iniciar uma nova casa, um “hospitalzinho” na sede. Elas partiram de Vígolo, em 11 de fevereiro de 1894, dia de Nossa Senhora de Lourdes, sendo que, em Vígolo, algumas jovens continuaram auxiliando nos trabalhos da capela Nossa Senhora de Lourdes na catequese e cuidando dos doentes.
Em agosto de 1895, receberam a visita do Bispo de Curitiba, Dom José de Camargo Barros, que no dia 25 de agosto, deu aprovação canônica à obra de Nossa Senhora. Mais próximas da casa paroquial, aos 07 de dezembro do mesmo ano, Amábile, Virginia e Teresa fizeram os votos religiosos, recebendo o hábito, o véu, o terço e o nome religioso. Amábile passou a chamar-se Madre Paulina do Coração Agonizante de Jesus; Virgínia, Irmã Matilde da Imaculada Conceição e Teresa Maule, Irmã Inês de São José.
Madre Paulina sempre foi uma mulher com espírito empreendedor. Como as famílias neotrentinas, cultivavam a criação do bicho-da-seda, como meio de sobrevivência, ela comprava os fios, garantindo assim, o sustento das famílias, motivo pelo qual, a levou a iniciar uma fábrica de seda, em Nova Trento, no ano de 1896. Devido à qualidade dos fios tecidos na filanda, a recém fundada Congregação participou de concursos nacionais e internacionais, recebendo, inclusive, diplomas e premiações de primeiro lugar.
Os anos se passaram e as atividades expandindo-se. Em 1903, uma nova missão é confiada a Madre Paulina: ir à São Paulo para iniciar uma obra social, cuidar de crianças negras, de órfãos e ex-escravos. Madre Paulina do Coração
Aflições e agonias sempre estiveram muito presentes na vida de Santa Paulina. Vítima de diabetes morreu cega de uma vista, com o braço direito amputado. Aos 77 anos, no dia 09 de julho de 1942, na capital paulista, veio a falecer.
Sua vida foi de oração constante e trabalho incessante, alicerce da obra pedida pela Virgem Imaculada Conceição. Seus cuidados com os pobres e doentes a fizeram reconhecida como uma mulher de coração bom, humilde, dedicada a Deus e ao bem do próximo. O legado de Santa Paulina é um carisma extremamente aberto: “Sensibilidade para perceber e disponibilidade para servir”. Com este lema, os trabalhos e atuações nos Estados e países foram crescendo. A Congregação possui, hoje, casas no Brasil, Argentina, Bolívia, Chile, Colômbia, Guatemala e Nicarágua. Na África, estão presentes em Moçambique, Chade e Camarões. Uma casa em Vígolo Vattaro – Trento, na Itália, local onde Santa Paulina nasceu e que a Congregação mantém a missão. Santa Paulina tinha em seu ideal de vida “tornar Jesus, conhecido, amado e adorado por todos em todo o mundo”.
A Congregação das Irmãzinhas da Imaculada Conceição, atualmente está presente em 15 Estados do Brasil e em 11 países, composta por:
486 Irmãs.
15 Noviças.
15 Postulantes.
18 Aspirantes e muitas vocacionadas.
Para o melhor andamento das atividades e obras sociais. A Congregação das Irmãzinhas da Imaculada Conceição está dividida em quatro províncias e uma regional na Nicarágua, sendo que, na Província Nossa Senhora de Lourdes com sede em Itajaí /SC, está vinculado o Complexo - Santuário Santa Paulina.
Após a Beatificação de Madre Paulina no ano de 1991, a Congregação, sentiu a necessidade de mais Irmãs e, conseqüentemente, de mais funcionários e de sacerdotes para atendimento espiritual aos peregrinos e turistas que chegavam. Na época, contavam com apenas cinco Irmãs e um colaborador. Como o Complexo foi aumentando, gradativamente, também foram necessárias ampliações, reformas e mais construções.