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4. RESULTADOS E DISCUSSÃO

4.1. Simbologias

4.1.1. Variável visual Cor

Apesar de não haver padronização para mapeamento temático, em estudos oceanográficos, quando se faz necessário representar parâmetros físico- químicos há uma tendência bastante forte de se utilizar a paleta de cores do arco-íris do azul ao vermelho (Figura 7).

Figura 7: Variação de cores do azul ao vermelho.

O cérebro tem a capacidade de misturar naturalmente cores separadas, por exemplo, numa paleta de cor onde as extremidades sejam amarela e azul (Figura 8), sabe-se que num ponto central se encontra o verde e a visão automaticamente reconhece os tons intermediários. Essa propriedade visual é a base para a representação tricromática (Bertin, 1967), em que se pode reconstruir todo o espectro de cores através das cores primárias azul, verde e vermelho, de maneira a satisfazer os mais diversos problemas de representação gráfica. Segundo Martinelli (1991) a aplicação das cores tem um grande poder de comunicação, além de atuar sobre a emotividade humana e ser uma realidade sensorial sempre presente. Bertin (1967) ressalta, contudo, que apesar de ser uma ótima ferramenta de representação as cores apresentam alguns pontos fracos em relação a outras simbologias tais como tamanho e forma. Uma desvantagem seria em relação às pessoas que apresentam dificuldade de diferenciar as cores. A outra estaria no fato de que a sua reprodução do mapa em preto e branco compromete a representação, fato este que não compromete a

21 representação na cartografia digital. Porém, há casos em que outro meio de representação não se mostraria tão eficiente quanto as cores e assim as suas vantagens acabam por sobrepor as desvantagens.

Figura 8: Variação de cor do amarelo ao azul, passando pelo verde.

Esta variável visual é recomendada por Bertin (1967) para favorecer uma percepção seletiva da distribuição do fenômeno, onde o olho consegue isolar os elementos semelhantes num instante. Ou seja, percebendo e memorizando onde ocorre cada categoria do fenômeno representado. Este é um possível motivo pelo qual esta variável visual seja tão largamente utilizada para representar os parâmetros ambientais, pois agrupa com facilidade áreas com características semelhantes (e.g.

regiões de mesma temperatura).

As paletas sugeridas são compostas então por três fases tricromáticas, a primeira do azul para o verde, a segunda do verde para o amarelo e por último do amarelo ao vermelho, lembrando a variação cromática do arco-íris. A associação das cores gradualmente vai das mais frias (azul e verde), representando os valores mais baixos do parâmetro, para as cores quentes como o vermelho, os valores mais altos, conforme sugestões feitas por Bertin (1967). Apesar de todas as paletas seguirem o mesmo padrão cromático, os valores foram editados para encaixar na paleta de forma a ressaltar algumas características intrínsecas e desejáveis de serem diferenciadas de cada parâmetro, favorecendo a diferenciação visual imediata para estes casos.

A priori o projeto IGEPESCA estará coletando os dados relativos aos parâmetros oceanográficos por meio de uma sonda multiparâmetro e naturalmente sua primitiva geométrica é pontual. Porém, com o avanço do projeto será possível gerar interpolações dos dados adquiridos ao longo do tempo, e quando isto acontecer é recomendado que as classes e simbologia sugeridas para a representação pontual seja também utilizadas para a representação das interpolações, utilizando as cores e classificação sugerida. De forma a não prejudicar o processo cognitivo ao utilizar diferentes simbologias para o mesmo parâmetro. No caso dos projetos criados para o ArcGIS® são apresentadas camadas padrão, utilizando a simbologia proposta, em shapefile de pontos e em imagem raster.

22 4.1.1.1. Salinidade

A paleta de cor e escala de valores sugeridos para a representação da salinidade da água pode ser visualizada na Figura 9. Os valores variam de 10 a 40, em intervalos de 0,5. A escala de valor foi determinada em função da ocorrência do parâmetro na área de estudo. É importante ressaltar que a salinidade 30 será representada pela cor amarela e a 35 pela cor vermelha com a função de separar visualmente águas com características costeiras (salinidade 30), das oceânicas (salinidade 35).

Figura 9: Legenda sugerida de Salinidade.

Outros trabalhos utilizam a paleta de cor do azul ao vermelho para representar a variação de salinidade nos oceanos (Figura 10). Porém a maioria utiliza a escala de valores entre 30 e 40, por se tratar de trabalhos que englobam áreas bastante grandes e, sobretudo, em regiões oceânicas, onde as variações deste parâmetro são menores. Já na área de estudo do presente trabalho, por se tratar de uma região costeira, a variação da salinidade pode ser mais significativa em áreas sob influência de descarga fluvial. Sendo assim, para este trabalho a escala de valores para a representação da variação de salinidade foi determinada com o valor mínimo de 10. Abrangendo os limites mínimos e máximos observados por Magliocca et al (1982) na costa sul do Brasil, 22 e 36 respectivamente.

Salinidade

10 12 14 16 18 20 22 24 26 28 30 32 34 36 38 40

23 4.1.1.2. Turbidez

Como pode ser observado da Figura 11 os valores de turbidez adotados como limites para a escala proposta variam de 0 a 200 ntu, em intervalos de 5 ntu, e foram determinados juntamente com especialistas em aquisição de dados físico- químicos marinhos, respeitando a ocorrência natural na área de estudo (comunicação pessoal com Jurandir Pereira Filho).

A

B

Figura 10: A) Mapa de salinidade do Atlântico Sul elaborado pela Mercartor Ocean. (Disponível em: <http://bulletin.mercator-ocean.fr/>) B) Primeiro mapa global de salinidade superficial dos oceanos elaborado a partir de dados de sensoriamento remoto, no Projeto Aquarius da NASA. (Disponível em:

<http://www.nasa.gov/mission_pages/aquarius/news/aquarius20110922.html>)

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Figura 11: Simbologia sugerida para Turbidez.

4.1.1.3. Temperatura

A temperatura da água do mar, para o presente trabalho, é dada em graus Celsius (ºC) e varia de 12 a 32 ºC, em intervalos de 0,5ºC. Com a simbologia sugerida (Figura 12) águas mais profundas (aproximadamente 15ºC ou mais frias) podem ser visualmente diferenciadas de águas superficiais (aproximadamente 25ºC ou mais quentes) com facilidade uma vez que a primeira é representada por tonalidades mais frias como o azul e a segunda por tons de amarelos, seguidos do laranja e vermelho quanto maior a temperatura.

Figura 12: Simbologia sugerida para temperatura da água.

Diversos trabalhos utilizam mapas para representar a variação da temperatura (principalmente a superficial) da água do mar, e a grande maioria seleciona a paleta de cor do azul para o vermelho, mudando apenas a escala de valores de acordo com a região de estudo. Como se pode observar na Figura 13, trabalhos com pequena variação latitudinal acabam por restringir a escala de valores com a intenção de realçar as pequenas variações de temperatura, uma vez que latitudes iguais tendem a ter temperaturas semelhantes. Por outro lado, trabalhos que abrangem áreas com maior extensão latitudinal se cercam de uma escala de valores de temperatura maior, já que a variação latitudinal de temperatura é grande. A escala de valores sugerida abrange as temperaturas ocorrentes na plataforma continental e talude do Sudeste e Sul do Brasil segundo Castro et al (2006), que traz o limite inferior de temperatura de 13ºC e limite superior de 27ºC.

0 25 50 75 100 125 150 175 200

Turbidez (ntu)

12 14 16 18 20 22 24 26 28 30 32

Temperatura (°C)

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Figura 13: A) Mapa de temperatura superficial dos oceanos da América do Sul, elaborado pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais – INPE (Disponível em: <

http://satelite.cptec.inpe.br/tsm/>). B) Mapa de temperatura supercial do Atlântico Sul elaborado pela Mercartor Ocean (Disponível em: < http://bulletin.mercator- ocean.fr/html/welcome_fr.jsp>). C) Mapa de temperatura superficial elaborado pela National Oceanic and Atmospheric Administration – NOAA (Disponível em: <

http://www.ospo.noaa.gov/Products/ocean/sst/contour/index.html>).

A

B

C

26 4.1.1.4. Clorofila

Os limites para os teores de clorofila foram estabelecidos em 0 e 30 mg/m³ em intervalos em escala logarítmica (Figura 14), seguindo a escala numérica de representação gráfica da Ocean Color da National Aeronautic and Spatial Administration. A escala logarítmica para este parâmetro é a utilizada na sua representação também pela National Oceanic and Atmospheric Administration – NOAA (Figura 15), ambas as instituições têm renome em análise e distribuição de dados oceanográficos. Esta escala permite observar variações no teor de clorofila em águas com menor quantidade do pigmento, como variações significativas para áreas ricas em clorofila, sendo o grande potencial desta simbologia. As cores neste caso também variam segundo os tons do arco-íris.

Figura 14: Simbologia sugerida para Clorofila.

Clorofila (mg/m³)

0 0,01 0,03 0,1 0,3 1 3 10 30

A

B

Figura 15: A) Simbologia utilizada para concentração de clorofila pela Ocean Color. B) Simbologia para concentração de clorofila utilizada pela NOAA

27 4.1.1.5. pH

Os valores de pH variam de 7 a 8,5 em intervalos de 0,1. Sendo estes os possíveis de se ocorrer na água do mar, devido à sua enorme capacidade tampão.

Neste caso a disposição das cores se dá do vermelho para o azul (Figura 16), pois o pH é um índice referente à quantidade de hidroxilas (H+) em uma solução aquosa e é inversamente proporcional ao valor de pH, ou seja, quanto menor o pH maior a quantidade de hidroxilas na solução.

Figura 16: Simbologia sugerida para pH.

Denman et al (2011) quando faz previsões acerca da acidificação dos oceanos utiliza uma paleta e escala bastante parecidas (Figura 17). No caso da presente padronização a escala de valor começa em 7 e não em 7,5 para dar uma margem de segurança maior uma vez que o enfoque é costeiro e as águas continentais podem afetar o pH em regiões específicas de descarga.

pH

7 7,3 7,6 7,9 8,2 8,5

Figura 17: Mapa de previsão de pH para o ano de 2100. Fonte: Denman et al., 2007.

28 4.1.1.6. Oxigênio dissolvido

A escala de valores determinada varia de 2 a 12 mg/l (estabelecido em comunicação pessoal com Jurandir Pereira Filho), em intervalos de 0,2mg/l e as cores variam do azul ao vermelho, onde o azul representa os menores valores, verdes e amarelos valores intermediários e vermelho os maiores valores (Figura 18).

Figura 18: Simbologia sugerida para Oxigênio dissolvido.

Para distribuição de oxigênio dissolvido na água do mar é possível encontrar trabalho como de Stramma et al. (2008) que traz um mapa de distribuição de oxigênio em águas tropicais (Figura 19). Apesar de a unidade do parâmetro ser diferente, o autor usa µmol/kg, o padrão de cores adotado é semelhante ao proposto.

Figura 19: Mapa de distribuição de oxigênio dissolvido em águas tropicais. Fonte: Stramma et al. (2008)

4.1.1.7. Tamanho médio de grão do sedimento

Tendo em vista que há diversas classificações de tamanho de sedimento disponíveis, procurou-se utilizar a adotada pelo Laboratório de Geologia da Universidade do Vale do Itajaí (Lab-Geo), já que este será responsável pelas amostras

<2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12

Oxigênio dissolvido (mg/l)

29 de sedimento do projeto IGEPESCA. Favorecendo, assim, a representação direta do resultado da análise realizada. Para tanto, foram adotadas as classes de tamanho da classificação de Wentworth (Anexo I), que é empregada no software de classificação de sedimento SIGA, utilizado pelo Lab-Geo. O tamanho médio de grão varia de 0 a 4 mm (Figura 20), seguindo as classes de Wentworth. A variação de cor remete às cores da simbologia (ver página 33) dos componentes granulométricos do sedimento silte, areia e cascalho. O arranjo de cores e valores tem como referência o relatório do Setor de Geociência do Governo Australiano (Passlow et al., 2005). O objetivo informativo em se adotar a variável visual cor para este parâmetro é que áreas com semelhantes tamanhos de grão sejam facilmente percebidas e agrupadas pela visão do usuário do mapa.

Figura 20: Simbologia sugerida para o tamanho médio dos grãos de sedimento.

4.1.1.8. Classificação do sedimento

Assim como para o tamanho médio de grão, quando se classifica o sedimento a intenção é de se agrupar unidades homogêneas, e como no mapa isso deve ser facilmente percebido, se adotou a variação de cor também para a classificação do sedimento. Foram adotadas as classes de sedimento do Diagrama de Shepard (Figura 21), que também é empregado no software de classificação de sedimento SIGA, utilizado pelo Lab-Geo, pelos mesmos motivos citados no item anterior.

Tamanho médio do grão (mm)

0 - 0,002 0,002 - 0,004

0,004 - 0,008 0,008 - 0,016

0,016 - 0,031 0,031 - 0,063

0,063 - 0,125 0,125 - 0,25

0,25 - 0,5

0,5 - 1 1 - 2

2 - 4 >4

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Figura 21: Diagrama de Shepard. Fonte: software SIGA.

Na intenção de remeter as cores desta simbologia às da caracterização quanto à porcentagem de argila, silte e areia (ver página 33), que são os vértices do Diagrama de Shepard, aqui foi adotado o amarelo para areia, vermelho para argila e marrom para silte e as composições resultantes de mistura destes componentes seguiu cores geradas pela mistura destas cores “primárias”. A Figura 22 traz o diagrama de Shepard colorido de acordo com a simbologia sugerida. Passlow et al.

(2005) faz o mesmo jogo de mistura de cores, porém com diferentes cores primárias, para representar graficamente o diagrama de Folk (Figura 23)

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Figura 22: Simbologia sugerida para classificação de sedimentos segundo o diagrama de Shepard.

Figura 23: Diagrama de Folk e simbologia utilizada por Passlow et al. (2005)

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