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4. RESULTADOS E DISCUSSÃO

4.1. Simbologias

4.1.2. Variável visual valor (intensidade de cor)

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Figura 22: Simbologia sugerida para classificação de sedimentos segundo o diagrama de Shepard.

Figura 23: Diagrama de Folk e simbologia utilizada por Passlow et al. (2005)

32 na realidade referente à quantidade de luz refletida que corresponde à sensação visual do brilho de uma imagem.

Figura 24: Paleta de variação de intensidade de cor.

Bertin (1967) recomenda utilizar este tipo de variável visual para demonstrar a ordem do fenômeno a ser representado. Ao utilizar esta propriedade em simbologias cartográficas, geralmente o valor mais alto do fenômeno representado é concedido ao preto. Os valores devem seguir uma ordem lógica ao longo da variação de tons para que a representação contribua para uma percepção ordenada da variável. Bertin op cit. ressalta ainda, que para uma percepção seletiva das cores por variação de intensidade não deve haver mais do que seis ou sete degraus de valores na classificação. Tal variação foi utilizada na representação de variáveis sedimentares, pesqueiras e ecológicas, já que a intenção na representação destas variáveis é mostrar aonde o parâmetro apresenta maiores e menores valores (ordem quantitativa).

4.1.2.1. Composição do Sedimento

Para a composição do sedimento a unidade considerada foi a porcentagem do peso bruto da amostra que é composta por lama (soma de silte e argila), silte, argila, areia e cascalho e ainda o teor de carbonato e matéria orgânica da amostra também em porcentagem. Todas contam com a variável visual intensidade de cor com a finalidade de ressaltar a menor ou maior contribuição (ordem) de cada fração do sedimento, alterando apenas a matiz da cor para cada componente (Figura 25). As cores para representação da silte, areia, cascalho e carbonato têm como referência o relatório do Setor de Geociência do Governo Australiano (Passlow et al., 2005) (Figura 26).

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Figura 25: Simbologias sugeridas para a caracterização do sedimento quanto a: A) Lama; B) Silte; C) Argila; D) Areia;

E) Cascalho; F) Matéria orgânica; G) Carbonato.

Figura 26: Simbologias de representação da composição do sedimento. A) Lama;

B) Areia; C) Cascalho; D) Carbonato. Fonte: adaptado de Passlow et al. (2005)

34 4.1.2.2. Dados pesqueiros

Para os parâmetros da pesca a variável visual intensidade de cor foi adotada, pois a intenção geral destes tipos de mapa é transmitir a informação de onde há mais (ou menos) captura, ou onde há mais barcos pescando, ou ainda onde a abundância/eficiência (Captura por Unidade de Esforço de Pesca – CPUE) é maior, entre outros. Diversos trabalhos utilizam esta variável visual para tais parâmetros como é o caso de Stewart et al. (2010) que mapeou a densidade de barcos ao longo da costa africana, ou Booth (2000) que representou o esforço de pesca em número de redes de arrasto (A e B da Figura 27, respectivamente).

A

B

Figura 27: A) Mapa de densidade de barcos por área. Fonte: Stewart et al. (2010); B) Mapa de distribuição de esforço de pesca. Fonte: Booth (2000)

35 A análise pesqueira pode ser feita em diferentes escalas de tempo (i.e.

esforço de pesca total por mês, ou por ano) e com as mais diversas unidades, dependendo tanto da arte de pesca (i.e. esforço de pesca expresso por número de horas de arrasto, quando a pesca for de arrasto, ou número de pescadores, no caso de vara e isca-viva) como do objetivo da análise (i.e. captura média por dias de pesca, ou por litros de óleo diesel). Por este motivo é bastante delicada a situação de se estabelecer uma escala fixa de valores para tais parâmetros para a representação gráfica. Sendo assim, não se justifica a normalização absoluta de valores já que limitaria o poder de análise. Normalizações relativas também teriam as mesmas desvantagens representativas (perda de comparabilidade entre mapas de diferentes escalas de valores dos dados) dos valores por si e, nesse caso, os valores absolutos levam vantagem em relação à normalização relativa já que acaba por ser uma informação a mais, já que um índice normalizado não teria muito significado na maioria dos casos que envolvem a pesca.

Desta forma, a escala de valores para tais parâmetros fica a critério do autor do mapa, determinando a unidade e variáveis para suprir as necessidades de resposta às mais diversas questões que podem ser formuladas acerca do tema.

Ressalva-se que a falta de comparabilidade de valores absolutos em mapas não é justificável num mesmo trabalho, tendo o autor a obrigação de gerar uma escala de valores padrão que abranja todo o espectro de dados utilizados em suas análises.

Deste modo se garante que os mapas do trabalho possam ser prontamente comparáveis, evitando casos como o trabalho de Sousa (2009) onde mapas que foram criados com a finalidade de serem comparados uns aos outros, perderam este potencial de comparabilidade visual imediata pela falta de padronização da escala de valores utilizado (Figura 28).

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Figura 28: Exemplo de mapas sem padronização da escala de valores. Fonte: Sousa (2009)

Apesar de não existirem valores fixos, a paleta de cor para cada parâmetro foi padronizada (Figura 29) e uma vez que o objetivo principal destes mapas é responder a questões referentes ao padrão de distribuição dos dados, esta padronização de cores para a representação se faz suficiente para respondê-las numa primeira instância. Porém havendo a necessidade se comparar mapas com diferentes escalas de valores, a legenda deverá ser consultada e a análise comparativa visual pode ser um pouco prejudicada dependendo do caso.

Figura 29: Simbologia sugerida para os parâmetros de pesca: Captura, Captura por Unidade de Esforço de Pesca (CPUE) e Esforço.

37 4.1.2.3. Densidade de indivíduos, diversidade ecológica e riqueza de espécies

Para a representação destes três parâmetros ecológicos (densidade de indivíduos, riqueza de espécie e diversidade ecológica) são sugeridas paletas com variação de intensidade de cor (Figura 30), já que o principal objetivo destas análises é demonstrar onde há maiores e menores valores do parâmetro. Pelas mesmas razões dos dados pesqueiros, nestes casos não foram estipulados escalas de valores já que estes podem variar bastante dependendo do ambiente e classe de organismos estudados.

Figura 30: Simbologia sugerida para parâmetros

ecológicos: A) Densidade de indivíduos;

B) Diversidade ecológica; C) Riqueza de espécies.

Walli et al (2009) utiliza tags por km² como unidade de densidade de atuns monitorados no Atlântico Norte. A simbologia utilizada por este autor é a variação de cores do azul para o rosa (Figura 31), o que segundo Bertin (1967) não traz uma ideia imediata de ordem quantitativa.

Figura 31: Mapa de densidade de atuns em tags/km². Fonte: Walli et al(2009).

38 Outra possibilidade de representação de ordem quantitativa é a variação de tamanho do símbolo, como Booth (2000) utiliza para representar a densidade de Pterogymnus laniarius em diferentes estágio de vida na costa sul da África (Figura 32).

Apesar de correta segundo os princípios da semiologia gráfica, este tipo de representação não foi utilizado por poluir visualmente o mapa mais que a representação por variação de intensidade de cor.

Figura 32: Mapa de densidade de Pterogymnus laniarius em diferentes estágios de vida na costa sul africana. Fonte: Booth (2000).

39 Em casos que se faça necessário representar espacialmente o esforço de amostragem realizado na coleta de dados destes parâmetros ecológicos, deve ser utilizada a simbologia de esforço de pesca (ver Figura 29 na página 36)

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