A solução da trajetória profissional de Sylvia Jaguaribe Ekman e a análise de sua produção arquitetônica possibilitaram observar o processo de modernização de Fortaleza sob novas perspectivas. João Hyppolito, filho de Francisco Hyppolito, chefe do escritório técnico de Sylvio Jaguariba Ekman em Fortaleza.
São Paulo: paisagem urbana na chegada de um novo século
Até meados do século XX, a cidade de São Paulo apresentava um padrão de ocupação predominantemente horizontal. À medida que a cidade de São Paulo se expande, ela começa a diversificar suas funções e seu antigo centro, que originalmente era a residência das famílias mais ricas e da pequena burguesia, agora está recuando. 13 Domiziano Rossi foi um arquiteto italiano que, formado em Gênova, mudou-se para São Paulo na década de 1890.
Foi professor da Escola Politécnica e do curso de engenharia civil da Faculdade Mackenzie, também em São Paulo (FICHER, 2005). Às margens dessas ferrovias, incentivadas pela queda do preço dos terrenos e pela facilidade de acesso, foram construídas as primeiras fábricas e armazéns paulistas. Em um gráfico (figura 1.5) publicado no primeiro número da Revista de Engenharia, em 1911, é possível observar o progressivo crescimento da habitação na cidade de São Paulo em relação à cidade do Rio de Janeiro, entre 1906 e 1910 .
Esses números pareciam justificar plenamente o refrão jactancioso de que "São Paulo é a cidade que mais cresce no mundo".
Uma família de arquitetos e construtores
Com o fim da parceria, Carl Ekman continuou com seu próprio escritório, passando a se firmar como "Carlos Ekman Architecto". No manuscrito autobiográfico de 1937 (EKMAN, 2002), Carlos Ekman também relata que após seu noivado com Flora Jaguaribe, seu sogro, Domingos Jaguaribe, deu-lhes uma casa de madeira (figuras 1.17 e 1.18), no bairro de Higienópolis. , em São Paulo. Após encerrar a parceria com Augusto Fried, Carlos Ekman projetou e executou diversas obras em São Paulo; entre eles, a vila do Penteado (figura 1.20) - um dos exemplos mais representativos da Art Nouveau em São Paulo.
A historiografia da arquitetura, segundo Amado (2019), reconhece Carlos Ekman como um importante representante da Art Nouveau no Brasil devido a projetos como a Vila Penteado e a Escola de Comércio Álvares Penteado (figura 1.21), de 1907. com o autor, Carlos Ekman também possui um acervo representativo de obras de estilo eclético em São Paulo, como o Teatro São José, de 1900 (figura 1.22). Vinte e seis anos após deixar a Suécia, em 1912, Carlos Ekman retorna ao seu país de origem.
Assim, por meio da iniciativa de publicar Det Moderna Brasilien, nota-se um forte veio empreendedor na obra de Carlos Ekman.
Sylvio Jaguaribe Ekman: resgate de uma trajetória
Em 1918, Sylvio Jaguaribe Ekman ingressou na Escola de Engenharia do Colégio Mackenzie, matriculando-se no curso de engenharia civil22 (Figura 1.39). A Escola Politécnica de São Paulo (Figura 1.41), assim como a Escola de Engenharia do Colégio Mackenzie, possuíam duas especializações no curso de engenharia: engenharia civil e engenheiro-arquiteto (FICHER, 2005). Para melhor apreciação da formação de Sylvio Jaguaribe Ekman, apresentamos de forma geral as disciplinas que ele cursou na Escola de Engenharia do Mackenzie.
O ecletismo prevaleceu entre as expressões arquitetônicas que circulavam na Escola de Engenharia do Mackenzie. O curso de engenheiro-arquiteto da Escola de Engenharia do Mackenzie demonstrou em sua grade curricular ser semelhante ao curso de engenharia civil; que confirmou a inobservância de distinções no exercício profissional. 30 Eduardo Kneese de Mello foi um engenheiro-arquiteto paulista, formado em 1931 pela Escola de Engenharia do Colégio Mackenzie.
Foi no contexto da cidade de São Paulo na década de 1920 que Sylvio Jaguaribe Ekman, após concluir sua formação na Escola de Engenharia do Colégio Mackenzie, como já mencionado, passou a trabalhar em colaboração com seu pai, Carlos Ekman, que iniciou em 1923, o escritório técnico Carlos Ekman & Filho (AMADO, 2016).
O escritório técnico de Sylvio Jaguaribe Ekman em Fortaleza
Francisco Cancian Hyppolito chegou a Fortaleza em 1937 e tornou-se auxiliar técnico no escritório de Sylvio Jaguaribe Ekman. Segundo Castro (1998), Sylvio Jaguaribe operou o escritório técnico da Ekman em Fortaleza em duas fases distintas. Sobre a produção de Sylvio Jaguaribe Ekman em São Paulo, Gouveia (2008) o coloca como um dos profissionais que participaram do processo de verticalização na capital.
Além da cidade de São Paulo, Campos do Jordão também foi palco importante de Sylvio Jaguaribe Ekman. Entre as atividades desenvolvidas pelo escritório técnico de Sylvio Jaguaribe Ekman estava a fiscalização de obras. O escritório técnico de Sylvio Jaguaribe Ekman ficou a cargo de um desses novos prédios administrativos: a sede do Instituto de Pensões e Aposentadorias dos Bancários (Figura 1.88) em São Paulo.
Além do legado profissional, a memória do cearense ficou na família de Sylvia Jaguaribe Ekman.
Sylvio e as revistas de arquitetura
Logo após sua chegada ao Ceará, em 1938, Sylvio Jaguaribe Ekman já publicava artigo de sua autoria na segunda edição da Revista Acrópole (figura 1.97), intitulado “Aspectos do Nordeste brasileiro: seu desenvolvimento industrial, urbanístico e arquitetônico”54 . Além de projetos próprios, Sylvio Jaguaribe Ekman também utilizou o espaço da revista para divulgar suas ações de fiscalização de obras do IAPB e de execução de obras de terceiros. Herbert Johnson e outra residência também em Fortaleza, projetada pelo arquiteto Darcy Bove de Azevedo, na edição de 1950 (Figura 1.100), ambas construídas por Sylvio Jaguaribe Ekman.
Além de publicar seus trabalhos na Revista Acrópole, Sylvio Jaguaribe Ekman atuou como "consultor técnico no Ceará" nesta revista e colaborou na curadoria dos artigos publicados na revista entre maio de 1942 e janeiro de 1952. As ilustrações de Sylvio Jaguaribe Ekman foram publicadas na revista Habitat . tornou-se tema de pelo menos dois artigos sobre seu trabalho como artista plástico. Na Revista Habitat, Sylvio Jaguaribe Ekman também ilustrou artigo publicado em maio de 1960 sobre a obra de Aleijadinho, Figura 1.104).
Apesar da publicação de artigos sobre artes plásticas, a arquitetura foi o principal tema circulado nas páginas da revista Habitat, e assim como aconteceu na revista Acrópole, Sylvio Jaguaribe Ekman também publicou seus trabalhos em artigos nesta revista.
Sylvio Artista Plástico
Em seus diários de viagem, ou "notas-desenhos", como Sylvio Jaguaribe Ekman gostava de chamá-los, o artista retratava detalhadamente elementos do espaço construído, como monumentos, ruas, vielas, telhados, além de destacar edificações. Em entrevista concedida a Quirino da Silva para sua coluna no jornal Diário da Noite, de 24 de outubro de 1961, Sylvio Jaguaribe Ekman acrescenta: “As ruas, becos, praças, cafés e terraços de Paris sempre seduziram minha sensibilidade. Sua participação, além de ilustrar textos de Quirino sobre diversos assuntos (figuras 1.114 e 1.115) e impressões cotidianas, também se deu por meio de algumas entrevistas com o crítico sobre a obra de Jaguaribe Ekman.
Segundo informações coletadas no folheto da exposição (figura 1 120), Sylvio Jaguaribe Ekman expôs uma série de 25 desenhos e pinturas, com temas relacionados ao Ceará. Na ocasião, Raimundo Girão, então secretário de Cultura do estado do Ceará, afirma no catálogo da exposição (1966), a respeito da obra de Jaguaribe Ekman: "as linhas seguem a direção do movimento e às vezes até parecem sopradas pelo vento. Jaguaribe Ekman", realizada no salão nobre da reitoria da Universidade Federal do Ceará, em 28 de outubro de 1966.
Sylvio Jaguaribe Ekman (Figura 1124) faleceu em 14 de julho de 1978, deixando um importante legado não só para a engenharia e arquitetura do país, mas também para as artes plásticas.
Engenheiro, construtor e artista: Sylvio Jaguaribe Ekman
Em sua trajetória como engenheiro civil e projetista, já trabalhou com as mais diversas tipologias como residências, casas de madeira, clubes sociais, prédios de escritórios, postos de gasolina, fábricas e lojas; produzindo uma obra que transitou pelas mais diversas linguagens arquitetônicas de seu tempo, desde reminiscências do ecletismo oitocentista até obras que tentaram, ainda que discretamente, incorporar elementos da arquitetura modernista. Além de projetar edifícios, ele também explorou sua construção, quase sempre relacionada ao projeto, como era comum em sua época. Não se pode esquecer mais uma vez dos desenhos de seu pai, que também era um excelente desenhista e que, podemos dizer, teve forte influência nas linhas iniciais de Sylvio, como pode ser visto em suas primeiras aquarelas58 .
O seu percurso profissional resultou da circulação de ideias e do cruzamento dos percursos que traçou (Figura 1.126), através da sua formação familiar, técnica e artística, das viagens que realizou e das experiências que nelas adquiriu, bem como daquelas que , de alguma forma participou dessa trajetória, proporcionando desafios e condições favoráveis para que sua arquitetura se materializasse, como forma de atender às demandas modernizadoras típicas de seu tempo. Este capítulo buscou, de um ponto de vista específico, resgatar a trajetória profissional de Sylvio Jaguaribe Ekman dentro de um contexto mais amplo da história da arquitetura no país (Figura 1.127). O próximo capítulo tentará analisar mais de perto o fenômeno de sua participação no processo de modernização de Fortaleza, novamente estabelecendo conexões com o contexto em que Sylvio foi implantado.
127: Linha do tempo da trajetória profissional de Sylvia Jaguaribe Ekman e eventos relacionados à sua atuação em Fortaleza.
O “PROGRESSO” CHEGA À FORTALEZA
Se no século XIX o espaço da cidade foi organizado para a capital inglesa, com a entrada de Fortaleza no mercado internacional, que alimentou com o algodão as indústrias têxteis inglesas59; nos primeiros anos do século 20, os valores e produtos sociais americanos gradualmente se estabeleceram e forjaram novos hábitos e formas. Castro (1998) afirma que no final da década de 1910, logo após a Primeira Guerra Mundial, um "ciclo de progresso" no estado do Ceará foi caracterizado pela variedade de produtos de exportação, como o algodão, além de um crescimento populacional acelerado em seu capital, aportado por migrações do. A chegada, em 1913, da iluminação elétrica em residências e estabelecimentos comerciais e a inauguração do bonde elétrico (figura 2.2); instalação de iluminação.
Outro sinal de modernidade urbana atrelado ao consumo de produtos americanos, como destaca Silva Filho (2002), é perceptível no aumento das comunicações, especialmente com a chegada das rádios ao mercado cearense, como na propaganda da indústria fonográfica norte-americana empresa RCA Victor (Figura 2.4). Segundo Carvalho (2020), o rádio chegou ao Ceará em 1934 e adotou o modelo de rádio sociedade em que os ouvintes também eram os “donos” da emissora, por meio do Ceará Rádio Clube, que influenciou muito a mídia, que até então era dominado pela impressão de jornais. 6 - Mapa do crescimento da ocupação urbana da cidade de Fortaleza, elaborado com base em bases cartográficas de e 1945.
Além disso, a área expandiu-se consideravelmente, passando de 6 km² no início do século XX para cerca de 40 km² no início da década de 1940 (Figura 2.6).
Os Planos Urbanísticos e a Cidade
O centro comercial e ampliado da cidade hoje cobre praticamente a área, então relativamente grande, que foi oferecida para ocupação em 1875. Um mapa da cidade realizado em 1931/1932 mostra-a ainda dentro dos limites propostos por Herbster, com exceção de algumas novas zonas, em expansão, contínuas com as radiais (CASTRO, 1994, p. 69). dr. Margarida Andrade) e o plano elaborado por Adolfo Herbster em 1875 (fonte: PAIVA, 2011), que demonstra o crescimento da cidade previsto por Herbester em 1875.
Boa parte dos problemas atuais do centro da cidade decorrem não precisamente do plano de 1875, mas de correções e adaptações que não foram feitas no tempo certo, fato evidenciado pelas repetidas rejeições de planos de remodelação urbana. contratados pela Prefeitura em 1933 e 1947, este último propondo intervenção física no centro da cidade (CASTRO, 1994, p. 69). No memorial que o acompanha, o plano de Nestor de Figueiredo refere “a definição de um zoneamento para localizar as diversas atividades da cidade e preservar, para as áreas residenciais, a tranquilidade necessária para o descanso dos seus habitantes”. O plano de Nestor de Figueiredo nunca foi implementado, tendo sido abandonado pelo sucessor de Raimundo Girão, o prefeito Álvaro Weyne.
Porém, voltou a encontrar forte oposição dos latifundiários do centro, culminando no mesmo destino do plano de Nestor Figueiredo de 1933 (DUARTE, 2021).
A Fluidez do Espaço Urbano