• Nenhum resultado encontrado

Arte e conhecimento : tudo a ver!

N/A
N/A
Protected

Academic year: 2023

Share "Arte e conhecimento : tudo a ver!"

Copied!
139
0
0

Texto

Porém, quando se trata de pesquisa em arte, os critérios aplicáveis ​​ao campo ainda não foram pacificados, mesmo que muitos não considerem esta área do conhecimento como legítima geradora de tecnologia e inovação. É necessário minimizar preconceitos epistemológicos contra a pesquisa artística. É por isso que publicamos este ensaio, para contribuir com o debate sobre a arte como conhecimento epistemológico, capaz de desenvolver tecnologia e inovação em diversas áreas de interesse público.

O que é o conhecimento

Originalmente, “conhecer” é dar nomes às coisas, ou seja, incorporá-las na linguagem verbal apreendendo a sua essência num conceito. Além da arte, todos os outros conhecimentos que passam pelos sentidos físicos fazem parte do campo da estética.

TEORIAS DO CONHECIMENTO

Conhecimento tradicional

No seu caminho evolutivo, o homem não esqueceu as suas origens nas profundezas das florestas e savanas africanas. Édipo não era apenas filho, “mas também” marido de sua mãe – a confusão de códigos.

Conhecimento fi losófi co

Portanto, não devemos confundir o conceito abstrato de coisa com a própria coisa. Mas desde os sofistas percebeu-se que a essência de alguma coisa era a memória que ela deixava na ideia.

Conhecimento científi co

Portanto, a matemática não nos revela a essência do mundo, mas confirma a nossa própria forma antropocêntrica de pensar e ver o mundo em que vivemos. Pelo contrário, é uma coisa opaca, misteriosa, fechada em si mesma, uma massa fragmentada e intrigante em alguns pontos, misturando-se aqui e ali com as figuras do mundo e sobrepondo-se a elas. Há quem passe a acreditar que as abstrações matemáticas constituem o DNA da própria realidade, de onde podem tirar frutos da mítica árvore do conhecimento que estaria localizada no centro do mundo dos números.

A objetividade não é, portanto, uma forma de ler o mundo sem subjetividade, pois só o sujeito pode ser objetivo. De certa forma, a palavra ‘coisa’ é tratada pejorativamente pelo idealismo – uma parte do mundo que não tem nome, não tem substância, e por isso é decategorizada: “é uma coisa”. 'Inteligência' é um tipo especial de conhecimento baseado em interpretações (traduções) cuja memória de significados gera representações codificadas do mundo.

Conhecimento estético

Obviamente, esta não pode ser uma filosofia geral, nem uma teoria do conhecimento científico (epistemologia), porque estas estão intimamente relacionadas com a ciência. Estas três disciplinas estariam subordinadas à filosofia, que as justificaria com os seus princípios metafísicos. A filosofia da arte foi responsável pelo estabelecimento de propostas universais que visavam colocar a arte a serviço da evocação do sublime.

E tal como devemos separar a estética do campo da filosofia, é também necessário, por outro lado, libertar a arte da sua ligação automática com a estética. Por outro lado, a estética contemporânea tem mais a fazer do que aparecer como um projeto fracassado de filosofia, que não conseguiu reduzir a arte a conceitos universais. A libertação da estética da filosofia também abole para nós a exigência de um “bom pensamento que alcance a verdade”.

CONHECIMENTO E MEMÓRIA

Longe dessa oposição clássica, mas ingênua, a biologia humana revela que existem dois tipos de memória de longo prazo que, embora ativadas em diferentes áreas do cérebro, interagem constantemente para oferecer ao ser humano um conhecimento efetivo do ambiente em que vive (JANATA, 2009 ; GUETI). e outros, 2010; KRUCHININA et al., 2012). A primeira etapa do acesso e retenção da memória é a recuperação, que consiste na inserção de informações de qualquer evento - por meio dos órgãos sensoriais - nos sistemas neurais associados aos mecanismos de memória de curto e longo prazo. A memória implícita (não falada ou silenciosa) não pode ou não precisa ser verbalizada ou declarada (raramente traduzível em fala).

Como visto acima, é a memória de experiências, hábitos, habilidades, condições, percepções, sentimentos, apetites que são acionados pelos órgãos perceptivos do indivíduo - por exemplo, saber realizar um reparo ou reparo (JANATA, 2009; HARVEY et al., 2013). A memória implícita consiste na formação de conhecimento que muitas vezes ocorre independentemente da consciência. Considerando o que mostra a Figura 2, pode-se ver claramente a quantidade de recursos orgânicos utilizados pela biologia humana para criar dois tipos de memória de longo prazo.

Figura 1: Sistema nervoso. Fonte: Autores (2016).
Figura 1: Sistema nervoso. Fonte: Autores (2016).

Educação cientifi cista

Durante muito tempo não se percebeu que o conhecimento estético, recuperável através da memória implícita, era tão fundamental para a constituição do conhecimento lógico, apoiado na memória explícita. Esta é a principal razão pela qual a ausência de uma educação estética eficaz no currículo escolar prejudica sobremaneira o ensino-aprendizagem, uma vez que os processos cognitivos implícitos não apenas favorecem as formas de aquisição do conhecimento explícito, mas também apoiam a sua constituição (PAULA; LEME, 2010, p. 20). A figura do iceberg ilustra a importância do conhecimento implícito, quando os recursos biológicos mobilizados pelo inconsciente são comparados com aqueles dedicados à memória explícita (ver Figura 2).

A geração de conhecimento é uma determinação evolutiva que torna o conhecimento tácito (implícito, perceptivo, estético) um componente demasiado importante para ser negligenciado pela educação. Portanto, ao considerar o fato científico das memórias implícitas e explícitas, a epistemologia contemporânea admite os aspectos estéticos e lógicos da cognição humana como princípios da formação do conhecimento. O significado do conhecimento estético (implícito, tácito, subjetivo, sensível, artístico) ampliou a compreensão de muitos mecanismos cognitivos, que antes eram apenas ligeiramente considerados pelo logicismo teórico.

CULTURA E CONHECIMENTO

Por sermos uma espécie social, a humanidade desenvolveu inúmeros mecanismos sensíveis e abstratos, com o objetivo de fomentar as relações entre o indivíduo e os seus pares. Da relação entre ego e alter nascem respectivamente a linguagem e a arte, a preservação do conhecimento coletivo e a transformação do conhecimento – movimentos cognitivos que nos envolvem e nos ultrapassam, que através da fricção criam a cultura do homem.

Para que serve a cultura?

Por outro lado, os bens que possuem identidade de marca (bens industriais, tecnologia avançada, serviços especializados) agregam mais valor a cada produto, sendo comercializados com base na qualidade de seus atributos. À medida que os Estados Unidos exportavam o seu modo de vida americano para todo o mundo, publicitaram efectivamente a sua identidade de marca sob a forma de uma cultura nacional que superou outras culturas menos protegidas, dando origem ao conceito de colonialismo cultural. Se uma sociedade negligencia a sua própria cultura, acaba por ter de assumir a cultura de outra pessoa.

Pode parecer uma fantasia de nacionalismo ingénuo, mas as consequências concretas, materiais, económicas e sociais da rejeição da própria cultura são a permanente subjugação e alienação social, económica e política de uma nação.

O que é a cultura?

Podemos dizer que a cultura corresponde a todas as interpretações coletivas que se concentram na tentativa de obter informações sobre o ambiente natural e social, com a clara intenção de produzir soluções para problemas práticos e teóricos, com vistas ao sucesso evolutivo do indivíduo e do coletivo humano. Pelo que se pode inferir da citação acima, a diferença entre cultura e natureza é semelhante à diferença entre ser uma engrenagem de uma imensa máquina natural e ser o administrador dos recursos naturais. O termo alemão Kultur (cultura) engloba justamente esse conceito de civilização, que se confunde com noções de desenvolvimento, educação, bons hábitos, etiqueta e comportamento elitista.

Isto cria um estranho paradoxo que se refere ao facto de a sociedade invocar a identidade cultural para se distanciar e defender contra a diversidade cultural, lutando pela diferenciação cultural - queremos ser diferentes daquilo que é diferente para nós. Outra ironia da história é a constatação de que foi a própria globalização cultural que lançou luz sobre as culturas nacionais, regionais e locais, porque antes destes movimentos internacionalistas a cultura de cada sociedade era considerada “natural” e “normal”, ou seja, invisível. como o ar que você respira (vital, mas imperceptível). Na perspectiva das dimensões institucionais e sociológicas da cultura, parte dos seus fenômenos se dá por meio de construções cotidianas, na forma de valores, identidades, diferenças, que refletem o que Michel de Certeau chama.

Mudanças culturais

As transformações, ou seja, as mudanças culturais, têm como principal meio de comunicação a(s) língua(s), cuja lógica semiótica deve ser questionada quando se deseja alterar significativamente um discurso, para torná-lo portador de mudanças culturais. As duas ideias não poderiam estar mais separadas, mas ambas estão presentes – e devem continuar – na ideia composta de “cultura”, que significa ao mesmo tempo inventar e preservar; descontinuidade e continuidade; novidade e tradição; rotina e quebra de padrões; siga as regras e quebre-as; o ímpar e o regular; a mudança e a monotonia da reprodução; o inesperado e o previsível. Uma das principais funções da cultura, vista de um certo ângulo, é “mesmificar” os indivíduos para que se adaptem a uma identidade social.

A arte é vizinha da cultura, mas as ligações entre uma e outra terminam na zona instável que de alguma forma demarca os territórios de uma e de outra. Mas localizar as diferenças quando estamos habituados e adaptados à ideia de que a ênfase é sempre colocada nas identidades, nas igualdades, na condição de que tudo é igual a tudo, é uma tarefa difícil. A arte, paradoxo da cultura, é na verdade uma garantia da solvência da identidade cultural, quando se leva em conta a economia da vida.

ARTE E CONHECIMENTO

Portanto, o que é “explicado” é de fato retirado de sua existência real e transformado em imagem abstrata, ou seja, convertido em conceito. De acordo com os cânones de uma epistemologia antiga, o papel da ciência é “descobrir” algo que já foi previsto dedutivamente pela teoria. Segundo essa crença, fazer “ciência” significaria encontrar os elementos empíricos da realidade, para que nesta operação viesse à luz a verdade do conceito previamente elaborado pela teoria (o paradigma).

Na verdade, após uma investigação mais aprofundada, descobrimos que a ciência não sabe nada. 'fatos nus', mas que todos os 'fatos' dos quais tomamos conhecimento já são vistos de uma certa maneira e são, portanto, essencialmente idealistas.” FEYERABED, 2007, p.169) Rigor, precisão e explicações devem ser equilibrados por uma forma de pesquisa mais “artística”, onde os objetos de estudo são vivenciados de forma mais estética, ao invés de apenas considerar os argumentos lógicos que se enquadram no paradigma antecipatório. A palavra ‘ciência’ pode consistir em uma palavra – mas não existe uma entidade única que corresponda a essa palavra.”

Pesquisa em arte

Porém, desta relativa autonomia surge o desafio que a estética sempre coloca à lógica, porque é aí, no quadro da estética, que surgem as possibilidades de novos conhecimentos. Estes três aspectos do apelo retórico alimentam o poder persuasivo do discurso (de qualquer língua numa cultura); são recursos discursivos recomendados pelos palestrantes (retor) para obter sustentação às teses apresentadas ao público. A compreensão dos significados de “5” e “10” é melhor definida a partir do conceito de volume adquirido através da experiência tátil de formas singulares.

As comparações da parábola e do círculo são mais assimiláveis, pois são percebidas as formas cinéticas de um movimento pendular e de um movimento circular, a partir da experiência proporcionada pela dança. A energia retórica de um gesto questionador e de um gesto exclamativo é semanticamente melhor compreendida após uma experiência teatral. A criatividade surge da atuação hábil da subjetividade para superar ou quebrar as regras objetivas de um determinado sistema.

Marco regulatório

É uma economia de processos colaborativos e de predominância de aspectos culturais na geração de valor. Convidamos os investigadores em arte a expandir esta metodologia de avaliação, que permitirá não só melhores orçamentos para projetos de áreas artísticas, mas também o reconhecimento académico do conhecimento estético.

LUIZ FERNANDO PEREIRA - Possui graduação em biologia pela PUC-PR (1981), mestrado em ciências (bioquímica/bioenergética) pela UFPR (1991) e doutorado em ciências (bioquímica/bioenergética) pela UFPR (1999). Concluiu seu pós-doutorado junto ao programa de pós-doutorado na Escola de Comunicação da Universidade Federal do Rio de Janeiro.

Imagem

Figura 1: Sistema nervoso. Fonte: Autores (2016).
Figura 2: Taxonomia dos sistemas de memória de longo prazo. Fonte: Autores (2016)

Referências

Documentos relacionados

O algoritmo de ordenação baseado em troca, consiste em intercalar pares de elementos que não estão em ordem até que não exista mais pares. O principio do bolha é a troca de