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Com isso, pretende-se demonstrar que o método linear de amortização do intangível de acordo com a Lei nº ainda é plenamente aplicável em termos fiscais. Neste ponto, a questão que se coloca diz respeito ao tratamento a ser seguido para a compatibilidade do artigo 58 da Lei nº com as novas regras contábeis. Em todo o caso, importa referir que o artigo 58.º da Lei n.º não abrange necessariamente todos os bens ou direitos devidos.

10 De referir que, tratando-se de um activo intangível com vida útil indefinida, sujeito a teste de imparidade, o contribuinte deve observar a regra prevista no artigo 32.º da Lei n.º, que prevê um tratamento fiscal específico para o sujeito. . Assim, caso o contribuinte possua um bem intangível que não atenda aos requisitos do art. 58 da Lei n. os direitos classificados no ativo intangível serão considerados dedutíveis na determinação do lucro tributável. Outra possível alteração no escopo de aplicação do artigo 58 da Lei nº, em relação ao artigo 41 da Lei nº, diz respeito à possibilidade de amortização do ativo intangível sem prazo determinado.

Por outro lado, o artigo 41 da Lei nº parece permitir a dedução das taxas de amortização de qualquer item classificado no ativo intangível, sem a limitação contida no artigo 58, desde que indissociavelmente ligadas à produção ou comercialização de bens e serviços . Qualquer bem incorpóreo que deva ser amortizado de acordo com as novas regras contabilísticas ficará assim abrangido pelo artigo 41.º da Lei n.º, incluindo as marcas sem prazo determinado13. Em suma, a depreciação contábil pode ter efeitos tributários em relação a bens e direitos não abrangidos pelo artigo 58 da Lei nº 4.506/1964.

Não há como supor que o legislador simplesmente se esqueceu de revogar o artigo 58, § 1º, da Lei nº., quando a Lei nº. da Lei nº., que pode ser considerada sua principal ferramenta legal sobre o assunto, limita-se a determinar que a amortização de direitos classificados no ativo intangível seja considerada dedutível na apuração do lucro tributável. Não havendo revogação, continuamos a examinar as demais razões que podem ter motivado o legislador tributário a manter o método linear de amortização do ativo intangível, nos termos do artigo 58 da Lei nº 4.506/1964.

Ao contrário, para os bens intangíveis que não atendam ao art. 58 da Lei n. pela inexistência de prazo determinado de utilização, pode-se entender pela manutenção da dedutibilidade da quota de depreciação registrada na escrituração, tendo em vista que o art. 41 da Lei nº que determina o lucro real.

SUBJETIVISMO RESPONSÁVEL

Daqui decorre a possibilidade de o legislador tributário manter inalterada a regra das amortizações lineares prevista no n.º 1 do artigo 58.º da Lei n.º 4506/1964. A maior prova dessa afirmação é o tratamento dado à depreciação pela lei nº., para a qual foi mantida a adoção sistemática de taxas fixas editadas pelo fisco, em detrimento da depreciação contábil, que também segue modelos não lineares, baseados em curvas econômicas . A diferença é que, no caso da depreciação, as alterações legislativas deixaram claro que o regime anterior foi preservado, já que a lei nº., ao alterar o artigo 57º da lei nº. a contabilidade e os impostos devem ser controlados por meio de acréscimos e exceções no LALUR, deixando clara a separação entre os dois métodos.

No entanto, a inexistência de normas semelhantes para a amortização de ativos intangíveis não impede que as normas editadas sustentem a interpretação de normas anteriores que não tenham sido revogadas ou alteradas pelo legislador. Recorde-se, ainda, que os parâmetros das novas regras contabilísticas não podem conduzir à tributação sobre um substrato económico incompatível com os contornos e limites fixados pelo texto constitucional e pelo Código Tributário Nacional, pois tal é essencial para o cumprimento dos preceitos constitucionais princípios tributários, bem como regras constitucionais de discriminação de competência tributária. Com o exposto não se pretende argumentar que o legislador tributário não pode atribuir efeito às normas contábeis baseadas no padrão IFRS.

Portanto, desde que não conflitem com a estrutura básica do sistema tributário brasileiro, as normas contábeis podem produzir efeitos tributários, caso o legislador tributário não determine a aplicação de norma adicional específica ou isenção. De fato, o que se deve extrair desse fragmento é a noção de que a preservação do método linear prevista no art. 58, § 1º, da lei n. Por estas razões, pode afirmar-se que a falta de revogação do n.º 1 do artigo 58.º da Lei n. fundamenta-se justamente na intenção do legislador tributário de evitar que o subjetivismo responsável afete a arrecadação tributária, afetando o resultado que servirá de base de cálculo para o recolhimento dos tributos ao fisco32.

MANUTENÇÃO DA UNIFORMIDADE DE ARRECADAÇÃO Outra possível justificativa para a manutenção do parágrafo 1 ° do

Como a arrecadação de impostos é a principal fonte de recursos do governo, a utilização do método linear de amortização tem a vantagem de manter a uniformidade do volume de ativos arrecadados, o que evita que os critérios contábeis de amortização de ativos intangíveis afetem consistência e homogeneidade. Arrecadação de impostos. Por fim, podemos dizer que o método de depreciação linear também está respaldado no princípio da praticidade, pois facilita seu controle e revisão por parte da administração tributária e sua utilização prática pelo contribuinte. Ricardo Marozzi Gregório aponta que a viabilidade pode ser entendida como um princípio cujo objetivo é estimular o uso por parte do poder público de mecanismos que tornem mais simples e viável a aplicação das leis de modo a promover a igualdade geral entre os contribuintes.33 Portanto, a viabilidade não é um fim em si, mas um dever do país de promover o princípio da isonomia por meio da simplificação da legislação tributária.

Já a adoção de taxas de depreciação linear evita que eventuais divergências causadas por regras contábeis e pela visão particular dos contadores individuais gerem desigualdades entre os contribuintes, bem como incertezas no cumprimento da legislação tributária. A escolha do método de amortização deve estar de acordo com o padrão de consumo dos benefícios econômicos esperados que é aplicado consistentemente entre os períodos contábeis, mas pode ocorrer alteração caso haja alteração no padrão de consumo. Essas peculiaridades evidenciam, sem necessidade de grandes interpretações, que a ampla liberdade conferida ao contador é indesejável do ponto de vista do direito tributário, pois torna a aplicação da legislação tributária extremamente subjetiva.

No mesmo sentido, vale ressaltar que existem outras condições que tornam as regras contábeis de depreciação de ativos intangíveis indesejáveis ​​para fins de apuração do lucro tributável, das quais podemos citar como exemplo: (i) o a taxa de depreciação do período contábil pode ser alterada se a vida útil do bem for diferente da estimativa anterior feita pelo auditor; (ii) o método de amortização deve ser alterado se houver uma mudança no padrão de consumo esperado para refletir essa mudança; (iii) a vida útil de um ativo intangível deve ser reavaliada periodicamente à luz de eventos e circunstâncias, com a mudança de vida útil indefinida para definida a ser tratada como mudança de estimativa contábil de acordo com o pronunciamento CPC nº 23 (“Contabilidade Políticas, alteração de estimativa e correção de erros"). Resumidamente, as considerações acima mostram que o legislador tributário, por fortes razões, optou por manter o artigo 58, inciso 1º, da Lei nº 1 intacto, que as diversas idiossincrasias que permeiam o processo contábil interferem de forma significativa e imprevisível na apuração do lucro tributável. A agora defendida conclusão sobre a validade do artigo 58.º, n. 1º, da Lei nº. deve, assim, prevalecer pela perspicaz interpretação das normas legais aplicáveis, ainda que contestadas as razões acima expostas.

A POSSIBILIDADE DE REALIZAÇÃO DE AJUSTE DIRETAMENTE NO LALUR

Diante disso, tornam-se ainda mais relevantes os ajustes que vêm sendo feitos no lucro líquido para fins de apuração do lucro tributável, pois quanto maiores forem os ajustes que devem ser feitos, para que seja apurada a base de cálculo do imposto de renda de acordo com a subseção princípios de tributação, nomeadamente legalidade, capacidade contributiva e realização de rendimentos36. O problema específico enfrentado pelos contribuintes ocorre caso a cota de amortização obtida por força da Lei nº exceda a cota de amortização efetivamente incluída na apuração do lucro líquido contábil, que servirá de ponto de partida para a apuração do lucro real . Se a taxa de amortização calculada na determinação do resultado líquido for inferior ao valor permitido pela legislação fiscal, cabe ao sujeito passivo excluir o excesso do LALUR.

Sem dúvida, a amortização por prazos iguais, prevista no n.º 1 do artigo 58.º da Lei n.º, corresponde exactamente à finalidade da ZALUR, pois permite apurar um valor que deveria influenciar a determinação do lucro real, mas que não se inclui no cálculo contabilidade. 37 Assim se explica na Exposição de Motivos que acompanha o anterior decreto-lei n. A determinação do lucro tributável continua a ser feita com base na escrituração empresarial, que se rege pela legislação aplicável e pelo disposto no art. 7º, mas os ajustes ao lucro líquido do exercício, necessários à apuração do lucro real, e os registros contábeis apenas para fins fiscais, não alterarão a escrituração mercantil, pois serão feitos no livro de apuração das o lucro real. !.

38 Veja a súmula da decisão: “EXCLUSÃO DA PARTE DE AMORTIZAÇÃO NO LALUR Do lucro líquido para efeitos de determinação da matéria colectável e cálculo do IRS, é vedada a exclusão da diferença entre a taxa de amortização permitida pelo imposto legislação devido a uma regulamentação legal falha. , e efetivamente computados na apuração do lucro contábil de acordo com a legislação que rege o setor em que a pessoa jurídica atua”. Além disso, existem outras hipóteses na legislação tributária em que as exclusões do lucro líquido para determinação do lucro tributável são feitas diretamente no LALUR sem a necessidade de lançamentos contábeis prévios. Por esses motivos, conclui-se que a diferença entre a cota de depreciação obtida pela Lei nº e a cota de depreciação apurada pode ser excluída do lucro líquido para fins de apuração do lucro real.

CONCLUSÕES

Referências

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