Contudo, a reflexão limitou-se ao estilo corporal (gestos, acessórios e vestimentas) apresentado pelos “metaleiros” integrantes da ACR. Para identificar os elementos constituintes dos espetáculos “metalheads” na perspectiva dos rituais, é necessário problematizar a categoria juventude. Entre os “metaleiros”, como se compõe esse universo de regras que eles muitas vezes ritualizam.
Conjuntos - O aspecto mais importante do “metal” mostra que consideramos nesta pesquisa são os conjuntos.
A diversidade de cenários, atores e encenações do Metal pela cidade
A explosão do Metal no Teatro
Recentemente, em Fortaleza, foram realizados diversos shows de metal no Teatro Sesc Emiliano Queiroz e no Teatro do Centro Cultural Banco do Nordeste, ambos localizados no centro da cidade. O registro que apresento nas próximas linhas refere-se aos espetáculos realizados no Festival Rock-Cordel em Fortaleza no teatro do Centro Cultural Banco do Nordeste. 18 de janeiro de 2007, entre 14 e 20, foi dedicado à apresentação de música metal e foi caracterizado por gritos e empurrões entre funcionários do Centro Cultural Banco do Nordeste e frequentadores que procuravam ingressos de teatro na entrada.
Além disso, diversas gravações de metal das bandas AC/DC, Black Sabbath, Metallica e Iron Maiden foram exibidas em um telão no pátio do Centro Cultural Banco do Nordeste, em Fortaleza. A série de transmissões começou com a apresentação da mídia institucional, que focou na atuação do Banco do Nordeste do Brasil em relação às manifestações culturais. O fato é que da década de 80 até hoje o Death Metal é o gênero de rock que mais cresce, principalmente no Brasil, o que justificou a procura de um número tão grande de pessoas para assistir às apresentações do dia 18 de janeiro no Teatro do Centro Cultural Banco do Nordeste. que têm influência deste tipo de metal.
Dentro dessas perspectivas, as apresentações aconteceram no Centro Cultural Banco do Nordeste até as 20h. Vemos então que o contexto teatral exige um tipo de comportamento diferente de outros espaços onde acontecem espetáculos de metal. Apesar das limitações impostas pelo espaço teatral, ainda acontecem espetáculos de metal, não menos barulhentos e não menos impactantes.
Os “metaleiros” encenam a céu aberto
E esses momentos não anulam o mau tempo que pode acontecer durante o processo ritual, no caso, o espetáculo do Metal. Há quem, como este pesquisador, além de gostar de ouvir e se dedicar ao estudo dos shows de Metal, também trabalha para o sucesso das produções dos shows. Nos shows de metal não há dança nos termos tradicionais conceituados pelos teóricos.
Nos shows de Metal, o corpo funciona como uma superfície de escrita sobre a qual a lei – o estilo musical – será escrita. É interessante considerar que a bebida é o estimulante mais utilizado pela maioria dos participantes, sejam eles organizados como banda ou como plateia, em shows de metal. O importante é lembrar que esses signos funcionam da mesma forma que o xamã e a eficácia de seus gestos, na relação que ele constrói com os demais na plateia e na perpetuação dos shows de metal em diversos cenários da cidade.
Continuando com as apresentações, foi a vez da mais antiga banda de metal em atividade, Fortaleza da Obscura. Acho quase impossível ir a um show de metal e não se emocionar tocando as famosas ‘trompas’. Os espetáculos de Metal descritos até aqui possuem estruturas semelhantes, diferentes conforme os espaços onde acontecem, comportamento mais ou menos expansivo por parte do público.
São pessoas que falam, gesticulam e se vestem como as bandas e espectadores de Metal descritos acima. Ao contrário do que estes últimos transmitem, ou seja, uma visão anti-metal, o que na verdade acontece é que os desenhos animados se inter-relacionam com outros tipos de shows de Metal e dependem deles para unificar suas performances.
Dinâmicas de significados no underground em Fortaleza
Durkheim, Van Gennep, Turner, Sahlins, Maria Laura Viveiros de Castro, Roberto Da Matta, Tambiah e muitos outros teóricos da antropologia dos rituais afirmaram que por trás deles está uma configuração social que, com sua ação política, econômica e cultural, busca lembram dos participantes, eles dão vida não só ao papel que desempenham na regulação da vida social, mas sobretudo esclarecem o papel que cada participante do ritual deve desempenhar, para que estes momentos que são específicos do grupo, em neste caso os “lançadores”, dão vida às suas experiências pessoais no grupo e no metal. Além disso, por que a experiência dos “metais” não desapareceu com a “integração global e diferenciação local”? (Sahlins, 1997). Inspirado no pensamento desenvolvido por Sahlins, sugiro que consideremos os diferentes significados que configuram os shows de metal e os “metais” à medida que contatos, trocas e/ou alianças são estabelecidos com determinados setores da sociedade inseridos e orientados pelas regras que regem o sistema global. capitalista.
Dizer que o underground, por onde viajam shows e “metalheads”, está fadado ao fracasso devido às transformações nas formas de produção, promoção e consumo de produtos inerentes ao universo metal, é olhar para o underground (o que diria underground) como um. estrada e estrada perigosas. Isso significa no presente estudo que, em vez de os “metaleiros” ficarem confinados em guetos, eles migram no tempo e no espaço movidos pelo espírito rebelde e mobilizador difundido pelo Rock desde a década de 1950, através do Metal, até os dias de hoje. Os “metalheads” veem cada um deles como uma fonte de alternativas quando sentem que as crises de identidade (grupal e individual) se aproximam.
A partir do momento em que você mantém contato com esse tipo de música, passando pelo consumo de CDs, DVDs, vinis, VHS, camisetas e presença em shows, você esclarece para si e para os “outros” as escolhas, os contrastes e os sentimentos de respeito cultivados. por "metalheads" para os elementos que compõem o Metal. Dessa forma, o grupo é movido pela necessidade de não “virar as costas” às transformações atuais e futuras, mas de se organizar e enfrentar os desafios colocados pela indústria cultural, no caso dos shows de Metal e dos “metalheads”, como uma estratégia para sustentar a vida, o estilo musical e as práticas culturais. Todas estas questões dizem respeito a todos nós, pois se referem às dinâmicas, fluxos e mudanças que práticas culturais como as vividas pelos “metalheads” possibilitam.
Considerações finais
A questão aqui é novamente saber que os dispositivos oferecidos pelo sistema mundial, que é antes de tudo um sistema cultural (porque é primeiro codificado pelos indivíduos como um coletivo), podem ser escolhidos conforme as condições exigirem, sem perder de vista o fato de que a existência do “outro” é em primeiro lugar a existência de você mesmo, do grupo em que está inserido e das diferentes formas que utiliza para se manter. Partindo da frase de Da Matta (1997) de que “viver é vencer, vencer é ritualizar”, não posso deixar de ressaltar que as experiências que tenho no campo e ao longo da escrita do texto vivenciadas, em parte, significam uma avançar. na materialização de ideias: primeiro as narrativas referentes às performances do rock e possíveis interpretações relacionadas ao universo Metal e segundo o requisito necessário para obtenção do título de mestre no Programa de Pós-Graduação em Sociologia da UFC. Os caminhos que tracei na construção de performances de Metal, na perspectiva dos rituais, começaram com descrições de minhas primeiras experiências no universo Rock para depois problematizar as questões aqui postuladas, focando nas dimensões da cidade e da juventude. universo ritualizado, mediado por lugares, espaços, tempos, músicas, corpos e momentos de liminaridade e communitas delineados pela sobreposição das esferas sagradas e profanas que as apresentações de Metal na cidade de Fortaleza configuram.
Além disso, para que os shows tenham impacto compatível com a duração, o peso e a densidade de volume do metal, é necessário que esses eventos sejam realizados em locais de maior visibilidade pública, por onde passem várias pessoas e haja o maior número de pessoas. da música é. equipamentos, tempo livre, para que um novo público possa ser conquistado. Com efeito, como os espetáculos são realizados nestes locais, a ocupação de pontos estratégicos da cidade demonstra as formas como os participantes dos espetáculos, organizados em banda ou público, concretizam a ideia em torno da qual a cidade se constrói, a partir da ocupação de determinados espaços por grupos específicos e que projetam suas experiências pessoais (da casa, da rua, do bairro) e as experiências no metal nessas áreas através dos laços sociais que mantêm entre si, da rivalidade com aqueles que diferem de seu caminho de estar presente na história; A ideia de cosmologias sugere justamente essa possibilidade de sobreposição de diferentes esferas da vida social em um evento específico, os shows de metal.
O argumento central é que, como se trata de um sistema mundial, de um sistema capitalista, e o metal é um produto desse sistema, não devemos pensar na extinção em conexão com um modo de operação subterrâneo, ou seja, que não conta nele e não conta com o apoio incondicional da cultura de massa, mas não exclui a possibilidade de recorrer a ela. Ao terminar esta tese, sinto-me revigorado e revitalizado pela compulsão, animação do espírito e inteligibilidade da alma que os espetáculos do Metal me proporcionam. Acredito que novos caminhos devem ser trilhados para construir novos olhares sobre as questões relacionadas aos rituais mais diferenciados, levando em conta as sutilezas e os desejos do que eles têm a nos dizer.
Bibliografia
DA MATTA, Roberto (1978) “O ofício de um etnólogo, ou como ter blues antropológico” in Edson de Oliveira Nunes (org.) Aventura Sociológica. Heavy Metal no Rio de Janeiro e Dessacralização de Símbolos Religiosos: Música do Diabo na Cidade de São Sebastião das Terras de Vera Cruz. A Indústria Cultural e a Eficácia da Forma Dádiva na Era da Mercadoria – Textos de Sociologia e Antropologia – Maio/Junho/87 – Departamento de Sociologia e Antropologia, UFMG.
Rock nacional: crónicas de la resistencia juvenil en Jelín, E (como.): Los nuevos movimientos sociales/1, Buenos Aires, CEAL, 1985.
Vídeos
Caminhos virtuais do Rock
Rock Pró-Cultura – Segmento de rock em Fortaleza que reúne grupos do bairro Antônio Bezerra (zona oeste de Fortaleza) com o Centro Social de Cidadania César Cals, localizado na Av.
Todas as fotografias são do arquivo pessoal de Abda Medeiros
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